Categoria: lifting-facial

  • Anatomia do Envelhecimento Facial: Por Que o Rosto Cai

    Anatomia do Envelhecimento Facial: Por Que o Rosto Cai

    Para entender verdadeiramente o lifting facial — e por que a técnica deep plane é superior — é fundamental compreender o que acontece com o rosto ao longo do tempo. O envelhecimento facial não é simplesmente “a pele que enruga”. É um processo complexo que envolve todas as camadas da face: osso, gordura, músculo e pele. Como cirurgião plástico facial em Londrina, considero que educar meus pacientes sobre essa anatomia é essencial para que compreendam por que determinadas abordagens funcionam e outras não.

    As Camadas da Face: Uma Estrutura em Múltiplos Níveis

    A face é composta por camadas sobrepostas, da mais profunda à mais superficial:

    • Esqueleto facial — a estrutura óssea que sustenta tudo
    • Gordura profunda — compartimentos de gordura abaixo dos músculos
    • Músculos e SMAS — a camada musculoaponeurótica que conecta e movimenta os tecidos
    • Gordura superficial — compartimentos de gordura acima dos músculos
    • Pele — a camada externa visível

    Ligamentos de retenção atravessam essas camadas, ancorando os tecidos moles ao osso e à fáscia profunda. São eles que mantêm os tecidos faciais em posição. Quando esses ligamentos enfraquecem, os tecidos começam a ceder pela ação da gravidade.

    O Esqueleto: A Base Encolhe

    Um aspecto pouco conhecido do envelhecimento facial é que o próprio osso muda ao longo do tempo. O esqueleto facial sofre reabsorção óssea progressiva, particularmente em áreas específicas:

    • Órbita — o orifício ósseo dos olhos se alarga, permitindo que o globo ocular se aprofunde e a gordura periorbital se projete (criando bolsas)
    • Maxila — a região que sustenta as maçãs do rosto perde projeção, fazendo com que a bochecha “caia” para frente e para baixo
    • Mandíbula — o ângulo mandibular se retrai, perdendo definição; a altura do osso mandibular diminui, especialmente na região anterior
    • Mento — o queixo pode retrair ligeiramente, alterando o perfil

    Essa reabsorção óssea é como se os alicerces da casa encolhessem — tudo que está apoiado sobre eles se desloca. Não é possível reverter a reabsorção óssea com cirurgia de tecidos moles, mas o enxerto de gordura e implantes podem compensar parcialmente essa perda de suporte estrutural.

    A Gordura: O Volume se Redistribui

    A gordura facial não está distribuída de forma uniforme — ela é organizada em compartimentos distintos, separados por septos fibrosos. Com o envelhecimento, duas coisas acontecem simultaneamente:

    Perda de Volume em Áreas Superiores

    Os compartimentos de gordura da região superior e média da face — têmporas, maçãs do rosto, região periorbital — perdem volume progressivamente. Isso cria:

    • Aspecto esqueletizado nas têmporas
    • Perda da plenitude e projeção das maçãs
    • Aprofundamento dos sulcos
    • Aspecto cansado e deprimido na região dos olhos

    Acúmulo e Descida em Áreas Inferiores

    Enquanto as regiões superiores perdem volume, os compartimentos inferiores ganham — seja por redistribuição gravitacional, seja por herniação da gordura através de septos enfraquecidos. Isso resulta nos:

    • Jowls — acúmulo de tecido abaixo da linha da mandíbula
    • Sulcos nasogenianos profundos — a gordura malar que desceu “empurra” o sulco
    • Papada — gordura submentoniana se torna mais proeminente
    • Bolsas palpebrais — gordura periorbital que se projeta anteriormente

    É por isso que, com o envelhecimento, o rosto assume aquela aparência de “retângulo” — volume se acumula na parte inferior enquanto a parte superior esvazia. O triângulo da juventude (base nas maçãs do rosto, ponta no queixo) se inverte.

    Os Ligamentos: A Sustentação Cede

    Os ligamentos de retenção facial são estruturas fibrosas que ancoram os tecidos moles ao esqueleto. Os principais são:

    • Ligamento zigomático — ancora os tecidos do terço médio ao arco zigomático
    • Ligamento mandibular — sustenta os tecidos ao longo da borda da mandíbula
    • Ligamento platisma-auricular — ajuda a manter o contorno cervicomandibular
    • Ligamentos orbitários — sustentam os tecidos ao redor dos olhos

    Com o tempo, esses ligamentos se alongam e enfraquecem. Quando o ligamento zigomático cede, por exemplo, a gordura malar desce, criando o sulco nasogeniano profundo e a bochecha caída. Quando o ligamento mandibular enfraquece, os jowls se formam abaixo da mandíbula.

    Este é exatamente o motivo pelo qual o deep plane é superior: nesta técnica, liberamos os ligamentos enfraquecidos e reposicionamos toda a camada SMAS como uma unidade — não apenas puxamos a pele por cima de ligamentos que continuam cedendo.

    O SMAS: A Camada-Chave

    O SMAS — Sistema Musculoaponeurótico Superficial — é uma camada contínua de músculo e fáscia que conecta os músculos da expressão facial entre si e com a pele. É a mesma camada que o platisma representa no pescoço.

    Com o envelhecimento, o SMAS perde tônus e se torna mais frouxo. Como a pele está conectada ao SMAS e o SMAS está ancorado ao osso pelos ligamentos, quando o SMAS cai, a pele cai junto.

    O lifting deep plane trabalha diretamente no SMAS, entrando abaixo dele e reposicionando-o. É como ajustar o forro de uma jaqueta — quando o forro está no lugar certo, o tecido externo naturalmente se ajusta.

    A Pele: O Reflexo Visível de Tudo

    A pele é a camada mais externa e, portanto, a mais visível. Ela envelhece de duas formas:

    Envelhecimento Intrínseco

    Geneticamente programado, envolve a redução gradual na produção de colágeno (diminui cerca de 1% ao ano a partir dos 20 anos), perda de elastina e ácido hialurônico. A pele se torna progressivamente mais fina, seca e menos elástica.

    Envelhecimento Extrínseco (Fotoenvelhecimento)

    Causado principalmente pela radiação ultravioleta, é responsável por até 80% do envelhecimento visível da pele. Manifesta-se como rugas, manchas, aspereza e perda de elasticidade. Tabagismo, poluição e estresse oxidativo também contribuem.

    O lifting facial não trata diretamente a qualidade da pele — trata a posição dos tecidos. É por isso que frequentemente recomendo procedimentos complementares de resurfacing (laser, peelings, dermoabrasão) para otimizar a qualidade cutânea.

    O Pescoço: Envelhecimento Acelerado

    O pescoço merece menção especial porque envelhece de forma particularmente visível:

    • O músculo platisma se afina e suas bordas mediais se separam, criando as bandas verticais visíveis
    • Gordura submentoniana se acumula (genética + envelhecimento)
    • A pele cervical, naturalmente mais fina, perde elasticidade rapidamente
    • O ângulo cervicomental se torna obtuso, perdendo definição

    É por isso que insisto na importância de tratar o pescoço junto com a face — são unidades anatômicas que envelhecem juntas e devem ser rejuvenescidas juntas.

    A Sequência do Envelhecimento: Um Mapa Temporal

    Embora cada pessoa envelheça de forma única, existe uma sequência geral observável:

    • 30-35 anos: primeiras linhas finas, início sutil de perda de volume temporal e malar
    • 35-40 anos: sulcos nasogenianos mais evidentes, início de flacidez mandibular leve, pálpebras começando a mostrar excesso
    • 40-50 anos: jowls evidentes, pescoço perdendo definição, linhas de marionete surgindo, perda de volume generalizada no terço médio
    • 50-60 anos: flacidez significativa em todas as áreas, bandas platismais visíveis, dermatocálase palpebral, inversão completa do triângulo da juventude
    • 60+ anos: mudanças avançadas em todas as camadas, pele fina e atrófica, esqueletização facial, pescoço com flacidez marcada

    Como o Lifting Deep Plane Aborda Cada Camada

    Agora que entendemos a anatomia do envelhecimento, fica claro por que o deep plane é a abordagem mais lógica e eficaz:

    • Ligamentos: são liberados e os tecidos reposicionados acima deles
    • SMAS: é elevado e suspenso como uma unidade, restaurando a estrutura de sustentação
    • Gordura: os compartimentos de gordura se movem junto com o SMAS, voltando à posição juvenil
    • Pele: redistribuída sem tensão sobre a nova estrutura, resultando em aspecto natural e cicatrizes melhores
    • Volume: complementado com enxerto de gordura quando necessário

    É uma abordagem que respeita e trabalha com a anatomia — não contra ela.

    Conclusão

    O envelhecimento facial é um processo multifatorial que afeta todas as camadas da face: osso, gordura, ligamentos, SMAS e pele. Uma abordagem cirúrgica que trate apenas a pele está fadada a produzir resultados artificiais e efêmeros. O lifting deep plane, ao tratar as camadas profundas onde as mudanças realmente acontecem, oferece o rejuvenescimento mais lógico, natural e duradouro.

    Se você nota que seu rosto está mudando e quer entender exatamente quais estruturas estão envolvidas no seu caso, agende uma consulta. Explicarei pessoalmente a anatomia do seu envelhecimento e quais abordagens trarão os melhores resultados para você.

  • Lifting Facial + Enxerto de Gordura: A Combinação Perfeita

    Lifting Facial + Enxerto de Gordura: A Combinação Perfeita

    Se o lifting facial deep plane é o padrão-ouro em reposicionamento dos tecidos faciais, o enxerto de gordura é seu complemento ideal. Na minha prática em Londrina, combino esses dois procedimentos na maioria dos meus pacientes de lifting — e o resultado é um rejuvenescimento verdadeiramente tridimensional que nem o lifting isolado nem o enxerto sozinho conseguem alcançar.

    Neste artigo, explico por que essa combinação é tão poderosa, como funciona o processo e o que esperar dos resultados.

    Por Que o Lifting Sozinho Nem Sempre é Suficiente

    O envelhecimento facial não é apenas sobre flacidez — é sobre perda de volume. Ao longo dos anos, perdemos gordura em áreas-chave da face:

    • Têmporas — a região temporal se deprime, criando um aspecto esqueletizado
    • Maçãs do rosto — o volume malar que sustenta a aparência jovem e saudável diminui
    • Sulcos nasogenianos — a perda de volume no terço médio aprofunda essas linhas
    • Região periorbital — o esqueletamento da órbita contribui para olheiras e aspecto cansado
    • Lábios — perda de volume labial com afinamento do vermelhão

    O lifting deep plane reposiciona brilhantemente os tecidos caídos, mas não repõe volume que foi perdido ao longo de décadas. É como reorganizar os móveis de uma sala que encolheu — tudo fica no lugar certo, mas falta preenchimento.

    O enxerto de gordura resolve exatamente essa equação, restaurando volume onde ele foi perdido e criando um resultado pleno e harmonioso.

    O Que é o Enxerto de Gordura Facial

    O enxerto de gordura — também chamado de lipoenxertia ou fat grafting — consiste em transferir gordura do próprio paciente de uma área doadora (geralmente abdômen, flancos ou parte interna das coxas) para a face.

