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  • Orelha de Abano: Tudo Sobre a Cirurgia e Recuperação

    Orelha de Abano: Tudo Sobre a Cirurgia e Recuperação

    Orelha de Abano: Uma Questão de Autoestima

    A orelha proeminente, popularmente chamada de orelha de abano, é uma das queixas estéticas mais comuns que recebo em minha clínica em Londrina. Atendo desde crianças acompanhadas pelos pais até adultos que conviveram décadas com o incômodo e finalmente decidiram buscar uma solução. A otoplastia — cirurgia para correção da orelha proeminente — é um procedimento consagrado, seguro e com resultados transformadores.

    Neste artigo, vou abordar em detalhes tudo o que você precisa saber sobre a cirurgia e a recuperação.

    O Que Causa a Orelha de Abano?

    A orelha de abano não é uma doença. É uma variação anatômica da cartilagem auricular que faz com que as orelhas se projetem lateralmente mais do que o habitual. Consideramos proeminente quando a distância entre a borda da orelha e o crânio excede 2 centímetros, ou quando o ângulo entre a orelha e a cabeça ultrapassa 30 graus.

    As causas anatômicas podem ser isoladas ou combinadas:

    • Concha hipertrófica: a cavidade central da orelha é profunda demais, empurrando toda a orelha para fora
    • Anti-hélice deficiente: a dobra em Y que deveria existir no terço superior da orelha não se formou, deixando a orelha “desdobrada”
    • Lóbulo proeminente: a porção inferior da orelha se projeta excessivamente
    • Combinação: na maioria dos pacientes, dois ou mais componentes contribuem para a proeminência

    É uma condição genética e bilateral na maioria dos casos, embora frequentemente um lado seja mais acentuado que o outro.

    A Consulta Pré-Operatória

    Na consulta, faço uma avaliação sistemática de ambas as orelhas, identificando quais componentes anatômicos estão alterados em cada uma. Isso é fundamental porque a técnica cirúrgica varia conforme o tipo de deformidade.

    Também discuto em detalhes as expectativas do paciente. Explico que o objetivo é uma orelha com aparência natural, posicionada adequadamente — não uma orelha “perfeita” ou rigidamente simétrica. Orelhas naturais nunca são perfeitamente simétricas, e tentar forçar uma simetria absoluta pode levar a resultados artificiais.

    Técnicas Cirúrgicas

    Existem dezenas de técnicas descritas para otoplastia, o que reflete a complexidade e a diversidade das deformidades auriculares. Na minha prática, utilizo principalmente as técnicas de Mustardé, Furnas e suas variações, adaptando a cada caso.

    Técnica de Mustardé

    Consiste em aplicar pontos de sutura permanentes na cartilagem posterior para criar a dobra da anti-hélice. Através de uma incisão atrás da orelha, exponho a cartilagem e aplico pontos de colchoeiro que a dobram para trás, criando a curvatura que estava ausente.

    É minha técnica de escolha quando o problema principal é a deficiência da anti-hélice.

    Técnica de Furnas

    Utiliza pontos de sutura para aproximar a concha da mastoide (o osso atrás da orelha), reduzindo a projeção quando a concha é excessivamente profunda. Os pontos ancoram a cartilagem da concha ao periósteo da mastoide.

    Indicada quando a hipertrofia conchal é o componente predominante.

    Ressecção Conchal

    Em casos de concha muito grande, além dos pontos de Furnas, pode ser necessário remover uma faixa de cartilagem da concha para reduzir efetivamente seu tamanho. Isso é feito pela mesma incisão posterior.

    Abordagem Combinada

    Na maioria dos meus pacientes, utilizo uma combinação de técnicas — pontos de Mustardé para moldar a anti-hélice e pontos de Furnas para reduzir a projeção conchal. Essa abordagem combinada permite tratar todos os componentes da deformidade em um único procedimento.

    A Cirurgia Passo a Passo

    Anestesia

    Em adultos e adolescentes, a otoplastia é realizada sob anestesia local com sedação leve. O paciente fica confortável e relaxado, sem sentir dor. Em crianças, prefiro anestesia geral para garantir conforto e tranquilidade durante o procedimento.

    A Incisão

    A incisão é feita na face posterior da orelha, na dobra entre a orelha e o crânio. Essa localização garante que a cicatriz fique completamente escondida — mesmo com o cabelo preso, não é visível.

    Moldagem da Cartilagem

    Após expor a cartilagem, realizo as técnicas necessárias: pontos de moldagem, ressecções, fixação conchal. Cada manobra é executada e verificada em tempo real, avaliando a posição da orelha repetidamente durante o procedimento para garantir simetria e naturalidade.

    Fechamento

    A pele é suturada com pontos finos e o excesso de pele posterior — que invariavelmente sobra após a correção — é removido de forma conservadora.

    Curativo

    Aplico um curativo compressivo tipo capacete que protege as orelhas e mantém a posição durante as primeiras 24-48 horas.

    Recuperação Detalhada

    A recuperação da otoplastia é uma das mais tranquilas da cirurgia plástica:

    Dia 1 (dia da cirurgia)

    Curativo compressivo. Desconforto leve a moderado, controlado com analgésicos comuns. Repouso relativo. Manter a cabeça elevada ao deitar.

    Dias 2-3

    Troca do curativo no consultório. Primeira visualização do resultado — neste momento as orelhas estão edemaciadas e com equimoses, mas já é possível perceber a mudança de posição. Início do uso da faixa elástica.

    Primeira semana

    Edema e equimoses diminuindo progressivamente. Uso contínuo da faixa, removendo apenas para higiene. Pode retornar a atividades leves.

    Segunda semana

    Retirada dos pontos (quando não absorvíveis). Edema quase completamente resolvido. Retorno a trabalho e escola.

    Semanas 3-6

    Uso da faixa apenas à noite, para proteger as orelhas durante o sono. Gradual liberação de atividades físicas.

    A partir de 6 semanas

    Liberação completa de todas as atividades, incluindo esportes de contato. Resultado considerado estabilizado.

    Otoplastia em Adultos

    Embora a otoplastia seja frequentemente associada a crianças, atendo muitos adultos que decidem corrigir as orelhas proeminentes depois de anos convivendo com o incômodo. A cirurgia em adultos segue os mesmos princípios técnicos, com algumas diferenças:

    • A cartilagem adulta é mais rígida, podendo exigir técnicas adicionais de enfraquecimento para moldagem
    • A anestesia local com sedação é o padrão
    • O paciente geralmente retorna ao trabalho em 5-7 dias
    • Os resultados são igualmente excelentes

    Não existe idade máxima para a otoplastia. Já operei pacientes com 50, 60 anos que finalmente decidiram corrigir uma queixa de toda a vida. A satisfação é sempre enorme.

    Cuidados Importantes

    • Não dobrar a orelha para trás nos primeiros 30 dias
    • Evitar puxar blusas pela cabeça — preferir camisas com abertura frontal
    • Usar a faixa religiosamente pelo tempo recomendado
    • Não dormir de lado sobre as orelhas nas primeiras semanas
    • Evitar óculos pesados apoiados sobre as orelhas nos primeiros 15 dias

    Resultados

    Os resultados da otoplastia são permanentes e imediatos. A satisfação é uma das mais altas entre todos os procedimentos de cirurgia plástica. A transformação vai muito além da estética — pacientes relatam maior confiança social, liberdade para usar o cabelo como quiserem e eliminação de uma insegurança que frequentemente os acompanhava desde a infância.

    Se você ou seu filho convive com o incômodo das orelhas proeminentes e gostaria de saber mais sobre a otoplastia, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar o caso pessoalmente e explicar como podemos corrigir as orelhas de forma natural e definitiva.

  • Quanto Tempo Dura o Resultado do Lifting? 5, 10, 15 Anos?

    Quanto Tempo Dura o Resultado do Lifting? 5, 10, 15 Anos?

    “Dr. Walter, quanto tempo vai durar o meu lifting?” — esta é, sem dúvida, uma das perguntas que mais ouço na consulta. É uma pergunta legítima e inteligente, afinal estamos falando de um investimento significativo em tempo, dinheiro e confiança. Meus pacientes querem saber o que esperar a longo prazo, e eu respeito profundamente essa necessidade de clareza.

    A resposta honesta é que depende de vários fatores — mas posso adiantar que o lifting deep plane é a técnica com maior longevidade comprovada na cirurgia plástica facial. Vamos explorar isso em profundidade.

    O Que Significa “Durar” em Lifting Facial

    Primeiro, preciso esclarecer o que queremos dizer com “duração do resultado”. O lifting facial não congela o rosto no tempo. Após a cirurgia, o envelhecimento continua — porque é um processo biológico natural e contínuo. O que o lifting faz é reposicionar o relógio.

    Imagine que sua face hoje aparenta 55 anos. Após um lifting deep plane bem executado, ela pode aparentar 42-45 anos. Dez anos depois, aos 65, sua face aparentará talvez 52-55 — ainda significativamente mais jovem do que se a cirurgia nunca tivesse sido feita.

    Portanto, quando falamos em “duração”, referimo-nos ao tempo que a melhora alcançada permanece perceptível e significativa em relação ao envelhecimento natural.

    Deep Plane vs Técnicas Superficiais: A Diferença na Longevidade

    A técnica utilizada é o fator mais determinante na durabilidade do resultado:

    Técnicas Superficiais (SMAS Plication, SMASectomy Limitada, Mini Lifting)

    Essas abordagens dependem primariamente da tração da pele e de plicaturas superficiais do SMAS para sustentação. O problema é que a pele é um tecido que cede com o tempo — especialmente quando submetida a tensão constante. A gravidade, os movimentos faciais repetitivos e a perda progressiva de colágeno trabalham contra a sustentação cutânea.

    Resultado: 3 a 5 anos de melhora significativa, após os quais a recidiva se torna cada vez mais evidente.

    Lifting Deep Plane

    No deep plane, a sustentação vem das estruturas profundas — SMAS, ligamentos e tecidos moles reposicionados como uma unidade coesa. A pele é apenas redistribuída sem tensão. Isso significa que não há força constante puxando a pele, e a estrutura profunda mantém o resultado de forma muito mais estável ao longo do tempo.

    Resultado: 10 a 15 anos de melhora significativa, com muitos pacientes mantendo benefícios perceptíveis por ainda mais tempo.

    O Que a Ciência Diz

    Estudos com seguimento longo de pacientes submetidos ao deep plane demonstram resultados impressionantes. Séries publicadas por referências mundiais em cirurgia facial mostram que pacientes avaliados 10 anos após a cirurgia mantêm uma aparência significativamente mais jovem que a esperada para sua idade.

