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  • Fat Grafting: Quanto de Gordura Sobrevive? A Ciência Por Trás

    Fat Grafting: Quanto de Gordura Sobrevive? A Ciência Por Trás

    A Pergunta Que Todo Paciente Faz

    “Doutor, quanto dessa gordura vai ficar?” Esta é, sem dúvida, a pergunta mais frequente que recebo quando discuto o enxerto de gordura facial com meus pacientes em Londrina. E é uma pergunta absolutamente pertinente, porque a resposta define expectativas e influencia o planejamento cirúrgico.

    A verdade é que a taxa de sobrevivência da gordura enxertada é um dos temas mais estudados — e debatidos — da cirurgia plástica contemporânea. Décadas de pesquisa nos trouxeram um entendimento muito mais claro do que acontece quando transplantamos gordura de um local para outro, e esse conhecimento nos permite otimizar resultados de forma consistente.

    O Que Acontece Com a Gordura Transplantada

    Quando injetamos gordura em uma nova localização, três destinos são possíveis para cada célula adiposa:

    Sobrevivência e Integração

    As células de gordura que mantêm contato adequado com tecido receptor bem vascularizado conseguem sobreviver ao transplante. Nos primeiros dias, elas dependem de difusão passiva de oxigênio e nutrientes do tecido circundante — um processo chamado de embebição plasmática. Nas semanas seguintes, novos vasos sanguíneos crescem em direção às células enxertadas (neovascularização), estabelecendo uma nutrição definitiva. Essas células sobrevivem permanentemente.

    Morte Celular e Reabsorção

    Células que ficaram muito distantes de fontes de nutrição, que foram danificadas durante a colheita ou que não conseguiram estabelecer nova vascularização morrem e são gradualmente reabsorvidas pelo organismo através de processos inflamatórios controlados.

    Substituição por Tecido Fibroso

    Em algumas situações, células mortas não são completamente reabsorvidas e são substituídas por tecido cicatricial ou formam cistos oleosos. Isso é mais comum quando grandes volumes são injetados em um único ponto, criando bolsões de gordura sem nutrição adequada.

    As Taxas de Sobrevivência: O Que Dizem os Estudos

    A literatura científica mostra uma ampla variação nas taxas de retenção de gordura, o que reflete diferenças significativas nas técnicas utilizadas pelos diversos pesquisadores. No entanto, com técnicas modernas e refinadas, podemos estabelecer faixas bastante confiáveis:

    • Região malar e submalar: 60-80% de retenção — esta é uma das áreas com melhor resultado, devido à boa vascularização e à presença de tecido muscular receptor
    • Têmporas: 50-70% — boa receptividade, especialmente quando a gordura é injetada em plano intramuscular
    • Sulcos nasolabiais: 50-70% — resultados consistentes quando a técnica é adequada
    • Lábios: 40-60% — área de grande mobilidade, o que dificulta um pouco a integração
    • Região periorbital: 50-70% — área delicada que exige técnica muito refinada

    Essas taxas significam que, na prática, devemos planejar uma sobrecorreção inicial calculada. Se desejo um volume final de 10ml em determinada região, injeto entre 12 e 15ml, sabendo que parte será reabsorvida.

    Os Três Fatores Que Mais Influenciam a Sobrevivência

    Após anos realizando enxertos de gordura facial e acompanhando os resultados a longo prazo, identifico três fatores como os mais determinantes para a taxa de sobrevivência:

    1. Técnica de Colheita

    A delicadeza na aspiração da gordura é absolutamente crítica. Aspiração com pressão excessiva rompe as membranas celulares dos adipócitos, destruindo-os antes mesmo de serem transplantados. Utilizo cânulas de pequeno calibre e pressão negativa controlada, o que preserva a integridade celular.

    A técnica de Coleman, desenvolvida pelo Dr. Sydney Coleman de Nova York — um dos pioneiros modernos do fat grafting — enfatiza a colheita atraumática como pilar fundamental para bons resultados, e os dados científicos confirmam essa abordagem.

    2. Técnica de Injeção

    A forma como a gordura é depositada no tecido receptor é tão importante quanto a forma como é colhida. O princípio fundamental é a microenxertia em múltiplos túneis: pequenos volumes de gordura distribuídos em múltiplas passagens de cânula, em diferentes planos teciduais.

    Cada micropartícula de gordura precisa estar rodeada por tecido vascularizado para sobreviver. Quando injetamos grandes bolsões em um único ponto, as células centrais ficam distantes demais de qualquer fonte de nutrição e inevitavelmente morrem.

    3. Qualidade do Leito Receptor

    Áreas bem vascularizadas recebem melhor o enxerto. Tecidos previamente irradiados, cicatriciais ou muito fibróticos oferecem um leito menos favorável. Isso explica, por exemplo, por que a região malar — rica em músculo e vasos — tem taxas de retenção superiores às de áreas mais avasculares.

    O Papel das Células-Tronco

    Um dos avanços mais empolgantes na ciência do fat grafting é a compreensão do papel das células-tronco adiposas (ADSCs — Adipose-Derived Stem Cells). A gordura não é apenas um tecido de preenchimento — é um reservatório riquíssimo de células-tronco mesenquimais.

    Essas células-tronco têm capacidade de se diferenciar em diversos tipos celulares e, mais importante, secretam fatores de crescimento que estimulam a formação de novos vasos sanguíneos, reduzem a inflamação e promovem a regeneração tecidual.

    Estudos recentes demonstram que o enriquecimento do enxerto com células-tronco — técnica conhecida como CAL (Cell-Assisted Lipotransfer) — pode melhorar as taxas de retenção. Embora essa técnica ainda esteja sendo refinada, ela representa o futuro do fat grafting.

    Processamento da Gordura: Os Diferentes Métodos

    Após a colheita, a gordura precisa ser processada para remoção de componentes indesejados. Os principais métodos são:

    Centrifugação

    Popularizada por Coleman, consiste em centrifugar o aspirado para separar a gordura viável do óleo, sangue e líquido infiltrado. É um método eficiente e amplamente utilizado.

    Decantação e Lavagem

    A gordura é deixada em repouso para que os componentes se separem por gravidade, seguida de lavagem com solução salina. É mais suave que a centrifugação e pode preservar melhor as células-tronco.

    Filtragem

    Sistemas de filtragem permitem separar a gordura por tamanho de partícula, retendo os adipócitos viáveis e deixando passar os componentes líquidos.

    Na minha prática, utilizo uma combinação de decantação e lavagem que desenvolvemos ao longo dos anos e que tem nos dado resultados consistentemente bons.

    Evolução Temporal do Resultado

    Entender a linha do tempo do resultado é fundamental para que o paciente não se preocupe desnecessariamente nos primeiros meses:

    • Semana 1: inchaço significativo — o rosto parece “cheio demais”. Isso é esperado
    • Semanas 2-4: o edema começa a diminuir, mas o rosto ainda está inchado
    • Meses 1-3: resolução progressiva do inchaço. A gordura que não sobreviveu começa a ser reabsorvida
    • Meses 3-6: estabilização do resultado. O volume final começa a se definir
    • Meses 6-12: resultado definitivo. A gordura remanescente está completamente integrada e vascularizada

    É comum o paciente passar por uma fase de preocupação entre o segundo e o quarto mês, quando sente que o rosto “diminuiu demais”. Na maioria dos casos, o resultado final é excelente — apenas parecia mais volumoso no início devido ao edema.

    Retoques: Quando São Necessários?

    Em minha experiência, cerca de 15-20% dos pacientes podem beneficiar-se de uma segunda sessão de enxerto para otimizar o resultado. Isso geralmente acontece quando:

    • A perda volumétrica inicial era muito severa
    • A taxa de retenção ficou abaixo do esperado em alguma região
    • O paciente deseja um resultado ainda mais volumoso

    A segunda sessão, quando necessária, é geralmente menor e mais direcionada. Costuma ter taxa de retenção superior à primeira, possivelmente porque o leito receptor já está “preparado” pelo primeiro enxerto.

    Minha Experiência Pessoal

    Ao longo de anos realizando enxertos de gordura facial, minha taxa média de retenção tem se mantido consistentemente entre 60% e 75%, o que considero excelente e alinhado com os melhores resultados da literatura. Atribuo isso ao rigor técnico em cada etapa e à seleção criteriosa dos pacientes.

    O fat grafting, quando bem executado, é um dos procedimentos mais gratificantes que realizo. A combinação de resultado natural, durabilidade e efeito regenerativo sobre a pele faz dele uma ferramenta insubstituível no arsenal do cirurgião plástico facial moderno.

    Se você gostaria de entender como o enxerto de gordura pode beneficiar seu rosto, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar suas necessidades e explicar detalhadamente como a técnica funciona e que resultados podemos esperar no seu caso.

  • Enxerto de Gordura Facial: Rejuvenescimento Natural e Duradouro

    Enxerto de Gordura Facial: Rejuvenescimento Natural e Duradouro

    O Poder Rejuvenescedor da Sua Própria Gordura

    Existe algo profundamente elegante em usar o próprio tecido do paciente para rejuvenescer seu rosto. O enxerto de gordura facial — também chamado de lipoenxertia ou fat grafting — é uma das técnicas que mais utilizo na minha prática em Londrina, seja como procedimento isolado ou, mais frequentemente, como complemento poderoso ao lifting facial deep plane.

    A premissa é simples: colhemos gordura de uma área onde ela sobra (geralmente abdome, flancos ou face interna das coxas), processamos essa gordura de forma cuidadosa e a reinjetamos no rosto, em regiões onde o volume foi perdido pelo envelhecimento. O resultado é um rejuvenescimento que vai muito além do que qualquer preenchedor sintético pode oferecer.

    Por Que Perdemos Volume Facial?

    O envelhecimento facial não é apenas uma questão de pele frouxa e rugas. Uma parte importantíssima — e frequentemente negligenciada — do processo é a perda de volume. Com o passar dos anos, perdemos gordura facial em compartimentos específicos, e essa perda segue um padrão previsível:

    • Região malar (maçãs do rosto): a perda de gordura aqui faz as bochechas “caírem”, aprofundando o sulco nasolabial
    • Têmporas: o afinamento temporal dá ao rosto uma aparência esqueletizada e envelhecida
    • Região periorbital: a perda de gordura ao redor dos olhos contribui para olheiras profundas e aspecto cansado
    • Lábios e região perioral: afinamento labial e perda de definição
    • Linha da mandíbula: perda de definição do contorno mandibular

    Simultaneamente, a reabsorção óssea do esqueleto facial retira o suporte estrutural sobre o qual esses compartimentos de gordura repousavam. É como se o terreno sobre o qual a casa foi construída estivesse cedendo.