    O processo envolve três etapas principais:

    1. Coleta (Lipoaspiração)

    Uma pequena quantidade de gordura é aspirada da área doadora usando cânulas finas. Não é uma lipoaspiração corporal convencional — coletamos apenas o necessário para a face, geralmente 30 a 80 ml de gordura processada. A incisão na área doadora é mínima — 2 a 3 milímetros.

    2. Processamento

    A gordura coletada é cuidadosamente processada para separar as células de gordura viáveis do fluido anestésico, sangue e óleo. Utilizo a técnica de centrifugação ou decantação, dependendo do caso, para obter um concentrado puro de adipócitos saudáveis.

    3. Injeção

    A gordura processada é injetada na face usando microcânulas em múltiplas passadas e camadas. Esta é a etapa mais artística do processo — a quantidade, a profundidade e a distribuição da gordura em cada região determinam o resultado final.

    Onde Aplico o Enxerto de Gordura

    Cada face tem suas necessidades específicas, mas as áreas mais comuns de volumização incluem:

    • Região malar (maçãs do rosto) — restauro a projeção e a plenitude que definem um rosto jovem. Esta é a área onde mais frequentemente realizo enxertia
    • Sulcos nasogenianos — suavizo a profundidade dessas linhas, que o lifting sozinho pode não resolver completamente
    • Têmporas — preencho a concavidade temporal que contribui para um aspecto envelhecido
    • Sulcos lacrimo-jugais — a transição entre pálpebra inferior e bochecha, onde a perda de volume cria olheiras e aspecto cansado
    • Região perioral — linhas de marionete e comissuras labiais se beneficiam de volume adicional
    • Queixo e mandíbula — em casos selecionados, para melhorar o contorno

    A Sinergia com o Lifting Deep Plane

    A combinação de lifting e enxerto de gordura é sinérgica — o resultado combinado é superior à soma das partes. Eis por quê:

    O Lifting Cria a Base

    O deep plane reposiciona o SMAS e os tecidos profundos, recriando a estrutura facial juvenil. Os jowls são eliminados, a mandíbula é redefinida, o pescoço é esculpido. Mas a face reposicionada pode ainda apresentar depressões e perda de volume.

    O Enxerto Completa a Tridimensionalidade

    A gordura enxertada preenche essas depressões, restaura a plenitude das maçãs do rosto, suaviza transições e cria aquela aparência viçosa e saudável que é marca da juventude. O resultado passa de “rejuvenescido” para “radiante”.

    Benefício Adicional: Qualidade da Pele

    A gordura enxertada contém células-tronco mesenquimais que parecem ter um efeito regenerativo sobre os tecidos ao redor. Pacientes que recebem enxerto de gordura frequentemente relatam — e eu confirmo na avaliação clínica — uma melhora na qualidade e na textura da pele nas áreas tratadas. A pele fica mais viçosa, mais luminosa, com aparência mais saudável.

    Quanto de Gordura Sobrevive?

    Uma pergunta frequente é sobre a taxa de sobrevivência da gordura enxertada. É uma pergunta válida, pois nem toda gordura injetada se integra permanentemente.

    Na minha experiência e com base na literatura, a taxa de sobrevivência do enxerto de gordura facial é de aproximadamente 60 a 80% quando realizado com técnica adequada. Isso significa que parte da gordura é reabsorvida nos primeiros 3 a 6 meses, mas a porção que sobrevive se integra permanentemente aos tecidos, com resultado duradouro.

    Para compensar essa reabsorção esperada, injeto uma quantidade ligeiramente maior do que o necessário — o chamado sobrecorreção calculada. Nas primeiras semanas, a face pode parecer um pouco mais volumosa que o ideal, mas à medida que a reabsorção parcial ocorre, o resultado se estabiliza no ponto exato desejado.

    Como é Realizado o Procedimento Combinado

    Quando combino lifting e enxerto de gordura, o fluxo cirúrgico é:

    • Início: coleta da gordura da área doadora e processamento
    • Lifting deep plane: realizo todo o lifting facial e cervical
    • Enxerto de gordura: após o reposicionamento dos tecidos, injeto a gordura nas áreas planejadas
    • Fechamento: a pele é redistribuída e as incisões fechadas

    A ordem é importante: o enxerto é feito após o lifting porque o reposicionamento dos tecidos muda a anatomia da face, e preciso ver essa nova anatomia para decidir exatamente onde e quanto de gordura injetar.

    O tempo adicional para o enxerto de gordura é de 30 a 45 minutos no tempo cirúrgico total.

    Recuperação

    A recuperação do procedimento combinado é essencialmente a mesma do lifting isolado, com algumas particularidades:

    • Inchaço adicional: as áreas que receberam enxerto ficam mais inchadas que as demais. Isso é especialmente notável nas maçãs do rosto e têmporas nos primeiros 7 a 10 dias
    • Área doadora: o local da lipoaspiração pode apresentar equimoses e desconforto leve por 7 a 14 dias, mas geralmente não impacta significativamente a recuperação
    • Cuidados com a gordura: evitar pressão ou massagem sobre as áreas enxertadas nas primeiras 3 semanas para não comprometer a integração

    O resultado do enxerto se estabiliza em torno de 3 a 4 meses, quando a reabsorção parcial já ocorreu e o volume remanescente é o definitivo.

    Enxerto de Gordura vs Preenchimento

    Muitos pacientes perguntam se não poderiam simplesmente usar preenchimento com ácido hialurônico ao invés do enxerto de gordura. A resposta depende do contexto:

    • Para volumes pequenos e pontuais (lábios, rugas finas), o ácido hialurônico pode ser adequado
    • Para restauração volumétrica ampla da face (maçãs do rosto, têmporas, múltiplas áreas), o enxerto de gordura é superior porque: é permanente, tem efeito regenerativo na pele, é material do próprio corpo (sem risco de reações), e o custo-benefício a longo prazo é melhor

    No contexto do lifting facial, onde já estamos no centro cirúrgico e o paciente está sob anestesia, o enxerto de gordura é a escolha lógica e superior ao preenchimento para restauração volumétrica.

    Resultados

    A combinação de lifting deep plane com enxerto de gordura produz o que considero o rejuvenescimento facial mais completo disponível atualmente. Os pacientes não apenas parecem mais jovens — parecem mais saudáveis, mais viçosos, mais radiantes.

    É a diferença entre um rosto que foi “puxado” (resultado de técnicas superficiais sem volumização) e um rosto que foi verdadeiramente rejuvenescido em todas as dimensões.

    Conclusão

    O enxerto de gordura é o complemento natural e ideal do lifting facial deep plane. Juntos, esses procedimentos abordam os dois pilares do envelhecimento facial — flacidez e perda de volume — resultando em um rejuvenescimento tridimensional, natural e duradouro.

    Se você deseja entender como a combinação de lifting com enxerto de gordura pode rejuvenescer sua face de forma completa, agende uma consulta. Avaliarei pessoalmente quais áreas se beneficiariam de reposicionamento e volumização para alcançar o melhor resultado possível.

  • Cicatrizes do Lifting Facial: Onde Ficam e Como Evoluem

    Cicatrizes do Lifting Facial: Onde Ficam e Como Evoluem

    A preocupação com cicatrizes é um dos principais motivos que levam pacientes a hesitar em realizar o lifting facial. É uma preocupação compreensível — afinal, ninguém quer trocar a flacidez por marcas visíveis. A boa notícia é que, com técnica adequada e cuidados pós-operatórios corretos, as cicatrizes do lifting facial são tipicamente discretas e, na maioria dos casos, praticamente imperceptíveis após a maturação completa.

    Neste artigo, vou explicar exatamente onde ficam as incisões, como as cicatrizes evoluem ao longo do tempo, e o que fazer para otimizar o resultado cicatricial.

    O Trajeto das Incisões no Lifting Deep Plane

    O planejamento das incisões é uma das primeiras coisas que defino ao programar a cirurgia. Cada incisão é posicionada estrategicamente em áreas de transição natural, onde se torna virtualmente invisível após a cicatrização.

    Região Temporal (Linha do Cabelo)

    A incisão inicia na região temporal, dentro ou ao longo da linha do cabelo. Existem duas abordagens principais:

    • Incisão intracapilar — feita dentro do cabelo, ficando completamente escondida. A desvantagem potencial é uma discreta elevação da linha do cabelo
    • Incisão ao longo da linha do cabelo (trichophytic) — feita na borda do cabelo, permitindo que os fios crescam através da cicatriz, camuflando-a. Esta é minha preferência na maioria dos casos, pois preserva a posição natural da linha do cabelo

    Região Pré-Auricular

    A incisão segue para baixo pela região pré-auricular — a área logo à frente da orelha. Aqui, posiciono a incisão dentro do trago (a proeminência cartilaginosa na entrada do canal auditivo). Essa técnica, chamada de incisão retrotragal, esconde a cicatriz dentro de uma estrutura anatômica natural.

    Em homens, a incisão pré-auricular pode seguir um trajeto ligeiramente diferente para respeitar a linha da barba, como expliquei no artigo sobre lifting masculino.

    Contorno do Lóbulo da Orelha

    A incisão contorna delicadamente o lóbulo da orelha, seguindo seu formato natural. Este é um ponto crucial: o lóbulo deve manter sua aparência natural e solta após a cirurgia. Um lóbulo distorcido ou “colado” à face é sinal de técnica inadequada ou tensão excessiva.

    Região Retroauricular

    Atrás da orelha, a incisão segue o sulco retroauricular — a dobra natural onde a orelha encontra o crânio. Esta é uma área naturalmente escondida, e a cicatriz aqui é praticamente invisível mesmo com o cabelo preso.

    Extensão para o Couro Cabeludo Posterior

    A incisão termina se estendendo discretamente para o couro cabeludo na região occipital, escondida pelo cabelo. A extensão varia conforme o grau de excesso de pele na região do pescoço que precisa ser removido.

    Incisão Submentoniana

    Quando o lifting inclui o tratamento do pescoço — o que é frequente na minha prática — adiciono uma pequena incisão sob o queixo, no sulco submentoniano natural. Essa incisão de 3 a 4 centímetros permite acesso direto ao pescoço para lipoaspiração, remoção de gordura profunda e platysmaplastia. Após a cicatrização, ela é virtualmente invisível, pois fica em uma área de sombra natural.

    A Evolução das Cicatrizes: O Que Esperar Mês a Mês

    A cicatrização é um processo biológico com fases bem definidas. Entender cada fase ajuda o paciente a ter paciência e expectativas realistas.

    Primeiras 2 Semanas

    Nesta fase, as cicatrizes estão em fase inflamatória — é normal que estejam vermelhas, levemente inchadas e com crostas. Os pontos de sutura são removidos entre o 5º e o 10º dia. Após a remoção, fitas adesivas especiais (Steri-Strips) podem ser aplicadas para proteger a cicatriz.

    Semanas 3 a 6

    As cicatrizes entram na fase proliferativa. Podem ficar mais rosadas ou avermelhadas — o que é normal e esperado. Existe uma leve elevação que é parte natural do processo de remodelação. Nesta fase, inicio os cuidados tópicos com cremes cicatrizantes.