    Na minha própria prática, tenho pacientes operados há mais de 12 anos cujos resultados permanecem notáveis. Quando olho as fotos do pré-operatório e comparo com a aparência atual — mais de uma década depois — a diferença em relação ao que seria o envelhecimento natural é evidente.

    Fatores Que Influenciam a Durabilidade

    Embora a técnica seja o fator principal, outros elementos influenciam significativamente quanto tempo o resultado permanecerá ótimo:

    1. Genética

    A genética determina em grande parte como sua pele envelhece. Pacientes com pele mais espessa e com boa produção de colágeno tendem a manter resultados por mais tempo. Observar como seus pais envelheceram pode dar uma ideia do seu perfil genético de envelhecimento.

    2. Exposição Solar

    O fotoenvelhecimento é o maior inimigo do resultado cirúrgico. A radiação ultravioleta degrada colágeno e elastina, acelerando a flacidez e o envelhecimento da pele. Pacientes que mantêm proteção solar rigorosa após o lifting preservam o resultado por significativamente mais tempo.

    Não é exagero dizer que o protetor solar é o melhor “creme anti-idade” que existe — e isso se aplica duplamente após um lifting facial.

    3. Tabagismo

    O cigarro é devastador para a pele. A nicotina compromete a microcirculação, reduz a oxigenação dos tecidos e acelera a degradação do colágeno. Pacientes fumantes apresentam envelhecimento cutâneo acelerado e resultados de lifting de menor durabilidade.

    Exijo que meus pacientes parem de fumar pelo menos 4 semanas antes e depois da cirurgia — tanto por segurança cirúrgica quanto para proteger o resultado a longo prazo. Idealmente, a cessação deveria ser permanente.

    4. Peso Corporal

    Oscilações significativas de peso após o lifting podem comprometer o resultado, especialmente no pescoço. Ganho de peso pode acumular gordura submentoniana novamente, e perda de peso pode criar flacidez adicional. Manter um peso estável é um aliado importante da longevidade do resultado.

    5. Cuidados Com a Pele

    Uma rotina consistente de skincare — com retinoides, vitamina C, proteção solar e hidratação adequada — ajuda a manter a qualidade da pele e prolonga o efeito visual do lifting. Penso nisso como manutenção: a cirurgia faz o trabalho pesado, os cuidados diários preservam o investimento.

    6. Idade na Época da Cirurgia

    Pacientes mais jovens, com melhor qualidade de pele e tecidos, tendem a ter resultados mais duradouros. Este é mais um argumento a favor da intervenção mais precoce — não esperar até que a flacidez esteja extremamente avançada.

    O Conceito de “Envelhecimento Rejuvenescido”

    Um conceito que gosto de compartilhar com meus pacientes é o de envelhecimento rejuvenescido. Após um deep plane lifting, você não para de envelhecer — mas envelhece a partir de uma base muito mais favorável, e de forma mais harmônica.

    Pense nisso: sem cirurgia, entre os 50 e os 65 anos, a gravidade, a perda de volume e a flacidez produzem uma mudança significativa e frequentemente abrupta. Com o lifting realizado aos 50, essa mesma transição é muito mais suave e gradual. Aos 65, a pessoa parece ter 55 — uma diferença de 10 anos que se mantém ao longo do tempo.

    E Depois? Quando Considerar um Retoque

    Após 10 a 15 anos de um excelente resultado, alguns pacientes consideram um retoque. A boa notícia é que a revisão após um deep plane primário tende a ser mais simples que a cirurgia original. Como as estruturas profundas foram adequadamente reposicionadas e os ligamentos liberados, a base estrutural permanece favorável.

    Nem todos os pacientes precisarão de revisão. Alguns mantêm resultados excelentes por 15-20 anos e optam por não reoperar. Outros preferem manter um resultado ótimo e escolhem uma revisão quando percebem os primeiros sinais de recidiva. Ambas são decisões perfeitamente válidas.

    O Papel dos Procedimentos Complementares

    Para estender e otimizar o resultado do lifting ao longo dos anos, alguns procedimentos não cirúrgicos podem ser valiosos:

    • Toxina botulínica — mantém as rugas dinâmicas suavizadas, complementando o efeito do lifting
    • Preenchimento com ácido hialurônico — repõe volume perdido em áreas específicas como maçãs do rosto e lábios
    • Peelings e laser — melhoram textura, manchas e qualidade da pele
    • Tratamentos de bioestimulação — estimulam a produção de colágeno para manter a firmeza da pele

    Esses procedimentos não substituem o lifting, mas complementam e prolongam seus efeitos. Penso neles como a “manutenção periódica” de um resultado cirúrgico excelente.

    O Investimento na Perspectiva do Tempo

    Quando um paciente me pergunta se o lifting “vale a pena” financeiramente, proponho uma reflexão: divida o custo do procedimento pelos anos de resultado. Um deep plane lifting com resultado duradouro de 12 a 15 anos representa um investimento mensal surpreendentemente acessível — certamente menor do que muitos gastos rotineiros com tratamentos estéticos de menor impacto.

    E isso sem considerar o valor intangível da autoconfiança, do bem-estar ao se olhar no espelho todos os dias, e da liberdade de não precisar se preocupar com a aparência facial por muitos anos.

    Conclusão

    O lifting facial deep plane oferece a melhor combinação de naturalidade e longevidade disponível na cirurgia plástica facial atual. Com resultados significativos que se mantêm por 10 a 15 anos — e que podem ser estendidos com cuidados adequados e procedimentos complementares — o deep plane é verdadeiramente um investimento que vale a pena.

    Se você quer entender como o lifting deep plane pode rejuvenescer sua face de forma duradoura e natural, agende uma consulta. Analisarei pessoalmente sua anatomia e explicarei o que pode esperar em termos de resultado e longevidade para o seu caso específico.

  • Otoplastia em Crianças: Qual a Idade Ideal?

    Otoplastia em Crianças: Qual a Idade Ideal?

    Uma Cirurgia Que Muda Vidas Desde a Infância

    Poucos procedimentos na cirurgia plástica têm um impacto tão imediato e profundo na autoestima quanto a otoplastia em crianças. Em minha prática em Londrina, recebo frequentemente pais preocupados com o sofrimento emocional de seus filhos por causa das orelhas proeminentes — a popular “orelha de abano”. E posso afirmar: a decisão de operar no momento certo pode poupar a criança de anos de constrangimento e insegurança.

    Mas quando é o momento certo? Essa é a pergunta que este artigo pretende responder de forma completa e honesta.

    Entendendo a Orelha de Abano

    A orelha proeminente é uma variação anatômica presente em aproximadamente 5% da população. Não é uma doença, não compromete a audição e não causa nenhum problema funcional. Porém, o impacto psicossocial pode ser significativo, especialmente em crianças em fase escolar.

    Anatomicamente, a orelha de abano pode resultar de:

    • Hipertrofia da concha: a parte central e mais profunda da orelha (concha) é excessivamente grande, projetando toda a orelha para fora
    • Ausência ou insuficiência da anti-hélice: a dobra natural que deveria existir na parte superior da orelha não se formou adequadamente, deixando a orelha “aberta”
    • Combinação de ambos: frequentemente, os dois componentes estão presentes em graus variáveis

    A condição é congênita — ou seja, a criança já nasce com ela — e é determinada geneticamente. Não piora com o tempo, mas também não melhora espontaneamente após os primeiros meses de vida.

    A Idade Ideal: Por Que 5 a 7 Anos?

    A maioria dos cirurgiões plásticos — e eu me incluo nesse consenso — considera a faixa entre 5 e 7 anos como o momento ideal para a otoplastia infantil. Existem razões anatômicas e psicológicas para essa recomendação:

    Razões Anatômicas

    A cartilagem auricular atinge aproximadamente 85-90% do seu tamanho adulto por volta dos 5-6 anos de idade. Isso significa que a orelha já está grande o suficiente para ser operada com resultados estáveis e que não haverá crescimento significativo posterior que altere o resultado.

    Além disso, a cartilagem infantil é mais maleável que a adulta, o que facilita a moldagem e a fixação com pontos — a cartilagem responde melhor às técnicas de sutura e tende a manter a nova forma com mais facilidade.

    Razões Psicológicas

    A entrada no ensino fundamental, por volta dos 6-7 anos, marca o início de uma fase de maior interação social e, infelizmente, de maior exposição a comentários e bullying. Operar antes dessa fase intensa de socialização permite que a criança inicie a vida escolar sem esse fator de insegurança.

    Crianças operadas antes dos 7 anos frequentemente sequer lembram de terem tido orelhas proeminentes — o procedimento se integra naturalmente à sua história, sem trauma associado.

    Não Muito Cedo

    Operar antes dos 4 anos geralmente não é recomendado porque:

    • A cartilagem pode estar pequena demais para a correção ideal
    • A criança pode não colaborar adequadamente com os cuidados pós-operatórios
    • A anestesia geral em crianças muito pequenas, embora segura, é preferível adiar quando possível

    Não Muito Tarde

    Embora a otoplastia possa ser realizada em qualquer idade — inclusive em adultos —, protelar o procedimento quando a criança já demonstra sofrimento emocional não é aconselhável. Cada ano de bullying e constrangimento deixa marcas que poderiam ter sido evitadas.

    Como Sei Que Meu Filho Está Pronto?

    Além da idade cronológica, considero alguns indicadores importantes:

    • A própria criança verbaliza o incômodo: quando a criança espontaneamente reclama das orelhas, pede para usar cabelo comprido para cobri-las ou evita certas atividades, é um sinal claro de que o problema a afeta
    • Maturidade para colaborar: a criança precisa entender minimamente que ficará com um curativo e que precisará de cuidados nos primeiros dias
    • Relato de bullying: se há relatos de provocações por colegas, a intervenção é ainda mais justificada
    • Desejo dos pais: quando a decisão é exclusivamente dos pais sem que a criança demonstre incômodo, costumo recomendar aguardar mais um pouco

    A Cirurgia na Criança

    Anestesia

    Em crianças, a otoplastia é sempre realizada sob anestesia geral. A criança dorme confortavelmente durante todo o procedimento e acorda sem dor, graças ao bloqueio anestésico local que aplico durante a cirurgia.

    A Técnica

    A técnica que utilizo combina elementos das abordagens de Mustardé e Furnas, adaptados a cada caso. Basicamente, através de uma incisão atrás da orelha — em um local que permanece completamente escondido — acesso a cartilagem e realizo as correções necessárias:

    • Pontos de sutura permanentes para criar ou acentuar a dobra da anti-hélice
    • Redução da concha quando ela é excessivamente grande
    • Fixação da concha mais próxima à mastoide para reduzir a projeção

    Cada orelha é tratada individualmente, pois frequentemente apresentam graus diferentes de proeminência. O objetivo é simetria e naturalidade — orelhas que pareçam naturais, nem coladas demais à cabeça nem distantes demais.

