Categoria: otoplastia

  • Orelha de Abano: Tudo Sobre a Cirurgia e Recuperação

    Orelha de Abano: Tudo Sobre a Cirurgia e Recuperação

    Orelha de Abano: Uma Questão de Autoestima

    A orelha proeminente, popularmente chamada de orelha de abano, é uma das queixas estéticas mais comuns que recebo em minha clínica em Londrina. Atendo desde crianças acompanhadas pelos pais até adultos que conviveram décadas com o incômodo e finalmente decidiram buscar uma solução. A otoplastia — cirurgia para correção da orelha proeminente — é um procedimento consagrado, seguro e com resultados transformadores.

    Neste artigo, vou abordar em detalhes tudo o que você precisa saber sobre a cirurgia e a recuperação.

    O Que Causa a Orelha de Abano?

    A orelha de abano não é uma doença. É uma variação anatômica da cartilagem auricular que faz com que as orelhas se projetem lateralmente mais do que o habitual. Consideramos proeminente quando a distância entre a borda da orelha e o crânio excede 2 centímetros, ou quando o ângulo entre a orelha e a cabeça ultrapassa 30 graus.

    As causas anatômicas podem ser isoladas ou combinadas:

    • Concha hipertrófica: a cavidade central da orelha é profunda demais, empurrando toda a orelha para fora
    • Anti-hélice deficiente: a dobra em Y que deveria existir no terço superior da orelha não se formou, deixando a orelha “desdobrada”
    • Lóbulo proeminente: a porção inferior da orelha se projeta excessivamente
    • Combinação: na maioria dos pacientes, dois ou mais componentes contribuem para a proeminência

    É uma condição genética e bilateral na maioria dos casos, embora frequentemente um lado seja mais acentuado que o outro.

    A Consulta Pré-Operatória

    Na consulta, faço uma avaliação sistemática de ambas as orelhas, identificando quais componentes anatômicos estão alterados em cada uma. Isso é fundamental porque a técnica cirúrgica varia conforme o tipo de deformidade.

    Também discuto em detalhes as expectativas do paciente. Explico que o objetivo é uma orelha com aparência natural, posicionada adequadamente — não uma orelha “perfeita” ou rigidamente simétrica. Orelhas naturais nunca são perfeitamente simétricas, e tentar forçar uma simetria absoluta pode levar a resultados artificiais.

    Técnicas Cirúrgicas

    Existem dezenas de técnicas descritas para otoplastia, o que reflete a complexidade e a diversidade das deformidades auriculares. Na minha prática, utilizo principalmente as técnicas de Mustardé, Furnas e suas variações, adaptando a cada caso.

    Técnica de Mustardé

    Consiste em aplicar pontos de sutura permanentes na cartilagem posterior para criar a dobra da anti-hélice. Através de uma incisão atrás da orelha, exponho a cartilagem e aplico pontos de colchoeiro que a dobram para trás, criando a curvatura que estava ausente.

    É minha técnica de escolha quando o problema principal é a deficiência da anti-hélice.

    Técnica de Furnas

    Utiliza pontos de sutura para aproximar a concha da mastoide (o osso atrás da orelha), reduzindo a projeção quando a concha é excessivamente profunda. Os pontos ancoram a cartilagem da concha ao periósteo da mastoide.

    Indicada quando a hipertrofia conchal é o componente predominante.

    Ressecção Conchal

    Em casos de concha muito grande, além dos pontos de Furnas, pode ser necessário remover uma faixa de cartilagem da concha para reduzir efetivamente seu tamanho. Isso é feito pela mesma incisão posterior.

    Abordagem Combinada

    Na maioria dos meus pacientes, utilizo uma combinação de técnicas — pontos de Mustardé para moldar a anti-hélice e pontos de Furnas para reduzir a projeção conchal. Essa abordagem combinada permite tratar todos os componentes da deformidade em um único procedimento.