    Meses 2 a 4

    Este é frequentemente o período em que os pacientes ficam mais ansiosos, porque as cicatrizes podem parecer mais evidentes do que nas primeiras semanas. É a fase de maturação ativa — o colágeno está sendo reorganizado, e a cicatriz pode estar rosada e ligeiramente firme. Tranquilizo meus pacientes: isso é temporário e esperado.

    Meses 4 a 8

    Gradualmente, as cicatrizes começam a clarear, amolecer e afinar. A coloração rosada vai dando lugar a um tom mais próximo da pele natural. É nesta fase que os pacientes começam a perceber como as cicatrizes estão ficando discretas.

    Meses 8 a 12

    A maturação final resulta em cicatrizes finas, macias e da cor da pele ao redor. Na maioria dos pacientes, as cicatrizes são praticamente imperceptíveis a olho nu, mesmo de perto. O resultado cicatricial definitivo é avaliado neste período.

    Por Que as Cicatrizes do Deep Plane São Melhores

    Um aspecto técnico importante: a qualidade das cicatrizes no deep plane tende a ser superior à de técnicas superficiais. A razão é simples e lógica.

    No deep plane, toda a sustentação vem das estruturas profundas reposicionadas. A pele fecha sem tensão — ela é redistribuída suavemente sobre a nova estrutura. Uma cicatriz sem tensão cicatriza melhor: fica mais fina, mais plana e menos visível.

    Em técnicas superficiais, onde a pele é responsável por parte da sustentação, o fechamento ocorre sob tensão. Tensão na pele é o principal fator que leva a cicatrizes alargadas, hipertróficas ou visíveis ao longo do tempo.

    Cuidados Para Otimizar as Cicatrizes

    Prescrevo um protocolo específico de cuidados cicatriciais para meus pacientes:

    Proteção Solar Rigorosa

    Este é o cuidado mais importante. A cicatriz em maturação é extremamente vulnerável à hiperpigmentação causada pela radiação UV. Recomendo protetor solar FPS 50+ sobre as cicatrizes diariamente, reaplicando a cada 3-4 horas quando exposto ao sol. Essa disciplina deve ser mantida por no mínimo 12 meses.

    Cremes Cicatrizantes

    A partir da terceira semana, prescrevo cremes à base de silicone médico. O silicone tópico é o tratamento com melhor evidência científica para otimizar cicatrizes — ele cria um ambiente de hidratação ideal que favorece a organização do colágeno.

    Massagem Cicatricial

    A partir do segundo mês, oriento massagens suaves sobre as cicatrizes com movimentos circulares. Isso ajuda a amolecer a fibrose e a melhorar a textura da cicatriz.

    Evitar Tração

    Nas primeiras semanas, movimentos bruscos ou atividades que tracionem a pele da face e pescoço devem ser evitados. A cicatriz em formação é frágil e pode alargar se submetida a estresse mecânico.

    Fatores Que Influenciam a Cicatrização

    Cada pessoa cicatriza de forma diferente. Alguns fatores que influenciam a qualidade final das cicatrizes:

    • Genética — o fator mais determinante. Pacientes com histórico de cicatrizes hipertróficas ou queloidianas devem informar o cirurgião
    • Tipo de pele — peles mais escuras (fototipos III-VI) tendem a ter cicatrizes mais pigmentadas; a proteção solar é ainda mais importante
    • Tabagismo — compromete a cicatrização ao reduzir a oxigenação dos tecidos
    • Idade — pacientes mais jovens tendem a cicatrizar com mais vigor, o que paradoxalmente pode significar cicatrizes inicialmente mais rosadas, mas que amadurecem para um excelente resultado final
    • Nutrição — deficiências de vitamina C, zinco e proteínas podem prejudicar a cicatrização

    E Se a Cicatriz Não Ficar Ideal?

    Na grande maioria dos meus pacientes — estimo mais de 95% — as cicatrizes amadurecem para um resultado excelente. Porém, em casos raros, uma cicatriz pode ficar mais visível do que o desejado. Nessas situações, existem opções:

    • Injeção de corticoide — para cicatrizes hipertróficas ou elevadas
    • Laser fracionado — para melhorar textura e coloração
    • Revisão cirúrgica da cicatriz — em casos selecionados, a excisão e novo fechamento da cicatriz pode melhorar significativamente o resultado

    Essas intervenções são raras, mas é importante que o paciente saiba que existem soluções caso alguma cicatriz não evolua idealmente.

    Conclusão

    As cicatrizes do lifting facial deep plane são estrategicamente posicionadas, fecham sem tensão e amadurecem para resultados excelentes na grande maioria dos pacientes. Com os cuidados adequados — especialmente proteção solar e uso de silicone tópico — elas se tornam praticamente imperceptíveis ao longo de 6 a 12 meses.

    Se a preocupação com cicatrizes é o que te impede de considerar o lifting facial, agende uma consulta para que eu possa mostrar resultados reais de cicatrizes em diferentes fases de maturação. Tenho certeza de que ficará tranquilo ao ver a evolução.

  • Quanto Tempo Dura o Resultado do Lifting? 5, 10, 15 Anos?

    Quanto Tempo Dura o Resultado do Lifting? 5, 10, 15 Anos?

    “Dr. Walter, quanto tempo vai durar o meu lifting?” — esta é, sem dúvida, uma das perguntas que mais ouço na consulta. É uma pergunta legítima e inteligente, afinal estamos falando de um investimento significativo em tempo, dinheiro e confiança. Meus pacientes querem saber o que esperar a longo prazo, e eu respeito profundamente essa necessidade de clareza.

    A resposta honesta é que depende de vários fatores — mas posso adiantar que o lifting deep plane é a técnica com maior longevidade comprovada na cirurgia plástica facial. Vamos explorar isso em profundidade.

    O Que Significa “Durar” em Lifting Facial

    Primeiro, preciso esclarecer o que queremos dizer com “duração do resultado”. O lifting facial não congela o rosto no tempo. Após a cirurgia, o envelhecimento continua — porque é um processo biológico natural e contínuo. O que o lifting faz é reposicionar o relógio.

    Imagine que sua face hoje aparenta 55 anos. Após um lifting deep plane bem executado, ela pode aparentar 42-45 anos. Dez anos depois, aos 65, sua face aparentará talvez 52-55 — ainda significativamente mais jovem do que se a cirurgia nunca tivesse sido feita.

    Portanto, quando falamos em “duração”, referimo-nos ao tempo que a melhora alcançada permanece perceptível e significativa em relação ao envelhecimento natural.

    Deep Plane vs Técnicas Superficiais: A Diferença na Longevidade

    A técnica utilizada é o fator mais determinante na durabilidade do resultado:

    Técnicas Superficiais (SMAS Plication, SMASectomy Limitada, Mini Lifting)

    Essas abordagens dependem primariamente da tração da pele e de plicaturas superficiais do SMAS para sustentação. O problema é que a pele é um tecido que cede com o tempo — especialmente quando submetida a tensão constante. A gravidade, os movimentos faciais repetitivos e a perda progressiva de colágeno trabalham contra a sustentação cutânea.

    Resultado: 3 a 5 anos de melhora significativa, após os quais a recidiva se torna cada vez mais evidente.

    Lifting Deep Plane

    No deep plane, a sustentação vem das estruturas profundas — SMAS, ligamentos e tecidos moles reposicionados como uma unidade coesa. A pele é apenas redistribuída sem tensão. Isso significa que não há força constante puxando a pele, e a estrutura profunda mantém o resultado de forma muito mais estável ao longo do tempo.

    Resultado: 10 a 15 anos de melhora significativa, com muitos pacientes mantendo benefícios perceptíveis por ainda mais tempo.

    O Que a Ciência Diz

    Estudos com seguimento longo de pacientes submetidos ao deep plane demonstram resultados impressionantes. Séries publicadas por referências mundiais em cirurgia facial mostram que pacientes avaliados 10 anos após a cirurgia mantêm uma aparência significativamente mais jovem que a esperada para sua idade.

    Na minha própria prática, tenho pacientes operados há mais de 12 anos cujos resultados permanecem notáveis. Quando olho as fotos do pré-operatório e comparo com a aparência atual — mais de uma década depois — a diferença em relação ao que seria o envelhecimento natural é evidente.

    Fatores Que Influenciam a Durabilidade

    Embora a técnica seja o fator principal, outros elementos influenciam significativamente quanto tempo o resultado permanecerá ótimo:

    1. Genética

    A genética determina em grande parte como sua pele envelhece. Pacientes com pele mais espessa e com boa produção de colágeno tendem a manter resultados por mais tempo. Observar como seus pais envelheceram pode dar uma ideia do seu perfil genético de envelhecimento.

    2. Exposição Solar

    O fotoenvelhecimento é o maior inimigo do resultado cirúrgico. A radiação ultravioleta degrada colágeno e elastina, acelerando a flacidez e o envelhecimento da pele. Pacientes que mantêm proteção solar rigorosa após o lifting preservam o resultado por significativamente mais tempo.

    Não é exagero dizer que o protetor solar é o melhor “creme anti-idade” que existe — e isso se aplica duplamente após um lifting facial.

    3. Tabagismo

    O cigarro é devastador para a pele. A nicotina compromete a microcirculação, reduz a oxigenação dos tecidos e acelera a degradação do colágeno. Pacientes fumantes apresentam envelhecimento cutâneo acelerado e resultados de lifting de menor durabilidade.

    Exijo que meus pacientes parem de fumar pelo menos 4 semanas antes e depois da cirurgia — tanto por segurança cirúrgica quanto para proteger o resultado a longo prazo. Idealmente, a cessação deveria ser permanente.

    4. Peso Corporal

    Oscilações significativas de peso após o lifting podem comprometer o resultado, especialmente no pescoço. Ganho de peso pode acumular gordura submentoniana novamente, e perda de peso pode criar flacidez adicional. Manter um peso estável é um aliado importante da longevidade do resultado.

    5. Cuidados Com a Pele

    Uma rotina consistente de skincare — com retinoides, vitamina C, proteção solar e hidratação adequada — ajuda a manter a qualidade da pele e prolonga o efeito visual do lifting. Penso nisso como manutenção: a cirurgia faz o trabalho pesado, os cuidados diários preservam o investimento.

    6. Idade na Época da Cirurgia

    Pacientes mais jovens, com melhor qualidade de pele e tecidos, tendem a ter resultados mais duradouros. Este é mais um argumento a favor da intervenção mais precoce — não esperar até que a flacidez esteja extremamente avançada.

    O Conceito de “Envelhecimento Rejuvenescido”

    Um conceito que gosto de compartilhar com meus pacientes é o de envelhecimento rejuvenescido. Após um deep plane lifting, você não para de envelhecer — mas envelhece a partir de uma base muito mais favorável, e de forma mais harmônica.

    Pense nisso: sem cirurgia, entre os 50 e os 65 anos, a gravidade, a perda de volume e a flacidez produzem uma mudança significativa e frequentemente abrupta. Com o lifting realizado aos 50, essa mesma transição é muito mais suave e gradual. Aos 65, a pessoa parece ter 55 — uma diferença de 10 anos que se mantém ao longo do tempo.

    E Depois? Quando Considerar um Retoque

    Após 10 a 15 anos de um excelente resultado, alguns pacientes consideram um retoque. A boa notícia é que a revisão após um deep plane primário tende a ser mais simples que a cirurgia original. Como as estruturas profundas foram adequadamente reposicionadas e os ligamentos liberados, a base estrutural permanece favorável.