    Duração

    O procedimento completo dura entre uma hora e uma hora e meia. É uma cirurgia ambulatorial — a criança vai para casa no mesmo dia.

    O Pós-Operatório Infantil

    A recuperação em crianças é geralmente mais rápida e mais fácil do que em adultos:

    • Primeiras 24 horas: curativo tipo capacete é mantido. A criança pode sentir desconforto leve, controlado com analgésicos simples. Muitas crianças já estão brincando no dia seguinte
    • Primeira semana: troca do curativo, uso de faixa elástica na cabeça. Restrição de atividades físicas intensas
    • Duas a três semanas: uso noturno da faixa por mais 2-3 semanas para proteger as orelhas durante o sono
    • Um mês: retorno a todas as atividades, incluindo esportes

    A dor é surpreendentemente baixa na otoplastia. A maioria das crianças precisa de analgésicos apenas nos primeiros dois dias.

    Resultados e Satisfação

    A otoplastia infantil é uma das cirurgias plásticas com maior taxa de satisfação — tanto dos pais quanto das próprias crianças. O impacto na autoconfiança é quase imediato: crianças que evitavam prender o cabelo, que fugiam de fotos ou que se retraíam socialmente frequentemente se transformam após a cirurgia.

    Os resultados são permanentes. A orelha corrigida manterá sua forma ao longo da vida, com as mudanças naturais do envelhecimento.

    Riscos

    Como toda cirurgia, a otoplastia tem riscos, embora sejam relativamente baixos:

    • Assimetria residual: algum grau de assimetria é normal (nossas orelhas naturalmente não são perfeitamente simétricas), mas assimetrias significativas podem necessitar retoque
    • Hematoma: raro, mas requer drenagem quando ocorre
    • Infecção: rara, tratada com antibióticos
    • Recidiva parcial: em alguns casos, a orelha pode projetar levemente com o tempo se os pontos perderem tensão
    • Hipercorreção: orelha muito colada à cabeça — por isso a moderação no planejamento é essencial

    Minha Filosofia na Otoplastia Infantil

    Ao operar crianças, tenho uma responsabilidade redobrada. Minha abordagem é sempre conservadora — prefiro um resultado discretamente subdimensionado a uma hipercorreção que pareça artificial. Orelhas naturais têm alguma projeção; o objetivo não é colá-las à cabeça, mas sim posicioná-las dentro da faixa de normalidade.

    Também dedico tempo especial à comunicação com a criança. Explico o procedimento de forma lúdica, adequada à sua idade, e busco que ela se sinta participante da decisão, não apenas submetida à vontade dos pais. Uma criança que entende e deseja a correção colabora melhor e tem uma experiência muito mais positiva.

    Se seu filho sofre com orelhas proeminentes e você gostaria de saber se é o momento certo para a otoplastia, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar a criança, explicar o procedimento de forma clara e ajudar vocês a tomar a melhor decisão para o bem-estar do seu filho.

  • Mitos e Verdades Sobre o Lifting Facial Deep Plane

    Mitos e Verdades Sobre o Lifting Facial Deep Plane

    O lifting facial deep plane ganhou enorme visibilidade nos últimos anos — o que é positivo, pois mais pessoas conhecem essa técnica transformadora. Porém, com a popularidade vieram também muitas informações equivocadas. No consultório em Londrina, dedico boa parte das consultas a esclarecer mitos que os pacientes trazem da internet.

    Neste artigo, abordo os mitos mais frequentes que encontro e apresento as verdades baseadas na minha experiência clínica e na literatura científica.

    Mito 1: “O Deep Plane é Muito Mais Perigoso que Outras Técnicas”

    Verdade: O deep plane NÃO é mais perigoso — na verdade, pode ser mais seguro em vários aspectos.

    Este é o mito mais persistente e o que mais preocupa os pacientes. A lógica leiga é compreensível: se o cirurgião opera mais profundamente, perto dos nervos, o risco deve ser maior. Entretanto, a realidade anatômica é diferente.

    No deep plane, o cirurgião disseca em um plano bem definido abaixo do SMAS, onde os ramos do nervo facial estão protegidos por cima do retalho — ou seja, ficam do lado oposto ao da dissecção. Em técnicas superficiais como o SMASectomy, os nervos podem estar mais vulneráveis pois a dissecção ocorre mais próxima a eles.

    Estudos publicados nas principais revistas de cirurgia plástica demonstram que a taxa de lesão nervosa permanente no deep plane é extremamente baixa — inferior a 1% em mãos experientes — e comparável ou até menor que técnicas superficiais.

    O que é verdade: o deep plane exige mais experiência e conhecimento anatômico do cirurgião. Não é uma técnica para iniciantes. Mas nas mãos certas, é seguro.

    Mito 2: “O Lifting Facial Deixa o Rosto com Aparência de Puxado”

    Verdade: O aspecto “puxado” é justamente o que o deep plane EVITA.

    A face “soprada pelo vento” é resultado de técnicas que dependem da tração da pele para sustentação. Quando a pele é esticada lateralmente sem reposicionamento das estruturas profundas, cria-se essa aparência artificial.

    No deep plane, a sustentação vem do SMAS e dos tecidos profundos reposicionados. A pele é apenas redistribuída suavemente, sem tensão. O vetor de reposicionamento é predominantemente vertical — para cima — e não lateral. Isso preserva os sulcos naturais da face e cria um rejuvenescimento tridimensional.

    O resultado que busco — e que consistentemente alcanço — é que ninguém perceba a cirurgia. As pessoas notam apenas que o paciente “está com uma aparência ótima” ou “parece descansado”.

    Mito 3: “A Dor é Insuportável”

    Verdade: A maioria dos pacientes se surpreende com o quão tolerável é.

    Esse é um dos mitos que mais prazer tenho em desmentir, porque a reação dos pacientes no pós-operatório é consistente: “Dr. Walter, achei que ia ser muito pior.”

    O deep plane, paradoxalmente, pode causar menos dor que técnicas superficiais. Como a dissecção ocorre em um plano profundo bem definido, há menos trauma aos tecidos superficiais ricos em terminações nervosas sensitivas. A maioria dos pacientes descreve um desconforto tipo “repuxamento” ou “pressão”, facilmente controlável com analgésicos comuns.

    Nos primeiros dois dias, prescrevo medicação analgésica de horário. A partir do terceiro dia, muitos pacientes já tomam apenas paracetamol quando sentem necessidade. Dor intensa e persistente é incomum e, quando ocorre, merece avaliação.

    Mito 4: “Só Funciona Para Quem Tem Muita Flacidez”

    Verdade: O deep plane funciona excepcionalmente bem em flacidez inicial a moderada — e frequentemente com resultados ainda mais impressionantes.

    Muitos associam lifting facial a pessoas de 60-70 anos com flacidez avançada. Mas como expliquei em outro artigo, pacientes nos seus 40 anos com sinais iniciais de envelhecimento são candidatos excelentes. Nestes casos, a correção necessária é menor, o resultado é mais sutil e natural, e a recuperação tende a ser mais rápida.

    A tendência mundial — que acompanho de perto em congressos internacionais — é de liftings mais precoces, com resultados mais naturais e longevos.

    Mito 5: “As Cicatrizes São Muito Visíveis”

    Verdade: As cicatrizes do lifting deep plane são tipicamente excelentes e praticamente imperceptíveis.

    As incisões do lifting facial são estrategicamente posicionadas em áreas de transição natural:

    • Dentro do trago da orelha (a cartilagem na entrada do canal auditivo)
    • Ao longo do sulco pré-auricular e contorno da orelha
    • Na região retroauricular (atrás da orelha)
    • Discretamente na linha do cabelo

    No deep plane, como a pele fecha sem tensão (a sustentação vem das camadas profundas), as cicatrizes tendem a ser particularmente finas e discretas. Após 6 a 12 meses de maturação, a maioria das cicatrizes é virtualmente imperceptível — mesmo de perto.

    Evidentemente, a qualidade da cicatrização varia entre indivíduos, e fatores como genética, cor da pele e cuidados pós-operatórios influenciam. Mas de modo geral, as cicatrizes do lifting são uma das menores preocupações dos meus pacientes após a cirurgia.

    Mito 6: “O Resultado Dura Apenas Alguns Anos”

    Verdade: O deep plane é justamente a técnica com maior longevidade comprovada.

    Técnicas superficiais podem, de fato, ter resultados relativamente efêmeros — 3 a 5 anos em muitos casos. Isso contribuiu para o mito de que lifting “não dura”. Mas o deep plane é uma categoria completamente diferente.

    Ao reposicionar as estruturas profundas — não apenas a pele — o deep plane cria um resultado estruturalmente sólido. A experiência clínica de centros de referência mundiais, com seguimento de pacientes ao longo de décadas, demonstra resultados duradouros de 10 a 15 anos ou mais.

    Importante: o envelhecimento não para após a cirurgia. O paciente continuará envelhecendo, mas a partir de um ponto muito mais favorável. É como se tivéssemos atrasado o relógio — e o novo envelhecimento ocorre de forma harmônica.

    Mito 7: “Lifting é Só Para Mulheres”

    Verdade: Homens são excelentes candidatos e a procura masculina está em crescimento acelerado.

    Já dediquei um artigo inteiro ao lifting masculino, mas vale reiterar: o lifting deep plane adaptado à anatomia masculina produz resultados extraordinários. A técnica precisa ser modificada — posição das incisões, cuidado com a barba, manejo da hemostasia — mas o resultado em termos de rejuvenescimento e naturalidade é igualmente impressionante.

    Mito 8: “Preenchimentos e Fios Conseguem o Mesmo Resultado”

    Verdade: Preenchimentos e fios NÃO substituem o lifting facial.

    Este é um mito perpetuado em parte por profissionais que não realizam cirurgia e vendem procedimentos não cirúrgicos como alternativa. Preciso ser direto: não existe procedimento não cirúrgico que reproduza o resultado de um lifting deep plane.

    Preenchimentos com ácido hialurônico podem restaurar volume e suavizar rugas, mas não reposicionam tecidos caídos. Fios de sustentação podem oferecer melhora discreta e temporária, mas sua durabilidade é limitada a meses e não anos.

    O uso excessivo de preenchimentos para “compensar” a flacidez — em vez de tratar a causa com cirurgia — frequentemente resulta na chamada “pillow face”: um rosto volumoso mas ainda caído, com aparência artificial e pesada.

