Em resumo: qual anestesia é usada no lifting facial?
Faço o lifting facial no hospital, com anestesia geral venosa total (TIVA), usando propofol e remifentanil, como em quase todas as minhas cirurgias. TIVA é uma forma de conduzir a anestesia geral, não uma sedação leve. O anestesiologista avalia sua saúde, seus medicamentos e o plano cirúrgico completo, e nenhum nome de anestesia, sozinho, define o que é mais seguro para cada pessoa.
- Local: age só na área onde é aplicada e pode fazer parte de um plano maior.
- Sedação: altera a consciência em graus variados e pode ficar mais profunda que o previsto.
- TIVA: anestesia geral mantida por medicamentos na veia, sem gases inalatórios.
- Enjoo: numa revisão de 229 ensaios, o propofol reduziu náuseas e vômitos em comparação com os gases.
- GLP-1: na minha rotina, suspensão três semanas antes, planejada com o médico que prescreveu.
- Avaliação: medicamentos, doenças e experiências anteriores com anestesia entram no plano.
O guia de lifting facial deep plane explica a cirurgia, o hospital e a recuperação. Neste artigo, esclareço os termos de anestesia, os receios mais comuns e as perguntas que vale levar à avaliação anestésica.
O nome da anestesia é só o começo da conversa
É compreensível querer saber se vai dormir, sentir alguma coisa ou acordar com enjoo. Prefiro que essas dúvidas apareçam antes da cirurgia, quando temos tempo de explicar o plano. Você não precisa escolher um medicamento nem chegar à consulta defendendo determinada modalidade.
Como cirurgião, explico o tratamento que proponho e suas etapas. O anestesiologista avalia o que esse procedimento exige do ponto de vista anestésico, conversa sobre as possibilidades e conduz o cuidado durante a operação. O planejamento não se resume a liberar a cirurgia porque os exames vieram normais.
Se uma experiência anterior foi difícil, conte o que lembra dela: enjoo, medo, dor de garganta, dificuldade para puncionar a veia ou algo que lhe disseram depois. Quando houver um relatório, leve-o. Uma informação específica ajuda mais do que classificar tudo como “alergia à anestesia”.
Quatro conceitos para entender sem confundir
Anestesia local
Age na área onde é aplicada e não deixa você inconsciente. Pode participar de um plano com outras modalidades; ouvir que haverá anestésico local não significa que a operação será feita com você acordado [1].
Sedação
Modifica o nível de consciência em graus diferentes. A sedação profunda pode exigir ajuda para manter a respiração e a via aérea, e a equipe precisa estar preparada se o efeito for mais profundo do que o previsto [2].
Anestesia geral
Produz perda de consciência, com monitorização e suporte apropriados. É a modalidade do meu lifting. A avaliação define os medicamentos e os recursos necessários; não existe a mesma receita anestésica para todos [1][2].
Anestesia geral venosa total (TIVA)
A anestesia geral é mantida com medicamentos pela veia, em vez de agentes inalatórios; no meu lifting, propofol e remifentanil. Continua sendo anestesia geral: a via de administração não dispensa avaliação prévia, monitorização nem cuidado com a respiração [3].
Sedação não é uma anestesia geral “mais fraca”
A classificação da American Society of Anesthesiologists considera a resposta da pessoa, sua respiração e outras funções. Os níveis de sedação e a anestesia geral formam uma progressão, e a resposta individual pode ultrapassar o nível planejado; por isso a equipe precisa estar preparada para reconhecer e tratar esse aprofundamento [2].
Para você, a pergunta útil é qual plano será usado na sua cirurgia e por quê. Evitar a palavra “geral” não elimina riscos. Também não consigo julgar o planejamento de outra equipe apenas pela expressão usada em uma propaganda.
Se o receio principal for permanecer consciente, diga isso ao anestesiologista. Se for perder o controle ou ter uma reação, explique dessa maneira. São preocupações distintas e merecem respostas específicas.
O que os estudos dizem sobre TIVA e enjoo
Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2018 incluiu 229 ensaios randomizados, com 20.991 pacientes, comparando a manutenção da anestesia com propofol e com agentes inalatórios. O risco de náuseas e vômitos foi menor com propofol [3]. Dois dos autores trabalhavam para um fabricante de propofol, informação que vale ter em mente ao ler o resultado.
Esse resultado tem limites. A revisão reuniu operações e populações diferentes, com busca de estudos até 2016, e não avaliou especificamente o lifting deep plane. Menos enjoo também não significa menor risco de todas as complicações anestésicas, e uma média de grupo não prevê como você vai acordar.
Por isso, não apresento a TIVA como promessa de acordar sem desconforto. O estudo informa a conversa; não substitui o anestesiologista nem prevê sua recuperação.
Informações que ajudam a preparar a avaliação
Leve uma lista atual dos medicamentos, suplementos e produtos que usa, inclusive os ocasionais. Informe problemas de saúde, tratamentos em andamento e experiências anestésicas anteriores; o Royal College of Anaesthetists destaca a importância de reunir essas informações antes da operação [1].
Anote o nome de cada produto e como costuma usá-lo; uma foto da embalagem também ajuda. Não retire um item da lista por achar que ele não tem relação com a cirurgia: deixe que a equipe avalie.
