Se você está pesquisando sobre rejuvenescimento facial, com certeza já se deparou com a promessa dos fios de sustentação — também chamados de fios de PDO ou thread lift. A propaganda é tentadora: “lifting sem cirurgia”, “resultado imediato”, “sem cicatriz”. Parece bom demais para ser verdade, e em muitos casos, é exatamente isso.
Ao longo de mais de 20 anos de prática em cirurgia plástica e mais de 8.000 procedimentos realizados, acompanhei de perto a evolução dessas técnicas. Vi pacientes entusiasmados com os fios e, meses depois, frustrados com resultados que desapareceram. E vi pacientes que fizeram o lifting facial cirúrgico e, mais de uma década depois, ainda colhem os benefícios da decisão.
Neste artigo, quero fazer uma comparação honesta entre as duas abordagens. Não vou demonizar os fios de PDO — eles têm indicações reais. Mas é fundamental que você entenda o que cada técnica realmente entrega antes de tomar uma decisão sobre o seu rosto.
O que são os fios de sustentação (PDO)?
Os fios de PDO (polidioxanona) são suturas absorvíveis inseridas sob a pele com agulhas finas ou cânulas. O material é o mesmo utilizado em suturas cirúrgicas internas há décadas, sendo biocompatível e absorvido pelo organismo em 6 a 8 meses.
O procedimento funciona em dois mecanismos: primeiro, os fios com garras (barbed threads) criam uma tração mecânica imediata, reposicionando levemente o tecido. Segundo, a presença do fio como corpo estranho estimula uma resposta inflamatória controlada que produz colágeno ao redor do material.
O procedimento leva entre 30 e 60 minutos, é feito com anestesia local, e a recuperação é rápida — a maioria dos pacientes retorna às atividades normais em poucos dias.
Para quem os fios funcionam bem?
Os fios de PDO têm indicação real para pacientes com flacidez leve, geralmente entre 30 e 45 anos, que apresentam os primeiros sinais de queda dos tecidos faciais e desejam um resultado sutil. São úteis também como complemento a outros procedimentos estéticos minimamente invasivos.
O problema começa quando os fios são vendidos como substituto do lifting facial para pacientes que, na verdade, precisam de uma abordagem cirúrgica.
O que é o lifting facial Deep Plane?
O lifting facial Deep Plane é uma técnica cirúrgica avançada que trabalha abaixo do sistema musculoaponeurótico superficial (SMAS), acessando e reposicionando estruturas profundas da face: gordura, músculos e ligamentos de sustentação.
Diferente de técnicas mais superficiais, o Deep Plane não apenas “puxa” a pele — ele reposiciona os tecidos que realmente sustentam a face. Isso resulta em um aspecto natural, sem aquela aparência de “rosto esticado” que muitos pacientes temem.
Na minha prática, combino o Deep Plane com enxerto de gordura autóloga, o que permite restaurar simultaneamente o volume perdido com o envelhecimento. É uma abordagem que trata tanto a queda quanto o esvaziamento dos tecidos.
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, dura entre 3 e 5 horas, e a recuperação completa leva algumas semanas. O inchaço principal resolve em 2 a 3 semanas, mas o resultado final se revela ao longo de 3 a 6 meses, quando os tecidos se acomodam definitivamente.
Comparação direta: números que importam
Vamos aos dados concretos. Não estou falando de opinião — estou falando de evidências publicadas e avaliações reais de pacientes.
Durabilidade dos resultados
Os fios de PDO entregam resultados que duram entre 12 e 24 meses, na melhor das hipóteses. Como o material é absorvido pelo corpo em 6 a 8 meses, o efeito residual depende exclusivamente do colágeno estimulado, que é limitado e vai se degradando naturalmente.
O lifting facial Deep Plane, por outro lado, apresenta resultados que duram em média 10 a 15 anos. Um estudo com 30 anos de acompanhamento mostrou que o intervalo médio até uma cirurgia de revisão foi de 10,9 anos — chegando a 12,4 anos em pacientes operados antes dos 53 anos de idade.
Fazendo as contas: em 15 anos, você precisaria de 8 a 15 sessões de fios para manter um resultado que um único lifting cirúrgico entrega de forma muito superior.