    Preenchimentos e toxina botulínica são complementos valiosos ao lifting — uso-os regularmente em meus pacientes. Mas não são substitutos.

    Mito 9: “A Recuperação Leva Meses”

    Verdade: A maioria dos pacientes retorna às atividades sociais em 2 a 3 semanas.

    A recuperação do deep plane segue um cronograma previsível. Os primeiros 7 a 10 dias são os mais intensos, com inchaço e equimoses. Por volta de 14 dias, a maioria dos pacientes já se sente confortável para sair em público. Às 3 semanas, o retorno às atividades normais é praticamente completo.

    É verdade que a evolução final leva meses — o inchaço residual profundo resolve gradualmente até o 3º mês, e as cicatrizes amadurecem ao longo de 6 a 12 meses. Mas o paciente vive normalmente durante esse processo.

    Mito 10: “Todo Cirurgião que Diz Fazer Deep Plane Realmente Faz”

    Verdade: Infelizmente, o termo “deep plane” é usado comercialmente por cirurgiões que não realizam a técnica verdadeira.

    Este é talvez o mito mais preocupante. Com a popularização do termo, alguns cirurgiões passaram a denominar suas técnicas de “deep plane” para atrair pacientes, mesmo realizando procedimentos mais superficiais. A diferença técnica entre um verdadeiro deep plane — com liberação completa dos ligamentos de retenção e reposicionamento sub-SMAS — e uma plicatura ou SMASectomy superficial é enorme, e se reflete diretamente no resultado.

    Minha recomendação: pergunte especificamente ao cirurgião se ele libera os ligamentos zigomáticos e manda o retalho no plano sub-SMAS. Se a resposta for vaga, considere buscar outra opinião.

    Conclusão

    O lifting facial deep plane é uma cirurgia segura, eficaz e com resultados naturais e duradouros — quando realizada por um cirurgião experiente e qualificado. Os mitos que cercam o procedimento refletem desinformação ou experiências com técnicas inferiores, e não a realidade do deep plane bem executado.

    Se você tem dúvidas ou receios sobre o lifting facial deep plane, agende uma consulta. Terei prazer em esclarecer cada uma das suas preocupações pessoalmente e mostrar como essa técnica pode rejuvenescer sua face de forma natural e segura.

  • Prótese de Silicone vs Avanço Ósseo: Como Aumentar o Queixo

    Prótese de Silicone vs Avanço Ósseo: Como Aumentar o Queixo

    Duas Técnicas Para o Mesmo Objetivo

    Quando um paciente chega à minha clínica em Londrina com queixa de queixo curto ou recuado, a primeira grande decisão técnica que preciso tomar é: prótese de silicone ou osteotomia de avanço? Ambas aumentam a projeção do queixo, mas fazem isso de maneiras fundamentalmente diferentes, e cada uma tem indicações específicas que determinarão o melhor resultado.

    Neste artigo, vou comparar detalhadamente as duas abordagens para que você compreenda as nuances de cada técnica e possa discutir com mais propriedade durante sua consulta.

    Prótese de Silicone Mentoniana

    A mentoplastia com prótese é a técnica mais difundida mundialmente para aumento do queixo. Consiste na colocação de um implante de silicone sólido diretamente sobre o osso do mento, projetando-o anteriormente.

    O Material

    Os implantes mentonianos são confeccionados em silicone sólido de grau médico, um material com décadas de histórico comprovado em cirurgia plástica. Diferente do silicone gel usado em implantes mamários, o silicone mentoniano é firme porém flexível — pode ser comprimido sem quebrar e retorna à sua forma original.

    As próteses estão disponíveis em diversos formatos e tamanhos: anatômicas, cônicas, estendidas lateralmente, com diferentes projeções. Essa variedade me permite escolher o implante que melhor se adapta à anatomia de cada paciente.

    A Técnica Cirúrgica

    A inserção da prótese pode ser feita por dois acessos:

    Via intraoral: a incisão é feita na mucosa oral, no sulco entre o lábio inferior e a gengiva. A grande vantagem é a ausência total de cicatriz visível. É minha via de acesso preferida quando opero apenas a mentoplastia.

    Via submentoniana: a incisão é feita na pele sob o queixo, em uma dobra natural. Reservo essa via para quando combino a mentoplastia com lipoaspiração cervical ou com lifting facial, pois o mesmo acesso serve para ambos os procedimentos.

    A cirurgia dura entre 30 e 45 minutos. Através da incisão, crio um bolsão subperiosteal — ou seja, entre o osso e a membrana que o recobre (periósteo) — onde a prótese é posicionada e fixada. A fixação com parafuso de titânio é importante para evitar deslocamento.

    Resultados e Limitações

    A prótese produz excelentes resultados para aumento anteroposterior do queixo. No entanto, tem limitações inerentes:

    • Só aumenta projeção — não consegue reduzir ou encurtar o queixo
    • Correção vertical limitada — não é ideal para queixos muito curtos verticalmente
    • Pode causar reabsorção óssea sob o implante ao longo de muitos anos
    • Existe risco, embora pequeno, de infecção ou deslocamento
    • Em pacientes muito magros, as bordas da prótese podem ser palpáveis

    Osteotomia de Avanço Mentoniano

    A osteotomia mentoniana — ou genioplastia — é uma técnica cirúrgica na qual o osso do mento é cortado e reposicionado. É uma abordagem mais complexa, porém consideravelmente mais versátil.

    A Técnica

    Através de um acesso intraoral, exponho a sínfise mentoniana (a porção anterior da mandíbula). Com uma serra oscilatória ou piezoelétrica, faço um corte horizontal no osso, separando o fragmento inferior do mento. Esse fragmento é então movido para a posição desejada — para frente, para trás, para cima, para baixo ou lateralmente — e fixado com miniplacas e parafusos de titânio.

    O procedimento dura entre uma e duas horas, dependendo da complexidade da correção.

    A Grande Vantagem: Versatilidade Tridimensional

    A osteotomia permite correções que a prótese simplesmente não consegue:

    • Avanço: mover o queixo para frente (igual à prótese)
    • Recuo: mover o queixo para trás — impossível com prótese
    • Encurtamento vertical: reduzir a altura do mento removendo uma faixa óssea — impossível com prótese
    • Alongamento vertical: aumentar a altura do mento com interposição de enxerto
    • Correção lateral: centralizar um queixo assimétrico
    • Movimentos combinados: avançar e encurtar simultaneamente, por exemplo

    Outras Vantagens

    • É o próprio osso do paciente — sem corpo estranho
    • Não há risco de reabsorção sob implante
    • Não há risco de extrusão ou deslocamento de prótese
    • Resultado extremamente estável a longo prazo
    • Melhora a inserção muscular mentual, podendo reduzir o aspecto de “queixo de bruxa”

    Limitações

    • Cirurgia mais complexa e mais longa
    • Maior edema pós-operatório
    • Risco de lesão do nervo mentoniano (parestesia do lábio inferior)
    • Recuperação um pouco mais lenta
    • Requer instrumental específico

    Como Escolho Entre as Duas Técnicas

    Minha decisão é baseada em critérios objetivos que avalio durante a consulta:

    Escolho Prótese Quando:

    • A deficiência é puramente de projeção anteroposterior, sem alteração vertical
    • A correção necessária é moderada (até 6-8mm de avanço)
    • O paciente não tem assimetria significativa
    • A mentoplastia será combinada com lifting ou rinoplastia e desejo otimizar o tempo cirúrgico
    • O paciente prefere uma abordagem menos complexa

    Escolho Osteotomia Quando:

    • Há excesso ou deficiência vertical do mento
    • Existe assimetria mentoniana que precisa ser corrigida
    • A deficiência anteroposterior é grande (mais de 8-10mm)
    • O paciente precisa de recuo do queixo
    • Há necessidade de correção combinada em múltiplos vetores
    • O paciente tem histórico de problemas com implantes ou prefere evitar corpo estranho

    Recuperação Comparada

    A recuperação de ambas as técnicas segue um padrão semelhante, com algumas diferenças:

    Com Prótese

    • Edema moderado por 1-2 semanas
    • Parestesia transitória leve
    • Dieta pastosa por 3-5 dias (via intraoral)
    • Resultado estabilizado em 4-6 semanas

    Com Osteotomia

    • Edema mais intenso por 2-3 semanas
    • Parestesia mais frequente e potencialmente mais prolongada
    • Dieta pastosa por 5-7 dias
    • Resultado estabilizado em 2-3 meses
    • Consolidação óssea completa em 6-8 semanas

    Resultados a Longo Prazo

    Ambas as técnicas produzem resultados excelentes e duradouros. A prótese oferece resultado estável por décadas, embora estudos de longo prazo mostrem algum grau de reabsorção óssea sob o implante em uma porcentagem de pacientes — geralmente sem significância clínica.

    A osteotomia oferece resultado verdadeiramente permanente, pois o osso consolida na nova posição e se integra completamente à estrutura mandibular. Não há corpo estranho envolvido e a estabilidade é excepcional.

    Uma Terceira Opção: Preenchimento

    Para completar a análise, vale mencionar o preenchimento mentoniano com ácido hialurônico ou hidroxiapatita de cálcio como opção não cirúrgica. Funciona para deficiências muito leves e para pacientes que desejam “experimentar” como ficaria um queixo mais projetado antes de se comprometerem com uma cirurgia.

    No entanto, o preenchimento tem limitações evidentes: resultado temporário, volume limitado e custo acumulado significativo com as manutenções. Para deficiências moderadas a importantes, a cirurgia oferece resultado incomparavelmente superior.

    Minha Abordagem

    Ao longo dos anos, desenvolvi conforto com ambas as técnicas e as utilizo de acordo com a necessidade de cada caso. Não tenho preferência pessoal por uma em detrimento da outra — minha preferência é sempre pelo resultado ideal para aquele paciente específico.

    A chave para o sucesso da mentoplastia, independente da técnica, está no planejamento pré-operatório meticuloso: análise cefalométrica, fotografias padronizadas, simulação digital e discussão detalhada das expectativas com o paciente.

    Se você sente que seu queixo compromete a harmonia do seu perfil, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar sua anatomia e recomendar a técnica mais indicada para alcançar o equilíbrio facial que você deseja.

  • Como Escolher o Cirurgião Certo Para Seu Lifting Facial

    Como Escolher o Cirurgião Certo Para Seu Lifting Facial

    Escolher o cirurgião para seu lifting facial é, sem exagero, a decisão mais importante de todo o processo. A mesma cirurgia — com o mesmo nome — pode ter resultados dramaticamente diferentes dependendo de quem a realiza. Em mais de duas décadas como cirurgião plástico facial em Londrina, já vi resultados extraordinários de colegas competentes e, infelizmente, também resultados que poderiam ter sido evitados com uma escolha mais criteriosa.