    O Que Torna o Enxerto de Gordura Especial

    Trabalho com preenchedores de ácido hialurônico e com enxerto de gordura, e cada um tem suas indicações. Porém, o enxerto de gordura oferece vantagens únicas que o tornam, na minha opinião, o padrão-ouro para restauração volumétrica facial significativa:

    Biocompatibilidade Perfeita

    A gordura é tecido autólogo — vem do próprio paciente. Não existe risco de reação alérgica, rejeição ou formação de granuloma. O corpo reconhece a gordura enxertada como sua porque ela é genuinamente sua.

    Resultado Natural

    A gordura enxertada se integra aos tecidos do rosto de forma que nenhum material sintético consegue replicar. Ela se move naturalmente com as expressões faciais, tem a mesma textura e temperatura do tecido circundante e envelhece junto com o paciente.

    Efeito Regenerativo

    Este é talvez o aspecto mais fascinante. A gordura contém células-tronco mesenquimais e fatores de crescimento que têm efeito regenerativo sobre os tecidos adjacentes. Pacientes que recebem enxerto de gordura frequentemente relatam melhora na qualidade da pele — mais luminosidade, mais elasticidade, melhor textura — mesmo em áreas onde a gordura não foi diretamente injetada.

    Esse efeito regenerativo é algo que nenhum preenchedor sintético oferece, e os estudos científicos sobre o tema são cada vez mais promissores.

    Durabilidade Superior

    Enquanto preenchedores de ácido hialurônico são absorvidos em 6 a 18 meses, a gordura enxertada que sobrevive ao processo de integração permanece indefinidamente. Ela se torna parte do rosto do paciente de forma permanente.

    A Técnica: Como Realizo o Enxerto de Gordura

    O sucesso do fat grafting depende fundamentalmente da técnica. Cada etapa precisa ser executada com precisão para maximizar a sobrevivência da gordura transplantada.

    Etapa 1: Colheita da Gordura

    A gordura é aspirada de uma área doadora através de cânulas finas, usando pressão negativa suave. A escolha da área doadora depende de onde o paciente tem gordura disponível — abdome inferior, flancos e face interna das coxas são os locais mais comuns.

    Um detalhe técnico crucial: a aspiração deve ser delicada. Sucção muito agressiva danifica as células de gordura (adipócitos) e reduz drasticamente a taxa de sobrevivência do enxerto.

    Etapa 2: Processamento

    A gordura colhida contém não apenas adipócitos viáveis, mas também sangue, líquido anestésico, óleo (de células rompidas) e debris celulares. Tudo isso precisa ser separado para obtermos um enxerto de qualidade.

    Utilizo a técnica de decantação e lavagem, que preserva a viabilidade celular enquanto remove os componentes indesejados. O resultado é uma gordura concentrada, rica em adipócitos saudáveis e em células-tronco.

    Etapa 3: Reinjeção

    Esta é a etapa mais técnica e artística do procedimento. A gordura é injetada em múltiplas camadas e em pequenas quantidades de cada vez — técnica que chamamos de “microenxertia em múltiplos túneis”.

    O princípio é que cada pequena parcela de gordura injetada precisa ficar em contato íntimo com tecido vascularizado para receber oxigênio e nutrientes enquanto novos vasos sanguíneos se formam. Se injetarmos grandes bolsões de gordura, o centro do bolsão não recebe nutrição adequada, morre e é reabsorvido.

    A distribuição precisa em diferentes planos — subcutâneo profundo, subcutâneo superficial e intramuscular — permite criar volume de forma homogênea e natural.

    Áreas Que Mais Se Beneficiam

    Na face, as regiões que mais se beneficiam do enxerto de gordura são:

    • Região malar: restaura a proeminência das maçãs do rosto, suaviza o sulco nasolabial
    • Têmporas: corrige o afinamento temporal, devolvendo convexidade jovem a essa região
    • Sulcos nasolabiais: suaviza os “bigodes chineses” profundos
    • Região mandibular: melhora a definição do contorno mandibular
    • Lábios: volume sutil e duradouro
    • Região periorbital: melhora olheiras profundas e depressão infraorbitária
    • Fronte: corrige irregularidades e restaura convexidade frontal

    Enxerto de Gordura + Lifting Facial: A Combinação Ideal

    Na minha prática, a combinação mais poderosa para rejuvenescimento facial é o lifting facial deep plane associado ao enxerto de gordura. São procedimentos complementares que abordam diferentes aspectos do envelhecimento:

    • O lifting reposiciona os tecidos caídos e elimina o excesso de pele
    • O enxerto de gordura restaura o volume perdido e melhora a qualidade da pele

    Juntos, produzem um resultado que é significativamente superior ao que qualquer um dos dois procedimentos alcançaria isoladamente. É a abordagem mais completa que a cirurgia plástica moderna oferece para o rejuvenescimento facial.

    Recuperação e Expectativas

    A recuperação do enxerto de gordura facial é relativamente tranquila. O inchaço é o principal efeito nos primeiros dias — o rosto fica visivelmente edemaciado, o que é normal e esperado. Equimoses podem ocorrer tanto na face quanto na área doadora.

    A maior parte do edema resolve nas primeiras duas semanas, embora um inchaço residual sutil possa persistir por até três meses. O resultado final estabiliza entre 3 e 6 meses, quando a gordura que sobreviveu ao transplante já está completamente integrada.

    É importante que o paciente entenda que nem toda a gordura injetada sobrevive. A taxa de sobrevivência varia entre 50% e 80%, dependendo da técnica, da área receptora e de fatores individuais. Por isso, frequentemente injeto um volume ligeiramente superior ao desejado, antecipando essa reabsorção parcial.

    Quem É Candidato?

    O candidato ideal ao enxerto de gordura facial é o paciente que apresenta perda de volume facial significativa e possui gordura corporal disponível para doação. Não é necessário ter excesso de peso — mesmo pacientes magros geralmente possuem gordura suficiente no abdome ou nos flancos para um enxerto facial.

    As contraindicações são poucas e incluem pacientes com IMC muito baixo sem gordura disponível para colheita, doenças que comprometam a cicatrização e expectativas irrealistas quanto ao resultado.

    Se você percebe perda de volume no rosto e gostaria de conhecer as possibilidades do enxerto de gordura facial, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar seu caso e explicar como essa técnica pode devolver naturalidade e juventude ao seu rosto.

  • Deep Neck Lift: A Transformação Completa do Pescoço

    Deep Neck Lift: A Transformação Completa do Pescoço

    Se existe uma região do corpo que denuncia a idade de forma implacável, é o pescoço. Enquanto a face pode ser disfarçada com maquiagem ou preenchimentos, o pescoço envelhecido — com pele flácida, bandas musculares visíveis e acúmulo de gordura — é difícil de camuflar. É justamente por isso que o deep neck lift se tornou uma das cirurgias mais transformadoras que realizo no meu consultório em Londrina.

    Neste artigo, vou explicar em detalhes o que é o deep neck lift, como ele difere de uma lipoaspiração cervical simples, e por que eu o considero essencial para quem deseja um rejuvenescimento facial verdadeiramente completo.

    Por Que o Pescoço Envelhece de Forma Tão Visível

    O pescoço possui características anatômicas que o tornam particularmente vulnerável ao envelhecimento:

    • Pele fina — a pele do pescoço é significativamente mais fina que a da face, com menos glândulas sebáceas, o que a torna mais propensa à flacidez
    • Exposição solar crônica — frequentemente esquecido na rotina de proteção solar, o pescoço acumula dano actínico ao longo dos anos
    • Músculo platisma — este músculo superficial do pescoço se afina e se separa na linha média com a idade, criando as famosas “bandas platismais” verticais
    • Gordura submentoniana — acúmulo de gordura sob o queixo que pode ter componente genético, além do envelhecimento
    • Perda de elasticidade — a pele perde sua capacidade de retração, criando o aspecto de “pescoço de peru”

    Essas mudanças combinadas resultam na perda do ângulo cervicomental — aquele ângulo bem definido entre o queixo e o pescoço que é marcador de juventude. Em vez de um contorno nítido, desenvolve-se uma transição gradual e indefinida entre face e pescoço.

    O Que é o Deep Neck Lift

    O deep neck lift é uma cirurgia que vai muito além de simplesmente remover gordura ou puxar pele. É uma abordagem em múltiplas camadas que trata todas as estruturas responsáveis pelo envelhecimento cervical:

    1. Tratamento da Gordura

    Existem dois compartimentos de gordura no pescoço que precisam ser abordados: a gordura subplatismal (abaixo do músculo) e a gordura supraplatismal (acima do músculo). Muitos cirurgiões tratam apenas a gordura superficial com lipoaspiração, o que é insuficiente. No deep neck lift, acesso diretamente a gordura profunda sob visão direta, removendo-a com precisão e sem irregularidades.

    2. Platysmaplastia

    Esta é a etapa que realmente diferencia o deep neck lift de procedimentos cervicais superficiais. O músculo platisma, que se separou na linha média criando bandas, é cuidadosamente suturado de volta ao centro — reconstituindo o que chamamos de “estilingue muscular”. Isso cria sustentação estrutural para o resultado.

    3. Remoção de Glândulas Submandibulares (Quando Indicado)

    Em alguns pacientes, as glândulas submandibulares são proeminentes e contribuem para um contorno cervical irregular. Quando necessário, realizo uma redução parcial dessas glândulas para otimizar o resultado. Essa é uma etapa avançada que requer experiência e conhecimento anatômico preciso.

    4. Redraping da Pele

    Após todo o trabalho nas camadas profundas, a pele é redistribuída sem tensão, com o excesso sendo removido. Como a sustentação vem das estruturas profundas, a pele não precisa ser “esticada” — ela simplesmente se acomoda sobre a nova estrutura.

    Deep Neck Lift vs Lipoaspiração de Papada: Não São a Mesma Coisa

    Preciso enfatizar algo que muitos pacientes confundem: lipoaspiração cervical e deep neck lift são procedimentos completamente diferentes. A lipoaspiração apenas remove gordura superficial — não trata bandas musculares, não aborda gordura profunda, e não cria sustentação estrutural.

