O preparo para cirurgia plástica deve organizar exames pré-operatórios, medicações, anestesia, jejum, tabagismo, cuidados com a pele, logística de acompanhante e expectativas antes do dia da operação. Preparar-se bem não elimina riscos, mas reduz fatores evitáveis e ajuda o paciente a atravessar o pré-operatório e o pós-operatório com mais clareza.
Cirurgia plástica eletiva precisa de tempo para planejamento. A consulta define indicação e técnica; os exames avaliam segurança; a anestesia é planejada; a casa é organizada; e o paciente entende o que deve fazer, o que deve evitar e quando deve avisar a equipe.
Sou o Dr. Walter Zamarian Jr., cirurgião plástico em Londrina, CRM-PR 17.388 e RQE 15.688, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da American Society of Plastic Surgeons (ASPS). Com mais de 20 anos de experiência e mais de 8.000 cirurgias realizadas, considero o pré-operatório uma parte ativa do tratamento.
Exames pré-operatórios
Os exames pré-operatórios variam conforme idade, procedimento, histórico clínico, medicações e avaliação médica. Podem incluir hemograma, coagulograma, glicemia, função renal, eletrocardiograma, avaliação cardiológica, exames de imagem ou outros testes quando necessários.
O objetivo não é apenas “liberar” a cirurgia. É identificar anemia, alteração de coagulação, infecção, risco cardiovascular, diabetes descompensado ou qualquer condição que precise ser ajustada antes do procedimento.
Medicações e suplementos
Medicações devem ser revisadas uma a uma. Os anticoagulantes, anti-inflamatórios, aspirina, alguns antidepressivos, fitoterápicos, suplementos, hormônios e anticoncepcional podem exigir conduta específica. Nunca suspenda medicação de uso contínuo sem orientação do médico prescritor e da equipe cirúrgica.
O risco tromboembólico também precisa ser considerado, especialmente em cirurgias mais longas, pacientes com histórico pessoal ou familiar, tabagismo, anticoncepcional, imobilidade ou outras condições clínicas. O preparo correto depende de avaliação individual.
Tabagismo e nicotina
Tabagismo e nicotina prejudicam microcirculação, oxigenação dos tecidos e cicatrização. Isso pode aumentar risco de abertura de pontos, sofrimento de pele, necrose, infecção e cicatriz desfavorável. Cigarro eletrônico e adesivos de nicotina também precisam ser discutidos.
Parar por conta própria no último momento nem sempre resolve o problema. O ideal é conversar cedo, porque a estratégia segura depende do procedimento e do grau de exposição à nicotina.
Anestesia, jejum e hospital
A anestesia deve ser planejada antes da cirurgia. Tipo de anestesia, avaliação pré-anestésica, medicações em uso, alergias, histórico de náuseas, exames e tempo cirúrgico influenciam a conduta. O post sobre anestesia em cirurgia plástica aprofunda esses pontos.
Jejum deve seguir orientação da equipe. Também é importante confirmar hospital, horário de chegada, documentos, exames, roupas confortáveis, retirada de adornos e necessidade de acompanhante. Esses detalhes reduzem estresse e atrasos no dia do procedimento.
Alimentação, hidratação e pele
Nas semanas anteriores, o foco é chegar à cirurgia em boas condições clínicas. A alimentação adequada, hidratação, sono, controle de doenças e evitar álcool em excesso ajudam o organismo a se preparar. Dietas extremas perto da cirurgia podem atrapalhar recuperação.
Os cuidados com a pele antes e depois da cirurgia também importam. Queimadura solar, dermatite, acne inflamada, feridas ou infecção ativa podem exigir tratamento antes do procedimento.
Casa, acompanhante e transporte
Organize transporte de volta, acompanhante responsável, local de repouso, travesseiros, refeições simples, medicações separadas conforme orientação e itens de higiene. O paciente não deve dirigir após cirurgia nem ficar sozinho quando a equipe orienta acompanhamento.
Se houver crianças pequenas, trabalho físico, escadas, viagem ou distância da clínica, isso precisa entrar no planejamento. O pós-operatório não começa quando o paciente chega em casa; ele começa antes, com logística realista.
Expectativas e recuperação
O paciente deve saber que dor, desconforto, edema, roxos, cansaço, sono irregular e ansiedade podem fazer parte da recuperação. O texto sobre recuperação cirúrgica explica essas fases com mais detalhe.
Também é importante alinhar expectativas realistas. Cirurgia não deve ser planejada com base em pressa, comparação com outra pessoa ou promessa de mudança sem limites.
Sinais de alerta
Antes da cirurgia, avise a equipe se houver febre, gripe forte, infecção, feridas na pele, crise de rinite ou sinusite importante, alteração nos exames, uso de nova medicação ou mudança relevante de saúde. Depois da cirurgia, os sinais de alerta incluem dor progressiva fora do esperado, sangramento persistente, falta de ar, dor no peito, febre, secreção com odor e dor em panturrilha.
O guia sobre seguir orientações no pós-operatório e o artigo sobre riscos reais em cirurgia plástica ajudam a entender por que comunicação precoce é parte da segurança.
Escolha do cirurgião
O preparo começa com uma boa indicação. Verifique CRM, RQE, experiência, estrutura hospitalar, anestesia, clareza sobre riscos e acompanhamento. O post sobre como escolher cirurgião plástico reúne critérios objetivos.
Um bom pré-operatório não é burocracia. É o conjunto de decisões que torna a cirurgia mais previsível, mais segura e mais alinhada ao que o paciente realmente pode viver no pós-operatório.
Fontes médicas e leitura complementar
Para aprofundar, recomendo orientações do American College of Surgeons sobre preparo para cirurgia, materiais da American Society of Plastic Surgeons sobre segurança do paciente, informações do CDC sobre infecção de sítio cirúrgico e literatura sobre segurança em cirurgia estética.


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