    Neste artigo, compartilho os critérios que considero essenciais para que você faça uma escolha segura e informada. Escrevo não apenas como cirurgião, mas como alguém que genuinamente se preocupa com a qualidade dos resultados em nossa especialidade.

    1. Verifique a Formação e as Credenciais

    Este é o ponto de partida básico, mas muitos pacientes o negligenciam. No Brasil, para realizar cirurgia plástica legalmente, o médico deve:

    • Ser membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) — a filiação à SBCP indica que o médico completou residência reconhecida em cirurgia plástica
    • Possuir Título de Especialista em Cirurgia Plástica — emitido pela SBCP em conjunto com a AMB (Associação Médica Brasileira)
    • Estar registrado no CRM com a especialidade de cirurgia plástica

    Infelizmente, existem profissionais que realizam liftings faciais sem a formação adequada. Dermatologistas, otorrinolaringologistas e até clínicos gerais podem, legalmente, realizar procedimentos cirúrgicos no Brasil, mas a formação em cirurgia plástica facial é fundamentalmente diferente. Não arrisque.

    2. Experiência Específica em Cirurgia Facial

    A cirurgia plástica é ampla — abrange mama, abdômen, contorno corporal, mão, queimaduras, entre outras áreas. Um cirurgião plástico excelente em mamoplastia não é necessariamente a melhor escolha para seu lifting facial.

    Procure um cirurgião que:

    • Tenha a face como área de foco principal ou significativa de sua prática
    • Realize liftings faciais com frequência regular — não esporadicamente
    • Domine técnicas avançadas como o deep plane
    • Participe de congressos e cursos de atualização em cirurgia facial
    • Publique ou apresente trabalhos científicos na área

    Na minha prática, a cirurgia plástica facial representa a grande maioria dos procedimentos que realizo. Essa dedicação concentrada permite que eu refine continuamente minha técnica e mantenha resultados consistentes.

    3. Pergunte Sobre a Técnica Utilizada

    Não tenha vergonha de perguntar ao cirurgião qual técnica ele utiliza para o lifting facial. Um bom profissional terá orgulho de explicar sua abordagem. Perguntas relevantes incluem:

    • “O senhor realiza o lifting deep plane?” — se a resposta for que usa apenas SMAS plication ou técnicas superficiais, é importante entender as limitações
    • “Como são tratados o pescoço e o platisma?” — um lifting que não aborda o pescoço é incompleto
    • “As incisões são feitas onde? Como ficam as cicatrizes?” — o planejamento das incisões revela muito sobre a experiência do cirurgião
    • “Qual a durabilidade esperada do resultado?” — respostas honestas e baseadas em evidências são um bom sinal

    Desconfie de cirurgiões que são evasivos sobre detalhes técnicos ou que prometem resultados milagrosos com procedimentos mínimos.

    4. Analise os Resultados: Antes e Depois

    Fotos de antes e depois são a vitrine do cirurgião. Ao analisá-las, observe:

    • Naturalidade — os pacientes parecem rejuvenescidos ou parecem operados? Existe aspecto de “face puxada”?
    • Consistência — os resultados são uniformemente bons ou variam muito? Consistência indica técnica sólida
    • Variedade de idades e tipos faciais — um cirurgião experiente terá resultados em diferentes perfis de pacientes
    • Pescoço — os resultados mostram melhora cervical significativa? O perfil lateral é apresentado?
    • Cicatrizes — se possível, observe fotos de perto das cicatrizes
    • Fotos padronizadas — iluminação, distância e ângulo consistentes indicam seriedade na documentação

    Desconfie de portfólios muito pequenos, fotos com iluminação ou maquiagem diferente entre antes e depois, ou ausência de fotos de perfil (que são as que mais mostram a qualidade do resultado cervicofacial).

    5. A Consulta é Reveladora

    A consulta pré-operatória é sua melhor oportunidade de avaliar o cirurgião. Observe:

    Tempo Dedicado

    Um cirurgião que faz lifting facial bem dedica tempo generoso à consulta. Na minha prática, a primeira consulta dura no mínimo 40 a 60 minutos. É tempo para examinar, fotografar, explicar a técnica, discutir expectativas e responder todas as perguntas. Se a consulta durar 10-15 minutos, algo está errado.

    Exame Físico Detalhado

    O cirurgião deve examinar sua face sistematicamente: qualidade da pele, grau de ptose em cada terço da face, pescoço, ângulo cervicomental, projeção do queixo, volume facial. Um exame superficial indica avaliação superficial.

    Honestidade sobre Limitações

    O melhor cirurgião é aquele que diz honestamente o que pode e o que não pode alcançar. Se alguém promete que você ficará “20 anos mais jovem” ou que o resultado será “perfeito”, considere isso um sinal de alerta. A cirurgia tem limitações reais, e um profissional ético as comunica.

    Plano Cirúrgico Personalizado

    Cada face é única. O cirurgião deve apresentar um plano adaptado à sua anatomia, não uma abordagem genérica de “tamanho único”. Se a proposta é exatamente a mesma para todo mundo, a individualização está faltando.

    6. Equipe e Estrutura

    O lifting facial é uma cirurgia de porte significativo que requer infraestrutura adequada:

    • Centro cirúrgico equipado — com monitorização completa e equipe de enfermagem treinada em cirurgia facial
    • Anestesista experiente — de preferência com experiência regular em cirurgias faciais longas
    • Estrutura de pós-operatório — acompanhamento próximo nas primeiras 24-48 horas
    • Disponibilidade do cirurgião — acesso direto ao cirurgião no pós-operatório, não apenas a assistentes

    7. Sinais de Alerta

    Ao longo dos anos, identifiquei padrões que devem acender uma luz vermelha na escolha do cirurgião:

    • Preço significativamente abaixo do mercado — lifting facial de qualidade tem um custo que reflete a experiência do cirurgião, a técnica e a estrutura. Preços muito baixos geralmente implicam comprometimento em algum desses aspectos
    • Promessas de “sem cicatriz” ou “sem recuperação” — todo lifting facial produz cicatrizes (discretas, mas existem) e requer recuperação. Quem promete o contrário não está sendo honesto
    • Pressão para decidir rapidamente — “faça agora porque esse preço é só essa semana” é tática comercial, não conduta médica
    • Ausência de fotos de resultados próprios — um cirurgião que não mostra seus resultados pode ter algo a esconder
    • Recusa em responder perguntas técnicas — se o cirurgião se irrita com perguntas ou é condescendente, a relação médico-paciente já começa comprometida
    • Marketing excessivamente agressivo — desconfie de excesso de autopromoção, especialmente quando baseado em títulos auto-atribuídos como “o melhor cirurgião” ou “referência número 1”

    8. Busque Referências Reais

    Além das pesquisas online, procure:

    • Depoimentos de pacientes reais — não apenas os publicados no site do médico, mas em fóruns independentes e redes sociais
    • Indicação de outros médicos — pergunte ao seu clínico geral ou dermatologista para quem eles encaminhariam um familiar
    • Sociedades médicas — a SBCP e a ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) mantêm cadastros verificados

    9. Confie na Sua Intuição

    Após verificar credenciais, analisar resultados e ter uma consulta detalhada, existe um componente subjetivo importante: a conexão com o cirurgião. Você precisa se sentir seguro, ouvido e respeitado. Se algo não parece certo — mesmo que não consiga explicar exatamente o quê — respeite essa intuição.

    Consulte mais de um cirurgião se necessário. Compare abordagens, explicações e propostas. Não tenha pressa para tomar essa decisão.

    10. O Mais Caro Nem Sempre é o Melhor

    Um esclarecimento importante: o preço mais alto não garante automaticamente o melhor resultado. Existem cirurgiões excelentes com honorários justos e cirurgiões medianos com preços inflados pelo marketing. O inverso também é verdade — não busque economia excessiva em algo tão importante.

    O valor deve refletir a combinação de experiência, técnica, estrutura e dedicação. Pergunte o que está incluído no valor — consultas de retorno, acompanhamento pós-operatório, eventuais retoques — para comparar de forma justa.

    Conclusão

    Escolher o cirurgião para seu lifting facial é uma decisão que impactará sua aparência e autoconfiança por muitos anos. Dedique tempo a essa escolha, faça perguntas, analise resultados e confie no profissional que combine competência técnica com honestidade e empatia.

    Se você está pesquisando sobre lifting facial e deseja uma avaliação honesta e detalhada do seu caso, agende uma consulta. Dedico o tempo necessário para examinar, explicar e responder cada uma das suas dúvidas pessoalmente.

  • Mentoplastia: A Importância do Queixo na Harmonia Facial

    Mentoplastia: A Importância do Queixo na Harmonia Facial

    O Queixo: O Grande Esquecido da Harmonia Facial

    Quando um paciente chega ao meu consultório em Londrina queixando-se da aparência do rosto, raramente a queixa principal é o queixo. A maioria aponta o nariz, as pálpebras ou a flacidez. No entanto, em uma análise facial criteriosa, frequentemente identifico o queixo como um elemento que, se corrigido, transformaria toda a harmonia do rosto.

    O queixo funciona como a base de um quadro. Sem uma base proporcional, mesmo um nariz perfeito ou olhos harmoniosos não atingem seu potencial estético pleno. É por isso que a mentoplastia — a cirurgia de correção do queixo — é um dos procedimentos que mais impactam a percepção global do rosto, apesar de frequentemente subestimada.

    Por Que o Queixo É Tão Importante?

    A face humana é regida por proporções. Os estudos de antropometria facial demonstram que um rosto considerado harmonioso obedece a certas relações proporcionais entre suas estruturas. O queixo desempenha papel central em diversas dessas relações:

    Equilíbrio dos Terços Faciais

    O rosto é dividido em três terços horizontais de comprimento idealmente semelhante: do início do couro cabeludo às sobrancelhas, das sobrancelhas à base do nariz, e da base do nariz ao mento. Um queixo curto encurta o terço inferior, desequilibrando toda a face. Um queixo proeminente demais o alonga excessivamente.

    Relação Nariz-Queixo

    Uma das relações mais importantes é entre a projeção do nariz e a projeção do queixo. Em perfil, o queixo e a ponta nasal devem estar em proporção harmônica. Um queixo retraído faz o nariz parecer maior do que realmente é — e muitos pacientes que buscam rinoplastia na verdade precisam de mentoplastia, ou de ambas.

    Em minha experiência, essa é uma das descobertas mais reveladoras para o paciente: ao simular o resultado de uma mentoplastia, o nariz “diminui” visualmente sem que nenhuma cirurgia nasal tenha sido realizada.