    Para um paciente jovem com boa elasticidade de pele e apenas gordura submentoniana localizada, a lipoaspiração pode ser suficiente. Mas para a maioria dos pacientes acima de 40-45 anos, que já apresentam algum grau de flacidez cutânea e separação do platisma, a lipoaspiração isolada vai resultar em um resultado decepcionante — ou até piorar a aparência, criando pele solta após a remoção da gordura.

    A Combinação Ideal: Deep Plane Lifting + Deep Neck Lift

    Na minha prática, raramente realizo um deep neck lift isoladamente. Na maioria dos casos, ele é parte integrante de um lifting facial deep plane completo. A razão é lógica: o pescoço e a face envelhecem juntos, e tratá-los separadamente pode criar uma desarmonia — um pescoço jovem com uma face envelhecida, ou vice-versa.

    Quando combino o deep plane lifting com o deep neck lift, o resultado é um rejuvenescimento harmonioso e completo: mandíbula definida, pescoço esculpido, ângulo cervicomental nítido, e uma transição suave entre face e pescoço.

    Quem é Candidato ao Deep Neck Lift

    Considero bons candidatos pacientes que apresentam:

    • Bandas platismais visíveis — aquelas cordas verticais no pescoço que ficam mais evidentes ao contrair o músculo
    • Acúmulo de gordura submentoniana — a famosa “papada”, especialmente quando há componente profundo
    • Perda do ângulo cervicomental — indefinição do contorno entre queixo e pescoço
    • Flacidez cervical moderada a significativa — pele solta no pescoço que não responde a tratamentos não invasivos
    • Insatisfação com resultado de lipoaspiração prévia — pacientes que fizeram lipo de papada mas ficaram com pele flácida

    A Influência da Anatomia

    Alguns fatores anatômicos influenciam o resultado do deep neck lift. Pacientes com boa projeção do queixo (mento) tendem a ter resultados ainda mais dramáticos, pois o ângulo cervicomental fica naturalmente mais definido. Quando o queixo é retraído, frequentemente recomendo combinar a mentoplastia (aumento do queixo) ao procedimento cervical para otimizar o resultado.

    O osso hioide — uma estrutura profunda do pescoço — também influencia. Pacientes com hioide baixo terão um ângulo cervicomental naturalmente menos agudo, e é importante definir expectativas realistas nesses casos.

    O Procedimento Cirúrgico

    O deep neck lift é realizado sob anestesia geral. Quando combinado com o lifting facial, o tempo cirúrgico total varia de 4 a 6 horas. As etapas principais incluem:

    • Incisão submentoniana discreta (sob o queixo) de 3 a 4 centímetros
    • Lipoaspiração e remoção direta de gordura supra e subplatismal
    • Dissecção e sutura do platisma na linha média (corset platysmaplasty)
    • Tratamento de glândulas submandibulares quando necessário
    • Suspensão lateral do platisma através das incisões do lifting facial
    • Redistribuição e excisão do excesso de pele

    Recuperação do Deep Neck Lift

    A recuperação segue um cronograma semelhante ao do lifting facial:

    • Primeiros 3 dias: curativo compressivo cervical, desconforto moderado, inchaço significativo
    • Semana 1: troca para faixa compressiva mais leve, redução progressiva do inchaço
    • Semana 2: equimoses em resolução, maioria dos pacientes confortáveis socialmente
    • Semana 3-4: resultado começando a se definir, retorno às atividades normais
    • Mês 2-3: inchaço residual resolvendo, contorno cervical se refinando
    • Mês 6: resultado consolidado

    Um aspecto importante: a faixa compressiva cervical nos primeiros 7 a 10 dias é fundamental para o resultado. Ela ajuda a pele a se acomodar sobre a nova estrutura e minimiza o acúmulo de fluido. Peço aos meus pacientes que sejam disciplinados com seu uso.

    Resultados e Durabilidade

    O deep neck lift, especialmente quando combinado com o deep plane lifting, produz resultados que considero entre os mais impactantes em toda a cirurgia plástica. A transformação do perfil — de um pescoço indefinido e envelhecido para um contorno nítido e jovem — é dramática e consistente.

    A durabilidade do resultado é excelente. Como trabalhamos nas estruturas profundas e criamos sustentação muscular, o resultado é estruturalmente sólido. A maioria dos meus pacientes mantém um excelente contorno cervical por 10 a 15 anos após a cirurgia.

    Riscos e Considerações

    Como toda cirurgia, o deep neck lift tem riscos que devem ser discutidos:

    • Hematoma — risco presente em qualquer cirurgia cervicofacial, minimizado por técnica meticulosa e controle da pressão arterial
    • Lesão do nervo marginal da mandíbula — raro, mas pode causar assimetria temporária do lábio inferior
    • Irregularidades de contorno — minimizadas pela experiência do cirurgião e pela técnica de remoção de gordura sob visão direta
    • Seroma — acúmulo de líquido, tratável com aspiração simples

    Na minha experiência, a taxa de complicações é baixa quando o procedimento é realizado por um cirurgião experiente em cirurgia cervicofacial, com técnica cuidadosa e seguimento pós-operatório atento.

    Conclusão

    O deep neck lift é a solução definitiva para o pescoço envelhecido. Ao tratar todas as camadas — gordura, músculo e pele — ele produz resultados naturais, harmoniosos e duradouros que nenhum procedimento não invasivo consegue reproduzir.

    Se o contorno do seu pescoço é algo que te incomoda ao se olhar no espelho ou em fotos de perfil, agende uma consulta. Posso avaliar pessoalmente quais estruturas precisam ser tratadas e qual abordagem trará a transformação que você deseja.

  • O Lábio Superior e o Envelhecimento: Entenda as Mudanças

    O Lábio Superior e o Envelhecimento: Entenda as Mudanças

    Por Que o Lábio Superior É Tão Afetado Pelo Tempo?

    Quando pensamos em envelhecimento facial, é natural imaginar rugas na testa, flacidez nas bochechas ou pálpebras caídas. Porém, uma das regiões que mais se transforma com o passar dos anos — e que frequentemente passa despercebida — é o lábio superior. Em minha prática como cirurgião plástico facial em Londrina, dedico atenção especial a essa área porque sua transformação impacta profundamente a aparência global do rosto.

    O lábio superior não envelhece de forma isolada. Ele faz parte de um complexo anatômico que envolve osso, músculo, gordura, pele e mucosa, e cada uma dessas camadas sofre alterações distintas ao longo das décadas. Compreender essas mudanças é o primeiro passo para tratá-las adequadamente.

    A Anatomia do Lábio Superior Jovem

    Para entender o que muda, precisamos primeiro entender como é um lábio superior jovem. Em um rosto jovem e harmonioso, o lábio superior apresenta características bem definidas:

    • Filtro labial curto: a distância entre a base do nariz e o bordo do vermelhão mede entre 12 e 15 milímetros
    • Arco do Cupido bem definido: as duas elevações centrais do lábio superior são marcadas e elegantes
    • Vermelhão visível: a porção rosada do lábio é plenamente exposta, com boa projeção
    • Show dentário: em repouso, os incisivos superiores aparecem discretamente entre os lábios, cerca de 2 a 4 milímetros
    • Pele lisa: ausência de linhas verticais ao redor da boca
    • Volume adequado: a gordura subcutânea e o músculo orbicular conferem plenitude ao lábio

    Esse conjunto de características transmite juventude, vitalidade e, inevitavelmente, vai se perdendo com o tempo.

    As Sete Mudanças do Envelhecimento Labial

    Ao longo dos meus anos de experiência, identifiquei sete alterações principais que ocorrem no lábio superior com o envelhecimento:

    1. Alongamento do Filtro

    Esta é talvez a mudança mais significativa e menos reconhecida pelo público leigo. O filtro labial — a distância entre a base do nariz e o lábio — pode aumentar de 12-15mm na juventude para 20-25mm ou mais em idades avançadas. Esse alongamento ocorre pela combinação de perda de suporte ósseo maxilar, estiramento dos tecidos moles e ação contínua da gravidade.

    O resultado visual é dramático: o lábio “desce”, o vermelhão se esconde e o rosto ganha uma expressão séria e envelhecida.

    2. Perda de Volume do Vermelhão

    O vermelhão do lábio superior perde volume progressivamente. Isso acontece pela atrofia da mucosa, diminuição da vascularização e perda do tecido glandular que dá corpo ao lábio. O lábio que antes era cheio e definido vai se tornando fino e achatado.

    3. Inversão do Vermelhão

    Com o alongamento do filtro e a perda de volume, ocorre um fenômeno que chamamos de inversão do vermelhão — o lábio literalmente “vira para dentro”, escondendo a mucosa que deveria estar visível. Este é o motivo pelo qual muitas mulheres relatam que seu lábio “desapareceu”.

    4. Perda do Arco do Cupido

    O arco do Cupido, aquela curvatura elegante no centro do lábio superior, perde definição com o tempo. As colunas do filtro (as duas elevações verticais que delimitam o filtro) se achatam, e o contorno superior do lábio se torna retilíneo e indefinido.

    5. Linhas Periorais — O “Código de Barras”

    As temidas linhas verticais ao redor da boca são causadas pela ação repetida do músculo orbicular associada à perda de colágeno e elastina da pele. Essas rugas se aprofundam com o tempo e são particularmente resistentes a tratamentos não cirúrgicos.

    Fatores como tabagismo, exposição solar crônica e genética influenciam significativamente a intensidade dessas linhas.

    6. Queda das Comissuras

    Os cantos da boca tendem a cair com a idade, criando uma expressão de tristeza ou desaprovação mesmo quando a pessoa está em repouso. Essa queda é causada pela ptose dos tecidos do terço médio facial e pela perda de suporte das estruturas periorais.

    7. Perda de Suporte Ósseo

    A reabsorção óssea do maxilar é um componente frequentemente subestimado do envelhecimento labial. A diminuição da projeção óssea anterior retira o suporte estrutural do lábio, contribuindo para todas as outras alterações descritas acima.

