Se existe uma fase da cirurgia plástica que gera mais dúvidas e ansiedade do que a própria cirurgia, é a recuperação. Ao longo de mais de vinte anos realizando procedimentos estéticos faciais e corporais, percebi que a maioria dos meus pacientes chega à primeira consulta com perguntas muito mais focadas no pós-operatório do que no procedimento em si. Quando posso voltar a trabalhar? Quanto tempo vou ficar inchado? Preciso usar malha? Posso fazer exercício? Essas são as perguntas que realmente tiram o sono.
Entendo perfeitamente essa ansiedade. Afinal, você está entregando seu corpo aos cuidados de um cirurgião e quer saber exatamente o que acontecerá depois. Meu objetivo com este guia é ser completamente transparente sobre cada fase da recuperação, desde as primeiras horas após a cirurgia até o resultado final, meses depois. Não vou amenizar nem exagerar. Vou contar exatamente o que acontece, por que acontece e o que você pode fazer para otimizar cada etapa.
Este guia se aplica de forma geral às cirurgias plásticas que realizo com mais frequência: lifting facial, rinoplastia, blefaroplastia, abdominoplastia, lipoaspiração e mamoplastia. Cada procedimento tem suas particularidades, que abordo nas páginas específicas, mas os princípios fundamentais da recuperação são surpreendentemente semelhantes. Seu corpo segue uma sequência biológica previsível de cicatrização, independentemente de qual cirurgia foi realizada.
Uma boa recuperação não acontece por acaso. Ela começa antes mesmo da cirurgia, com a preparação pré-cirúrgica adequada, e depende fundamentalmente da sua colaboração em seguir as orientações que detalharei a seguir. Pacientes que seguem o protocolo pós-operatório à risca recuperam-se mais rápido, com menos complicações e com resultados superiores. Essa não é uma opinião: é o que observo consistentemente há duas décadas.
As primeiras vinte e quatro horas após qualquer cirurgia plástica são as mais críticas e, paradoxalmente, as mais simples do ponto de vista do paciente. Simples porque você basicamente precisa descansar, manter a posição correta e tomar a medicação no horário. Críticas porque é nesse período que o corpo inicia o processo inflamatório que será a base de toda a cicatrização.
Ao sair do centro cirúrgico, você estará com curativos compressivos na região operada. No caso do lifting facial, haverá uma faixa envolvendo cabeça e pescoço, além da rede hemostática de Auersvald que utilizo para prevenir hematomas. Na rinoplastia, um splint nasal externo e tampões internos. Na abdominoplastia e lipoaspiração, a malha compressiva já estará posicionada. Não mexa em nada. Esses curativos foram colocados de forma estratégica e têm função terapêutica.
O desconforto nas primeiras horas é real, mas perfeitamente controlável com a medicação prescrita. Prescrevo analgésicos em horário fixo, não apenas quando a dor aparece. Essa estratégia de analgesia preemptiva mantém um nível constante de conforto e evita picos de dor que são muito mais difíceis de controlar depois que se instalam. Tome cada medicamento exatamente no horário indicado, mesmo que esteja se sentindo bem.
A posição correta nas primeiras horas é fundamental. Para cirurgias faciais, mantenha a cabeça elevada a quarenta e cinco graus, usando dois a três travesseiros firmes. Isso reduz o edema por facilitar a drenagem venosa e linfática. Para abdominoplastia, durma em posição semiflexionada, com travesseiros sob os joelhos. Nunca deite completamente reta nas primeiras quarenta e oito horas, independentemente da cirurgia realizada.
Compressas frias são suas maiores aliadas nas primeiras vinte e quatro horas. O frio provoca vasoconstrição, reduzindo o sangramento e o edema. Aplique compressas geladas envolvidas em um pano fino por vinte minutos, com intervalos de vinte minutos sem compressa. Nunca aplique gelo diretamente na pele, especialmente em áreas com sensibilidade reduzida pela anestesia, pois o risco de queimadura por frio é real.