    Nem todos os pacientes precisarão de revisão. Alguns mantêm resultados excelentes por 15-20 anos e optam por não reoperar. Outros preferem manter um resultado ótimo e escolhem uma revisão quando percebem os primeiros sinais de recidiva. Ambas são decisões perfeitamente válidas.

    O Papel dos Procedimentos Complementares

    Para estender e otimizar o resultado do lifting ao longo dos anos, alguns procedimentos não cirúrgicos podem ser valiosos:

    • Toxina botulínica — mantém as rugas dinâmicas suavizadas, complementando o efeito do lifting
    • Preenchimento com ácido hialurônico — repõe volume perdido em áreas específicas como maçãs do rosto e lábios
    • Peelings e laser — melhoram textura, manchas e qualidade da pele
    • Tratamentos de bioestimulação — estimulam a produção de colágeno para manter a firmeza da pele

    Esses procedimentos não substituem o lifting, mas complementam e prolongam seus efeitos. Penso neles como a “manutenção periódica” de um resultado cirúrgico excelente.

    O Investimento na Perspectiva do Tempo

    Quando um paciente me pergunta se o lifting “vale a pena” financeiramente, proponho uma reflexão: divida o custo do procedimento pelos anos de resultado. Um deep plane lifting com resultado duradouro de 12 a 15 anos representa um investimento mensal surpreendentemente acessível — certamente menor do que muitos gastos rotineiros com tratamentos estéticos de menor impacto.

    E isso sem considerar o valor intangível da autoconfiança, do bem-estar ao se olhar no espelho todos os dias, e da liberdade de não precisar se preocupar com a aparência facial por muitos anos.

    Conclusão

    O lifting facial deep plane oferece a melhor combinação de naturalidade e longevidade disponível na cirurgia plástica facial atual. Com resultados significativos que se mantêm por 10 a 15 anos — e que podem ser estendidos com cuidados adequados e procedimentos complementares — o deep plane é verdadeiramente um investimento que vale a pena.

    Se você quer entender como o lifting deep plane pode rejuvenescer sua face de forma duradoura e natural, agende uma consulta. Analisarei pessoalmente sua anatomia e explicarei o que pode esperar em termos de resultado e longevidade para o seu caso específico.

  • Mitos e Verdades Sobre o Lifting Facial Deep Plane

    Mitos e Verdades Sobre o Lifting Facial Deep Plane

    O lifting facial deep plane ganhou enorme visibilidade nos últimos anos — o que é positivo, pois mais pessoas conhecem essa técnica transformadora. Porém, com a popularidade vieram também muitas informações equivocadas. No consultório em Londrina, dedico boa parte das consultas a esclarecer mitos que os pacientes trazem da internet.

    Neste artigo, abordo os mitos mais frequentes que encontro e apresento as verdades baseadas na minha experiência clínica e na literatura científica.

    Mito 1: “O Deep Plane é Muito Mais Perigoso que Outras Técnicas”

    Verdade: O deep plane NÃO é mais perigoso — na verdade, pode ser mais seguro em vários aspectos.

    Este é o mito mais persistente e o que mais preocupa os pacientes. A lógica leiga é compreensível: se o cirurgião opera mais profundamente, perto dos nervos, o risco deve ser maior. Entretanto, a realidade anatômica é diferente.

    No deep plane, o cirurgião disseca em um plano bem definido abaixo do SMAS, onde os ramos do nervo facial estão protegidos por cima do retalho — ou seja, ficam do lado oposto ao da dissecção. Em técnicas superficiais como o SMASectomy, os nervos podem estar mais vulneráveis pois a dissecção ocorre mais próxima a eles.

    Estudos publicados nas principais revistas de cirurgia plástica demonstram que a taxa de lesão nervosa permanente no deep plane é extremamente baixa — inferior a 1% em mãos experientes — e comparável ou até menor que técnicas superficiais.

    O que é verdade: o deep plane exige mais experiência e conhecimento anatômico do cirurgião. Não é uma técnica para iniciantes. Mas nas mãos certas, é seguro.

    Mito 2: “O Lifting Facial Deixa o Rosto com Aparência de Puxado”

    Verdade: O aspecto “puxado” é justamente o que o deep plane EVITA.

    A face “soprada pelo vento” é resultado de técnicas que dependem da tração da pele para sustentação. Quando a pele é esticada lateralmente sem reposicionamento das estruturas profundas, cria-se essa aparência artificial.

    No deep plane, a sustentação vem do SMAS e dos tecidos profundos reposicionados. A pele é apenas redistribuída suavemente, sem tensão. O vetor de reposicionamento é predominantemente vertical — para cima — e não lateral. Isso preserva os sulcos naturais da face e cria um rejuvenescimento tridimensional.

    O resultado que busco — e que consistentemente alcanço — é que ninguém perceba a cirurgia. As pessoas notam apenas que o paciente “está com uma aparência ótima” ou “parece descansado”.

    Mito 3: “A Dor é Insuportável”

    Verdade: A maioria dos pacientes se surpreende com o quão tolerável é.

    Esse é um dos mitos que mais prazer tenho em desmentir, porque a reação dos pacientes no pós-operatório é consistente: “Dr. Walter, achei que ia ser muito pior.”

    O deep plane, paradoxalmente, pode causar menos dor que técnicas superficiais. Como a dissecção ocorre em um plano profundo bem definido, há menos trauma aos tecidos superficiais ricos em terminações nervosas sensitivas. A maioria dos pacientes descreve um desconforto tipo “repuxamento” ou “pressão”, facilmente controlável com analgésicos comuns.

    Nos primeiros dois dias, prescrevo medicação analgésica de horário. A partir do terceiro dia, muitos pacientes já tomam apenas paracetamol quando sentem necessidade. Dor intensa e persistente é incomum e, quando ocorre, merece avaliação.

    Mito 4: “Só Funciona Para Quem Tem Muita Flacidez”

    Verdade: O deep plane funciona excepcionalmente bem em flacidez inicial a moderada — e frequentemente com resultados ainda mais impressionantes.

    Muitos associam lifting facial a pessoas de 60-70 anos com flacidez avançada. Mas como expliquei em outro artigo, pacientes nos seus 40 anos com sinais iniciais de envelhecimento são candidatos excelentes. Nestes casos, a correção necessária é menor, o resultado é mais sutil e natural, e a recuperação tende a ser mais rápida.

    A tendência mundial — que acompanho de perto em congressos internacionais — é de liftings mais precoces, com resultados mais naturais e longevos.

    Mito 5: “As Cicatrizes São Muito Visíveis”

    Verdade: As cicatrizes do lifting deep plane são tipicamente excelentes e praticamente imperceptíveis.

    As incisões do lifting facial são estrategicamente posicionadas em áreas de transição natural:

    • Dentro do trago da orelha (a cartilagem na entrada do canal auditivo)
    • Ao longo do sulco pré-auricular e contorno da orelha
    • Na região retroauricular (atrás da orelha)
    • Discretamente na linha do cabelo

    No deep plane, como a pele fecha sem tensão (a sustentação vem das camadas profundas), as cicatrizes tendem a ser particularmente finas e discretas. Após 6 a 12 meses de maturação, a maioria das cicatrizes é virtualmente imperceptível — mesmo de perto.

    Evidentemente, a qualidade da cicatrização varia entre indivíduos, e fatores como genética, cor da pele e cuidados pós-operatórios influenciam. Mas de modo geral, as cicatrizes do lifting são uma das menores preocupações dos meus pacientes após a cirurgia.

    Mito 6: “O Resultado Dura Apenas Alguns Anos”

    Verdade: O deep plane é justamente a técnica com maior longevidade comprovada.

    Técnicas superficiais podem, de fato, ter resultados relativamente efêmeros — 3 a 5 anos em muitos casos. Isso contribuiu para o mito de que lifting “não dura”. Mas o deep plane é uma categoria completamente diferente.

    Ao reposicionar as estruturas profundas — não apenas a pele — o deep plane cria um resultado estruturalmente sólido. A experiência clínica de centros de referência mundiais, com seguimento de pacientes ao longo de décadas, demonstra resultados duradouros de 10 a 15 anos ou mais.

    Importante: o envelhecimento não para após a cirurgia. O paciente continuará envelhecendo, mas a partir de um ponto muito mais favorável. É como se tivéssemos atrasado o relógio — e o novo envelhecimento ocorre de forma harmônica.

    Mito 7: “Lifting é Só Para Mulheres”

    Verdade: Homens são excelentes candidatos e a procura masculina está em crescimento acelerado.

    Já dediquei um artigo inteiro ao lifting masculino, mas vale reiterar: o lifting deep plane adaptado à anatomia masculina produz resultados extraordinários. A técnica precisa ser modificada — posição das incisões, cuidado com a barba, manejo da hemostasia — mas o resultado em termos de rejuvenescimento e naturalidade é igualmente impressionante.

    Mito 8: “Preenchimentos e Fios Conseguem o Mesmo Resultado”

    Verdade: Preenchimentos e fios NÃO substituem o lifting facial.

    Este é um mito perpetuado em parte por profissionais que não realizam cirurgia e vendem procedimentos não cirúrgicos como alternativa. Preciso ser direto: não existe procedimento não cirúrgico que reproduza o resultado de um lifting deep plane.

    Preenchimentos com ácido hialurônico podem restaurar volume e suavizar rugas, mas não reposicionam tecidos caídos. Fios de sustentação podem oferecer melhora discreta e temporária, mas sua durabilidade é limitada a meses e não anos.

    O uso excessivo de preenchimentos para “compensar” a flacidez — em vez de tratar a causa com cirurgia — frequentemente resulta na chamada “pillow face”: um rosto volumoso mas ainda caído, com aparência artificial e pesada.

    Preenchimentos e toxina botulínica são complementos valiosos ao lifting — uso-os regularmente em meus pacientes. Mas não são substitutos.

    Mito 9: “A Recuperação Leva Meses”

    Verdade: A maioria dos pacientes retorna às atividades sociais em 2 a 3 semanas.

    A recuperação do deep plane segue um cronograma previsível. Os primeiros 7 a 10 dias são os mais intensos, com inchaço e equimoses. Por volta de 14 dias, a maioria dos pacientes já se sente confortável para sair em público. Às 3 semanas, o retorno às atividades normais é praticamente completo.

    É verdade que a evolução final leva meses — o inchaço residual profundo resolve gradualmente até o 3º mês, e as cicatrizes amadurecem ao longo de 6 a 12 meses. Mas o paciente vive normalmente durante esse processo.

    Mito 10: “Todo Cirurgião que Diz Fazer Deep Plane Realmente Faz”

    Verdade: Infelizmente, o termo “deep plane” é usado comercialmente por cirurgiões que não realizam a técnica verdadeira.

    Este é talvez o mito mais preocupante. Com a popularização do termo, alguns cirurgiões passaram a denominar suas técnicas de “deep plane” para atrair pacientes, mesmo realizando procedimentos mais superficiais. A diferença técnica entre um verdadeiro deep plane — com liberação completa dos ligamentos de retenção e reposicionamento sub-SMAS — e uma plicatura ou SMASectomy superficial é enorme, e se reflete diretamente no resultado.

