Mitos e Verdades Sobre o Lifting Facial Deep Plane

O lifting facial deep plane ganhou enorme visibilidade nos últimos anos — o que é positivo, pois mais pessoas conhecem essa técnica transformadora. Porém, com a popularidade vieram também muitas informações equivocadas. No consultório em Londrina, dedico boa parte das consultas a esclarecer mitos que os pacientes trazem da internet.

Neste artigo, abordo os mitos mais frequentes que encontro e apresento as verdades baseadas na minha experiência clínica e na literatura científica.

Mito 1: “O Deep Plane é Muito Mais Perigoso que Outras Técnicas”

Verdade: O deep plane NÃO é mais perigoso — na verdade, pode ser mais seguro em vários aspectos.

Este é o mito mais persistente e o que mais preocupa os pacientes. A lógica leiga é compreensível: se o cirurgião opera mais profundamente, perto dos nervos, o risco deve ser maior. Entretanto, a realidade anatômica é diferente.

No deep plane, o cirurgião disseca em um plano bem definido abaixo do SMAS, onde os ramos do nervo facial estão protegidos por cima do retalho — ou seja, ficam do lado oposto ao da dissecção. Em técnicas superficiais como o SMASectomy, os nervos podem estar mais vulneráveis pois a dissecção ocorre mais próxima a eles.

Estudos publicados nas principais revistas de cirurgia plástica demonstram que a taxa de lesão nervosa permanente no deep plane é extremamente baixa — inferior a 1% em mãos experientes — e comparável ou até menor que técnicas superficiais.

O que é verdade: o deep plane exige mais experiência e conhecimento anatômico do cirurgião. Não é uma técnica para iniciantes. Mas nas mãos certas, é seguro.

Mito 2: “O Lifting Facial Deixa o Rosto com Aparência de Puxado”

Verdade: O aspecto “puxado” é justamente o que o deep plane EVITA.

A face “soprada pelo vento” é resultado de técnicas que dependem da tração da pele para sustentação. Quando a pele é esticada lateralmente sem reposicionamento das estruturas profundas, cria-se essa aparência artificial.

No deep plane, a sustentação vem do SMAS e dos tecidos profundos reposicionados. A pele é apenas redistribuída suavemente, sem tensão. O vetor de reposicionamento é predominantemente vertical — para cima — e não lateral. Isso preserva os sulcos naturais da face e cria um rejuvenescimento tridimensional.

O resultado que busco — e que consistentemente alcanço — é que ninguém perceba a cirurgia. As pessoas notam apenas que o paciente “está com uma aparência ótima” ou “parece descansado”.

Mito 3: “A Dor é Insuportável”

Verdade: A maioria dos pacientes se surpreende com o quão tolerável é.

Esse é um dos mitos que mais prazer tenho em desmentir, porque a reação dos pacientes no pós-operatório é consistente: “Dr. Walter, achei que ia ser muito pior.”

O deep plane, paradoxalmente, pode causar menos dor que técnicas superficiais. Como a dissecção ocorre em um plano profundo bem definido, há menos trauma aos tecidos superficiais ricos em terminações nervosas sensitivas. A maioria dos pacientes descreve um desconforto tipo “repuxamento” ou “pressão”, facilmente controlável com analgésicos comuns.

Nos primeiros dois dias, prescrevo medicação analgésica de horário. A partir do terceiro dia, muitos pacientes já tomam apenas paracetamol quando sentem necessidade. Dor intensa e persistente é incomum e, quando ocorre, merece avaliação.

Mito 4: “Só Funciona Para Quem Tem Muita Flacidez”

Verdade: O deep plane funciona excepcionalmente bem em flacidez inicial a moderada — e frequentemente com resultados ainda mais impressionantes.

Muitos associam lifting facial a pessoas de 60-70 anos com flacidez avançada. Mas como expliquei em outro artigo, pacientes nos seus 40 anos com sinais iniciais de envelhecimento são candidatos excelentes. Nestes casos, a correção necessária é menor, o resultado é mais sutil e natural, e a recuperação tende a ser mais rápida.

A tendência mundial — que acompanho de perto em congressos internacionais — é de liftings mais precoces, com resultados mais naturais e longevos.

Mito 5: “As Cicatrizes São Muito Visíveis”

Verdade: As cicatrizes do lifting deep plane são tipicamente excelentes e praticamente imperceptíveis.

As incisões do lifting facial são estrategicamente posicionadas em áreas de transição natural:

  • Dentro do trago da orelha (a cartilagem na entrada do canal auditivo)
  • Ao longo do sulco pré-auricular e contorno da orelha
  • Na região retroauricular (atrás da orelha)
  • Discretamente na linha do cabelo

No deep plane, como a pele fecha sem tensão (a sustentação vem das camadas profundas), as cicatrizes tendem a ser particularmente finas e discretas. Após 6 a 12 meses de maturação, a maioria das cicatrizes é virtualmente imperceptível — mesmo de perto.