    Definição do Ângulo Cervicomental

    O queixo tem influência direta na definição do pescoço. Um queixo projetado adequadamente cria um ângulo cervicomental agudo e definido — aquele contorno elegante entre o queixo e o pescoço. Um queixo retraído contribui para a aparência de “papada” mesmo em pacientes magros e jovens.

    Tipos de Deformidade do Queixo

    As alterações que trato com mais frequência são:

    Microgenia (Queixo Pequeno)

    A condição mais comum. O queixo é deficiente em projeção anterior, comprimento vertical ou ambos. É mais frequente em mulheres e frequentemente associada a maloclusão dentária de classe II (mandíbula recuada). Visualmente, o rosto parece “sem queixo” e o pescoço perde definição.

    Macrogenia (Queixo Grande)

    Menos comum que a microgenia. O queixo é excessivamente proeminente ou longo, dominando o terço inferior da face. Mais frequente em homens, pode criar uma aparência desproporcional ou agressiva.

    Assimetria Mentoniana

    O queixo está desviado para um dos lados, criando uma assimetria visível de frente. Frequentemente associada a assimetrias mandibulares mais amplas.

    Excesso Vertical

    O queixo é demasiadamente longo, aumentando a altura do terço inferior e criando desproporção com os demais terços faciais.

    A Cirurgia de Mentoplastia

    A mentoplastia pode ser realizada por duas técnicas principais, e a escolha entre elas depende da anatomia do paciente e da correção necessária.

    Mentoplastia com Prótese de Silicone

    Consiste na colocação de um implante de silicone sólido sobre o osso mentoniano, aumentando a projeção do queixo. A prótese é inserida por uma pequena incisão dentro da boca (via intraoral) ou sob o queixo (via submentoniana).

    Vantagens da prótese:

    • Procedimento mais rápido e tecnicamente mais simples
    • Recuperação mais rápida
    • Grande variedade de formas e tamanhos disponíveis
    • Pode ser combinada facilmente com rinoplastia ou lifting
    • Reversível — a prótese pode ser removida se necessário

    Mentoplastia por Osteotomia (Avanço Ósseo)

    Consiste em cortar o osso do mento e avançá-lo (ou recuá-lo) para a posição desejada, fixando-o com miniplacas de titânio. É uma técnica mais complexa, porém mais versátil.

    Vantagens da osteotomia:

    • Permite correções tridimensionais — anteroposterior, vertical e lateral
    • Resultado mais natural — é o próprio osso do paciente
    • Não há risco de extrusão ou deslocamento de implante
    • Ideal para correções maiores ou assimétricas
    • Permite encurtamento vertical do queixo (impossível com prótese)

    Mentoplastia em Homens vs Mulheres

    As metas estéticas da mentoplastia diferem significativamente entre os sexos:

    No homem, buscamos um queixo forte, quadrado e bem projetado. O mento masculino ideal é mais largo e mais proeminente, com angulação mandibular definida. Isso transmite uma aparência de assertividade e masculinidade.

    Na mulher, o queixo ideal é mais suave, discretamente pontudo e com projeção moderada. Buscamos uma transição harmoniosa entre o mento e o pescoço, sem exageros que masculinizem a face.

    Essas diferenças são fundamentais no planejamento, e ignorá-las pode levar a resultados desarmônicos — como um queixo excessivamente angulado em uma mulher ou um queixo delicado demais em um homem.

    Mentoplastia Combinada com Outros Procedimentos

    Na minha prática, a mentoplastia raramente é realizada isoladamente. As combinações mais frequentes são:

    Mentoplastia + Rinoplastia

    Esta é talvez a combinação mais poderosa para transformação do perfil facial. Ao ajustar nariz e queixo simultaneamente, alcançamos um equilíbrio de perfil que nenhum dos dois procedimentos conseguiria sozinho. É o que chamamos de perfiloplastia.

    Mentoplastia + Lifting Facial

    Em pacientes com envelhecimento facial e queixo deficiente, a mentoplastia complementa o lifting ao melhorar a definição do contorno mandibular e do pescoço. O lifting reposiciona os tecidos moles, e a mentoplastia otimiza a estrutura óssea subjacente.

    Mentoplastia + Lipoaspiração Submentoniana

    Para pacientes com queixo pequeno e acúmulo de gordura no pescoço, essa combinação é transformadora. A lipoaspiração remove o excesso de gordura, e a mentoplastia projeta o queixo, criando um ângulo cervicomental nítido e elegante.

    A Recuperação

    A recuperação da mentoplastia é geralmente tranquila:

    • Primeiros dias: edema e sensação de repuxamento na região do queixo. Dieta pastosa por 3-5 dias se a via de acesso for intraoral
    • Primeira semana: o inchaço começa a diminuir. Uso de faixa compressiva mentoniana
    • Duas a três semanas: retorno às atividades normais. Inchaço residual discreto
    • Um a três meses: resolução completa do edema. Resultado final definido

    A alteração de sensibilidade no lábio inferior e no queixo é comum nos primeiros meses e resolve espontaneamente na grande maioria dos casos.

    Quando Não Operar

    Nem toda insatisfação com o queixo se resolve com mentoplastia. Pacientes com maloclusão severa, ou seja, com alteração significativa na mordida, podem necessitar de cirurgia ortognática — uma intervenção mais ampla que reposiciona toda a mandíbula e/ou maxila, realizada em conjunto com ortodontia.

    Na consulta, avalio sempre a oclusão dentária e, quando necessário, encaminho para avaliação com cirurgião bucomaxilofacial antes de definir a conduta.

    Minha Visão Sobre a Mentoplastia

    Considero a mentoplastia uma das cirurgias mais elegantes e subestimadas do arsenal do cirurgião plástico facial. A capacidade de transformar completamente o perfil e a harmonia do rosto com uma intervenção relativamente simples a torna uma aliada poderosa, especialmente quando combinada com rinoplastia ou lifting.

    Se eu pudesse dar um conselho a quem está insatisfeito com o perfil: antes de focar apenas no nariz, peça para seu cirurgião avaliar também o queixo. A harmonia facial depende do equilíbrio entre as estruturas, e o queixo pode ser a peça que falta no quebra-cabeça.

    Se você sente que seu queixo não está em harmonia com o restante do rosto, agende uma consulta. Terei prazer em analisar suas proporções faciais e explicar como a mentoplastia pode transformar seu perfil de forma natural e equilibrada.

  • Lifting Facial Secundário: Corrigindo Resultados de Outros Cirurgiões

    Lifting Facial Secundário: Corrigindo Resultados de Outros Cirurgiões

    O lifting facial secundário — também chamado de lifting de revisão — é uma das cirurgias mais desafiadoras e gratificantes que realizo. Recebo no meu consultório em Londrina pacientes de todo o Brasil que passaram por um lifting facial prévio e ficaram insatisfeitos com o resultado. São histórias que escuto com atenção e empatia, porque sei o quanto é frustrante investir em uma cirurgia e não alcançar o resultado esperado.

    Neste artigo, quero explicar o que é o lifting secundário, quando ele é indicado, quais os principais desafios técnicos envolvidos, e como consigo, na maioria dos casos, transformar uma frustração em satisfação.

    Por Que um Lifting Pode Precisar de Revisão

    Existem diversas razões pelas quais um paciente pode precisar de um segundo lifting facial:

    1. Técnica Inadequada na Primeira Cirurgia

    Esta é, infelizmente, a causa mais comum que vejo. Muitos pacientes foram operados com técnicas superficiais — SMAS plication ou SMASectomy limitada — que simplesmente não oferecem a longevidade e a qualidade de resultado do deep plane. Após 2 a 5 anos, o resultado começa a regredir significativamente.

    2. Envelhecimento Natural

    Mesmo um lifting bem executado tem sua durabilidade. Após 10 a 15 anos de um excelente resultado, o envelhecimento contínuo pode justificar uma revisão. Nesses casos, a cirurgia secundária costuma ser mais simples, pois a base estrutural do primeiro procedimento ainda oferece algum suporte.

    3. Aspecto “Operado” ou Artificial

    Infelizmente, alguns pacientes chegam com faces que denunciam a cirurgia: pele excessivamente esticada, aspecto de “soprado pelo vento”, lóbulos da orelha distorcidos, cicatrizes visíveis ou hairline deslocada. Nesses casos, o objetivo da revisão é não apenas rejuvenescer, mas corrigir a artificialidade.

    4. Assimetrias ou Irregularidades

    Contorno mandibular assimétrico, excesso de pele residual de um lado, ou depressões e irregularidades no pescoço podem necessitar de correção cirúrgica.

    5. Pescoço Não Tratado Adequadamente

    Muitos liftings primários focam exclusivamente na face, negligenciando o pescoço. O resultado é uma face rejuvenescida com um pescoço que denuncia a idade — uma dissonância que incomoda profundamente o paciente.

    Os Desafios Técnicos do Lifting Secundário

    O lifting de revisão é significativamente mais complexo que um lifting primário, e nem todo cirurgião está preparado para realizá-lo. As razões incluem:

    Anatomia Alterada

    A cirurgia prévia modificou os planos anatômicos normais. Existe fibrose (cicatrização interna), os planos de dissecção podem estar aderidos, e as referências anatômicas habituais podem estar deslocadas. É como operar um território desconhecido — preciso reconstruir mentalmente o mapa anatômico de cada paciente.

    Risco Aumentado para o Nervo Facial

    O nervo facial — responsável pela movimentação da face — pode estar mais vulnerável em uma reoperação. A fibrose da cirurgia anterior pode ter alterado sua relação com os tecidos ao redor, tornando sua identificação e preservação mais difíceis. Experiência em anatomia facial profunda é absolutamente essencial nesse cenário.

    Pele Já Comprometida

    Se a primeira cirurgia removeu pele em excesso ou esticou demais, a reserva cutânea disponível para redistribuição é menor. Em casos extremos, pode não haver pele suficiente para fechar sem tensão, exigindo criatividade e planejamento cuidadoso.

    Cicatrizes Prévias

    As cicatrizes da primeira cirurgia precisam ser incorporadas no planejamento. Idealmente, as novas incisões seguem as cicatrizes existentes para não criar novas marcas. Quando as cicatrizes anteriores estão mal posicionadas, pode ser necessário excisá-las e reposicionar o trajeto.