    Minha recomendação: pergunte especificamente ao cirurgião se ele libera os ligamentos zigomáticos e manda o retalho no plano sub-SMAS. Se a resposta for vaga, considere buscar outra opinião.

    Conclusão

    O lifting facial deep plane é uma cirurgia segura, eficaz e com resultados naturais e duradouros — quando realizada por um cirurgião experiente e qualificado. Os mitos que cercam o procedimento refletem desinformação ou experiências com técnicas inferiores, e não a realidade do deep plane bem executado.

    Se você tem dúvidas ou receios sobre o lifting facial deep plane, agende uma consulta. Terei prazer em esclarecer cada uma das suas preocupações pessoalmente e mostrar como essa técnica pode rejuvenescer sua face de forma natural e segura.

  • Como Escolher o Cirurgião Certo Para Seu Lifting Facial

    Como Escolher o Cirurgião Certo Para Seu Lifting Facial

    Escolher o cirurgião para seu lifting facial é, sem exagero, a decisão mais importante de todo o processo. A mesma cirurgia — com o mesmo nome — pode ter resultados dramaticamente diferentes dependendo de quem a realiza. Em mais de duas décadas como cirurgião plástico facial em Londrina, já vi resultados extraordinários de colegas competentes e, infelizmente, também resultados que poderiam ter sido evitados com uma escolha mais criteriosa.

    Neste artigo, compartilho os critérios que considero essenciais para que você faça uma escolha segura e informada. Escrevo não apenas como cirurgião, mas como alguém que genuinamente se preocupa com a qualidade dos resultados em nossa especialidade.

    1. Verifique a Formação e as Credenciais

    Este é o ponto de partida básico, mas muitos pacientes o negligenciam. No Brasil, para realizar cirurgia plástica legalmente, o médico deve:

    • Ser membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) — a filiação à SBCP indica que o médico completou residência reconhecida em cirurgia plástica
    • Possuir Título de Especialista em Cirurgia Plástica — emitido pela SBCP em conjunto com a AMB (Associação Médica Brasileira)
    • Estar registrado no CRM com a especialidade de cirurgia plástica

    Infelizmente, existem profissionais que realizam liftings faciais sem a formação adequada. Dermatologistas, otorrinolaringologistas e até clínicos gerais podem, legalmente, realizar procedimentos cirúrgicos no Brasil, mas a formação em cirurgia plástica facial é fundamentalmente diferente. Não arrisque.

    2. Experiência Específica em Cirurgia Facial

    A cirurgia plástica é ampla — abrange mama, abdômen, contorno corporal, mão, queimaduras, entre outras áreas. Um cirurgião plástico excelente em mamoplastia não é necessariamente a melhor escolha para seu lifting facial.

    Procure um cirurgião que:

    • Tenha a face como área de foco principal ou significativa de sua prática
    • Realize liftings faciais com frequência regular — não esporadicamente
    • Domine técnicas avançadas como o deep plane
    • Participe de congressos e cursos de atualização em cirurgia facial
    • Publique ou apresente trabalhos científicos na área

    Na minha prática, a cirurgia plástica facial representa a grande maioria dos procedimentos que realizo. Essa dedicação concentrada permite que eu refine continuamente minha técnica e mantenha resultados consistentes.

    3. Pergunte Sobre a Técnica Utilizada

    Não tenha vergonha de perguntar ao cirurgião qual técnica ele utiliza para o lifting facial. Um bom profissional terá orgulho de explicar sua abordagem. Perguntas relevantes incluem:

    • “O senhor realiza o lifting deep plane?” — se a resposta for que usa apenas SMAS plication ou técnicas superficiais, é importante entender as limitações
    • “Como são tratados o pescoço e o platisma?” — um lifting que não aborda o pescoço é incompleto
    • “As incisões são feitas onde? Como ficam as cicatrizes?” — o planejamento das incisões revela muito sobre a experiência do cirurgião
    • “Qual a durabilidade esperada do resultado?” — respostas honestas e baseadas em evidências são um bom sinal

    Desconfie de cirurgiões que são evasivos sobre detalhes técnicos ou que prometem resultados milagrosos com procedimentos mínimos.

    4. Analise os Resultados: Antes e Depois

    Fotos de antes e depois são a vitrine do cirurgião. Ao analisá-las, observe:

    • Naturalidade — os pacientes parecem rejuvenescidos ou parecem operados? Existe aspecto de “face puxada”?
    • Consistência — os resultados são uniformemente bons ou variam muito? Consistência indica técnica sólida
    • Variedade de idades e tipos faciais — um cirurgião experiente terá resultados em diferentes perfis de pacientes
    • Pescoço — os resultados mostram melhora cervical significativa? O perfil lateral é apresentado?
    • Cicatrizes — se possível, observe fotos de perto das cicatrizes
    • Fotos padronizadas — iluminação, distância e ângulo consistentes indicam seriedade na documentação

    Desconfie de portfólios muito pequenos, fotos com iluminação ou maquiagem diferente entre antes e depois, ou ausência de fotos de perfil (que são as que mais mostram a qualidade do resultado cervicofacial).

    5. A Consulta é Reveladora

    A consulta pré-operatória é sua melhor oportunidade de avaliar o cirurgião. Observe:

    Tempo Dedicado

    Um cirurgião que faz lifting facial bem dedica tempo generoso à consulta. Na minha prática, a primeira consulta dura no mínimo 40 a 60 minutos. É tempo para examinar, fotografar, explicar a técnica, discutir expectativas e responder todas as perguntas. Se a consulta durar 10-15 minutos, algo está errado.

    Exame Físico Detalhado

    O cirurgião deve examinar sua face sistematicamente: qualidade da pele, grau de ptose em cada terço da face, pescoço, ângulo cervicomental, projeção do queixo, volume facial. Um exame superficial indica avaliação superficial.

    Honestidade sobre Limitações

    O melhor cirurgião é aquele que diz honestamente o que pode e o que não pode alcançar. Se alguém promete que você ficará “20 anos mais jovem” ou que o resultado será “perfeito”, considere isso um sinal de alerta. A cirurgia tem limitações reais, e um profissional ético as comunica.

    Plano Cirúrgico Personalizado

    Cada face é única. O cirurgião deve apresentar um plano adaptado à sua anatomia, não uma abordagem genérica de “tamanho único”. Se a proposta é exatamente a mesma para todo mundo, a individualização está faltando.

    6. Equipe e Estrutura

    O lifting facial é uma cirurgia de porte significativo que requer infraestrutura adequada:

    • Centro cirúrgico equipado — com monitorização completa e equipe de enfermagem treinada em cirurgia facial
    • Anestesista experiente — de preferência com experiência regular em cirurgias faciais longas
    • Estrutura de pós-operatório — acompanhamento próximo nas primeiras 24-48 horas
    • Disponibilidade do cirurgião — acesso direto ao cirurgião no pós-operatório, não apenas a assistentes

    7. Sinais de Alerta

    Ao longo dos anos, identifiquei padrões que devem acender uma luz vermelha na escolha do cirurgião:

    • Preço significativamente abaixo do mercado — lifting facial de qualidade tem um custo que reflete a experiência do cirurgião, a técnica e a estrutura. Preços muito baixos geralmente implicam comprometimento em algum desses aspectos
    • Promessas de “sem cicatriz” ou “sem recuperação” — todo lifting facial produz cicatrizes (discretas, mas existem) e requer recuperação. Quem promete o contrário não está sendo honesto
    • Pressão para decidir rapidamente — “faça agora porque esse preço é só essa semana” é tática comercial, não conduta médica
    • Ausência de fotos de resultados próprios — um cirurgião que não mostra seus resultados pode ter algo a esconder
    • Recusa em responder perguntas técnicas — se o cirurgião se irrita com perguntas ou é condescendente, a relação médico-paciente já começa comprometida
    • Marketing excessivamente agressivo — desconfie de excesso de autopromoção, especialmente quando baseado em títulos auto-atribuídos como “o melhor cirurgião” ou “referência número 1”

    8. Busque Referências Reais

    Além das pesquisas online, procure:

    • Depoimentos de pacientes reais — não apenas os publicados no site do médico, mas em fóruns independentes e redes sociais
    • Indicação de outros médicos — pergunte ao seu clínico geral ou dermatologista para quem eles encaminhariam um familiar
    • Sociedades médicas — a SBCP e a ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) mantêm cadastros verificados

    9. Confie na Sua Intuição

    Após verificar credenciais, analisar resultados e ter uma consulta detalhada, existe um componente subjetivo importante: a conexão com o cirurgião. Você precisa se sentir seguro, ouvido e respeitado. Se algo não parece certo — mesmo que não consiga explicar exatamente o quê — respeite essa intuição.

    Consulte mais de um cirurgião se necessário. Compare abordagens, explicações e propostas. Não tenha pressa para tomar essa decisão.

    10. O Mais Caro Nem Sempre é o Melhor

    Um esclarecimento importante: o preço mais alto não garante automaticamente o melhor resultado. Existem cirurgiões excelentes com honorários justos e cirurgiões medianos com preços inflados pelo marketing. O inverso também é verdade — não busque economia excessiva em algo tão importante.

    O valor deve refletir a combinação de experiência, técnica, estrutura e dedicação. Pergunte o que está incluído no valor — consultas de retorno, acompanhamento pós-operatório, eventuais retoques — para comparar de forma justa.

    Conclusão

    Escolher o cirurgião para seu lifting facial é uma decisão que impactará sua aparência e autoconfiança por muitos anos. Dedique tempo a essa escolha, faça perguntas, analise resultados e confie no profissional que combine competência técnica com honestidade e empatia.

    Se você está pesquisando sobre lifting facial e deseja uma avaliação honesta e detalhada do seu caso, agende uma consulta. Dedico o tempo necessário para examinar, explicar e responder cada uma das suas dúvidas pessoalmente.

  • Lifting Facial Secundário: Corrigindo Resultados de Outros Cirurgiões

    Lifting Facial Secundário: Corrigindo Resultados de Outros Cirurgiões

    O lifting facial secundário — também chamado de lifting de revisão — é uma das cirurgias mais desafiadoras e gratificantes que realizo. Recebo no meu consultório em Londrina pacientes de todo o Brasil que passaram por um lifting facial prévio e ficaram insatisfeitos com o resultado. São histórias que escuto com atenção e empatia, porque sei o quanto é frustrante investir em uma cirurgia e não alcançar o resultado esperado.

    Neste artigo, quero explicar o que é o lifting secundário, quando ele é indicado, quais os principais desafios técnicos envolvidos, e como consigo, na maioria dos casos, transformar uma frustração em satisfação.

    Por Que um Lifting Pode Precisar de Revisão

    Existem diversas razões pelas quais um paciente pode precisar de um segundo lifting facial:

    1. Técnica Inadequada na Primeira Cirurgia

    Esta é, infelizmente, a causa mais comum que vejo. Muitos pacientes foram operados com técnicas superficiais — SMAS plication ou SMASectomy limitada — que simplesmente não oferecem a longevidade e a qualidade de resultado do deep plane. Após 2 a 5 anos, o resultado começa a regredir significativamente.

    2. Envelhecimento Natural

    Mesmo um lifting bem executado tem sua durabilidade. Após 10 a 15 anos de um excelente resultado, o envelhecimento contínuo pode justificar uma revisão. Nesses casos, a cirurgia secundária costuma ser mais simples, pois a base estrutural do primeiro procedimento ainda oferece algum suporte.