Evidentemente, a qualidade da cicatrização varia entre indivíduos, e fatores como genética, cor da pele e cuidados pós-operatórios influenciam. Mas de modo geral, as cicatrizes do lifting são uma das menores preocupações dos meus pacientes após a cirurgia.

Mito 6: “O Resultado Dura Apenas Alguns Anos”

Verdade: O deep plane é justamente a técnica com maior longevidade comprovada.

Técnicas superficiais podem, de fato, ter resultados relativamente efêmeros — 3 a 5 anos em muitos casos. Isso contribuiu para o mito de que lifting “não dura”. Mas o deep plane é uma categoria completamente diferente.

Ao reposicionar as estruturas profundas — não apenas a pele — o deep plane cria um resultado estruturalmente sólido. A experiência clínica de centros de referência mundiais, com seguimento de pacientes ao longo de décadas, demonstra resultados duradouros de 10 a 15 anos ou mais.

Importante: o envelhecimento não para após a cirurgia. O paciente continuará envelhecendo, mas a partir de um ponto muito mais favorável. É como se tivéssemos atrasado o relógio — e o novo envelhecimento ocorre de forma harmônica.

Mito 7: “Lifting é Só Para Mulheres”

Verdade: Homens são excelentes candidatos e a procura masculina está em crescimento acelerado.

Já dediquei um artigo inteiro ao lifting masculino, mas vale reiterar: o lifting deep plane adaptado à anatomia masculina produz resultados extraordinários. A técnica precisa ser modificada — posição das incisões, cuidado com a barba, manejo da hemostasia — mas o resultado em termos de rejuvenescimento e naturalidade é igualmente impressionante.

Mito 8: “Preenchimentos e Fios Conseguem o Mesmo Resultado”

Verdade: Preenchimentos e fios NÃO substituem o lifting facial.

Este é um mito perpetuado em parte por profissionais que não realizam cirurgia e vendem procedimentos não cirúrgicos como alternativa. Preciso ser direto: não existe procedimento não cirúrgico que reproduza o resultado de um lifting deep plane.

Preenchimentos com ácido hialurônico podem restaurar volume e suavizar rugas, mas não reposicionam tecidos caídos. Fios de sustentação podem oferecer melhora discreta e temporária, mas sua durabilidade é limitada a meses e não anos.

O uso excessivo de preenchimentos para “compensar” a flacidez — em vez de tratar a causa com cirurgia — frequentemente resulta na chamada “pillow face”: um rosto volumoso mas ainda caído, com aparência artificial e pesada.

Preenchimentos e toxina botulínica são complementos valiosos ao lifting — uso-os regularmente em meus pacientes. Mas não são substitutos.

Mito 9: “A Recuperação Leva Meses”

Verdade: A maioria dos pacientes retorna às atividades sociais em 2 a 3 semanas.

A recuperação do deep plane segue um cronograma previsível. Os primeiros 7 a 10 dias são os mais intensos, com inchaço e equimoses. Por volta de 14 dias, a maioria dos pacientes já se sente confortável para sair em público. Às 3 semanas, o retorno às atividades normais é praticamente completo.

É verdade que a evolução final leva meses — o inchaço residual profundo resolve gradualmente até o 3º mês, e as cicatrizes amadurecem ao longo de 6 a 12 meses. Mas o paciente vive normalmente durante esse processo.

Mito 10: “Todo Cirurgião que Diz Fazer Deep Plane Realmente Faz”

Verdade: Infelizmente, o termo “deep plane” é usado comercialmente por cirurgiões que não realizam a técnica verdadeira.

Este é talvez o mito mais preocupante. Com a popularização do termo, alguns cirurgiões passaram a denominar suas técnicas de “deep plane” para atrair pacientes, mesmo realizando procedimentos mais superficiais. A diferença técnica entre um verdadeiro deep plane — com liberação completa dos ligamentos de retenção e reposicionamento sub-SMAS — e uma plicatura ou SMASectomy superficial é enorme, e se reflete diretamente no resultado.

Minha recomendação: pergunte especificamente ao cirurgião se ele libera os ligamentos zigomáticos e manda o retalho no plano sub-SMAS. Se a resposta for vaga, considere buscar outra opinião.

Conclusão

O lifting facial deep plane é uma cirurgia segura, eficaz e com resultados naturais e duradouros — quando realizada por um cirurgião experiente e qualificado. Os mitos que cercam o procedimento refletem desinformação ou experiências com técnicas inferiores, e não a realidade do deep plane bem executado.

Se você tem dúvidas ou receios sobre o lifting facial deep plane, agende uma consulta. Terei prazer em esclarecer cada uma das suas preocupações pessoalmente e mostrar como essa técnica pode rejuvenescer sua face de forma natural e segura.

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