Satisfação dos pacientes
O RealSelf, maior plataforma de avaliações de procedimentos estéticos do mundo, apresenta dados reveladores:
- Lifting facial cirúrgico: 92% de satisfação (“Worth It”), baseado em 2.459 avaliações recentes
- Thread lift (fios): 76% de satisfação (“Worth It”), baseado em 217 avaliações recentes
- Silhouette InstaLift (fios absorvíveis): apenas 50% de satisfação
A diferença de 16 pontos percentuais entre o lifting cirúrgico e os fios é significativa. Mas o mais revelador é o número de avaliações: 7.254 reviews de facelift contra apenas 473 de thread lift — o que sugere que muitos pacientes de fios nem retornam para avaliar, possivelmente porque o resultado não foi memorável o suficiente.
Intensidade do resultado
Especialistas estimam que os fios de sustentação entregam aproximadamente 24% do resultado alcançável com um lifting facial cirúrgico. Isso significa que, se o seu grau de flacidez requer uma correção significativa, os fios simplesmente não têm capacidade mecânica para entregar o que você precisa.
Riscos e complicações: a parte que ninguém conta
Os fios são frequentemente apresentados como “procedimento sem riscos”. Isso não é verdade.
Complicações dos fios de PDO
Estudos publicados documentam taxas de complicação acima de 30% para thread lifts. As complicações incluem:
- Transitórias: edema, hematomas, assimetria e dimpling (repuxamento visível da pele)
- Agudas: infecção, extrusão do fio (o fio perfura a pele e se torna visível), lesão nervosa
- Crônicas: fibrose ao longo do trajeto dos fios, granulomas, nódulos inflamatórios, distorção tecidual, aderências e dor crônica
O aspecto mais preocupante, na minha visão de cirurgião, é a fibrose. Quando um paciente realiza múltiplas sessões de fios ao longo dos anos, o acúmulo de fibrose nos tecidos pode comprometer a mobilidade do SMAS, dificultando — e em alguns casos complicando significativamente — uma cirurgia de lifting futuro.
Um estudo de 2025 publicado no Journal of Craniofacial Surgery alertou especificamente para esse problema: múltiplos thread lifts prévios causam fibrose, distorção tecidual e redução da mobilidade do SMAS, tornando a dissecção cirúrgica mais desafiadora.
Complicações do lifting facial
O lifting cirúrgico também tem riscos — toda cirurgia tem. Os principais incluem hematoma, infecção, lesão nervosa temporária e cicatrizes. No entanto, nas mãos de um cirurgião experiente e com a técnica adequada, esses riscos são baixos e bem controlados.
A grande diferença é que o lifting cirúrgico resolve o problema de forma definitiva. Os fios criam um ciclo de procedimentos repetidos, cada um adicionando mais risco ao tecido.
A questão financeira: barato que sai caro
Uma sessão de fios de PDO custa, em média, entre R$ 3.000 e R$ 8.000, dependendo da quantidade de fios e da região tratada. Parece acessível quando comparado ao lifting facial.
Mas considere o cenário completo: se os fios duram 1 a 2 anos e você precisa repetir o procedimento, em 10 anos terá investido entre R$ 15.000 e R$ 80.000 em resultados temporários e acumulando fibrose nos tecidos.
O lifting facial Deep Plane, embora tenha um investimento inicial maior, entrega um resultado que dura mais de uma década. Na perspectiva de custo-benefício ao longo do tempo, a cirurgia se paga muitas vezes.
Quando os fios são uma boa escolha?
Seria desonesto da minha parte dizer que os fios nunca têm indicação. Eles podem ser uma opção válida em cenários específicos:
- Flacidez muito leve em pacientes jovens (30-40 anos) que desejam um refinamento sutil
- Pacientes que não podem se submeter a anestesia geral por razões médicas específicas
- Como complemento a outros tratamentos minimamente invasivos, não como procedimento principal
- Pacientes que compreendem claramente as limitações e aceitam o caráter temporário do resultado
O problema real não é o procedimento em si, mas como ele é vendido. Quando clínicas posicionam o thread lift como “o novo lifting facial” ou “lifting sem cirurgia com resultado de cirurgia”, estão criando uma expectativa que o procedimento simplesmente não consegue entregar.
Quando o lifting cirúrgico é a resposta certa?
