O lifting facial secundário — também chamado de lifting de revisão — é uma das cirurgias mais desafiadoras e gratificantes que realizo. Recebo no meu consultório em Londrina pacientes de todo o Brasil que passaram por um lifting facial prévio e ficaram insatisfeitos com o resultado. São histórias que escuto com atenção e empatia, porque sei o quanto é frustrante investir em uma cirurgia e não alcançar o resultado esperado.
Neste artigo, quero explicar o que é o lifting secundário, quando ele é indicado, quais os principais desafios técnicos envolvidos, e como consigo, na maioria dos casos, transformar uma frustração em satisfação.
Por Que um Lifting Pode Precisar de Revisão
Existem diversas razões pelas quais um paciente pode precisar de um segundo lifting facial:
1. Técnica Inadequada na Primeira Cirurgia
Esta é, infelizmente, a causa mais comum que vejo. Muitos pacientes foram operados com técnicas superficiais — SMAS plication ou SMASectomy limitada — que simplesmente não oferecem a longevidade e a qualidade de resultado do deep plane. Após 2 a 5 anos, o resultado começa a regredir significativamente.
2. Envelhecimento Natural
Mesmo um lifting bem executado tem sua durabilidade. Após 10 a 15 anos de um excelente resultado, o envelhecimento contínuo pode justificar uma revisão. Nesses casos, a cirurgia secundária costuma ser mais simples, pois a base estrutural do primeiro procedimento ainda oferece algum suporte.
3. Aspecto “Operado” ou Artificial
Infelizmente, alguns pacientes chegam com faces que denunciam a cirurgia: pele excessivamente esticada, aspecto de “soprado pelo vento”, lóbulos da orelha distorcidos, cicatrizes visíveis ou hairline deslocada. Nesses casos, o objetivo da revisão é não apenas rejuvenescer, mas corrigir a artificialidade.
4. Assimetrias ou Irregularidades
Contorno mandibular assimétrico, excesso de pele residual de um lado, ou depressões e irregularidades no pescoço podem necessitar de correção cirúrgica.
5. Pescoço Não Tratado Adequadamente
Muitos liftings primários focam exclusivamente na face, negligenciando o pescoço. O resultado é uma face rejuvenescida com um pescoço que denuncia a idade — uma dissonância que incomoda profundamente o paciente.
Os Desafios Técnicos do Lifting Secundário
O lifting de revisão é significativamente mais complexo que um lifting primário, e nem todo cirurgião está preparado para realizá-lo. As razões incluem:
Anatomia Alterada
A cirurgia prévia modificou os planos anatômicos normais. Existe fibrose (cicatrização interna), os planos de dissecção podem estar aderidos, e as referências anatômicas habituais podem estar deslocadas. É como operar um território desconhecido — preciso reconstruir mentalmente o mapa anatômico de cada paciente.
Risco Aumentado para o Nervo Facial
O nervo facial — responsável pela movimentação da face — pode estar mais vulnerável em uma reoperação. A fibrose da cirurgia anterior pode ter alterado sua relação com os tecidos ao redor, tornando sua identificação e preservação mais difíceis. Experiência em anatomia facial profunda é absolutamente essencial nesse cenário.
Pele Já Comprometida
Se a primeira cirurgia removeu pele em excesso ou esticou demais, a reserva cutânea disponível para redistribuição é menor. Em casos extremos, pode não haver pele suficiente para fechar sem tensão, exigindo criatividade e planejamento cuidadoso.
Cicatrizes Prévias
As cicatrizes da primeira cirurgia precisam ser incorporadas no planejamento. Idealmente, as novas incisões seguem as cicatrizes existentes para não criar novas marcas. Quando as cicatrizes anteriores estão mal posicionadas, pode ser necessário excisá-las e reposicionar o trajeto.