    Minha Abordagem no Lifting Secundário

    Quando recebo um paciente para lifting de revisão, minha abordagem é metódica e personalizada:

    Avaliação Detalhada

    Dedico mais tempo à consulta do que em um lifting primário. Preciso entender:

    • Qual técnica foi utilizada na primeira cirurgia (peço relatório cirúrgico quando disponível)
    • Há quanto tempo foi realizada
    • Quais as queixas específicas do paciente
    • Qual a qualidade da pele restante
    • Se existem áreas de fibrose ou aderência significativas
    • Estado das cicatrizes

    Planejamento Cirúrgico Customizado

    Cada lifting secundário é único. Não existe uma abordagem padronizada. Dependendo do caso, posso precisar:

    • Converter para deep plane — se o lifting primário foi superficial, acesso o plano profundo pela primeira vez, liberando os ligamentos e reposicionando o SMAS adequadamente
    • Tratar o pescoço — frequentemente negligenciado na primeira cirurgia, o pescoço precisa de atenção completa com platysmaplastia e remoção de gordura profunda
    • Enxerto de gordura — para restaurar volume perdido e corrigir irregularidades ou depressões criadas pela cirurgia anterior
    • Correção de cicatrizes — excisão e reposicionamento de cicatrizes visíveis, reconstrução de lóbulos distorcidos
    • Correção de hairline — quando a linha do cabelo foi deslocada posteriormente, técnicas de avanço do couro cabeludo podem ser necessárias

    Manejo de Expectativas

    Este é um dos aspectos mais importantes. O paciente que já passou por uma frustração cirúrgica precisa de honestidade absoluta sobre o que é possível alcançar. Na consulta, explico claramente:

    • O que consigo melhorar significativamente
    • O que consigo melhorar parcialmente
    • O que pode não ser possível corrigir completamente

    Essa transparência é essencial para construir uma relação de confiança e para que o paciente tenha expectativas alinhadas com a realidade.

    Problemas Comuns que Corrijo

    A Face “Soprada pelo Vento”

    Este é o estigma clássico do lifting mal feito — a face com aparência de tração lateral excessiva, perda dos sulcos naturais, maçãs do rosto achatadas lateralmente. A correção envolve liberar a tração superficial, entrar no plano profundo para criar sustentação vertical (não lateral), e frequentemente adicionar volume com enxerto de gordura para restaurar a tridimensionalidade.

    Lóbulos da Orelha Distorcidos

    Um achado frequente em liftings primários mal planejados é o lóbulo da orelha puxado para baixo ou aderido à face, perdendo seu contorno natural solto. A correção exige uma técnica específica de reconstrução do lóbulo com enxertos locais.

    Cicatrizes Visíveis ou Alargadas

    Cicatrizes que ficaram largas, brancas demais ou fora do sulco natural indicam que houve tensão excessiva no fechamento ou planejamento inadequado. Na revisão, removo essas cicatrizes e fecho sem tensão, aproveitando a sustentação profunda do deep plane.

    Pescoço Não Tratado

    Muitos pacientes chegam com uma face razoavelmente bem operada mas um pescoço completamente negligenciado. Nestes casos, posso realizar um deep neck lift complementar, frequentemente sem necessidade de refazer todo o lifting facial.

    Tempo de Espera entre Cirurgias

    De forma geral, recomendo aguardar no mínimo 6 a 12 meses entre o lifting primário e a revisão. Esse tempo permite:

    • Maturação completa das cicatrizes internas
    • Resolução de todo o inchaço do primeiro procedimento
    • Estabilização dos tecidos na sua posição final
    • Avaliação realista do resultado obtido

    Em alguns casos, se a queixa é muito específica e pontual, posso intervir antes. Mas a pressa na revisão pode comprometer o resultado.

    Resultados do Lifting Secundário

    Quando bem planejado e executado, o lifting secundário deep plane pode alcançar resultados extraordinários. Tenho pacientes que consideram o resultado da revisão melhor do que esperavam do lifting primário. A transformação de uma face com aspecto operado e artificial para uma face naturalmente rejuvenescida é profundamente gratificante — tanto para o paciente quanto para mim.

    Entretanto, é importante ser realista: nem sempre é possível alcançar o mesmo nível de resultado que um lifting primário deep plane bem feito. As limitações impostas pela cirurgia anterior são reais. Meu compromisso é sempre honesto: oferecer a melhor melhora possível dentro do que a anatomia permite.

    Conclusão

    O lifting facial secundário é um procedimento complexo que exige experiência, conhecimento anatômico profundo e habilidade técnica refinada. Se você passou por um lifting facial e não está satisfeito com o resultado, saiba que existe solução — mas é fundamental escolher um cirurgião com experiência específica em cirurgias de revisão.

    Se você realizou um lifting facial e não está satisfeito com o resultado obtido, agende uma consulta para que eu possa avaliar seu caso com cuidado. Terei transparência total sobre o que é possível melhorar e como podemos alcançar o resultado que você merece.

  • Enxerto de Gordura vs Preenchimento: Quando Usar Cada Um

    Enxerto de Gordura vs Preenchimento: Quando Usar Cada Um

    Duas Ferramentas, Duas Finalidades

    Na cirurgia plástica facial moderna, dispomos de duas grandes opções para restaurar volume no rosto: o enxerto de gordura autóloga e os preenchedores à base de ácido hialurônico. Em minha clínica em Londrina, utilizo ambos com frequência e posso afirmar que cada um tem seu papel bem definido. A questão nunca deveria ser qual é melhor em absoluto, mas sim qual é melhor para cada situação específica.

    Neste artigo, vou detalhar as diferenças, vantagens e indicações de cada técnica para que você chegue à sua consulta com uma compreensão clara do que cada opção oferece.

    Preenchimento com Ácido Hialurônico: O Que É

    Os preenchedores de ácido hialurônico são géis sintéticos injetáveis produzidos em laboratório. O ácido hialurônico é uma molécula naturalmente presente na pele humana, responsável pela hidratação e pelo turgor dos tecidos. Quando injetado, ele adiciona volume imediato e atrai moléculas de água, potencializando o efeito volumétrico.

    Existem dezenas de marcas e formulações disponíveis no mercado brasileiro, cada uma com características reológicas diferentes — viscosidade, coesividade, elasticidade — que as tornam mais adequadas para determinadas regiões e finalidades.

    Vantagens dos Preenchedores

    • Procedimento ambulatorial: realizado no consultório em 20-40 minutos
    • Sem necessidade de centro cirúrgico ou anestesia geral
    • Resultado imediato: o paciente sai do consultório já com o volume desejado
    • Reversível: a hialuronidase dissolve o produto se necessário
    • Recuperação mínima: retorno às atividades no mesmo dia ou no dia seguinte
    • Permite ajustes graduais: pode-se adicionar volume progressivamente ao longo de múltiplas sessões
    • Custo inicial menor

    Limitações dos Preenchedores

    • Resultado temporário: duração de 6 a 18 meses dependendo do produto e da região
    • Custo acumulado: manutenções repetidas ao longo dos anos podem superar o custo de uma cirurgia
    • Volume limitado por sessão: não é ideal para restaurar grandes volumes
    • Risco de migração: o produto pode se deslocar da posição original ao longo do tempo
    • Acúmulo residual: aplicações repetidas podem levar a acúmulo de produto e distorção tecidual
    • Não tem efeito regenerativo: preenche mas não melhora a qualidade do tecido

    Enxerto de Gordura: O Que É

    O enxerto de gordura — ou lipoenxertia facial — é um procedimento cirúrgico no qual gordura é aspirada do próprio corpo do paciente, processada e reinjetada no rosto. É um procedimento mais complexo que o preenchimento, mas oferece vantagens que nenhum material sintético consegue replicar.

    Vantagens do Enxerto de Gordura

    • Resultado duradouro a permanente: a gordura que integra permanece indefinidamente
    • Totalmente biocompatível: sem risco de reação alérgica ou rejeição
    • Efeito regenerativo: as células-tronco da gordura melhoram a qualidade da pele
    • Resultado extremamente natural: textura, cor e comportamento idênticos ao tecido nativo
    • Ideal para grandes volumes: permite restaurar volumes significativos em uma única sessão
    • Investimento único: sem necessidade de manutenção periódica

    Limitações do Enxerto de Gordura

    • Requer centro cirúrgico: é uma cirurgia, com todos os cuidados que isso implica
    • Recuperação mais longa: 1-2 semanas de afastamento social
    • Edema significativo: o rosto fica inchado nas primeiras semanas
    • Resultado não imediato: o resultado final estabiliza em 3-6 meses
    • Reabsorção parcial: nem toda gordura enxertada sobrevive
    • Custo inicial maior

    Quando Indicar Preenchimento

    Na minha prática, indico preenchimento com ácido hialurônico nas seguintes situações:

    • Correções pontuais e sutis: suavizar uma linha específica, um sulco leve, uma assimetria discreta
    • Pacientes que não desejam cirurgia: para quem prefere procedimentos menos invasivos
    • Lábios: para aumento volumétrico labial em pacientes jovens, o preenchimento costuma ser a primeira opção
    • “Test drive” antes do enxerto: para pacientes indecisos, o preenchimento pode mostrar como ficaria o rosto com mais volume antes de optarem pela gordura
    • Retoques pós-cirúrgicos: ajustes finos após um lifting ou enxerto de gordura
    • Pacientes muito magros: sem gordura corporal suficiente para colheita

    Quando Indicar Enxerto de Gordura

    Recomendo o enxerto de gordura quando:

    • A perda de volume é generalizada: quando múltiplas áreas do rosto precisam de restauração volumétrica — têmporas, maçãs do rosto, mandíbula, região periorbital
    • O paciente já realizou múltiplos preenchimentos: em vez de continuar com manutenções infinitas, o enxerto resolve de forma definitiva
    • Combinação com lifting facial: quando o paciente vai realizar um lifting, adicionar o enxerto de gordura no mesmo tempo cirúrgico é extremamente vantajoso
    • Busca por resultado duradouro: pacientes que desejam um investimento único e permanente
    • Melhora da qualidade da pele: o efeito regenerativo das células-tronco é um bônus valioso
    • Volumes maiores: quando é necessário restaurar volumes que seriam excessivos para preenchimento

    A Combinação Inteligente

    Na prática do dia a dia, frequentemente combino as duas técnicas em uma estratégia integrada. Por exemplo:

    • Realizo o enxerto de gordura como base volumétrica principal durante o lifting facial
    • Após a estabilização do resultado (6 meses), avalio se há necessidade de retoques finos com preenchedor
    • Uso o ácido hialurônico para pequenos ajustes de contorno que o enxerto não alcançou perfeitamente

    Essa abordagem sequencial me permite obter o melhor de cada técnica: a durabilidade e naturalidade da gordura como fundação, e a precisão do preenchedor para o acabamento fino.

    A Questão Financeira

    Muitos pacientes tomam a decisão inicial baseando-se no custo de uma sessão de preenchimento versus o custo da cirurgia de enxerto. Essa comparação é enganosa quando analisamos o longo prazo.