    A Cronologia do Envelhecimento Labial

    Cada pessoa envelhece de forma diferente, mas existe um padrão geral que observo com frequência:

    • 30-40 anos: primeiras linhas finas ao redor da boca, início sutil do alongamento do filtro, leve diminuição do volume labial
    • 40-50 anos: alongamento mais perceptível do filtro, perda significativa de definição do arco do Cupido, linhas periorais mais evidentes
    • 50-60 anos: inversão do vermelhão, queda das comissuras, linhas profundas do código de barras, perda importante de volume
    • 60+ anos: todas as alterações em grau avançado, com comprometimento funcional em alguns casos

    Importante: essa cronologia é uma generalização. Fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida podem acelerar ou retardar esse processo significativamente.

    O Que Acelera o Envelhecimento do Lábio?

    Alguns fatores são particularmente nocivos para a região labial:

    • Tabagismo: é provavelmente o fator mais agressivo. O movimento repetitivo de sugar o cigarro, combinado com os efeitos tóxicos da nicotina sobre o colágeno, acelera enormemente o surgimento das rugas periorais
    • Exposição solar: a radiação ultravioleta degrada o colágeno e a elastina, contribuindo para o afinamento e o enrugamento da pele perioral
    • Genética: pacientes com pele clara e fina tendem a apresentar envelhecimento perioral mais precoce
    • Perda de peso significativa: emagrecimento acentuado pode reduzir o volume facial, incluindo a região labial

    Como Tratar Cada Componente

    O tratamento adequado do envelhecimento labial exige identificar quais componentes estão presentes e abordá-los especificamente:

    Para o Alongamento do Filtro

    O lip lift é o tratamento de escolha. Nenhum procedimento não cirúrgico corrige efetivamente o alongamento do filtro. A cirurgia remove o excesso de pele e restaura proporções mais jovens de forma permanente.

    Para a Perda de Volume

    O preenchimento com ácido hialurônico ou o enxerto de gordura são as melhores opções. O preenchimento é mais prático para volumes menores, enquanto o enxerto de gordura oferece resultado mais duradouro para perdas volumétricas significativas.

    Para as Linhas Periorais

    A dermoabrasão é minha técnica de escolha para as rugas do código de barras. Pode ser complementada com peeling químico ou laser fracionado. A toxina botulínica em doses baixas também ajuda a suavizar as linhas causadas pela ação muscular.

    Para a Queda das Comissuras

    O lifting facial deep plane, ao reposicionar todo o terço médio e inferior da face, corrige também a queda das comissuras. Em casos mais leves, o preenchimento estratégico na região das marionete lines pode amenizar o problema.

    Para a Perda de Definição

    A combinação de lip lift com preenchimento sutil do contorno labial permite redefinir o arco do Cupido e as colunas do filtro, restaurando a elegância do lábio jovem.

    A Abordagem Integrada

    Na minha filosofia de trabalho, raramente trato o lábio superior de forma isolada. O envelhecimento labial é parte do envelhecimento facial como um todo, e os melhores resultados surgem quando abordamos o rosto integralmente.

    Um paciente que apresenta alongamento do filtro frequentemente também tem flacidez facial, bolsas palpebrais e perda de volume malar. Tratar apenas o lábio, ignorando o contexto facial, pode gerar um resultado desarmônico.

    Por isso, na consulta, sempre faço uma avaliação facial completa antes de propor qualquer tratamento específico para o lábio. A harmonia do resultado depende dessa visão global.

    Prevenção: O Que Você Pode Fazer Agora

    Embora não possamos impedir completamente o envelhecimento labial, algumas medidas ajudam a retardá-lo:

    • Proteção solar diária na região perioral com FPS alto
    • Não fumar — este é o conselho mais impactante que posso dar
    • Hidratação adequada da pele e dos lábios
    • Uso de retinoides sob orientação dermatológica para estimular a produção de colágeno
    • Manutenção de peso estável

    Se você percebe que seu lábio superior está mudando com o tempo e gostaria de entender quais opções são mais adequadas para o seu caso, agende uma consulta. Terei prazer em fazer uma avaliação completa e explicar as melhores alternativas para rejuvenescer a região labial de forma natural.

  • Mini Lifting vs Lifting Completo Deep Plane: Qual Escolher?

    Mini Lifting vs Lifting Completo Deep Plane: Qual Escolher?

    Uma das comparações mais frequentes que ouço no consultório é entre o mini lifting e o lifting completo deep plane. Com a popularização de termos como “mini facelift” e “lunchtime lift” nas redes sociais, muitos pacientes chegam à consulta já convencidos de que querem o procedimento “menor”. E eu entendo perfeitamente esse raciocínio — quem não preferiria uma cirurgia mais simples, com recuperação mais rápida?

    Entretanto, como cirurgião plástico facial com mais de duas décadas de experiência, preciso ser honesto: o mini lifting e o lifting completo deep plane são cirurgias fundamentalmente diferentes, com indicações distintas e resultados que não se comparam. Neste artigo, vou explicar cada técnica em detalhes para que você possa tomar uma decisão verdadeiramente informada.

    O Que é o Mini Lifting

    O mini lifting — também chamado de mini facelift, S-lift ou short-scar facelift — é uma versão simplificada do lifting facial. Suas características principais são:

    • Incisões menores — geralmente limitadas à região ao redor da orelha, sem extensão para a nuca
    • Descolamento limitado — a dissecção dos tecidos é mais superficial e abrange uma área menor
    • Foco no terço inferior da face — principalmente a região dos jowls (papada lateral)
    • Tempo cirúrgico menor — em torno de 1 a 2 horas
    • Recuperação mais rápida — geralmente 7 a 10 dias para retorno social

    Em termos simples, o mini lifting “puxa” predominantemente a pele e faz uma plicatura superficial do SMAS — sem realmente reposicionar as camadas profundas da face.

    O Que é o Lifting Completo Deep Plane

    O lifting deep plane é uma técnica avançada que considero o padrão-ouro em rejuvenescimento facial cirúrgico. Na minha prática em Londrina, é a técnica que utilizo na grande maioria dos meus pacientes de lifting. Suas características:

    • Dissecção sub-SMAS — entramos abaixo da camada musculoaponeurótica, liberando os ligamentos de retenção facial
    • Reposicionamento tridimensional — os tecidos são movidos para cima e para trás como uma unidade coesa, e não apenas a pele
    • Abordagem completa — trata terço médio, inferior da face e pescoço de forma integrada
    • Incisões completas — ao redor da orelha com extensão para região retroauricular e linha do cabelo
    • Tempo cirúrgico maior — 3 a 5 horas, dependendo da extensão
    • Recuperação de 2 a 3 semanas para retorno social confortável

    A Diferença Fundamental: Superficial vs Profundo

    Para entender a diferença entre essas duas abordagens, imagine a face como uma casa com várias camadas. A pele é o papel de parede. O SMAS é a parede estrutural. Os ligamentos são as vigas de sustentação.

    O mini lifting basicamente estica o papel de parede e dá uns pontos na parede — mas não mexe nas vigas. O deep plane desmonta as vigas, reposiciona a parede inteira junto com o papel de parede, e reconstrói tudo numa posição mais juvenil.

    Qual abordagem você acha que vai durar mais? Qual vai parecer mais natural?

    Quando o Mini Lifting é uma Boa Opção

    Quero ser justo: o mini lifting tem seu lugar. Ele pode ser indicado para:

    • Pacientes jovens (35-45 anos) com flacidez muito inicial — apenas início de jowls, sem flacidez cervical significativa
    • Quem busca uma melhora sutil e pontual — exclusivamente na região da mandíbula
    • Pacientes que não podem dispor de mais de uma semana de recuperação — embora eu questione se vale comprometer o resultado por conveniência

    Dito isso, na minha experiência, a maioria dos pacientes que procuram o mini lifting na verdade se beneficiaria mais do deep plane. Quando examino cuidadosamente, percebo que a flacidez que os incomoda não se limita à região dos jowls — envolve também o terço médio da face e o pescoço.

    Por Que Prefiro o Deep Plane na Maioria dos Casos

    Após anos realizando ambas as técnicas, migrei quase que completamente para o deep plane. As razões são objetivas:

    Resultado Mais Natural

    Como o deep plane reposiciona gordura, músculo e pele como uma unidade, o resultado é tridimensional e natural. Não há aquele aspecto de “face esticada” que pode ocorrer quando apenas a pele é tracionada. O paciente parece rejuvenescido, não operado.

    Durabilidade Superior

    Estudos científicos e minha própria experiência clínica demonstram que o deep plane lifting dura significativamente mais que técnicas superficiais. Enquanto um mini lifting pode começar a mostrar sinais de recidiva em 3 a 5 anos, o deep plane mantém resultados excelentes por 10 a 15 anos ou mais.

    Menos Tensão na Pele

    Esse é um ponto técnico crucial. No deep plane, a sustentação é feita pelas estruturas profundas — o SMAS reposicionado sustenta tudo. A pele é simplesmente redistribuída sem tensão. No mini lifting, grande parte da sustentação depende da pele, o que pode levar a cicatrizes alargadas e recidiva precoce.

    Cicatrizes Melhores

    Parece contraditório — a cirurgia maior produz cicatrizes melhores? Sim. Justamente porque no deep plane a pele fecha sem tensão, as cicatrizes tendem a ser mais finas e discretas. No mini lifting, a tensão na pele pode causar cicatrizes mais visíveis ao longo do tempo.

    O Pescoço: O Grande Diferencial

    Um aspecto frequentemente subestimado é o pescoço. O mini lifting simplesmente não trata o pescoço de forma adequada. Se existe flacidez cervical — e na maioria dos pacientes acima de 40 anos existe — o mini lifting vai criar uma dissonância: face melhorada, mas pescoço denunciando a idade.

    O deep plane, especialmente quando combinado com platysmaplastia (tratamento dos músculos do pescoço), trata a face e o pescoço como uma unidade harmônica. O resultado é um ângulo cervicomental definido e jovem — um dos marcadores mais impactantes de rejuvenescimento.

    Comparativo Resumido

    • Profundidade: Mini lifting trabalha superficialmente no SMAS; Deep plane vai abaixo do SMAS
    • Área tratada: Mini foca no terço inferior; Deep plane trata terço médio, inferior e pescoço
    • Duração do resultado: Mini dura 3-5 anos; Deep plane dura 10-15+ anos
    • Naturalidade: Mini pode parecer “puxado”; Deep plane dá resultado tridimensional natural
    • Recuperação: Mini 7-10 dias; Deep plane 2-3 semanas
    • Cicatrizes: Mini tem incisão menor mas pode alargar; Deep plane fecha sem tensão
    • Investimento: Mini é mais acessível; Deep plane tem custo maior mas com retorno superior

    O Custo-Benefício Real

    Muitos pacientes consideram o mini lifting pela questão financeira. É compreensível. Porém, convido-os a pensar no custo-benefício a longo prazo.