    A Cirurgia Passo a Passo

    Anestesia

    Em adultos e adolescentes, a otoplastia é realizada sob anestesia local com sedação leve. O paciente fica confortável e relaxado, sem sentir dor. Em crianças, prefiro anestesia geral para garantir conforto e tranquilidade durante o procedimento.

    A Incisão

    A incisão é feita na face posterior da orelha, na dobra entre a orelha e o crânio. Essa localização garante que a cicatriz fique completamente escondida — mesmo com o cabelo preso, não é visível.

    Moldagem da Cartilagem

    Após expor a cartilagem, realizo as técnicas necessárias: pontos de moldagem, ressecções, fixação conchal. Cada manobra é executada e verificada em tempo real, avaliando a posição da orelha repetidamente durante o procedimento para garantir simetria e naturalidade.

    Fechamento

    A pele é suturada com pontos finos e o excesso de pele posterior — que invariavelmente sobra após a correção — é removido de forma conservadora.

    Curativo

    Aplico um curativo compressivo tipo capacete que protege as orelhas e mantém a posição durante as primeiras 24-48 horas.

    Recuperação Detalhada

    A recuperação da otoplastia é uma das mais tranquilas da cirurgia plástica:

    Dia 1 (dia da cirurgia)

    Curativo compressivo. Desconforto leve a moderado, controlado com analgésicos comuns. Repouso relativo. Manter a cabeça elevada ao deitar.

    Dias 2-3

    Troca do curativo no consultório. Primeira visualização do resultado — neste momento as orelhas estão edemaciadas e com equimoses, mas já é possível perceber a mudança de posição. Início do uso da faixa elástica.

    Primeira semana

    Edema e equimoses diminuindo progressivamente. Uso contínuo da faixa, removendo apenas para higiene. Pode retornar a atividades leves.

    Segunda semana

    Retirada dos pontos (quando não absorvíveis). Edema quase completamente resolvido. Retorno a trabalho e escola.

    Semanas 3-6

    Uso da faixa apenas à noite, para proteger as orelhas durante o sono. Gradual liberação de atividades físicas.

    A partir de 6 semanas

    Liberação completa de todas as atividades, incluindo esportes de contato. Resultado considerado estabilizado.

    Otoplastia em Adultos

    Embora a otoplastia seja frequentemente associada a crianças, atendo muitos adultos que decidem corrigir as orelhas proeminentes depois de anos convivendo com o incômodo. A cirurgia em adultos segue os mesmos princípios técnicos, com algumas diferenças:

    • A cartilagem adulta é mais rígida, podendo exigir técnicas adicionais de enfraquecimento para moldagem
    • A anestesia local com sedação é o padrão
    • O paciente geralmente retorna ao trabalho em 5-7 dias
    • Os resultados são igualmente excelentes

    Não existe idade máxima para a otoplastia. Já operei pacientes com 50, 60 anos que finalmente decidiram corrigir uma queixa de toda a vida. A satisfação é sempre enorme.

    Cuidados Importantes

    • Não dobrar a orelha para trás nos primeiros 30 dias
    • Evitar puxar blusas pela cabeça — preferir camisas com abertura frontal
    • Usar a faixa religiosamente pelo tempo recomendado
    • Não dormir de lado sobre as orelhas nas primeiras semanas
    • Evitar óculos pesados apoiados sobre as orelhas nos primeiros 15 dias

    Resultados

    Os resultados da otoplastia são permanentes e imediatos. A satisfação é uma das mais altas entre todos os procedimentos de cirurgia plástica. A transformação vai muito além da estética — pacientes relatam maior confiança social, liberdade para usar o cabelo como quiserem e eliminação de uma insegurança que frequentemente os acompanhava desde a infância.

    Se você ou seu filho convive com o incômodo das orelhas proeminentes e gostaria de saber mais sobre a otoplastia, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar o caso pessoalmente e explicar como podemos corrigir as orelhas de forma natural e definitiva.

  • Otoplastia em Crianças: Qual a Idade Ideal?

    Otoplastia em Crianças: Qual a Idade Ideal?