Nas primeiras horas, é normal sentir: desconforto moderado, sonolência residual da anestesia, náusea leve e uma sensação de aperto na região operada. Não é normal: dor intensa que não cede com a medicação prescrita, sangramento ativo que encharca o curativo, febre acima de trinta e oito graus, falta de ar ou dificuldade para respirar. Se qualquer sinal de alerta surgir, entre em contato imediato com minha equipe.
A primeira semana é quando o corpo trabalha mais intensamente na fase inflamatória da cicatrização. É também quando a aparência é mais impactante para o paciente, e preciso ser honesto: você não estará bonita nessa fase. E está tudo bem. A inflamação é o primeiro passo essencial para a cura, e tentar suprimi-la completamente seria contraproducente.
O edema atinge seu pico entre o segundo e o terceiro dia pós-operatório. Muitos pacientes se assustam porque acordam no segundo dia mais inchados do que estavam na noite anterior. Isso é absolutamente normal e esperado. O corpo está enviando fluidos, proteínas e células de defesa para a região operada, iniciando o processo de reparo tecidual. Esse líquido acumulado nos tecidos é o que chamamos de edema.
No lifting facial, o inchaço concentra-se nas bochechas, região periorbital e pescoço. Na rinoplastia, o edema se estende para as pálpebras inferiores e pode causar olheiras arroxeadas impressionantes. Na abdominoplastia, a barriga ficará inchada e dura, muito diferente do resultado final. Na lipoaspiração, a região tratada ficará maior do que antes da cirurgia nos primeiros dias. Tudo isso é temporário.
As equimoses são acúmulos de sangue nos tecidos superficiais. Elas seguem um padrão cromático previsível que reflete as fases de degradação da hemoglobina: iniciam arroxeadas (dias um a três), passam para azuladas (dias três a cinco), tornam-se esverdeadas (dias cinco a sete) e finalmente amareladas (dias sete a quatorze) antes de desaparecer completamente. A gravidade influencia a distribuição das equimoses, que podem migrar para áreas abaixo da região operada. No lifting facial, é comum ver manchas roxas no pescoço e até no peito, mesmo que essas áreas não tenham sido operadas.
Na primeira revisão, geralmente em quarenta e oito horas, avalio a evolução, troco curativos e, no caso do lifting, removo a rede hemostática. Os pontos de sutura são removidos progressivamente ao longo da primeira e segunda semana, dependendo da localização e do tipo de fio utilizado. Alguns fios são absorvíveis e não precisam ser retirados. Não toque nos pontos, não tente limpar crostas e não aplique nenhum produto que não tenha sido prescrito.
Nos primeiros dias, especialmente após cirurgias faciais, a alimentação deve ser pastosa e fria. Sopas mornas, iogurtes, vitaminas de frutas e purês são excelentes opções. Evite alimentos quentes, que aumentam a vasodilatação e o edema. Evite alimentos muito salgados, que promovem retenção hídrica. A hidratação abundante com água e água de coco é fundamental para auxiliar na eliminação de resíduos anestésicos e na redução do inchaço.
O primeiro mês marca a transição da fase inflamatória aguda para a fase proliferativa da cicatrização. O edema começa a ceder de forma mais perceptível a partir da segunda semana, e por volta do vigésimo dia a maioria dos pacientes já se sente confortável em retomar compromissos sociais, embora ainda haja inchaço residual perceptível para quem sabe que a cirurgia foi realizada.
Durante esse período, o corpo está produzindo ativamente colágeno novo para reparar os tecidos. Esse colágeno inicial é desorganizado e abundante, o que explica por que as cicatrizes e as áreas operadas podem parecer endurecidas, elevadas ou irregulares. Isso é completamente normal e temporário. O processo de remodelação do colágeno continuará por meses.
Muitos pacientes me perguntam por que certas áreas parecem mais duras do que outras, ou por que um lado está mais inchado. Assimetrias de edema e de cicatrização são a regra, não a exceção. Cada lado do corpo tem drenagem linfática e vascular ligeiramente diferente. O resultado final será simétrico, mas o caminho até lá raramente é.