    Um mini lifting que custa menos, mas cujo resultado dura 3 a 5 anos e deixa o pescoço sem tratamento, pode acabar gerando a necessidade de uma nova cirurgia em poucos anos. Já o deep plane, com seu investimento maior, oferece um resultado duradouro de 10 a 15 anos, tratamento completo de face e pescoço, e naturalidade incomparável.

    No longo prazo, o deep plane não apenas é a melhor cirurgia — frequentemente é também o melhor investimento.

    A Tendência Mundial

    Não é apenas a minha opinião pessoal. Existe uma tendência clara na cirurgia plástica facial mundial em direção a técnicas deep plane. Os principais centros de referência em lifting facial — nos Estados Unidos, Europa e aqui no Brasil — têm cada vez mais adotado o deep plane como técnica primária.

    A razão é simples: os resultados falam por si. Em congressos e publicações científicas, as séries de casos com deep plane consistentemente demonstram resultados superiores em termos de naturalidade, durabilidade e satisfação do paciente.

    Conclusão: A Escolha Deve Ser Informada

    Minha recomendação é clara: se você busca o melhor resultado possível em termos de naturalidade e durabilidade, o lifting deep plane é superior ao mini lifting na grande maioria dos casos. Mas essa é uma decisão que deve ser tomada em conjunto entre paciente e cirurgião, após avaliação cuidadosa.

    Se você está em dúvida entre o mini lifting e o lifting completo deep plane, agende uma consulta para que eu possa avaliar sua face e pescoço pessoalmente. Juntos, definiremos qual abordagem trará o melhor resultado para o seu caso específico.

  • Lip Lift vs Preenchimento Labial: Qual a Melhor Opção?

    Lip Lift vs Preenchimento Labial: Qual a Melhor Opção?

    A Dúvida Mais Comum no Consultório

    Se existe uma pergunta que ouço quase diariamente na minha clínica em Londrina, é esta: “Doutor, o que é melhor para o meu lábio — preenchimento ou lip lift?” É uma dúvida absolutamente legítima, e a resposta exige uma análise individualizada que vai muito além de simplesmente escolher um ou outro.

    A verdade é que lip lift e preenchimento labial com ácido hialurônico são procedimentos fundamentalmente diferentes, que corrigem problemas distintos. Compará-los é quase como comparar uma rinoplastia com um contorno nasal não cirúrgico — cada um tem seu lugar e sua indicação precisa.

    Neste artigo, vou explicar detalhadamente as diferenças, vantagens e limitações de cada abordagem para que você possa chegar à sua consulta já com uma boa base de conhecimento.

    Entendendo o Preenchimento Labial

    O preenchimento labial com ácido hialurônico é um procedimento não cirúrgico, realizado em consultório, que consiste na injeção de um gel biocompatível diretamente no tecido do lábio. O objetivo principal é adicionar volume.

    Como Funciona

    O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente na nossa pele, responsável pela hidratação e pela manutenção do volume dos tecidos. Quando injetado nos lábios, ele aumenta a projeção e o volume do vermelhão, podendo também melhorar a definição do contorno labial e do arco do Cupido.

    O procedimento dura cerca de 20 a 30 minutos, utiliza anestesia tópica ou bloqueio local, e o paciente pode retomar suas atividades praticamente no mesmo dia, com restrições mínimas.

    Vantagens do Preenchimento

    • Procedimento rápido e sem cortes
    • Recuperação praticamente imediata
    • Resultado visível instantaneamente
    • Reversível — o ácido hialurônico pode ser dissolvido com hialuronidase se necessário
    • Permite ajustes graduais ao longo do tempo
    • Custo inicial mais baixo que a cirurgia

    Limitações do Preenchimento

    • Resultado temporário — dura entre 6 e 12 meses em média
    • Custo acumulado ao longo dos anos pode superar o do lip lift
    • Não corrige o alongamento do lábio superior
    • Volumes excessivos podem criar aparência artificial
    • Preenchimentos repetidos podem causar fibrose e distorção tecidual ao longo dos anos
    • Não melhora a exposição dos dentes em repouso

    Entendendo o Lip Lift

    O lip lift é uma cirurgia que remove uma faixa de pele na base do nariz, encurtando fisicamente a distância entre o nariz e o lábio superior. Diferente do preenchimento, ele não adiciona volume — ele reposiciona o lábio, expondo mais o vermelhão que estava “escondido” pelo excesso de pele.

    Como Funciona

    Através de uma incisão cuidadosamente planejada na junção entre a base nasal e o início do lábio, retiro uma faixa de pele de 3 a 6 milímetros. Ao suturar, o lábio superior é tracionado para cima, restaurando proporções faciais mais jovens. A cirurgia dura cerca de uma hora sob anestesia local com sedação.

    Vantagens do Lip Lift

    • Resultado permanente e definitivo
    • Corrige a causa real do envelhecimento labial — o alongamento do filtro
    • Resultado extremamente natural quando bem executado
    • Melhora a exposição do vermelhão sem adicionar volume artificial
    • Mostra discretamente os dentes superiores em repouso, sinal de juventude
    • Investimento único, sem necessidade de manutenção
    • Pode ser combinado com outros procedimentos faciais

    Limitações do Lip Lift

    • É uma cirurgia — requer recuperação de 7 a 14 dias
    • Deixa uma cicatriz (que fica escondida na base do nariz)
    • Não adiciona volume ao lábio — apenas reposiciona
    • Requer cirurgião com experiência específica na técnica
    • Não é indicado para todos os tipos de envelhecimento labial

    Quando Indicar Cada Um?

    Na minha prática, a decisão entre lip lift e preenchimento se baseia em uma análise objetiva de cada caso. Os critérios que utilizo são claros:

    Preenchimento é melhor quando:

    • O lábio superior tem comprimento normal (filtro de 12-15mm) mas é naturalmente fino
    • A paciente é jovem e deseja mais volume labial
    • Há assimetria leve que pode ser corrigida com injeção
    • A paciente não deseja procedimento cirúrgico
    • É necessário apenas um retoque sutil

    Lip lift é melhor quando:

    • O filtro labial está alongado (mais de 15-16mm)
    • O vermelhão do lábio superior está “sumindo” com a idade
    • A paciente já fez múltiplos preenchimentos sem resultado satisfatório
    • Há queda da comissura labial associada ao alongamento
    • Os dentes superiores não aparecem mais ao sorrir ou em repouso
    • A paciente deseja resultado permanente

    Combinação dos dois:

    Em muitos casos, a melhor abordagem é combinar os dois procedimentos. O lip lift corrige o comprimento e reposiciona o lábio, enquanto o preenchimento pode complementar o volume em áreas específicas — como as comissuras ou o contorno do arco do Cupido. Esta abordagem híbrida frequentemente produz os melhores resultados.

    O Erro Mais Comum Que Vejo

    Na minha experiência, o erro mais frequente é tentar resolver com preenchimento um problema que é de lip lift. Vejo regularmente pacientes que vêm ao meu consultório após anos preenchendo os lábios repetidamente, gastando fortunas com ácido hialurônico, sem nunca alcançar o resultado desejado.

    O motivo é simples: quando o problema fundamental é o alongamento do filtro labial, nenhuma quantidade de volume vai corrigir isso. Pelo contrário — preencher excessivamente um lábio alongado frequentemente resulta naquela aparência artificial que todos reconhecemos, o famoso “bico de pato” ou “lábio de salsicha”.

    Quando finalmente realizo o lip lift nessas pacientes, a reação é quase sempre a mesma: “Por que não fiz isso antes?” O procedimento resolve em definitivo o que anos de preenchimento não conseguiram.

    Análise Financeira: Qual Sai Mais Barato?

    Este é um ponto que merece reflexão honesta. O preenchimento labial custa menos em cada sessão individual, mas precisa ser repetido. Fazendo uma conta simples:

    • Se uma sessão de preenchimento custa entre R$ 1.500 e R$ 3.000 e precisa ser repetida a cada 8-12 meses
    • Ao longo de 10 anos, são pelo menos 10 sessões, totalizando R$ 15.000 a R$ 30.000
    • O lip lift é um investimento único que resolve o problema permanentemente

    Para pacientes que já sabem que vão querer manter o resultado a longo prazo, o lip lift costuma ser financeiramente mais vantajoso além de oferecer um resultado superior.

    Minha Filosofia

    Como cirurgião plástico facial, minha filosofia é sempre buscar a solução mais adequada para cada caso, sem viés de procedimento. Se o preenchimento resolve o problema da paciente, não há razão para indicar cirurgia. Da mesma forma, se o lip lift é claramente a melhor opção, não faz sentido insistir em preenchimentos que não vão alcançar o resultado desejado.

    O mais importante é o diagnóstico correto. Entender exatamente o que está causando a insatisfação da paciente com seus lábios é o primeiro e mais crucial passo para indicar o tratamento certo.

    Se você está em dúvida entre lip lift e preenchimento labial, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar suas proporções faciais e indicar a melhor abordagem para rejuvenescer seus lábios de forma natural.

  • Lifting Facial aos 40: Quando é o Momento Certo?

    Lifting Facial aos 40: Quando é o Momento Certo?

    Recebo com frequência no meu consultório em Londrina pacientes na faixa dos 40 anos que me fazem a mesma pergunta: “Dr. Walter, será que já está na hora de fazer um lifting, ou é cedo demais?” É uma dúvida legítima — e a resposta, como quase tudo em cirurgia plástica facial, depende de uma avaliação individualizada. Mas posso adiantar: os 40 anos podem ser, sim, o momento ideal.

    Neste artigo, quero desmistificar a ideia de que lifting facial é uma cirurgia “para depois dos 60”. Vou explicar por que a intervenção precoce pode trazer resultados superiores e mais naturais, e como avalio cada caso na minha prática.

