Em resumo: lifting facial e fios de PDO fazem a mesma coisa?
Não. Os fios de sustentação de PDO (polidioxanona, um material absorvível) são um procedimento não cirúrgico que produz mudanças discretas e temporárias [1]. O lifting facial é uma cirurgia que reposiciona tecidos profundos, com cicatrizes, recuperação e riscos próprios. Não faço fios; explico a diferença para ajudar você a decidir e porque fios anteriores precisam entrar no seu histórico.
- Procedimento: fios são colocados sob a pele sem cirurgia; o lifting é uma operação.
- Duração: a Cleveland Clinic descreve o efeito dos fios como temporário [1].
- Quantidade: em um ensaio pequeno, seis fios por lado não superaram três [2].
- Complicações: inchaço, depressões na pele, alteração de sensibilidade, fio visível, infecção e exteriorização [3].
- Cirurgia depois de fios: fibrose e aderências podem dificultar o lifting [4].
- Escopo: não faço fios; na consulta, avalio lifting e enxerto de gordura.
O guia de lifting facial deep plane explica a cirurgia. Aqui comparo as duas propostas e o que levar à consulta se você já fez fios.
Primeiro, o que você espera mudar?
Talvez você queira recuperar a definição do rosto sem cirurgia, ou já tenha feito fios e queira entender por que o efeito não corresponde mais ao que esperava. São conversas diferentes. Começo pelo que você percebe e pelo que gostaria de alcançar, sem constranger nenhuma escolha anterior. A avaliação também pode terminar com a decisão de esperar ou de não fazer nada.
Quatro diferenças para organizar suas perguntas
O que é feito
Os fios são colocados sob a pele, em modelos e formas de aplicação que variam. O lifting é uma cirurgia, com incisões e plano próprios [1]. A palavra “lifting” não deve esconder essa diferença.
Quanto muda
Uma mudança discreta pode bastar para uma pessoa e decepcionar outra. Na consulta, explico o que a cirurgia pretende tratar e o que fica fora dela.
Quando foi avaliado
Uma foto logo depois do procedimento não diz quanto tempo o efeito dura. Pergunte quando a imagem foi feita e o que o estudo mediu.
E se algo não evoluir bem
Procedimento menor também tem desconforto e complicações. Antes de decidir, saiba quem vai avaliar você se algo sair do esperado.
O que a pesquisa diz sobre os fios
Um ensaio randomizado de 2025 comparou três e seis fios de PDO por lado do rosto em 22 pacientes, com fotografia tridimensional aos 20 e 60 dias. Não houve diferença significativa entre os grupos, e a melhora inicial diminuiu até os 60 dias; os eventos adversos foram leves e transitórios, principalmente dor [2]. O estudo não comparou fios com lifting nem acompanhou os pacientes por anos.
Uma revisão sistemática com metanálise de 26 estudos encontrou, como complicações mais relatadas, inchaço, depressões na pele, alteração de sensibilidade, fio visível ou palpável, infecção e exteriorização do fio; aos 6 meses, a satisfação foi menor do que logo após o procedimento (88% contra 98%) [3]. A revisão incluiu fios absorvíveis e não absorvíveis; os absorvíveis, como os de PDO, tiveram menos alteração de sensibilidade e exteriorização, e esses números não são o risco individual de quem faz fios. O tempo que o material leva para ser absorvido também não é o tempo que o efeito dura.
Já fiz fios. Isso muda uma futura cirurgia?
Pode mudar, e por isso quero conhecer esse histórico. Uma série retrospectiva de 2025 descreveu 10 pacientes operados de lifting depois de duas ou mais aplicações de fios absorvíveis: o cirurgião encontrou fibrose, distorção dos tecidos, aderência entre as camadas e menor mobilidade do SMAS, o que tornou a cirurgia mais trabalhosa e demorada [4]. É uma série pequena, de um único cirurgião e sem grupo de comparação: não prevê o que vai acontecer com você nem impede a cirurgia.
Traga o que tiver: datas aproximadas, regiões tratadas, nome do produto se souber e qualquer intercorrência (infecção, fio exteriorizado, retirada). Se faltar um documento, registramos a dúvida; não precisa adivinhar.
Problema ativo vem antes do planejamento
Dor que persiste, vermelhidão que piora, secreção ou fio aparecendo na pele pedem avaliação médica agora, com quem fez o procedimento ou outro serviço. Não puxe um fio exposto. A consulta para planejar um lifting não substitui esse atendimento, e este artigo não indica retirada de fios nem prazo para operar depois deles.
Se a sua preferência for a cirurgia
Quero explicar o plano inteiro: incisões, limites, recuperação, retornos e riscos. Sangramento, infecção, cicatriz desfavorável e lesão de nervo facial estão entre os riscos descritos pela ASPS [5]. Escolher a cirurgia não elimina incertezas, e a jornada do paciente mostra como organizo cada etapa.
Perguntas frequentes
Mais fios significam resultado melhor?
Não necessariamente. No ensaio de 22 pacientes, seis fios por lado não superaram três nos resultados medidos, com acompanhamento de 60 dias [2].
Fio absorvível não deixa nenhuma consequência?
Não é uma conclusão segura. Na série de lifting depois de fios absorvíveis, houve alterações nos tecidos que dificultaram a cirurgia [4]. Por isso vale contar aplicações antigas, mesmo que o efeito já tenha passado.
Quem não quer operar precisa fazer fios?
Não. Não querer cirurgia não obriga você a escolher outro procedimento. Eu não faço fios e não indico sua aplicação.
Posso decidir só pelas fotos?
Não. As imagens ajudam a formular perguntas, mas não substituem o exame, a história de saúde e os tratamentos anteriores.
Vamos entender o que faz sentido para o seu rosto
Se você pensa em lifting ou quer saber como tratamentos anteriores entram nessa decisão, fale com a Isanna para marcar uma consulta comigo e traga os registros que tiver.
Referências
- Cleveland Clinic. Thread Lift: What to Expect, Benefits & Complications.
- Germani M, Munoz-Lora VRM, Carnevali ACN, et al. Is More Always Better? A Randomized Comparative Clinical Trial About the Impact of Polydioxanone Threads Quantity for Facial Lifting. Aesthet Surg J Open Forum. 2025.
- Niu Z, Zhang K, Yao W, et al. A Meta-Analysis and Systematic Review of the Incidences of Complications Following Facial Thread-Lifting. Aesthetic Plast Surg. 2021.
- Yordanov YP. The Facelift After Thread Lifting: Surgical and Aesthetic Complications. Aesthetic Plast Surg. 2025.
- American Society of Plastic Surgeons. Facelift Risks and Safety.