A questão do retorno ao trabalho depende fundamentalmente do tipo de atividade e da cirurgia realizada. Para trabalho remoto ou atividades administrativas leves, o retorno pode acontecer entre sete e quatorze dias. Para atividades que exigem apresentação pública ou esforço físico moderado, duas a três semanas é mais adequado. Para trabalho braçal ou que envolva esforço físico intenso, o mínimo é trinta dias.
Um ponto que sempre enfatizo: retornar ao trabalho não significa estar cem por cento recuperado. Significa que você está em condições de realizar atividades leves sem comprometer a cicatrização. Cansaço maior que o habitual, inchaço que piora no final do dia e desconforto ao final da jornada são normais nesse período.
O protocolo medicamentoso que prescrevo inclui: analgésicos nos primeiros sete a dez dias, antibiótico profilático por sete dias, anti-inflamatório por cinco dias e, quando indicado, medicação para prevenção de trombose venosa. Sigo rigorosamente as orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica quanto à profilaxia tromboembólica, especialmente em cirurgias de maior porte como abdominoplastia.
Além disso, prescrevo suplementação que auxilia na cicatrização: vitamina C, zinco e, em casos selecionados, bromelina (enzima do abacaxi) para reduzir edema. Não permito o uso de anti-inflamatórios por conta própria, medicamentos homeopáticos ou fitoterápicos sem minha autorização, pois muitos podem interferir na coagulação ou na cicatrização.
Se existe um momento mágico na recuperação, ele acontece por volta do terceiro mês. É quando o edema residual cedeu significativamente, as cicatrizes estão amadurecendo, os tecidos se acomodaram em sua nova posição e o resultado da cirurgia começa a se revelar de verdade. Muitos pacientes me dizem que é nesse período que finalmente entendem por que fizeram a cirurgia.
Aos três meses, o corpo já substituiu boa parte do colágeno tipo III (provisório) por colágeno tipo I (definitivo). As cicatrizes, que podiam estar rosadas e elevadas, começam a clarear e achatar. As áreas de fibrose pós-operatória amolecem progressivamente. Na lipoaspiração, os contornos corporais estão muito mais definidos do que aos trinta dias. No lifting facial, a expressão está natural e rejuvenescida, sem qualquer rigidez.
A partir do terceiro mês, a maioria dos pacientes está liberada para atividades físicas praticamente sem restrições. Mas esse retorno deve ser gradual. Nas primeiras semanas após a liberação, prefira atividades de baixo impacto: caminhadas, natação leve, yoga. Aumente a intensidade progressivamente ao longo das semanas seguintes. Exercícios de alto impacto, musculação pesada e esportes de contato devem esperar até que eu libere individualmente, geralmente por volta do quarto mês.
Um erro comum é o paciente que se sente tão bem aos três meses que decide compensar o tempo parado com exercícios intensos. Isso pode causar inchaço reativo, desconforto e, em casos extremos, comprometer áreas ainda em cicatrização. Respeite o processo. Seu corpo está trabalhando internamente mesmo quando você se sente perfeitamente bem por fora.
A exposição solar é talvez o fator externo que mais prejudica a qualidade das cicatrizes e do resultado final. A radiação ultravioleta estimula a produção de melanina nas cicatrizes em formação, podendo causar hiperpigmentação permanente. Além disso, o sol aumenta o processo inflamatório na pele, prolongando o edema e podendo causar manchas irregulares nas áreas operadas.
Minha orientação é rigorosa: protetor solar FPS cinquenta ou maior em todas as áreas expostas, reaplicado a cada três horas, por no mínimo seis meses. Cicatrizes devem ser protegidas com adesivos de silicone ou fita micropore quando expostas ao sol. Evite exposição solar direta nas primeiras seis semanas. Após esse período, exposição moderada com proteção adequada é aceitável. Bronzeamento artificial está absolutamente proibido por seis meses.
O intervalo entre seis meses e um ano marca a maturação final da cirurgia. É quando posso afirmar que você está vendo o resultado definitivo. As cicatrizes atingem sua aparência final, as estruturas profundas se estabilizaram completamente e os tecidos moles encontraram seu equilíbrio permanente.