    3. Aspecto “Operado” ou Artificial

    Infelizmente, alguns pacientes chegam com faces que denunciam a cirurgia: pele excessivamente esticada, aspecto de “soprado pelo vento”, lóbulos da orelha distorcidos, cicatrizes visíveis ou hairline deslocada. Nesses casos, o objetivo da revisão é não apenas rejuvenescer, mas corrigir a artificialidade.

    4. Assimetrias ou Irregularidades

    Contorno mandibular assimétrico, excesso de pele residual de um lado, ou depressões e irregularidades no pescoço podem necessitar de correção cirúrgica.

    5. Pescoço Não Tratado Adequadamente

    Muitos liftings primários focam exclusivamente na face, negligenciando o pescoço. O resultado é uma face rejuvenescida com um pescoço que denuncia a idade — uma dissonância que incomoda profundamente o paciente.

    Os Desafios Técnicos do Lifting Secundário

    O lifting de revisão é significativamente mais complexo que um lifting primário, e nem todo cirurgião está preparado para realizá-lo. As razões incluem:

    Anatomia Alterada

    A cirurgia prévia modificou os planos anatômicos normais. Existe fibrose (cicatrização interna), os planos de dissecção podem estar aderidos, e as referências anatômicas habituais podem estar deslocadas. É como operar um território desconhecido — preciso reconstruir mentalmente o mapa anatômico de cada paciente.

    Risco Aumentado para o Nervo Facial

    O nervo facial — responsável pela movimentação da face — pode estar mais vulnerável em uma reoperação. A fibrose da cirurgia anterior pode ter alterado sua relação com os tecidos ao redor, tornando sua identificação e preservação mais difíceis. Experiência em anatomia facial profunda é absolutamente essencial nesse cenário.

    Pele Já Comprometida

    Se a primeira cirurgia removeu pele em excesso ou esticou demais, a reserva cutânea disponível para redistribuição é menor. Em casos extremos, pode não haver pele suficiente para fechar sem tensão, exigindo criatividade e planejamento cuidadoso.

    Cicatrizes Prévias

    As cicatrizes da primeira cirurgia precisam ser incorporadas no planejamento. Idealmente, as novas incisões seguem as cicatrizes existentes para não criar novas marcas. Quando as cicatrizes anteriores estão mal posicionadas, pode ser necessário excisá-las e reposicionar o trajeto.

    Minha Abordagem no Lifting Secundário

    Quando recebo um paciente para lifting de revisão, minha abordagem é metódica e personalizada:

    Avaliação Detalhada

    Dedico mais tempo à consulta do que em um lifting primário. Preciso entender:

    • Qual técnica foi utilizada na primeira cirurgia (peço relatório cirúrgico quando disponível)
    • Há quanto tempo foi realizada
    • Quais as queixas específicas do paciente
    • Qual a qualidade da pele restante
    • Se existem áreas de fibrose ou aderência significativas
    • Estado das cicatrizes

    Planejamento Cirúrgico Customizado

    Cada lifting secundário é único. Não existe uma abordagem padronizada. Dependendo do caso, posso precisar:

    • Converter para deep plane — se o lifting primário foi superficial, acesso o plano profundo pela primeira vez, liberando os ligamentos e reposicionando o SMAS adequadamente
    • Tratar o pescoço — frequentemente negligenciado na primeira cirurgia, o pescoço precisa de atenção completa com platysmaplastia e remoção de gordura profunda
    • Enxerto de gordura — para restaurar volume perdido e corrigir irregularidades ou depressões criadas pela cirurgia anterior
    • Correção de cicatrizes — excisão e reposicionamento de cicatrizes visíveis, reconstrução de lóbulos distorcidos
    • Correção de hairline — quando a linha do cabelo foi deslocada posteriormente, técnicas de avanço do couro cabeludo podem ser necessárias

    Manejo de Expectativas

    Este é um dos aspectos mais importantes. O paciente que já passou por uma frustração cirúrgica precisa de honestidade absoluta sobre o que é possível alcançar. Na consulta, explico claramente:

    • O que consigo melhorar significativamente
    • O que consigo melhorar parcialmente
    • O que pode não ser possível corrigir completamente

    Essa transparência é essencial para construir uma relação de confiança e para que o paciente tenha expectativas alinhadas com a realidade.

    Problemas Comuns que Corrijo

    A Face “Soprada pelo Vento”

    Este é o estigma clássico do lifting mal feito — a face com aparência de tração lateral excessiva, perda dos sulcos naturais, maçãs do rosto achatadas lateralmente. A correção envolve liberar a tração superficial, entrar no plano profundo para criar sustentação vertical (não lateral), e frequentemente adicionar volume com enxerto de gordura para restaurar a tridimensionalidade.

    Lóbulos da Orelha Distorcidos

    Um achado frequente em liftings primários mal planejados é o lóbulo da orelha puxado para baixo ou aderido à face, perdendo seu contorno natural solto. A correção exige uma técnica específica de reconstrução do lóbulo com enxertos locais.

    Cicatrizes Visíveis ou Alargadas

    Cicatrizes que ficaram largas, brancas demais ou fora do sulco natural indicam que houve tensão excessiva no fechamento ou planejamento inadequado. Na revisão, removo essas cicatrizes e fecho sem tensão, aproveitando a sustentação profunda do deep plane.

    Pescoço Não Tratado

    Muitos pacientes chegam com uma face razoavelmente bem operada mas um pescoço completamente negligenciado. Nestes casos, posso realizar um deep neck lift complementar, frequentemente sem necessidade de refazer todo o lifting facial.

    Tempo de Espera entre Cirurgias

    De forma geral, recomendo aguardar no mínimo 6 a 12 meses entre o lifting primário e a revisão. Esse tempo permite:

    • Maturação completa das cicatrizes internas
    • Resolução de todo o inchaço do primeiro procedimento
    • Estabilização dos tecidos na sua posição final
    • Avaliação realista do resultado obtido

    Em alguns casos, se a queixa é muito específica e pontual, posso intervir antes. Mas a pressa na revisão pode comprometer o resultado.

    Resultados do Lifting Secundário

    Quando bem planejado e executado, o lifting secundário deep plane pode alcançar resultados extraordinários. Tenho pacientes que consideram o resultado da revisão melhor do que esperavam do lifting primário. A transformação de uma face com aspecto operado e artificial para uma face naturalmente rejuvenescida é profundamente gratificante — tanto para o paciente quanto para mim.

    Entretanto, é importante ser realista: nem sempre é possível alcançar o mesmo nível de resultado que um lifting primário deep plane bem feito. As limitações impostas pela cirurgia anterior são reais. Meu compromisso é sempre honesto: oferecer a melhor melhora possível dentro do que a anatomia permite.

    Conclusão

    O lifting facial secundário é um procedimento complexo que exige experiência, conhecimento anatômico profundo e habilidade técnica refinada. Se você passou por um lifting facial e não está satisfeito com o resultado, saiba que existe solução — mas é fundamental escolher um cirurgião com experiência específica em cirurgias de revisão.

    Se você realizou um lifting facial e não está satisfeito com o resultado obtido, agende uma consulta para que eu possa avaliar seu caso com cuidado. Terei transparência total sobre o que é possível melhorar e como podemos alcançar o resultado que você merece.

  • Lifting Facial Masculino: Particularidades e Cuidados

    Lifting Facial Masculino: Particularidades e Cuidados

    O lifting facial não é exclusividade feminina — e essa é uma mensagem que faço questão de transmitir. Nos últimos anos, tenho observado um aumento significativo na procura por rejuvenescimento facial entre homens no meu consultório em Londrina. Executivos, profissionais liberais, empresários — homens que reconhecem que uma aparência descansada e vital impacta positivamente em todas as esferas da vida.

    Entretanto, o lifting facial masculino não é simplesmente o mesmo procedimento realizado em mulheres. Existem diferenças anatômicas, estéticas e técnicas que precisam ser respeitadas para alcançar um resultado natural e masculino. Neste artigo, vou detalhar essas particularidades.

    O Envelhecimento Facial Masculino é Diferente

    Homens e mulheres envelhecem de maneira diferente, e entender essas diferenças é fundamental para o planejamento cirúrgico:

    • Pele mais espessa — a pele masculina é cerca de 20-25% mais grossa que a feminina, com maior densidade de colágeno. Isso pode retardar os sinais iniciais de envelhecimento, mas quando a flacidez se instala, a pele mais pesada tende a cair de forma mais pronunciada
    • Vascularização mais rica — a presença da barba significa maior irrigação sanguínea na face, o que tem implicações para o risco de sangramento durante a cirurgia
    • Estrutura óssea mais proeminente — mandíbula mais angular, arcos zigomáticos mais salientes, o que pode mascarar a flacidez inicial mas também tornar a queda eventual mais perceptível
    • Gordura cervical — homens tendem a acumular mais gordura submentoniana (papada), especialmente após os 45-50 anos
    • Padrão de envelhecimento diferente — enquanto mulheres frequentemente apresentam flacidez mais difusa, homens costumam mostrar sinais mais localizados: jowls pesados e pescoço com papada

    O Desafio das Incisões: A Barba Muda Tudo

    O planejamento das incisões é onde o lifting masculino mais difere do feminino. Em mulheres, as incisões seguem um trajeto padrão que se esconde facilmente na linha do cabelo e ao redor da orelha. Em homens, a presença da barba cria desafios únicos.

    O Problema da Barba Deslocada

    Se as incisões forem planejadas de forma idêntica ao lifting feminino, o resultado pode ser desastroso: pelos de barba podem ser transplantados para dentro do canal auditivo ou para a região retroauricular, criando uma situação antinatural e desconfortável. Imagine ter que fazer a barba dentro da orelha — é exatamente o que pode acontecer com um planejamento inadequado.

    Minha Abordagem

    No lifting masculino, modifico o trajeto das incisões cuidadosamente:

    • A incisão pré-auricular segue a borda da pele não barbada, respeitando a zona de transição entre barba e pele glabra
    • Evito deslocar pele com pelos para áreas onde não deveria haver barba
    • A incisão retroauricular é posicionada de forma a não transplantar folículos pilosos para o sulco retroauricular
    • A extensão para a linha do cabelo respeita a linha de implantação temporal masculina, que é diferente da feminina

    Esse cuidado no planejamento é o que diferencia um resultado natural de um resultado que denuncia a cirurgia.

    A Técnica Deep Plane no Homem

    A técnica deep plane é igualmente indicada — e eu diria até mais importante — no lifting masculino. Como a pele do homem é mais pesada, qualquer técnica que dependa primariamente da tração cutânea para sustentação está fadada ao fracasso precoce. O peso da pele masculina simplesmente vence a resistência dos pontos em poucos anos.