    Uma Cirurgia Que Muda Vidas Desde a Infância

    Poucos procedimentos na cirurgia plástica têm um impacto tão imediato e profundo na autoestima quanto a otoplastia em crianças. Em minha prática em Londrina, recebo frequentemente pais preocupados com o sofrimento emocional de seus filhos por causa das orelhas proeminentes — a popular “orelha de abano”. E posso afirmar: a decisão de operar no momento certo pode poupar a criança de anos de constrangimento e insegurança.

    Mas quando é o momento certo? Essa é a pergunta que este artigo pretende responder de forma completa e honesta.

    Entendendo a Orelha de Abano

    A orelha proeminente é uma variação anatômica presente em aproximadamente 5% da população. Não é uma doença, não compromete a audição e não causa nenhum problema funcional. Porém, o impacto psicossocial pode ser significativo, especialmente em crianças em fase escolar.

    Anatomicamente, a orelha de abano pode resultar de:

    • Hipertrofia da concha: a parte central e mais profunda da orelha (concha) é excessivamente grande, projetando toda a orelha para fora
    • Ausência ou insuficiência da anti-hélice: a dobra natural que deveria existir na parte superior da orelha não se formou adequadamente, deixando a orelha “aberta”
    • Combinação de ambos: frequentemente, os dois componentes estão presentes em graus variáveis

    A condição é congênita — ou seja, a criança já nasce com ela — e é determinada geneticamente. Não piora com o tempo, mas também não melhora espontaneamente após os primeiros meses de vida.

    A Idade Ideal: Por Que 5 a 7 Anos?

    A maioria dos cirurgiões plásticos — e eu me incluo nesse consenso — considera a faixa entre 5 e 7 anos como o momento ideal para a otoplastia infantil. Existem razões anatômicas e psicológicas para essa recomendação:

    Razões Anatômicas

    A cartilagem auricular atinge aproximadamente 85-90% do seu tamanho adulto por volta dos 5-6 anos de idade. Isso significa que a orelha já está grande o suficiente para ser operada com resultados estáveis e que não haverá crescimento significativo posterior que altere o resultado.

    Além disso, a cartilagem infantil é mais maleável que a adulta, o que facilita a moldagem e a fixação com pontos — a cartilagem responde melhor às técnicas de sutura e tende a manter a nova forma com mais facilidade.

    Razões Psicológicas

    A entrada no ensino fundamental, por volta dos 6-7 anos, marca o início de uma fase de maior interação social e, infelizmente, de maior exposição a comentários e bullying. Operar antes dessa fase intensa de socialização permite que a criança inicie a vida escolar sem esse fator de insegurança.

    Crianças operadas antes dos 7 anos frequentemente sequer lembram de terem tido orelhas proeminentes — o procedimento se integra naturalmente à sua história, sem trauma associado.

    Não Muito Cedo

    Operar antes dos 4 anos geralmente não é recomendado porque:

    • A cartilagem pode estar pequena demais para a correção ideal
    • A criança pode não colaborar adequadamente com os cuidados pós-operatórios
    • A anestesia geral em crianças muito pequenas, embora segura, é preferível adiar quando possível

    Não Muito Tarde

    Embora a otoplastia possa ser realizada em qualquer idade — inclusive em adultos —, protelar o procedimento quando a criança já demonstra sofrimento emocional não é aconselhável. Cada ano de bullying e constrangimento deixa marcas que poderiam ter sido evitadas.

    Como Sei Que Meu Filho Está Pronto?

    Além da idade cronológica, considero alguns indicadores importantes:

    • A própria criança verbaliza o incômodo: quando a criança espontaneamente reclama das orelhas, pede para usar cabelo comprido para cobri-las ou evita certas atividades, é um sinal claro de que o problema a afeta
    • Maturidade para colaborar: a criança precisa entender minimamente que ficará com um curativo e que precisará de cuidados nos primeiros dias
    • Relato de bullying: se há relatos de provocações por colegas, a intervenção é ainda mais justificada
    • Desejo dos pais: quando a decisão é exclusivamente dos pais sem que a criança demonstre incômodo, costumo recomendar aguardar mais um pouco

    A Cirurgia na Criança

    Anestesia

    Em crianças, a otoplastia é sempre realizada sob anestesia geral. A criança dorme confortavelmente durante todo o procedimento e acorda sem dor, graças ao bloqueio anestésico local que aplico durante a cirurgia.