Aos seis meses, as cicatrizes do lifting facial são praticamente imperceptíveis, escondidas nas dobras naturais da orelha e dentro do cabelo. As cicatrizes da abdominoplastia, embora mais extensas, tornam-se uma linha fina e clara que fica oculta pela roupa íntima. Na rinoplastia, o nariz atinge sua forma definitiva, com todas as sutilezas de definição da ponta e do dorso finalmente reveladas.
Mesmo após o resultado estar consolidado, mantenho acompanhamento periódico com meus pacientes. Consultas de revisão aos seis meses e ao completar um ano são fundamentais para documentar o resultado, identificar qualquer assimetria que mereça atenção e planejar eventuais procedimentos complementares.
Esse acompanhamento não é apenas sobre estética. É sobre saúde. Observo a qualidade da cicatrização, avalio se há áreas de fibrose que se beneficiariam de tratamento, verifico a simetria e discuto com o paciente sua satisfação com o resultado. A relação cirurgião-paciente não termina quando os pontos são removidos. Ela continua por tanto tempo quanto necessário.
Em alguns casos, pequenos ajustes podem ser realizados após a maturação completa da cirurgia. No lifting facial, a aplicação de toxina botulínica complementa o resultado suavizando rugas de expressão. Na rinoplastia, eventuais assimetrias mínimas podem ser corrigidas com enxertos de cartilagem. Na lipoaspiração, áreas de irregularidade podem ser tratadas com lipoenxertia. Essas são situações individuais que discuto caso a caso.
Se eu pudesse eleger um único item como o mais importante da recuperação pós-cirúrgica, seria a malha compressiva. Esse acessório aparentemente simples exerce funções terapêuticas cruciais que influenciam diretamente a qualidade do resultado final. Infelizmente, muitos pacientes subestimam sua importância ou a abandonam prematuramente.
A compressão uniforme exercida pela malha promove múltiplos benefícios simultâneos. Primeiro, reduz o espaço morto entre a pele e os tecidos profundos, diminuindo o acúmulo de seroma (líquido) e a formação de hematomas. Segundo, auxilia na retração cutânea, ajudando a pele a se readaptar ao novo contorno corporal. Terceiro, reduz o edema ao facilitar a drenagem linfática. Quarto, proporciona conforto e segurança ao paciente, limitando movimentos que poderiam comprometer a cicatrização.
O protocolo varia conforme a cirurgia. Na lipoaspiração e abdominoplastia, prescrevo uso contínuo por trinta dias, retirando apenas para o banho. Após esse período, uso durante o dia por mais trinta dias. Na mamoplastia, o sutiã cirúrgico deve ser usado por sessenta dias contínuos. No lifting facial, a faixa compressiva é usada por sete a quatorze dias.
Sei que usar malha vinte e quatro horas por dia durante um mês não é confortável, especialmente no calor. Mas cada dia de uso consistente contribui diretamente para um resultado melhor. Pacientes que abandonam a malha precocemente apresentam mais edema, mais irregularidades e maior risco de seroma. O desconforto temporário vale o resultado permanente.
A malha ideal deve exercer compressão firme e uniforme sem garrotear. Deve ser feita de material respirável, preferencialmente com costuras planas que não marquem a pele. Indico marcas e modelos específicos para cada tipo de cirurgia durante a consulta pré-operatória, e verifico o ajuste no pós-operatório. Uma malha apertada demais pode causar dor, dificultar a circulação e criar marcas. Uma malha frouxa demais simplesmente não cumpre sua função.
A drenagem linfática manual é um recurso fisioterapêutico que considero parte integrante do protocolo de recuperação para cirurgias corporais. Essa técnica de massagem suave e rítmica auxilia o sistema linfático a reabsorver o excesso de líquido acumulado nos tecidos, acelerando a resolução do edema e melhorando o conforto do paciente.
Indico o início da drenagem linfática a partir do terceiro ou quinto dia pós-operatório, dependendo da cirurgia e da evolução individual. Para lipoaspiração e abdominoplastia, o início precoce é especialmente benéfico. Para cirurgias faciais, a drenagem pode ser iniciada após a remoção dos pontos, geralmente na segunda semana.