Conte também o que mudou desde a consulta inicial: um novo tratamento, um problema de saúde ou uma orientação de outro médico. Se recebeu instruções diferentes de profissionais distintos, peça que sejam conciliadas antes de decidir qual seguir.
GLP-1, jejum e medicamentos: evite regras emprestadas
Quem usa medicamentos para diabetes ou emagrecimento deve informar isso com antecedência. A orientação multissocietária divulgada pela ASA em 2024 enfatiza decisões individualizadas para os agonistas de GLP-1, considerando sintomas gastrointestinais e fase de ajuste da dose [4].
Na minha rotina de preparo, peço a suspensão dos agonistas de GLP-1 três semanas antes da cirurgia. É o protocolo da nossa equipe, não um prazo universal da diretriz. Planeje a suspensão com o anestesiologista e com o médico que prescreveu o tratamento, especialmente se você tem diabetes, e confirme quando poderá retomá-lo.
O jejum é total, inclusive de água, nas 8 horas antes da cirurgia; remédio de pressão ou de tireoide pode ser tomado com um copinho de água, se essa for a sua orientação. As orientações pré-operatórias reúnem as demais etapas do preparo; a prescrição individual tem prioridade. Se surgir uma dúvida na véspera, entre em contato em vez de improvisar, e, se alguma orientação não foi seguida, informe com clareza.
E quando o lifting inclui outros procedimentos?
O anestesiologista precisa conhecer o plano cirúrgico completo. Se o lifting incluir pescoço, pálpebras ou enxerto de gordura, essa informação faz parte da avaliação, porque muda a duração da cirurgia.
Na consulta, explico por que proponho cada etapa e quais alternativas existem. O artigo sobre quando combinar procedimentos com o lifting facial aprofunda essa decisão. Se ainda estiver em dúvida sobre um procedimento associado, diga isso antes: o consentimento precisa corresponder ao plano que será realizado.
O despertar também faz parte do cuidado
Depois da operação, você fica cerca de duas horas na recuperação pós-anestésica antes de voltar ao quarto. Abrir os olhos não significa estar pronto para ir embora [1]: no lifting, a alta costuma ser na manhã seguinte, depois da minha avaliação.
Se estiver com náusea, avise. Existem medidas de prevenção e tratamento, e um histórico de enjoo após anestesia deve ser relatado antes da cirurgia para que esse cuidado seja planejado [5].
O despertar da anestesia é uma etapa; a recuperação dos tecidos operados é outra. Uma experiência anestésica confortável não dispensa repouso, retornos e orientações cirúrgicas. A jornada do paciente e o artigo sobre dor após o lifting e sinais de alerta acompanham esse percurso.
Perguntas para levar ao anestesiologista
- Qual é o plano anestésico proposto para a minha operação e o que motivou essa escolha?
- Alguma informação do meu histórico ou dos meus medicamentos exige preparo adicional?
- Como devo proceder com cada medicamento e com o jejum?
- Meu histórico de enjoo ou de outra dificuldade com anestesia muda algum cuidado?
- O que devo comunicar se minha saúde ou meu tratamento mudar antes da data marcada?
Perguntas frequentes
TIVA é o mesmo que sedação?
Não. TIVA é uma forma de manter a anestesia geral com medicamentos pela veia. Sedação se refere a níveis de alteração da consciência. Receber medicamentos pela veia, por si só, não diz qual desses planos está sendo feito [2][3].
Posso pedir para não fazer anestesia geral?
Você pode e deve comunicar sua preferência e seu receio, mas isso não torna outra modalidade adequada automaticamente. No meu lifting, uso anestesia geral venosa total, com propofol e remifentanil; quero que você entenda a proposta e converse com o anestesiologista antes de decidir.
Quem já passou mal com anestesia precisa desistir do lifting?
Não dá para responder só com essa descrição. Primeiro é preciso esclarecer o que aconteceu, quando, quais registros existem e como está sua saúde hoje. Leve as informações disponíveis; não conclua sozinho que foi uma alergia nem que o episódio é irrelevante.
A anestesia garante que não terei dor depois?
Não. O cuidado durante a operação e o controle da dor depois dela são etapas diferentes. Você recebe medicação e orientações para o pós-operatório; não acrescente remédios por conta própria se tiver dor ou enjoo, e relate os sintomas.
Podemos esclarecer o plano antes de marcar a cirurgia
Se a anestesia é uma das suas preocupações, traga essa questão para a avaliação. Fale com a Isanna para marcar uma consulta comigo e entender as próximas etapas, incluindo o preparo anestésico.
Referências
- Royal College of Anaesthetists. You and your anaesthetic.
- American Society of Anesthesiologists. Statement on Continuum of Depth of Sedation: Definition of General Anesthesia and Levels of Sedation/Analgesia.
- Schraag S, Pradelli L, Alsaleh AJO, Bellone M, Ghetti G, Chung TL, et al. Propofol vs. inhalational agents to maintain general anaesthesia in ambulatory and in-patient surgery: a systematic review and meta-analysis. BMC Anesthesiol. 2018.
- American Society of Anesthesiologists. New Multi-Society GLP-1 Clinical Practice Guidance Released.
- Royal College of Anaesthetists. Risks and side effects – feeling sick and being sick.