    Um paciente de 45 anos que começa a preencher o rosto regularmente vai precisar de manutenção a cada 8-12 meses por potencialmente 20-30 anos. O custo acumulado é substancial. O enxerto de gordura, embora mais caro inicialmente, é um investimento que se paga em poucos anos quando comparado ao preenchimento recorrente.

    Naturalmente, essa análise financeira não deve ser o único critério. A indicação técnica precisa vir primeiro — mas quando ambas as opções são igualmente indicadas, o aspecto financeiro pode ajudar na decisão.

    Riscos Comparados

    Ambos os procedimentos são seguros quando realizados por profissionais qualificados, mas cada um tem seu perfil de riscos:

    Preenchimento

    • Hematoma e edema leve (comum, autolimitado)
    • Nódulos palpáveis (raro, geralmente tratável)
    • Oclusão vascular (raro, complicação séria que exige tratamento imediato)
    • Infecção (muito raro)

    Enxerto de Gordura

    • Edema prolongado (esperado, resolve em semanas)
    • Equimose na face e na área doadora
    • Assimetria (pode necessitar retoque)
    • Cistos oleosos (raros com técnica adequada)
    • Reabsorção excessiva (pode necessitar segunda sessão)

    Minha Filosofia

    Como cirurgião plástico facial, minha abordagem é sempre individualizada. Não existe uma resposta universal para a questão “gordura ou preenchimento”. A melhor escolha depende da quantidade de volume a ser restaurado, das expectativas do paciente, do contexto cirúrgico e de diversos outros fatores que avaliamos juntos na consulta.

    O que posso afirmar com segurança é que ambas as técnicas, quando bem indicadas e bem executadas, produzem resultados excelentes. O segredo está na indicação correta.

    Se você está considerando restaurar o volume do seu rosto e gostaria de saber qual técnica é mais adequada para o seu caso, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar pessoalmente e orientar a melhor estratégia para alcançar um resultado natural e harmonioso.

  • Lifting Facial Masculino: Particularidades e Cuidados

    Lifting Facial Masculino: Particularidades e Cuidados

    O lifting facial não é exclusividade feminina — e essa é uma mensagem que faço questão de transmitir. Nos últimos anos, tenho observado um aumento significativo na procura por rejuvenescimento facial entre homens no meu consultório em Londrina. Executivos, profissionais liberais, empresários — homens que reconhecem que uma aparência descansada e vital impacta positivamente em todas as esferas da vida.

    Entretanto, o lifting facial masculino não é simplesmente o mesmo procedimento realizado em mulheres. Existem diferenças anatômicas, estéticas e técnicas que precisam ser respeitadas para alcançar um resultado natural e masculino. Neste artigo, vou detalhar essas particularidades.

    O Envelhecimento Facial Masculino é Diferente

    Homens e mulheres envelhecem de maneira diferente, e entender essas diferenças é fundamental para o planejamento cirúrgico:

    • Pele mais espessa — a pele masculina é cerca de 20-25% mais grossa que a feminina, com maior densidade de colágeno. Isso pode retardar os sinais iniciais de envelhecimento, mas quando a flacidez se instala, a pele mais pesada tende a cair de forma mais pronunciada
    • Vascularização mais rica — a presença da barba significa maior irrigação sanguínea na face, o que tem implicações para o risco de sangramento durante a cirurgia
    • Estrutura óssea mais proeminente — mandíbula mais angular, arcos zigomáticos mais salientes, o que pode mascarar a flacidez inicial mas também tornar a queda eventual mais perceptível
    • Gordura cervical — homens tendem a acumular mais gordura submentoniana (papada), especialmente após os 45-50 anos
    • Padrão de envelhecimento diferente — enquanto mulheres frequentemente apresentam flacidez mais difusa, homens costumam mostrar sinais mais localizados: jowls pesados e pescoço com papada

    O Desafio das Incisões: A Barba Muda Tudo

    O planejamento das incisões é onde o lifting masculino mais difere do feminino. Em mulheres, as incisões seguem um trajeto padrão que se esconde facilmente na linha do cabelo e ao redor da orelha. Em homens, a presença da barba cria desafios únicos.

    O Problema da Barba Deslocada

    Se as incisões forem planejadas de forma idêntica ao lifting feminino, o resultado pode ser desastroso: pelos de barba podem ser transplantados para dentro do canal auditivo ou para a região retroauricular, criando uma situação antinatural e desconfortável. Imagine ter que fazer a barba dentro da orelha — é exatamente o que pode acontecer com um planejamento inadequado.

    Minha Abordagem

    No lifting masculino, modifico o trajeto das incisões cuidadosamente:

    • A incisão pré-auricular segue a borda da pele não barbada, respeitando a zona de transição entre barba e pele glabra
    • Evito deslocar pele com pelos para áreas onde não deveria haver barba
    • A incisão retroauricular é posicionada de forma a não transplantar folículos pilosos para o sulco retroauricular
    • A extensão para a linha do cabelo respeita a linha de implantação temporal masculina, que é diferente da feminina

    Esse cuidado no planejamento é o que diferencia um resultado natural de um resultado que denuncia a cirurgia.

    A Técnica Deep Plane no Homem

    A técnica deep plane é igualmente indicada — e eu diria até mais importante — no lifting masculino. Como a pele do homem é mais pesada, qualquer técnica que dependa primariamente da tração cutânea para sustentação está fadada ao fracasso precoce. O peso da pele masculina simplesmente vence a resistência dos pontos em poucos anos.

    No deep plane, a sustentação vem das camadas profundas — SMAS e ligamentos reposicionados. A pele pesada masculina é apenas redistribuída, sem tensão. Isso garante:

    • Cicatrizes finas mesmo com pele espessa
    • Resultado duradouro apesar do peso da pele
    • Aparência natural sem aspecto de “esticado”

    A Questão Hemorrágica

    Um aspecto técnico que merece atenção é o maior risco de sangramento no lifting masculino. A vascularização mais rica da face masculina, relacionada aos folículos da barba, implica em:

    • Hemostasia meticulosa — durante a cirurgia, dedico atenção extra ao controle de sangramentos pontuais
    • Drenos — em homens, utilizo drenos aspirativos com mais frequência que em mulheres, para prevenir hematomas
    • Controle pressórico rigoroso — a pressão arterial deve ser mantida sob controle estrito no pós-operatório imediato
    • Curativo compressivo adequado — adaptado à anatomia masculina

    Com esses cuidados, a taxa de hematoma no lifting masculino na minha prática é baixa, mas é importante que o paciente saiba que o risco é estatisticamente maior que no lifting feminino.

    O Cabelo e a Linha de Implantação

    Outro aspecto crucial é a linha capilar. Muitos homens que buscam o lifting já apresentam algum grau de calvície — entradas, rarefação temporal ou coroa. Isso afeta diretamente o planejamento cirúrgico:

    • Incisões na linha do cabelo devem ser extremamente discretas, pois podem ser visíveis se houver rarefação
    • Em alguns casos, opto por incisões ligeiramente diferentes das que usaria em mulheres para minimizar a visibilidade
    • O cabelo curto masculino é menos forgiving que o cabelo feminino para camuflar cicatrizes

    Discuto abertamente esses pontos na consulta, inclusive pedindo que o paciente venha com o corte de cabelo habitual para que eu possa planejar as incisões considerando o comprimento real que ele usa no dia a dia.

    O Que o Homem Busca vs O Que a Mulher Busca

    Embora o objetivo geral seja o mesmo — rejuvenescimento natural — existem nuances nas expectativas masculinas:

    • Masculinidade preservada — o resultado deve manter ou até reforçar traços masculinos como mandíbula angular e pescoço definido
    • Discrição absoluta — homens, em geral, são ainda mais enfáticos quanto ao desejo de que ninguém perceba que houve cirurgia
    • Aparência de vigor — mais do que “jovem”, o homem quer parecer “vital” e “descansado”
    • Foco no pescoço — muitos homens mencionam a papada como queixa principal, enquanto mulheres frequentemente focam mais nos jowls e no terço médio

    Respeitar essas expectativas é fundamental. Um lifting masculino que feminiliza os traços — suavizando demais a mandíbula ou criando uma aparência “lisa” demais — é um resultado inadequado, mesmo que tecnicamente bem executado.

    Procedimentos Complementares no Homem

    Frequentemente combino o lifting com procedimentos que otimizam o resultado masculino:

    • Deep neck lift com platysmaplastia — essencial para a maioria dos homens, dado o acúmulo cervical frequente
    • Lipoaspiração submentoniana — para definir o contorno cervical
    • Blefaroplastia — pálpebras pesadas são uma queixa muito comum entre homens
    • Mentoplastia — quando o queixo é pouco projetado, o implante mentoniano complementa lindamente o resultado cervicofacial

    Recuperação: O Que Muda para o Homem

    A recuperação do lifting masculino segue o mesmo cronograma geral do feminino, com algumas particularidades:

    • Barba: não raspar a face nos primeiros 10-14 dias. Após liberação, usar barbeador elétrico suavemente. Lâmina só após 3-4 semanas
    • Equimoses: homens não costumam usar maquiagem para camuflar, então o planejamento de afastamento social pode precisar ser um pouco maior
    • Exercícios: especialmente importante evitar esforço físico intenso nas primeiras 3 semanas — a pressão arterial elevada em homens durante exercício é um fator de risco para hematoma tardio
    • Retorno ao trabalho: para trabalho de escritório, 10-14 dias. Para trabalho com exposição pública, 2-3 semanas

    O Estigma Está Mudando

    Ainda existe certo tabu em torno de homens realizando cirurgia plástica facial, mas isso está mudando rapidamente. Na minha prática, o perfil do paciente masculino de lifting é tipicamente um homem bem-sucedido, pragmático, que vê a cirurgia como um investimento em si mesmo — não diferente de cuidar da saúde, da forma física ou do guarda-roupa.

    Vários dos meus pacientes masculinos de lifting são indicados por outros pacientes homens — o que mostra que, quando o resultado é natural e satisfatório, o preconceito inicial dá lugar ao reconhecimento do benefício.

    Conclusão

    O lifting facial masculino é um procedimento com nuances próprias que exige experiência e conhecimento das diferenças anatômicas e estéticas entre homens e mulheres. Quando bem planejado e executado com técnica deep plane, o resultado é um rejuvenescimento discreto, natural e que preserva — e até acentua — a masculinidade dos traços.

    Se você é homem e nota que sua face e pescoço já não transmitem a energia e vitalidade que sente, agende uma consulta. A conversa é discreta e objetiva, e terei prazer em avaliar o que pode ser feito de forma personalizada para o seu caso.