O protocolo que recomendo é de três sessões por semana durante as três primeiras semanas, reduzindo para duas sessões semanais nas semanas seguintes. O total de sessões varia entre quinze e vinte, mas ajusto individualmente conforme a evolução de cada paciente. Sessões duram em média cinquenta minutos.
A drenagem linfática pós-cirúrgica deve ser realizada exclusivamente por fisioterapeutas ou profissionais especializados com experiência em pós-operatório de cirurgia plástica. A técnica difere da drenagem estética convencional. Os movimentos devem respeitar as áreas de incisão, as direções de drenagem linfática anatômica e a fragilidade dos tecidos em cicatrização. Uma drenagem mal feita pode ser pior do que nenhuma drenagem.
É importante ter expectativas realistas. A drenagem linfática acelera a reabsorção do edema, mas não elimina magicamente o inchaço de um dia para o outro. Ela não substitui o uso da malha compressiva, não compensa a falta de repouso e não corrige problemas cirúrgicos. É um complemento valioso, não uma solução mágica. Desconfie de profissionais que prometem resultados milagrosos com técnicas agressivas de massagem nos primeiros dias. Força excessiva nos tecidos em cicatrização causa mais dano do que benefício.
Toda cirurgia deixa cicatriz. Essa é uma verdade incontornável que precisa ser compreendida antes de qualquer procedimento. O que diferencia um bom resultado de um resultado excepcional é a qualidade dessas cicatrizes: finas, discretas, alinhadas nas linhas de tensão da pele e posicionadas em áreas estratégicas que as tornam quase invisíveis.
A genética é o principal determinante da qualidade cicatricial. Pacientes com pele clara e fina tendem a cicatrizar com linhas mais discretas. Peles mais escuras têm maior tendência a cicatrizes hipertróficas e queloides. A idade também influencia: pacientes mais jovens produzem mais colágeno e podem formar cicatrizes mais espessas inicialmente, embora a longo prazo a qualidade final seja geralmente excelente.
A localização da cicatriz no corpo também importa. Áreas de maior tensão cutânea, como ombros, tórax anterior e região púbica, tendem a produzir cicatrizes mais largas. Áreas de pouca tensão, como pálpebras e dobras naturais, cicatrizam de forma praticamente imperceptível. Por isso, posiciono minhas incisões estrategicamente para minimizar a visibilidade das cicatrizes no longo prazo.
Proteção solar é o fator modificável mais importante. Conforme já mencionei, a radiação ultravioleta pode hiperpigmentar cicatrizes em formação de forma permanente. Use protetor solar religiosamente.
A nutrição adequada fornece os blocos de construção para a cicatrização. Proteínas, vitamina C, zinco e vitamina A são essenciais para a produção de colágeno. Pacientes desnutridos ou com dietas muito restritivas cicatrizam pior.
O tabagismo é o maior inimigo da cicatrização. A nicotina causa vasoconstrição nos microvasos da pele, reduzindo o aporte de oxigênio e nutrientes para os tecidos em reparo. Fumantes têm risco significativamente maior de deiscência (abertura de pontos), necrose cutânea e cicatrizes de má qualidade. Por isso exijo a interrupção completa do tabagismo por pelo menos quinze dias antes e quinze dias após a cirurgia.
A partir da terceira semana, quando a cicatriz está selada, inicio tratamento com placas de silicone ou gel de silicone. Esses produtos criam um ambiente de hidratação e pressão que modula a produção de colágeno, resultando em cicatrizes mais finas e planas. O tratamento deve ser mantido por três a seis meses para máximo benefício.
Em casos selecionados de cicatrizes hipertróficas, posso utilizar infiltração com corticoides diluídos, laser fracionado ou microagulhamento para melhorar a qualidade cicatricial. Essas intervenções são realizadas após os três meses, quando a cicatriz já completou a fase inicial de maturação.