    No deep plane, a sustentação vem das camadas profundas — SMAS e ligamentos reposicionados. A pele pesada masculina é apenas redistribuída, sem tensão. Isso garante:

    • Cicatrizes finas mesmo com pele espessa
    • Resultado duradouro apesar do peso da pele
    • Aparência natural sem aspecto de “esticado”

    A Questão Hemorrágica

    Um aspecto técnico que merece atenção é o maior risco de sangramento no lifting masculino. A vascularização mais rica da face masculina, relacionada aos folículos da barba, implica em:

    • Hemostasia meticulosa — durante a cirurgia, dedico atenção extra ao controle de sangramentos pontuais
    • Drenos — em homens, utilizo drenos aspirativos com mais frequência que em mulheres, para prevenir hematomas
    • Controle pressórico rigoroso — a pressão arterial deve ser mantida sob controle estrito no pós-operatório imediato
    • Curativo compressivo adequado — adaptado à anatomia masculina

    Com esses cuidados, a taxa de hematoma no lifting masculino na minha prática é baixa, mas é importante que o paciente saiba que o risco é estatisticamente maior que no lifting feminino.

    O Cabelo e a Linha de Implantação

    Outro aspecto crucial é a linha capilar. Muitos homens que buscam o lifting já apresentam algum grau de calvície — entradas, rarefação temporal ou coroa. Isso afeta diretamente o planejamento cirúrgico:

    • Incisões na linha do cabelo devem ser extremamente discretas, pois podem ser visíveis se houver rarefação
    • Em alguns casos, opto por incisões ligeiramente diferentes das que usaria em mulheres para minimizar a visibilidade
    • O cabelo curto masculino é menos forgiving que o cabelo feminino para camuflar cicatrizes

    Discuto abertamente esses pontos na consulta, inclusive pedindo que o paciente venha com o corte de cabelo habitual para que eu possa planejar as incisões considerando o comprimento real que ele usa no dia a dia.

    O Que o Homem Busca vs O Que a Mulher Busca

    Embora o objetivo geral seja o mesmo — rejuvenescimento natural — existem nuances nas expectativas masculinas:

    • Masculinidade preservada — o resultado deve manter ou até reforçar traços masculinos como mandíbula angular e pescoço definido
    • Discrição absoluta — homens, em geral, são ainda mais enfáticos quanto ao desejo de que ninguém perceba que houve cirurgia
    • Aparência de vigor — mais do que “jovem”, o homem quer parecer “vital” e “descansado”
    • Foco no pescoço — muitos homens mencionam a papada como queixa principal, enquanto mulheres frequentemente focam mais nos jowls e no terço médio

    Respeitar essas expectativas é fundamental. Um lifting masculino que feminiliza os traços — suavizando demais a mandíbula ou criando uma aparência “lisa” demais — é um resultado inadequado, mesmo que tecnicamente bem executado.

    Procedimentos Complementares no Homem

    Frequentemente combino o lifting com procedimentos que otimizam o resultado masculino:

    • Deep neck lift com platysmaplastia — essencial para a maioria dos homens, dado o acúmulo cervical frequente
    • Lipoaspiração submentoniana — para definir o contorno cervical
    • Blefaroplastia — pálpebras pesadas são uma queixa muito comum entre homens
    • Mentoplastia — quando o queixo é pouco projetado, o implante mentoniano complementa lindamente o resultado cervicofacial

    Recuperação: O Que Muda para o Homem

    A recuperação do lifting masculino segue o mesmo cronograma geral do feminino, com algumas particularidades:

    • Barba: não raspar a face nos primeiros 10-14 dias. Após liberação, usar barbeador elétrico suavemente. Lâmina só após 3-4 semanas
    • Equimoses: homens não costumam usar maquiagem para camuflar, então o planejamento de afastamento social pode precisar ser um pouco maior
    • Exercícios: especialmente importante evitar esforço físico intenso nas primeiras 3 semanas — a pressão arterial elevada em homens durante exercício é um fator de risco para hematoma tardio
    • Retorno ao trabalho: para trabalho de escritório, 10-14 dias. Para trabalho com exposição pública, 2-3 semanas

    O Estigma Está Mudando

    Ainda existe certo tabu em torno de homens realizando cirurgia plástica facial, mas isso está mudando rapidamente. Na minha prática, o perfil do paciente masculino de lifting é tipicamente um homem bem-sucedido, pragmático, que vê a cirurgia como um investimento em si mesmo — não diferente de cuidar da saúde, da forma física ou do guarda-roupa.

    Vários dos meus pacientes masculinos de lifting são indicados por outros pacientes homens — o que mostra que, quando o resultado é natural e satisfatório, o preconceito inicial dá lugar ao reconhecimento do benefício.

    Conclusão

    O lifting facial masculino é um procedimento com nuances próprias que exige experiência e conhecimento das diferenças anatômicas e estéticas entre homens e mulheres. Quando bem planejado e executado com técnica deep plane, o resultado é um rejuvenescimento discreto, natural e que preserva — e até acentua — a masculinidade dos traços.

    Se você é homem e nota que sua face e pescoço já não transmitem a energia e vitalidade que sente, agende uma consulta. A conversa é discreta e objetiva, e terei prazer em avaliar o que pode ser feito de forma personalizada para o seu caso.

  • Deep Neck Lift: A Transformação Completa do Pescoço

    Deep Neck Lift: A Transformação Completa do Pescoço

    Se existe uma região do corpo que denuncia a idade de forma implacável, é o pescoço. Enquanto a face pode ser disfarçada com maquiagem ou preenchimentos, o pescoço envelhecido — com pele flácida, bandas musculares visíveis e acúmulo de gordura — é difícil de camuflar. É justamente por isso que o deep neck lift se tornou uma das cirurgias mais transformadoras que realizo no meu consultório em Londrina.

    Neste artigo, vou explicar em detalhes o que é o deep neck lift, como ele difere de uma lipoaspiração cervical simples, e por que eu o considero essencial para quem deseja um rejuvenescimento facial verdadeiramente completo.

    Por Que o Pescoço Envelhece de Forma Tão Visível

    O pescoço possui características anatômicas que o tornam particularmente vulnerável ao envelhecimento:

    • Pele fina — a pele do pescoço é significativamente mais fina que a da face, com menos glândulas sebáceas, o que a torna mais propensa à flacidez
    • Exposição solar crônica — frequentemente esquecido na rotina de proteção solar, o pescoço acumula dano actínico ao longo dos anos
    • Músculo platisma — este músculo superficial do pescoço se afina e se separa na linha média com a idade, criando as famosas “bandas platismais” verticais
    • Gordura submentoniana — acúmulo de gordura sob o queixo que pode ter componente genético, além do envelhecimento
    • Perda de elasticidade — a pele perde sua capacidade de retração, criando o aspecto de “pescoço de peru”

    Essas mudanças combinadas resultam na perda do ângulo cervicomental — aquele ângulo bem definido entre o queixo e o pescoço que é marcador de juventude. Em vez de um contorno nítido, desenvolve-se uma transição gradual e indefinida entre face e pescoço.

    O Que é o Deep Neck Lift

    O deep neck lift é uma cirurgia que vai muito além de simplesmente remover gordura ou puxar pele. É uma abordagem em múltiplas camadas que trata todas as estruturas responsáveis pelo envelhecimento cervical:

    1. Tratamento da Gordura

    Existem dois compartimentos de gordura no pescoço que precisam ser abordados: a gordura subplatismal (abaixo do músculo) e a gordura supraplatismal (acima do músculo). Muitos cirurgiões tratam apenas a gordura superficial com lipoaspiração, o que é insuficiente. No deep neck lift, acesso diretamente a gordura profunda sob visão direta, removendo-a com precisão e sem irregularidades.

    2. Platysmaplastia

    Esta é a etapa que realmente diferencia o deep neck lift de procedimentos cervicais superficiais. O músculo platisma, que se separou na linha média criando bandas, é cuidadosamente suturado de volta ao centro — reconstituindo o que chamamos de “estilingue muscular”. Isso cria sustentação estrutural para o resultado.

    3. Remoção de Glândulas Submandibulares (Quando Indicado)

    Em alguns pacientes, as glândulas submandibulares são proeminentes e contribuem para um contorno cervical irregular. Quando necessário, realizo uma redução parcial dessas glândulas para otimizar o resultado. Essa é uma etapa avançada que requer experiência e conhecimento anatômico preciso.

    4. Redraping da Pele

    Após todo o trabalho nas camadas profundas, a pele é redistribuída sem tensão, com o excesso sendo removido. Como a sustentação vem das estruturas profundas, a pele não precisa ser “esticada” — ela simplesmente se acomoda sobre a nova estrutura.

    Deep Neck Lift vs Lipoaspiração de Papada: Não São a Mesma Coisa

    Preciso enfatizar algo que muitos pacientes confundem: lipoaspiração cervical e deep neck lift são procedimentos completamente diferentes. A lipoaspiração apenas remove gordura superficial — não trata bandas musculares, não aborda gordura profunda, e não cria sustentação estrutural.

    Para um paciente jovem com boa elasticidade de pele e apenas gordura submentoniana localizada, a lipoaspiração pode ser suficiente. Mas para a maioria dos pacientes acima de 40-45 anos, que já apresentam algum grau de flacidez cutânea e separação do platisma, a lipoaspiração isolada vai resultar em um resultado decepcionante — ou até piorar a aparência, criando pele solta após a remoção da gordura.

    A Combinação Ideal: Deep Plane Lifting + Deep Neck Lift

    Na minha prática, raramente realizo um deep neck lift isoladamente. Na maioria dos casos, ele é parte integrante de um lifting facial deep plane completo. A razão é lógica: o pescoço e a face envelhecem juntos, e tratá-los separadamente pode criar uma desarmonia — um pescoço jovem com uma face envelhecida, ou vice-versa.

    Quando combino o deep plane lifting com o deep neck lift, o resultado é um rejuvenescimento harmonioso e completo: mandíbula definida, pescoço esculpido, ângulo cervicomental nítido, e uma transição suave entre face e pescoço.

    Quem é Candidato ao Deep Neck Lift

    Considero bons candidatos pacientes que apresentam:

    • Bandas platismais visíveis — aquelas cordas verticais no pescoço que ficam mais evidentes ao contrair o músculo
    • Acúmulo de gordura submentoniana — a famosa “papada”, especialmente quando há componente profundo
    • Perda do ângulo cervicomental — indefinição do contorno entre queixo e pescoço
    • Flacidez cervical moderada a significativa — pele solta no pescoço que não responde a tratamentos não invasivos
    • Insatisfação com resultado de lipoaspiração prévia — pacientes que fizeram lipo de papada mas ficaram com pele flácida

    A Influência da Anatomia

    Alguns fatores anatômicos influenciam o resultado do deep neck lift. Pacientes com boa projeção do queixo (mento) tendem a ter resultados ainda mais dramáticos, pois o ângulo cervicomental fica naturalmente mais definido. Quando o queixo é retraído, frequentemente recomendo combinar a mentoplastia (aumento do queixo) ao procedimento cervical para otimizar o resultado.

    O osso hioide — uma estrutura profunda do pescoço — também influencia. Pacientes com hioide baixo terão um ângulo cervicomental naturalmente menos agudo, e é importante definir expectativas realistas nesses casos.