    O Que Acontece Com o Rosto aos 40 Anos

    O envelhecimento facial não começa aos 60 — ele começa muito antes, de forma silenciosa e gradual. Por volta dos 35 a 40 anos, uma série de mudanças já estão em curso:

    • Perda de volume — a gordura facial profunda começa a diminuir e a se deslocar para baixo, criando o aspecto de “face cansada”
    • Flacidez do SMAS — a camada musculoaponeurótica superficial, estrutura-chave que sustenta os tecidos faciais, começa a perder tônus
    • Sulcos nasogenianos mais marcados — aquelas linhas que vão do nariz ao canto da boca se aprofundam
    • Início da flacidez cervical — o ângulo entre o queixo e o pescoço começa a perder definição
    • Perda de definição da linha da mandíbula — os chamados jowls (papadas) começam a se formar

    Essas mudanças são sutis individualmente, mas em conjunto criam uma aparência que muitos pacientes descrevem como “cansada” ou “envelhecida” — mesmo quando se sentem jovens e dispostos por dentro.

    Por Que os 40 Podem Ser o Momento Ideal

    Existe uma lógica cirúrgica sólida para considerar o lifting facial nessa faixa etária. Permita-me explicar os principais motivos.

    1. A Qualidade da Pele Ainda é Favorável

    Aos 40 anos, a pele ainda possui uma boa reserva de colágeno e elastina. Isso significa que ela responde melhor ao reposicionamento cirúrgico, se acomoda com mais naturalidade e cicatriza de forma excelente. Quanto mais esperamos, mais a qualidade da pele se deteriora, e o resultado cirúrgico pode ser menos refinado.

    2. As Estruturas Profundas Respondem Melhor

    No lifting deep plane — a técnica que considero gold standard e que pratico exclusivamente — trabalhamos diretamente no SMAS e nas estruturas profundas da face. Aos 40 anos, essas estruturas ainda têm boa consistência, o que permite um reposicionamento mais preciso e duradouro.

    3. A Correção é Menor, o Resultado Mais Natural

    Este é talvez o ponto mais importante. Quando operamos um paciente de 40 anos com flacidez inicial a moderada, a correção necessária é menor do que em um paciente de 65 com flacidez avançada. Resultado: a mudança é perceptível mas extremamente natural. Ninguém nota que houve cirurgia — nota-se apenas que a pessoa “está bem”.

    4. A Recuperação Tende a Ser Mais Rápida

    Pacientes mais jovens geralmente têm uma recuperação mais ágil. O inchaço resolve mais rápido, as equimoses duram menos, e o retorno às atividades normais é mais precoce. Isso é particularmente relevante para pessoas ativas profissionalmente.

    O Mito do “Cedo Demais”

    Existe uma crença popular de que fazer lifting “cedo demais” é desperdício — como se o resultado fosse “gastar” e a pessoa precisasse operar novamente em poucos anos. Isso não é verdade, especialmente com a técnica deep plane.

    O deep plane lifting reposiciona estruturas profundas — não apenas estica a pele. Isso significa que o resultado envelhece junto com o paciente, de forma harmônica. Um paciente operado aos 42 anos vai, aos 55, parecer ter 45-48 anos. Aos 65, parecerá ter 55-58. O relógio foi efetivamente atrasado.

    Além disso, se em 15 ou 20 anos houver desejo de um retoque, a revisão cirúrgica será muito mais simples do que um lifting primário em um rosto significativamente envelhecido.

    Como Avalio Se é o Momento Certo

    Na consulta, utilizo uma avaliação sistemática que vai muito além da idade cronológica. Observo:

    • Grau de ptose facial — quanto os tecidos desceram em relação à sua posição juvenil
    • Qualidade da pele — elasticidade, espessura, dano solar
    • Estrutura óssea — projeção do queixo, maçãs do rosto, que influenciam como a face envelhece
    • Volume facial — áreas de perda volumétrica que podem precisar de enxerto de gordura complementar
    • Região cervical — grau de flacidez do pescoço, presença de bandas platismais
    • Expectativas do paciente — o que incomoda, o que espera alcançar

    Tenho pacientes de 38 anos que se beneficiaram enormemente de um lifting, e pacientes de 45 que realmente ainda não precisavam. A idade é apenas um número — o que importa é a anatomia individual.

    Procedimentos Complementares aos 40

    Frequentemente, o lifting facial nessa faixa etária é combinado com outros procedimentos para um rejuvenescimento completo e harmonioso:

    • Blefaroplastia — para corrigir pálpebras pesadas ou bolsas que já começaram a se manifestar
    • Enxerto de gordura facial — para restaurar volume em áreas como maçãs do rosto, têmporas e sulcos
    • Lip lift — para rejuvenescer o lábio superior, que alonga com o envelhecimento
    • Tratamentos de pele — peelings ou laser para melhorar textura e manchas

    A combinação de procedimentos em um único tempo cirúrgico é segura, eficiente e permite uma recuperação única em vez de múltiplas.

    O Fator Psicológico: Não é Vaidade, é Bem-Estar

    Quero abordar algo que considero fundamental: a decisão de fazer um lifting facial aos 40 anos não é vaidade excessiva. Vivemos em uma época em que a aparência tem impacto direto na autoconfiança, nas relações sociais e profissionais.

    Muitos dos meus pacientes nessa faixa etária relatam que se sentem jovens e energéticos, mas que o reflexo no espelho não corresponde a como se sentem por dentro. Essa dissonância entre o interior e o exterior é um motivo legítimo e saudável para buscar a cirurgia.

    Costumo dizer: o melhor momento para fazer um lifting é quando a mudança ainda é sutil. É quando conseguimos o resultado mais natural — aquele em que ninguém percebe a cirurgia, apenas nota que você parece rejuvenescido e descansado.

    Casos em Que Recomendo Esperar

    Nem todo paciente de 40 anos é candidato ao lifting, e é minha responsabilidade como cirurgião ser honesto sobre isso. Recomendo esperar quando:

    • A flacidez é realmente mínima e pode ser gerenciada com tratamentos não cirúrgicos por mais alguns anos
    • O paciente tem expectativas irrealistas sobre o que a cirurgia pode alcançar
    • Existem condições de saúde que precisam ser controladas primeiro
    • A motivação é externa (pressão de terceiros) e não interna

    Nesses casos, prefiro orientar sobre cuidados preventivos com a pele, proteção solar rigorosa e acompanhamento periódico até que o momento seja realmente o ideal.

    A Importância de Escolher o Cirurgião Certo

    Se você está nos seus 40 anos e considerando um lifting, a escolha do cirurgião é crucial. Procure um profissional que:

    • Tenha experiência consistente com a técnica deep plane
    • Mostre resultados naturais — não faces “puxadas” ou artificiais
    • Faça uma avaliação honesta, mesmo que isso signifique dizer que você ainda não precisa
    • Dedique tempo à consulta para entender suas expectativas

    O lifting facial é uma das cirurgias mais impactantes que existem, mas o resultado depende fundamentalmente da técnica e da experiência do cirurgião.

    Conclusão: Idade é Número, Anatomia é Que Decide

    Os 40 anos podem ser o momento perfeito para o lifting facial — ou não. Tudo depende da sua anatomia, da qualidade da sua pele, do seu estilo de vida e das suas expectativas. O que posso afirmar com segurança é que a ideia de que lifting “é coisa de idoso” está ultrapassada. A tendência mundial é de intervenção mais precoce, com resultados mais naturais e duradouros.

    Se você está na faixa dos 40 anos e percebe que seu rosto já não reflete a vitalidade que sente por dentro, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar seu caso pessoalmente e dizer, com toda a honestidade, se este é o momento ideal para você.

  • Lip Lift: O Que É e Por Que Rejuvenesce Tanto

    Lip Lift: O Que É e Por Que Rejuvenesce Tanto

    O Que É o Lip Lift?

    Ao longo dos meus anos de prática em cirurgia plástica facial aqui em Londrina, poucas cirurgias me surpreendem tanto pelo poder de rejuvenescimento quanto o lip lift. Trata-se de um procedimento elegante e relativamente simples que remove uma pequena faixa de pele logo abaixo do nariz, encurtando a distância entre a base nasal e o lábio superior — o chamado filtro labial.

    Essa distância, que em rostos jovens costuma medir entre 12 e 15 milímetros, vai se alongando com o passar dos anos. O resultado? O lábio superior “desaparece”, o vermelhão do lábio se esconde, e o rosto ganha uma aparência cansada e envelhecida que nenhum preenchimento consegue corrigir adequadamente.

    Por Que o Lábio Superior Envelhece?

    Para entender o lip lift, é fundamental compreender o que acontece com o lábio superior ao longo do tempo. O envelhecimento dessa região é multifatorial e envolve diversos processos simultâneos.

    Primeiro, há a perda de volume ósseo do maxilar. O esqueleto facial se reabsorve com a idade, e a base óssea que sustenta o lábio vai diminuindo. Segundo, ocorre o alongamento dos tecidos moles — pele, músculo orbicular da boca e mucosa — por ação da gravidade e pela perda de elasticidade do colágeno.

    Terceiro, há a perda de gordura subcutânea na região perioral, o que contribui para o afinamento do lábio e para o surgimento das temidas linhas verticais ao redor da boca, conhecidas popularmente como “código de barras”.

    O resultado combinado de todos esses fatores é um lábio superior que se alonga, se afina e perde a exposição do vermelhão — aquela parte rosada e volumosa que associamos à juventude e à sensualidade.

    Como Funciona a Cirurgia de Lip Lift

    A técnica que utilizo é o lip lift subnasal, também conhecido como bullhorn lip lift devido ao formato da incisão, que lembra os chifres de um touro. A incisão é feita exatamente na junção entre a base do nariz e o início do lábio superior, uma região onde a cicatriz fica naturalmente escondida.

    O Planejamento

    Antes da cirurgia, faço marcações precisas com o paciente sentado. Meço a distância entre a base do nariz e o bordo do vermelhão e calculo quanto precisa ser removido. Geralmente retiro entre 3 e 6 milímetros de pele, dependendo do caso. Parece pouco, mas o impacto visual é extraordinário.

    A Cirurgia

    O procedimento é realizado sob anestesia local com sedação, dura aproximadamente 45 minutos a uma hora e é ambulatorial — o paciente vai para casa no mesmo dia. Após a remoção da faixa de pele, os tecidos são reaproximados em camadas para garantir uma cicatrização de qualidade.

    Um detalhe técnico que considero fundamental: a sutura deve ser feita sem tensão excessiva e com fios adequados. A qualidade da cicatriz depende diretamente da técnica de fechamento.