Embora a grande maioria das recuperações transcorra sem intercorrências, é fundamental que você saiba reconhecer sinais que exigem avaliação médica imediata. A detecção precoce de complicações é o fator mais importante para seu manejo adequado. Não hesite em me ligar ou enviar mensagem se algo parecer errado. Prefiro avaliar dez situações normais a perder uma complicação real.
O hematoma é o acúmulo de sangue sob a pele na região operada. Diferencia-se do edema normal por ser assimétrico (geralmente acomete mais um lado), progressivo (aumenta rapidamente em horas), tenso e doloroso. No lifting facial, um hematoma pode se manifestar como inchaço repentino e intenso de um lado do rosto, acompanhado de dor que não cede com analgésico. O hematoma requer drenagem cirúrgica imediata. É justamente para minimizar esse risco que utilizo a rede hemostática de Auersvald em meus liftings faciais.
Sinais de infecção incluem: vermelhidão progressiva ao redor da incisão (diferente da vermelhidão normal dos primeiros dias, que é estável ou diminui), calor local, secreção purulenta (amarelada ou esverdeada) com odor desagradável, febre acima de trinta e oito graus que persiste por mais de vinte e quatro horas, e piora da dor após um período de melhora. Infecções pós-cirúrgicas são raras com a antibioticoprofilaxia que prescrevo, mas quando ocorrem, precisam de tratamento imediato.
O seroma é o acúmulo de líquido seroso (transparente ou amarelado) na região operada. É mais comum na abdominoplastia e na lipoaspiração de grandes volumes. Manifesta-se como aumento de volume flutuante, sem dor significativa, geralmente após a primeira semana. O tratamento envolve aspiração com agulha no consultório, um procedimento simples e praticamente indolor. Múltiplas aspirações podem ser necessárias.
A trombose venosa profunda (TVP) é uma complicação rara, mas potencialmente grave. Sinais incluem: dor na panturrilha de uma perna, inchaço assimétrico de uma perna, vermelhidão e calor localizados. Se não tratada, a TVP pode evoluir para embolia pulmonar, que se manifesta como falta de ar súbita, dor torácica e taquicardia. Qualquer um desses sintomas exige ida imediata ao pronto-socorro.
Dito tudo isso, quero tranquilizá-lo: a maioria absoluta dos pós-operatórios evolui sem nenhuma dessas complicações. Assimetria de edema, formigamento, dormência transitória, sensação de repuxamento e desconforto localizado são situações normais que não requerem intervenção. Na dúvida, sempre entre em contato. Minha equipe está preparada para orientá-lo por telefone e, quando necessário, agendar avaliação presencial imediata.
A recuperação pós-cirúrgica é um processo metabólico intenso. Seu corpo está simultaneamente combatendo inflamação, produzindo colágeno, regenerando vasos sanguíneos e remodelando tecidos. Tudo isso demanda energia e nutrientes específicos. Uma alimentação inadequada durante esse período pode prolongar o edema, retardar a cicatrização e comprometer o resultado final.
As proteínas fornecem os aminoácidos necessários para a síntese de colágeno e para a regeneração celular. Recomendo consumo de um grama e meio de proteína por quilo de peso corporal por dia durante o primeiro mês pós-operatório. Fontes ideais incluem: ovos, frango, peixe, carne magra, queijo cottage e iogurte natural. Para pacientes vegetarianos, combinações de leguminosas com cereais garantem o aporte adequado de aminoácidos essenciais.
A hidratação adequada é frequentemente subestimada. Recomendo dois litros de água por dia no mínimo, podendo chegar a três litros nos primeiros dias, quando o corpo está retendo líquidos nos tecidos operados. Água de coco é uma excelente opção por fornecer potássio e eletrólitos naturais. Evite bebidas cafeinadas em excesso, pois a cafeína é diurética e pode contribuir para desidratação.
A recuperação social (estar apresentável para sair de casa) varia de dez a vinte e um dias, dependendo da cirurgia. A recuperação funcional (retorno às atividades normais sem restrições) leva de trinta a noventa dias. A recuperação completa (resultado final estabilizado) ocorre entre seis e doze meses. No lifting facial, por exemplo, a maioria dos pacientes está socialmente apresentável em duas semanas, mas o resultado definitivo se revela entre seis meses e um ano.