Minha Abordagem no Lifting Secundário
Quando recebo um paciente para lifting de revisão, minha abordagem é metódica e personalizada:
Avaliação Detalhada
Dedico mais tempo à consulta do que em um lifting primário. Preciso entender:
- Qual técnica foi utilizada na primeira cirurgia (peço relatório cirúrgico quando disponível)
- Há quanto tempo foi realizada
- Quais as queixas específicas do paciente
- Qual a qualidade da pele restante
- Se existem áreas de fibrose ou aderência significativas
- Estado das cicatrizes
Planejamento Cirúrgico Customizado
Cada lifting secundário é único. Não existe uma abordagem padronizada. Dependendo do caso, posso precisar:
- Converter para deep plane — se o lifting primário foi superficial, acesso o plano profundo pela primeira vez, liberando os ligamentos e reposicionando o SMAS adequadamente
- Tratar o pescoço — frequentemente negligenciado na primeira cirurgia, o pescoço precisa de atenção completa com platysmaplastia e remoção de gordura profunda
- Enxerto de gordura — para restaurar volume perdido e corrigir irregularidades ou depressões criadas pela cirurgia anterior
- Correção de cicatrizes — excisão e reposicionamento de cicatrizes visíveis, reconstrução de lóbulos distorcidos
- Correção de hairline — quando a linha do cabelo foi deslocada posteriormente, técnicas de avanço do couro cabeludo podem ser necessárias
Manejo de Expectativas
Este é um dos aspectos mais importantes. O paciente que já passou por uma frustração cirúrgica precisa de honestidade absoluta sobre o que é possível alcançar. Na consulta, explico claramente:
- O que consigo melhorar significativamente
- O que consigo melhorar parcialmente
- O que pode não ser possível corrigir completamente
Essa transparência é essencial para construir uma relação de confiança e para que o paciente tenha expectativas alinhadas com a realidade.
Problemas Comuns que Corrijo
A Face “Soprada pelo Vento”
Este é o estigma clássico do lifting mal feito — a face com aparência de tração lateral excessiva, perda dos sulcos naturais, maçãs do rosto achatadas lateralmente. A correção envolve liberar a tração superficial, entrar no plano profundo para criar sustentação vertical (não lateral), e frequentemente adicionar volume com enxerto de gordura para restaurar a tridimensionalidade.
Lóbulos da Orelha Distorcidos
Um achado frequente em liftings primários mal planejados é o lóbulo da orelha puxado para baixo ou aderido à face, perdendo seu contorno natural solto. A correção exige uma técnica específica de reconstrução do lóbulo com enxertos locais.
Cicatrizes Visíveis ou Alargadas
Cicatrizes que ficaram largas, brancas demais ou fora do sulco natural indicam que houve tensão excessiva no fechamento ou planejamento inadequado. Na revisão, removo essas cicatrizes e fecho sem tensão, aproveitando a sustentação profunda do deep plane.
Pescoço Não Tratado
Muitos pacientes chegam com uma face razoavelmente bem operada mas um pescoço completamente negligenciado. Nestes casos, posso realizar um deep neck lift complementar, frequentemente sem necessidade de refazer todo o lifting facial.
Tempo de Espera entre Cirurgias
De forma geral, recomendo aguardar no mínimo 6 a 12 meses entre o lifting primário e a revisão. Esse tempo permite:
- Maturação completa das cicatrizes internas
- Resolução de todo o inchaço do primeiro procedimento
- Estabilização dos tecidos na sua posição final
- Avaliação realista do resultado obtido
Em alguns casos, se a queixa é muito específica e pontual, posso intervir antes. Mas a pressa na revisão pode comprometer o resultado.
Resultados do Lifting Secundário
Quando bem planejado e executado, o lifting secundário deep plane pode alcançar resultados extraordinários. Tenho pacientes que consideram o resultado da revisão melhor do que esperavam do lifting primário. A transformação de uma face com aspecto operado e artificial para uma face naturalmente rejuvenescida é profundamente gratificante — tanto para o paciente quanto para mim.
Entretanto, é importante ser realista: nem sempre é possível alcançar o mesmo nível de resultado que um lifting primário deep plane bem feito. As limitações impostas pela cirurgia anterior são reais. Meu compromisso é sempre honesto: oferecer a melhor melhora possível dentro do que a anatomia permite.
Conclusão
O lifting facial secundário é um procedimento complexo que exige experiência, conhecimento anatômico profundo e habilidade técnica refinada. Se você passou por um lifting facial e não está satisfeito com o resultado, saiba que existe solução — mas é fundamental escolher um cirurgião com experiência específica em cirurgias de revisão.
Se você realizou um lifting facial e não está satisfeito com o resultado obtido, agende uma consulta para que eu possa avaliar seu caso com cuidado. Terei transparência total sobre o que é possível melhorar e como podemos alcançar o resultado que você merece.

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