    A Técnica

    A técnica que utilizo combina elementos das abordagens de Mustardé e Furnas, adaptados a cada caso. Basicamente, através de uma incisão atrás da orelha — em um local que permanece completamente escondido — acesso a cartilagem e realizo as correções necessárias:

    • Pontos de sutura permanentes para criar ou acentuar a dobra da anti-hélice
    • Redução da concha quando ela é excessivamente grande
    • Fixação da concha mais próxima à mastoide para reduzir a projeção

    Cada orelha é tratada individualmente, pois frequentemente apresentam graus diferentes de proeminência. O objetivo é simetria e naturalidade — orelhas que pareçam naturais, nem coladas demais à cabeça nem distantes demais.

    Duração

    O procedimento completo dura entre uma hora e uma hora e meia. É uma cirurgia ambulatorial — a criança vai para casa no mesmo dia.

    O Pós-Operatório Infantil

    A recuperação em crianças é geralmente mais rápida e mais fácil do que em adultos:

    • Primeiras 24 horas: curativo tipo capacete é mantido. A criança pode sentir desconforto leve, controlado com analgésicos simples. Muitas crianças já estão brincando no dia seguinte
    • Primeira semana: troca do curativo, uso de faixa elástica na cabeça. Restrição de atividades físicas intensas
    • Duas a três semanas: uso noturno da faixa por mais 2-3 semanas para proteger as orelhas durante o sono
    • Um mês: retorno a todas as atividades, incluindo esportes

    A dor é surpreendentemente baixa na otoplastia. A maioria das crianças precisa de analgésicos apenas nos primeiros dois dias.

    Resultados e Satisfação

    A otoplastia infantil é uma das cirurgias plásticas com maior taxa de satisfação — tanto dos pais quanto das próprias crianças. O impacto na autoconfiança é quase imediato: crianças que evitavam prender o cabelo, que fugiam de fotos ou que se retraíam socialmente frequentemente se transformam após a cirurgia.

    Os resultados são permanentes. A orelha corrigida manterá sua forma ao longo da vida, com as mudanças naturais do envelhecimento.

    Riscos

    Como toda cirurgia, a otoplastia tem riscos, embora sejam relativamente baixos:

    • Assimetria residual: algum grau de assimetria é normal (nossas orelhas naturalmente não são perfeitamente simétricas), mas assimetrias significativas podem necessitar retoque
    • Hematoma: raro, mas requer drenagem quando ocorre
    • Infecção: rara, tratada com antibióticos
    • Recidiva parcial: em alguns casos, a orelha pode projetar levemente com o tempo se os pontos perderem tensão
    • Hipercorreção: orelha muito colada à cabeça — por isso a moderação no planejamento é essencial

    Minha Filosofia na Otoplastia Infantil

    Ao operar crianças, tenho uma responsabilidade redobrada. Minha abordagem é sempre conservadora — prefiro um resultado discretamente subdimensionado a uma hipercorreção que pareça artificial. Orelhas naturais têm alguma projeção; o objetivo não é colá-las à cabeça, mas sim posicioná-las dentro da faixa de normalidade.

    Também dedico tempo especial à comunicação com a criança. Explico o procedimento de forma lúdica, adequada à sua idade, e busco que ela se sinta participante da decisão, não apenas submetida à vontade dos pais. Uma criança que entende e deseja a correção colabora melhor e tem uma experiência muito mais positiva.

    Se seu filho sofre com orelhas proeminentes e você gostaria de saber se é o momento certo para a otoplastia, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar a criança, explicar o procedimento de forma clara e ajudar vocês a tomar a melhor decisão para o bem-estar do seu filho.