    O Procedimento Cirúrgico

    O deep neck lift é realizado sob anestesia geral. Quando combinado com o lifting facial, o tempo cirúrgico total varia de 4 a 6 horas. As etapas principais incluem:

    • Incisão submentoniana discreta (sob o queixo) de 3 a 4 centímetros
    • Lipoaspiração e remoção direta de gordura supra e subplatismal
    • Dissecção e sutura do platisma na linha média (corset platysmaplasty)
    • Tratamento de glândulas submandibulares quando necessário
    • Suspensão lateral do platisma através das incisões do lifting facial
    • Redistribuição e excisão do excesso de pele

    Recuperação do Deep Neck Lift

    A recuperação segue um cronograma semelhante ao do lifting facial:

    • Primeiros 3 dias: curativo compressivo cervical, desconforto moderado, inchaço significativo
    • Semana 1: troca para faixa compressiva mais leve, redução progressiva do inchaço
    • Semana 2: equimoses em resolução, maioria dos pacientes confortáveis socialmente
    • Semana 3-4: resultado começando a se definir, retorno às atividades normais
    • Mês 2-3: inchaço residual resolvendo, contorno cervical se refinando
    • Mês 6: resultado consolidado

    Um aspecto importante: a faixa compressiva cervical nos primeiros 7 a 10 dias é fundamental para o resultado. Ela ajuda a pele a se acomodar sobre a nova estrutura e minimiza o acúmulo de fluido. Peço aos meus pacientes que sejam disciplinados com seu uso.

    Resultados e Durabilidade

    O deep neck lift, especialmente quando combinado com o deep plane lifting, produz resultados que considero entre os mais impactantes em toda a cirurgia plástica. A transformação do perfil — de um pescoço indefinido e envelhecido para um contorno nítido e jovem — é dramática e consistente.

    A durabilidade do resultado é excelente. Como trabalhamos nas estruturas profundas e criamos sustentação muscular, o resultado é estruturalmente sólido. A maioria dos meus pacientes mantém um excelente contorno cervical por 10 a 15 anos após a cirurgia.

    Riscos e Considerações

    Como toda cirurgia, o deep neck lift tem riscos que devem ser discutidos:

    • Hematoma — risco presente em qualquer cirurgia cervicofacial, minimizado por técnica meticulosa e controle da pressão arterial
    • Lesão do nervo marginal da mandíbula — raro, mas pode causar assimetria temporária do lábio inferior
    • Irregularidades de contorno — minimizadas pela experiência do cirurgião e pela técnica de remoção de gordura sob visão direta
    • Seroma — acúmulo de líquido, tratável com aspiração simples

    Na minha experiência, a taxa de complicações é baixa quando o procedimento é realizado por um cirurgião experiente em cirurgia cervicofacial, com técnica cuidadosa e seguimento pós-operatório atento.

    Conclusão

    O deep neck lift é a solução definitiva para o pescoço envelhecido. Ao tratar todas as camadas — gordura, músculo e pele — ele produz resultados naturais, harmoniosos e duradouros que nenhum procedimento não invasivo consegue reproduzir.

    Se o contorno do seu pescoço é algo que te incomoda ao se olhar no espelho ou em fotos de perfil, agende uma consulta. Posso avaliar pessoalmente quais estruturas precisam ser tratadas e qual abordagem trará a transformação que você deseja.

  • Mini Lifting vs Lifting Completo Deep Plane: Qual Escolher?

    Mini Lifting vs Lifting Completo Deep Plane: Qual Escolher?

    Uma das comparações mais frequentes que ouço no consultório é entre o mini lifting e o lifting completo deep plane. Com a popularização de termos como “mini facelift” e “lunchtime lift” nas redes sociais, muitos pacientes chegam à consulta já convencidos de que querem o procedimento “menor”. E eu entendo perfeitamente esse raciocínio — quem não preferiria uma cirurgia mais simples, com recuperação mais rápida?

    Entretanto, como cirurgião plástico facial com mais de duas décadas de experiência, preciso ser honesto: o mini lifting e o lifting completo deep plane são cirurgias fundamentalmente diferentes, com indicações distintas e resultados que não se comparam. Neste artigo, vou explicar cada técnica em detalhes para que você possa tomar uma decisão verdadeiramente informada.

    O Que é o Mini Lifting

    O mini lifting — também chamado de mini facelift, S-lift ou short-scar facelift — é uma versão simplificada do lifting facial. Suas características principais são:

    • Incisões menores — geralmente limitadas à região ao redor da orelha, sem extensão para a nuca
    • Descolamento limitado — a dissecção dos tecidos é mais superficial e abrange uma área menor
    • Foco no terço inferior da face — principalmente a região dos jowls (papada lateral)
    • Tempo cirúrgico menor — em torno de 1 a 2 horas
    • Recuperação mais rápida — geralmente 7 a 10 dias para retorno social

    Em termos simples, o mini lifting “puxa” predominantemente a pele e faz uma plicatura superficial do SMAS — sem realmente reposicionar as camadas profundas da face.

    O Que é o Lifting Completo Deep Plane

    O lifting deep plane é uma técnica avançada que considero o padrão-ouro em rejuvenescimento facial cirúrgico. Na minha prática em Londrina, é a técnica que utilizo na grande maioria dos meus pacientes de lifting. Suas características:

    • Dissecção sub-SMAS — entramos abaixo da camada musculoaponeurótica, liberando os ligamentos de retenção facial
    • Reposicionamento tridimensional — os tecidos são movidos para cima e para trás como uma unidade coesa, e não apenas a pele
    • Abordagem completa — trata terço médio, inferior da face e pescoço de forma integrada
    • Incisões completas — ao redor da orelha com extensão para região retroauricular e linha do cabelo
    • Tempo cirúrgico maior — 3 a 5 horas, dependendo da extensão
    • Recuperação de 2 a 3 semanas para retorno social confortável

    A Diferença Fundamental: Superficial vs Profundo

    Para entender a diferença entre essas duas abordagens, imagine a face como uma casa com várias camadas. A pele é o papel de parede. O SMAS é a parede estrutural. Os ligamentos são as vigas de sustentação.

    O mini lifting basicamente estica o papel de parede e dá uns pontos na parede — mas não mexe nas vigas. O deep plane desmonta as vigas, reposiciona a parede inteira junto com o papel de parede, e reconstrói tudo numa posição mais juvenil.

    Qual abordagem você acha que vai durar mais? Qual vai parecer mais natural?

    Quando o Mini Lifting é uma Boa Opção

    Quero ser justo: o mini lifting tem seu lugar. Ele pode ser indicado para:

    • Pacientes jovens (35-45 anos) com flacidez muito inicial — apenas início de jowls, sem flacidez cervical significativa
    • Quem busca uma melhora sutil e pontual — exclusivamente na região da mandíbula
    • Pacientes que não podem dispor de mais de uma semana de recuperação — embora eu questione se vale comprometer o resultado por conveniência

    Dito isso, na minha experiência, a maioria dos pacientes que procuram o mini lifting na verdade se beneficiaria mais do deep plane. Quando examino cuidadosamente, percebo que a flacidez que os incomoda não se limita à região dos jowls — envolve também o terço médio da face e o pescoço.

    Por Que Prefiro o Deep Plane na Maioria dos Casos

    Após anos realizando ambas as técnicas, migrei quase que completamente para o deep plane. As razões são objetivas:

    Resultado Mais Natural

    Como o deep plane reposiciona gordura, músculo e pele como uma unidade, o resultado é tridimensional e natural. Não há aquele aspecto de “face esticada” que pode ocorrer quando apenas a pele é tracionada. O paciente parece rejuvenescido, não operado.

    Durabilidade Superior

    Estudos científicos e minha própria experiência clínica demonstram que o deep plane lifting dura significativamente mais que técnicas superficiais. Enquanto um mini lifting pode começar a mostrar sinais de recidiva em 3 a 5 anos, o deep plane mantém resultados excelentes por 10 a 15 anos ou mais.

    Menos Tensão na Pele

    Esse é um ponto técnico crucial. No deep plane, a sustentação é feita pelas estruturas profundas — o SMAS reposicionado sustenta tudo. A pele é simplesmente redistribuída sem tensão. No mini lifting, grande parte da sustentação depende da pele, o que pode levar a cicatrizes alargadas e recidiva precoce.

    Cicatrizes Melhores

    Parece contraditório — a cirurgia maior produz cicatrizes melhores? Sim. Justamente porque no deep plane a pele fecha sem tensão, as cicatrizes tendem a ser mais finas e discretas. No mini lifting, a tensão na pele pode causar cicatrizes mais visíveis ao longo do tempo.

    O Pescoço: O Grande Diferencial

    Um aspecto frequentemente subestimado é o pescoço. O mini lifting simplesmente não trata o pescoço de forma adequada. Se existe flacidez cervical — e na maioria dos pacientes acima de 40 anos existe — o mini lifting vai criar uma dissonância: face melhorada, mas pescoço denunciando a idade.

    O deep plane, especialmente quando combinado com platysmaplastia (tratamento dos músculos do pescoço), trata a face e o pescoço como uma unidade harmônica. O resultado é um ângulo cervicomental definido e jovem — um dos marcadores mais impactantes de rejuvenescimento.

    Comparativo Resumido

    • Profundidade: Mini lifting trabalha superficialmente no SMAS; Deep plane vai abaixo do SMAS
    • Área tratada: Mini foca no terço inferior; Deep plane trata terço médio, inferior e pescoço
    • Duração do resultado: Mini dura 3-5 anos; Deep plane dura 10-15+ anos
    • Naturalidade: Mini pode parecer “puxado”; Deep plane dá resultado tridimensional natural
    • Recuperação: Mini 7-10 dias; Deep plane 2-3 semanas
    • Cicatrizes: Mini tem incisão menor mas pode alargar; Deep plane fecha sem tensão
    • Investimento: Mini é mais acessível; Deep plane tem custo maior mas com retorno superior

    O Custo-Benefício Real

    Muitos pacientes consideram o mini lifting pela questão financeira. É compreensível. Porém, convido-os a pensar no custo-benefício a longo prazo.

    Um mini lifting que custa menos, mas cujo resultado dura 3 a 5 anos e deixa o pescoço sem tratamento, pode acabar gerando a necessidade de uma nova cirurgia em poucos anos. Já o deep plane, com seu investimento maior, oferece um resultado duradouro de 10 a 15 anos, tratamento completo de face e pescoço, e naturalidade incomparável.

    No longo prazo, o deep plane não apenas é a melhor cirurgia — frequentemente é também o melhor investimento.

    A Tendência Mundial

    Não é apenas a minha opinião pessoal. Existe uma tendência clara na cirurgia plástica facial mundial em direção a técnicas deep plane. Os principais centros de referência em lifting facial — nos Estados Unidos, Europa e aqui no Brasil — têm cada vez mais adotado o deep plane como técnica primária.

    A razão é simples: os resultados falam por si. Em congressos e publicações científicas, as séries de casos com deep plane consistentemente demonstram resultados superiores em termos de naturalidade, durabilidade e satisfação do paciente.

    Conclusão: A Escolha Deve Ser Informada

    Minha recomendação é clara: se você busca o melhor resultado possível em termos de naturalidade e durabilidade, o lifting deep plane é superior ao mini lifting na grande maioria dos casos. Mas essa é uma decisão que deve ser tomada em conjunto entre paciente e cirurgião, após avaliação cuidadosa.

    Se você está em dúvida entre o mini lifting e o lifting completo deep plane, agende uma consulta para que eu possa avaliar sua face e pescoço pessoalmente. Juntos, definiremos qual abordagem trará o melhor resultado para o seu caso específico.