Não dirija enquanto estiver tomando medicações que causem sonolência, o que geralmente corresponde aos primeiros cinco a sete dias. Após esse período, o retorno à direção depende da cirurgia: para procedimentos faciais, sete a dez dias; para abdominoplastia, quatorze a vinte e um dias (pela dificuldade de movimentação do tronco); para lipoaspiração de membros inferiores, dez a quatorze dias.
Caminhadas leves são liberadas a partir da primeira semana para a maioria das cirurgias, pois auxiliam na prevenção de trombose. Exercícios moderados (musculação leve, pilates, yoga) são liberados entre quatro e seis semanas. Exercícios intensos (corrida, crossfit, natação vigorosa) entre oito e doze semanas. A liberação é sempre individual e baseada na evolução da sua cicatrização.
Sim, a dormência transitória é absolutamente normal e esperada. A dissecção cirúrgica inevitavelmente interrompe pequenos nervos sensitivos da pele. A sensibilidade retorna progressivamente ao longo de semanas a meses, à medida que os nervos se regeneram. Na abdominoplastia, a região abaixo do umbigo pode ficar dormente por três a seis meses. Na rinoplastia, a ponta do nariz pode ter sensibilidade alterada por até um ano.
Exposição solar direta deve ser evitada por no mínimo seis semanas. Após esse período, use protetor solar FPS cinquenta nas áreas operadas e nas cicatrizes por no mínimo seis meses. Cicatrizes expostas ao sol podem hiperpigmentar permanentemente. Se possível, proteja as cicatrizes com fita micropore ou adesivo de silicone quando se expuser ao sol.
Para cirurgias corporais como lipoaspiração e abdominoplastia, considero fortemente recomendada, embora não obrigatória. Pacientes que realizam drenagem linfática apresentam resolução mais rápida do edema, menos desconforto e resultados finais com contornos mais homogêneos. Para cirurgias faciais, a drenagem é opcional e deve ser realizada por profissional com experiência específica em pós-operatório facial.
Para lipoaspiração e abdominoplastia: uso contínuo por trinta dias, seguido de uso diurno por mais trinta dias. Para mamoplastia: sutiã cirúrgico por sessenta dias. Para lifting facial: faixa compressiva por sete a quatorze dias. A adesão ao uso da malha é um dos fatores mais importantes para a qualidade do resultado final.
Voos curtos (até duas horas) podem ser realizados após quatorze dias para a maioria das cirurgias. Voos longos (acima de quatro horas) devem esperar pelo menos trinta dias, devido ao risco aumentado de trombose venosa. Para blefaroplastia e rinoplastia, a pressurização da cabine pode aumentar temporariamente o edema periorbital, então é prudente esperar três semanas.
Cicatrizes inicialmente rosadas e levemente elevadas são normais e fazem parte do processo de maturação. Preocupe-se se a cicatriz continuar crescendo em espessura e extensão após o terceiro mês, se causar coceira intensa ou se ultrapassar os limites da incisão original (sinal de queloide). Nesses casos, agende consulta para que eu avalie e inicie tratamento específico, que pode incluir placas de silicone, corticoides infiltrados ou laser.
O resultado é duradouro, mas não eterno. A cirurgia não interrompe o processo de envelhecimento. O lifting facial, por exemplo, rejuvenesce a aparência por dez a quinze anos, após os quais o envelhecimento natural continua. A lipoaspiração remove permanentemente as células de gordura da região tratada, mas o ganho significativo de peso pode expandir as células remanescentes. A rinoplastia produz mudanças estruturais permanentes, embora o nariz continue sofrendo alterações sutis ao longo de décadas.
Se você está planejando uma cirurgia plástica ou já tem um procedimento agendado, agende uma consulta para que eu possa detalhar o protocolo de recuperação específico para o seu caso. Cada paciente é único, e as orientações pós-operatórias são personalizadas de acordo com a cirurgia, sua saúde geral e seu estilo de vida.
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