    A Recuperação

    O pós-operatório do lip lift é bastante tranquilo. Nos primeiros dias, há edema moderado na região e a sensação de repuxamento no lábio, que vai cedendo progressivamente. Os pontos são retirados entre 5 e 7 dias. A maioria dos pacientes retoma atividades sociais em cerca de 10 dias.

    A cicatriz, inicialmente rosada, vai amadurecendo ao longo de 3 a 6 meses até se tornar praticamente imperceptível, especialmente porque fica escondida na sombra natural da base do nariz.

    Lip Lift: Resultados Que Impressionam

    O que mais me fascina no lip lift é a desproporção entre a simplicidade do procedimento e a magnitude do resultado. Com a remoção de poucos milímetros de pele, conseguimos:

    • Encurtar o lábio superior alongado, restaurando proporções jovens
    • Aumentar a exposição do vermelhão superior sem necessidade de preenchimento
    • Melhorar a definição do arco do Cupido
    • Rejuvenescer toda a região perioral
    • Criar um sorriso mais jovem e natural
    • Melhorar a relação entre lábio superior e dentes, mostrando discretamente os incisivos superiores em repouso

    É importante destacar que o lip lift não aumenta o volume do lábio no sentido de “enchê-lo” — ele reposiciona o lábio, expondo mais o vermelhão que estava escondido. O resultado é um lábio mais definido e jovem, não um lábio artificialmente volumoso.

    Para Quem o Lip Lift É Indicado?

    Na minha experiência, os melhores candidatos ao lip lift são:

    • Pacientes com lábio superior alongado (distância nariz-lábio maior que 15-16mm)
    • Pessoas que perderam a exposição do vermelhão superior com o envelhecimento
    • Pacientes insatisfeitos com resultados temporários de preenchimento labial
    • Quem deseja um resultado permanente e natural de rejuvenescimento labial
    • Pacientes que serão submetidos a lifting facial e desejam rejuvenescimento completo

    Não recomendo o lip lift para pacientes jovens com lábio superior naturalmente curto, pois o encurtamento adicional poderia resultar em exposição excessiva de gengiva ao sorrir.

    Lip Lift Combinado Com Outros Procedimentos

    Na minha prática diária, frequentemente combino o lip lift com outros procedimentos faciais. As associações mais comuns são:

    • Lip lift + Lifting facial deep plane: rejuvenescimento completo do terço médio e inferior da face
    • Lip lift + Blefaroplastia: rejuvenescimento dos olhos e da boca simultaneamente
    • Lip lift + Enxerto de gordura: o enxerto complementa o volume em áreas como os sulcos nasolabiais e as comissuras
    • Lip lift + Dermoabrasão perioral: para quem tem as linhas do “código de barras” associadas ao alongamento labial

    A combinação de procedimentos é segura e permite ao paciente uma recuperação única, otimizando tempo e resultado.

    Por Que Não Apenas Preencher o Lábio?

    Esta é uma das perguntas que mais ouço no consultório. “Doutor, não posso simplesmente preencher o lábio?” A resposta curta é: o preenchimento e o lip lift resolvem problemas diferentes.

    O preenchimento com ácido hialurônico adiciona volume ao lábio, aumentando sua projeção. Ele funciona bem para lábios naturalmente finos em pacientes jovens. Porém, quando o problema é o alongamento do lábio superior — que é fundamentalmente uma questão de excesso de pele — o preenchimento não resolve.

    Pior ainda: preencher um lábio superior alongado pode resultar em um aspecto artificial, com o famoso “bico de pato”. Já vi muitas pacientes que vinham preenchendo repetidamente o lábio sem perceber que o problema real era o comprimento do filtro, não a falta de volume.

    O lip lift corrige a causa raiz do envelhecimento labial. E o resultado é permanente — não precisa ser repetido a cada 6-12 meses como o preenchimento.

    Riscos e Cuidados

    Como toda cirurgia, o lip lift tem seus riscos, embora sejam relativamente baixos. Os principais incluem:

    • Cicatriz visível: em mãos experientes e com técnica adequada, a cicatriz tende a ficar excelente. Porém, pacientes com tendência a cicatrização hipertrófica devem ser avaliados com cuidado
    • Assimetria: pode ocorrer se o planejamento ou a execução não forem precisos
    • Alteração temporária de sensibilidade: parestesia no lábio superior nos primeiros meses é comum e tende a resolver espontaneamente
    • Resultado insuficiente ou excessivo: é por isso que o planejamento pré-operatório meticuloso é tão importante

    Escolher um cirurgião com experiência específica em lip lift é fundamental. É uma cirurgia que exige precisão milimétrica — literalmente.

    Minha Abordagem Pessoal

    Ao longo dos anos, refinei minha técnica de lip lift buscando sempre o resultado mais natural possível. Acredito que a chave está em três pilares: planejamento individualizado, execução técnica impecável e manejo pós-operatório cuidadoso.

    Cada rosto é único, e o quanto deve ser removido varia significativamente de paciente para paciente. Não existe uma “receita” universal — existe análise facial criteriosa e experiência clínica.

    Em minha clínica em Londrina, o lip lift se tornou um dos procedimentos que mais realizo, tanto isoladamente quanto em combinação com o lifting facial deep plane. Os resultados consistentemente naturais e a alta satisfação dos pacientes reforçam minha convicção de que esta é uma das cirurgias mais subestimadas do rejuvenescimento facial.

    Se você percebe que seu lábio superior está mais longo ou que o vermelhão está desaparecendo com o tempo, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar pessoalmente o seu caso e explicar como o lip lift pode rejuvenescer sua região labial de forma natural e definitiva.

  • Recuperação do Lifting Facial: O Que Esperar Semana a Semana

    Recuperação do Lifting Facial: O Que Esperar Semana a Semana

    Uma das perguntas que mais recebo no consultório é: “Dr. Walter, como vai ser a minha recuperação?” É compreensível — afinal, o lifting facial deep plane é uma cirurgia transformadora, e entender o caminho até o resultado final traz segurança e tranquilidade. Ao longo de mais de duas décadas realizando cirurgias faciais em Londrina, desenvolvi um protocolo de recuperação que prioriza conforto, segurança e resultados naturais.

    Neste artigo, compartilho com você, em detalhes, o que esperar em cada fase da recuperação. Meu objetivo é que você chegue ao dia da cirurgia preparado(a) e confiante.

    Os Primeiros Dias: O Início da Transformação (Dias 1-3)

    Os três primeiros dias são, sem dúvida, os mais intensos da recuperação. Logo após a cirurgia, você sairá com um curativo compressivo ao redor da face e do pescoço. Esse curativo tem função essencial: ele ajuda a reduzir o inchaço e mantém os tecidos na posição ideal durante as primeiras horas de cicatrização.

    É normal sentir:

    • Inchaço moderado a significativo — concentrado nas bochechas e região do pescoço
    • Equimoses (roxos) — que variam de pessoa para pessoa; alguns pacientes apresentam muito pouco, outros mais
    • Sensação de repuxamento — completamente esperada e sinal de que os tecidos estão se acomodando
    • Desconforto leve — que controlamos bem com medicação prescrita; a maioria dos pacientes se surpreende com o quão tolerável é

    Nos primeiros dias, recomendo repouso absoluto com a cabeceira elevada a 45 graus. Essa posição é fundamental para ajudar na drenagem do inchaço. Compressas frias suaves ao redor da face também auxiliam bastante.

    Cuidados Essenciais nos Primeiros Dias

    Evite qualquer esforço físico, mesmo os simples como abaixar para pegar algo no chão. Alimente-se com comidas pastosas e frias nos dois primeiros dias. Não tome aspirina ou anti-inflamatórios sem minha orientação, pois podem aumentar o risco de sangramento.

    A Primeira Semana: A Fase da Paciência (Dias 4-7)

    Por volta do quarto dia, o curativo compressivo é substituído por uma faixa facial mais leve. Nesse momento, muitos pacientes se assustam ao se olhar no espelho pela primeira vez — e eu sempre os preparo para isso. O rosto estará inchado, com equimoses que podem descer para o pescoço, e a aparência geral é bem diferente do resultado final.

    Costumo dizer aos meus pacientes: “O que você vê agora não tem nada a ver com o resultado que teremos.” Essa é a fase da paciência e da confiança no processo.

    Durante esta semana:

    • Os pontos de sutura serão parcialmente removidos entre o 5º e o 7º dia
    • O inchaço começa a diminuir gradualmente
    • As equimoses começam a mudar de cor — de roxo para amarelado — sinal de que estão sendo reabsorvidas
    • Já é possível tomar banho lavando suavemente o cabelo, com cuidado na região das incisões

    A Segunda Semana: Voltando ao Mundo (Dias 8-14)

    Esta é a semana em que a maioria dos meus pacientes começa a se sentir mais como “gente” novamente. O inchaço reduz significativamente, as equimoses estão em fase final de reabsorção, e a face começa a mostrar os primeiros sinais do resultado.

    Por volta do 10º ao 14º dia, a maior parte dos pacientes já se sente confortável para sair em público — especialmente com o auxílio de óculos escuros e maquiagem leve sobre áreas residuais de equimose. Muitos retornam a atividades leves de trabalho, especialmente se for home office.

    O Que Ainda é Normal Nessa Fase

    Algum grau de dormência na face, principalmente nas bochechas e ao redor das orelhas, é completamente normal. Isso ocorre porque durante a cirurgia, pequenos nervos sensitivos são inevitavelmente manipulados. A sensibilidade retorna gradualmente ao longo das semanas e meses seguintes.

    Também é comum sentir uma leve rigidez ao abrir a boca amplamente. Isso melhora progressivamente e não deve causar preocupação.

    O Primeiro Mês: A Evolução Visível (Semanas 3-4)

    Aqui é onde a mágica começa a acontecer. Entre a terceira e a quarta semana, o inchaço superficial já reduziu em cerca de 70-80%. A linha da mandíbula começa a se definir, o pescoço mostra sua nova forma, e o resultado do deep plane lifting começa a se revelar.

    Nesta fase, libero gradualmente:

    • Caminhadas leves ao ar livre
    • Retorno completo ao trabalho (para a maioria das profissões)
    • Uso de maquiagem sobre as cicatrizes
    • Direção de veículos (desde que não esteja mais usando medicações que causem sonolência)

    O que ainda peço para evitar: exercícios intensos, exposição solar direta e qualquer atividade que aumente significativamente a pressão arterial.