O lifting facial é indicado quando há:
- Flacidez moderada a acentuada na região das bochechas, papada e pescoço
- Sulcos nasolabiais profundos com queda dos tecidos da bochecha
- Perda de definição do contorno mandibular (jawline)
- Bandas platismais visíveis no pescoço
- Expectativa de resultado duradouro e significativo
Se você se encaixa em algum desses cenários, os fios provavelmente vão te frustrar. E o pior: podem comprometer o resultado de uma cirurgia futura por conta da fibrose acumulada.
O que eu recomendo aos meus pacientes
Na consulta, minha abordagem é sempre baseada em honestidade. Examino o rosto do paciente, avalio o grau de flacidez, a qualidade da pele, a estrutura óssea e os objetivos estéticos. A partir dessa análise, indico o procedimento que realmente vai entregar o resultado desejado.
Se os fios são suficientes para o caso, eu digo. Se o paciente precisa de cirurgia, eu também digo — mesmo que não seja o que ele queria ouvir. Acredito que a confiança entre médico e paciente se constrói com transparência, não com promessas vazias.
Ao longo de mais de duas décadas e milhares de cirurgias, incluindo treinamento com o Prof. Ivo Pitanguy e especialização nos Estados Unidos, aprendi que o melhor resultado é aquele que respeita a anatomia individual de cada paciente e utiliza a técnica certa para cada caso.
Conclusão: escolha com informação, não com impulso
Os fios de sustentação e o lifting facial não são concorrentes — são procedimentos diferentes, para indicações diferentes, com resultados muito diferentes. O erro está em tratá-los como equivalentes.
Se você está considerando um procedimento de rejuvenescimento facial, busque uma avaliação com um cirurgião plástico qualificado que possa analisar o seu caso individualmente e indicar a melhor abordagem — sem conflito de interesse.
Agende sua consulta na Clínica Dr. Walter Zamarian Jr. em Londrina/PR. A primeira consulta custa R$ 800 e inclui uma avaliação completa com planejamento personalizado. Entre em contato pelo WhatsApp (43) 99192-2221 ou acesse nosso site para mais informações sobre o lifting facial Deep Plane.
Dr. Walter Zamarian Jr. — CRM/PR 17.388 | RQE 15.688 | Cirurgião Plástico | Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Perguntas Frequentes
Os fios de PDO podem ser uma etapa antes do lifting facial?
Em casos selecionados, sim. Para pacientes com flacidez muito leve que ainda não justifica uma cirurgia, os fios podem ser uma opção temporária. No entanto, é importante ter clareza: os fios não substituem o lifting, não tratam as mesmas estruturas e têm duração limitada de 12 a 18 meses. Se você já está no ponto em que precisa de lifting, os fios representam um gasto sem resolver o problema real.
Por que os fios de PDO duram tão pouco?
Os fios de PDO são absorvidos pelo organismo em 6 a 8 meses. A tração mecânica que eles criam cede progressivamente à medida que o material se dissolve, e o colágeno estimulado não é suficiente para manter o resultado estrutural. Já o lifting Deep Plane reposiciona os próprios tecidos de sustentação do rosto — ligamentos e músculos —, criando uma correção que dura décadas porque trabalha com a anatomia, não contra ela.
Os fios de PDO podem complicar uma futura cirurgia de lifting?
Geralmente não, especialmente quando os fios já foram absorvidos. Mas em casos onde houve fibrose ou reação tecidual excessiva ao material, pode haver alguma complexidade adicional no plano cirúrgico. Por isso, sempre peço que os pacientes me informem sobre qualquer procedimento anterior ao consultório — isso faz parte da avaliação para planejar a cirurgia da melhor forma possível.
Para quem os fios de PDO realmente funcionam bem?
Os fios têm indicação real para pacientes jovens, geralmente entre 30 e 45 anos, com flacidez muito leve e que buscam um resultado sutil e temporário. São uma opção razoável para quem ainda não está pronto para cirurgia, seja por questões de timing, saúde ou decisão pessoal. Mas é fundamental ter expectativas realistas: o resultado é discreto e temporário.
O lifting facial deixa cicatriz visível?
As incisões do lifting Deep Plane são feitas em locais estratégicos — ao longo das dobras naturais na frente e atrás da orelha, e discretamente no couro cabeludo. Com o passar dos meses, essas cicatrizes tornam-se praticamente imperceptíveis. Em mais de 20 anos de cirurgia, a preocupação com cicatriz visível é compreensível, mas raramente se concretiza quando a técnica é bem executada e o paciente segue os cuidados pós-operatórios.


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