    Meses 2 e 3: O Refinamento

    Durante o segundo e terceiro meses, o resultado continua melhorando sutilmente a cada semana. O inchaço residual profundo — aquele que só o cirurgião e o paciente percebem — vai se dissipando gradualmente.

    As cicatrizes, que ficam estrategicamente posicionadas ao redor das orelhas e na linha do cabelo, passam pela fase de maturação. Inicialmente podem estar um pouco rosadas ou elevadas, mas com os cuidados adequados (proteção solar e cremes cicatrizantes que prescrevo), elas vão clareando e afinando.

    Nesta fase, a maioria dos pacientes já recebe comentários como “Você está com uma aparência ótima!” ou “Você parece descansado(a)!” — sem que ninguém perceba que foi realizada uma cirurgia. Esse é exatamente o resultado que busco: rejuvenescimento natural.

    Meses 3 a 6: O Resultado se Consolida

    Entre o terceiro e o sexto mês, consideramos que o resultado está em fase de consolidação. Todo o inchaço residual praticamente desapareceu, as cicatrizes estão cada vez mais discretas, e a face adquiriu seu contorno definitivo.

    É nesse período que faço as fotos comparativas de pós-operatório mais representativas. A diferença entre o antes e o depois costuma emocionar — e confesso que, mesmo após tantos anos de prática, ainda me surpreendo com o poder transformador do deep plane lifting.

    A Sensibilidade Retorna

    Se ainda houver alguma área de dormência residual, ela tende a resolver completamente até o sexto mês. Pequenos formigamentos esporádicos são normais e indicam que os nervos sensitivos estão se regenerando — um excelente sinal.

    Após 1 Ano: O Resultado Final

    O resultado definitivo do lifting facial deep plane é avaliado após um ano completo. Nesse ponto, as cicatrizes amadureceram e estão praticamente imperceptíveis, os tecidos se acomodaram em sua posição final, e o rosto apresenta uma aparência rejuvenescida, natural e harmoniosa.

    Uma das grandes vantagens do deep plane sobre técnicas mais superficiais é a longevidade do resultado. Como reposicionamos as camadas profundas da face — e não apenas esticamos a pele — o resultado tende a ser mais duradouro e natural, envelhecendo de forma harmônica com o paciente.

    Dicas Que Fazem Diferença na Recuperação

    Ao longo dos anos, compilei uma lista de orientações que fazem uma diferença real na qualidade da recuperação:

    • Durma de barriga para cima — por pelo menos 3 semanas. Um travesseiro de viagem em formato U pode ajudar
    • Hidrate-se muito bem — água, água de coco e sucos naturais ajudam na redução do inchaço
    • Siga a dieta anti-inflamatória — evite alimentos muito salgados, ultraprocessados e álcool nas primeiras semanas
    • Use protetor solar religiosamente — a pele recém-operada é mais sensível à hiperpigmentação
    • Tenha paciência com as cicatrizes — elas precisam de 6 a 12 meses para amadurecer completamente
    • Compareça às consultas de retorno — o acompanhamento pós-operatório é tão importante quanto a cirurgia em si

    Quando Procurar Ajuda

    Embora complicações sejam raras em um lifting facial bem executado, é importante saber quando entrar em contato comigo:

    • Dor intensa e súbita de um lado da face
    • Inchaço que aumenta significativamente após ter diminuído
    • Febre acima de 38°C
    • Secreção com odor ou coloração estranha nas incisões
    • Qualquer preocupação, por menor que pareça — estou sempre disponível para meus pacientes

    Conclusão: A Recuperação é um Investimento no Resultado

    A recuperação do lifting facial deep plane é um processo gradual e recompensador. Cada dia traz uma melhora, cada semana uma evolução visível. Meu papel como cirurgião não termina na sala de operação — acompanho cada paciente de perto durante toda a recuperação, ajustando orientações conforme necessário.

    Se você está considerando um lifting facial e quer entender melhor como seria a recuperação no seu caso, agende uma consulta. Terei prazer em explicar cada etapa do processo e esclarecer todas as suas dúvidas pessoalmente.

  • Lifting Facial: SMAS ou Deep Plane? Entenda as Diferenças Entre as Técnicas

    Lifting Facial: SMAS ou Deep Plane? Entenda as Diferenças Entre as Técnicas

    Se você está pesquisando sobre lifting facial, provavelmente já se deparou com termos como “SMAS”, “plicatura” e “deep plane”. São técnicas diferentes que prometem rejuvenescer o rosto, mas com abordagens e resultados distintos. Neste artigo, explico de forma clara as diferenças entre elas para que você possa tomar uma decisão informada.

    O Que é o SMAS e Por Que Ele Importa?

    O SMAS (Sistema Musculoaponeurótico Superficial) é uma camada de tecido fibroso localizada abaixo da pele do rosto. Essa estrutura conecta os músculos faciais à pele e é responsável por manter os contornos naturais da face. Com o envelhecimento, o SMAS perde sustentação, resultando em flacidez, papada e sulcos mais profundos.

    Qualquer lifting facial moderno precisa abordar o SMAS de alguma forma. A diferença está em como cada técnica trabalha essa camada — e é aí que surgem resultados muito diferentes em termos de naturalidade e durabilidade.

    Lifting com Plicatura de SMAS: A Técnica Tradicional

    Na técnica de plicatura (ou “SMAS plication”), o cirurgião faz dobras no SMAS e fixa essas dobras com pontos, tensionando a camada superficialmente. Não há dissecção profunda nem liberação dos ligamentos de retenção facial.

    Vantagens da plicatura de SMAS:

    • Procedimento tecnicamente mais simples
    • Tempo cirúrgico menor
    • Recuperação inicial mais rápida
    • Menor custo
    • Adequado para casos de flacidez leve a moderada

    Limitações:

    • Resultados tendem a durar menos (5 a 7 anos em média)
    • Não reposiciona estruturas profundas como gordura e músculos
    • Pode criar aparência de “pele esticada” se houver tensão excessiva
    • Eficácia limitada para o terço médio da face

    Deep Plane com Deep Neck Lift: A Evolução do Lifting Facial

    O lifting deep plane representa uma evolução significativa na cirurgia de rejuvenescimento facial. Desenvolvida e refinada nas últimas décadas, essa técnica vai além do SMAS superficial, trabalhando em um plano mais profundo onde estão os ligamentos de retenção, a gordura profunda e os músculos da expressão.

    Na abordagem deep plane, o cirurgião libera os ligamentos retentores — como o zigomático, o massetérico e o mandibular — permitindo que todo o complexo de tecidos profundos seja reposicionado verticalmente. Não se trata apenas de “esticar” a pele, mas de devolver as estruturas faciais à posição que ocupavam quando o paciente era mais jovem.

    Quando combinado com o deep neck lift, o procedimento inclui o tratamento completo do pescoço através da platismoplastia. O músculo platisma, responsável pelas bandas verticais do pescoço e pela perda de definição do ângulo cervical, é cuidadosamente reposicionado e suturado na linha média, recriando um contorno cervical jovem e definido.

    Vantagens do deep plane com deep neck lift:

    • Resultados mais naturais e harmoniosos
    • Durabilidade superior (10 a 15 anos ou mais)
    • Reposicionamento real das estruturas, não apenas tensionamento da pele
    • Melhora significativa do terço médio da face
    • Definição marcante do ângulo mandibular e cervical
    • Menor risco de aparência “operada” ou artificial

    Considerações:

    • Requer maior expertise do cirurgião
    • Tempo cirúrgico mais longo
    • Recuperação inicial com mais edema
    • Investimento financeiro maior

    Comparação Direta: O Que Esperar de Cada Técnica

    Uma revisão sistemática publicada em 2025 no Aesthetic Plastic Surgery, analisando estudos de 2000 a 2024, confirmou que pacientes submetidos ao deep plane apresentam maior satisfação a longo prazo quando comparados às técnicas de SMAS tradicionais. A diferença se torna especialmente evidente após o primeiro ano pós-operatório.

    AspectoSMAS PlicaturaDeep Plane + Deep Neck
    ProfundidadeSuperficialProfunda
    LigamentosNão liberadosLiberados e reposicionados
    Duração média5-7 anos10-15+ anos
    NaturalidadeBoaExcelente
    Terço médioMelhora limitadaMelhora significativa
    PescoçoMelhora moderadaTransformação completa
    Recuperação7-10 dias14-21 dias

    Para Quem Cada Técnica é Indicada?

    A plicatura de SMAS pode ser adequada para pacientes mais jovens (45-55 anos) com flacidez inicial, boa qualidade de pele e que buscam uma melhora sutil com recuperação mais rápida.

    O deep plane com deep neck lift é especialmente indicado para pacientes que apresentam:

    • Flacidez moderada a avançada
    • Perda de volume no terço médio da face
    • Sulcos nasolabiais profundos
    • Papada e perda de definição mandibular
    • Bandas de platisma visíveis
    • Desejo de resultados duradouros e naturais

    A Importância da Escolha do Cirurgião

    Mais importante do que a técnica em si é a experiência do cirurgião em executá-la. O deep plane, por trabalhar em planos mais profundos e próximos a estruturas nobres como o nervo facial, exige treinamento específico e curva de aprendizado longa. Um cirurgião experiente em deep plane consegue resultados superiores com segurança.

    Por outro lado, um cirurgião muito experiente em SMAS pode entregar resultados excelentes dentro das limitações da técnica. A honestidade sobre as próprias habilidades e a escolha da técnica adequada para cada paciente são marcas de um bom profissional.

    Conclusão: Qual Técnica Escolher?

    Não existe técnica universalmente superior — existe a técnica certa para cada paciente. No entanto, para quem busca rejuvenescimento facial significativo, duradouro e com aparência natural, o deep plane com deep neck lift representa o padrão-ouro atual da cirurgia de lifting facial.

    O mais importante é ter uma consulta detalhada, onde seu cirurgião possa avaliar sua anatomia, entender suas expectativas e propor a abordagem mais adequada para o seu caso. A decisão deve ser tomada em conjunto, com informação clara e expectativas realistas.

    Se você está considerando um lifting facial e quer saber qual técnica é mais indicada para o seu caso, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar pessoalmente e explicar todas as opções disponíveis.