Uma das comparações mais frequentes que ouço no consultório é entre o mini lifting e o lifting completo deep plane. Com a popularização de termos como “mini facelift” e “lunchtime lift” nas redes sociais, muitos pacientes chegam à consulta já convencidos de que querem o procedimento “menor”. E eu entendo perfeitamente esse raciocínio — quem não preferiria uma cirurgia mais simples, com recuperação mais rápida?
Entretanto, como cirurgião plástico facial com mais de duas décadas de experiência, preciso ser honesto: o mini lifting e o lifting completo deep plane são cirurgias fundamentalmente diferentes, com indicações distintas e resultados que não se comparam. Neste artigo, vou explicar cada técnica em detalhes para que você possa tomar uma decisão verdadeiramente informada.
O Que é o Mini Lifting
O mini lifting — também chamado de mini facelift, S-lift ou short-scar facelift — é uma versão simplificada do lifting facial. Suas características principais são:
- Incisões menores — geralmente limitadas à região ao redor da orelha, sem extensão para a nuca
- Descolamento limitado — a dissecção dos tecidos é mais superficial e abrange uma área menor
- Foco no terço inferior da face — principalmente a região dos jowls (papada lateral)
- Tempo cirúrgico menor — em torno de 1 a 2 horas
- Recuperação mais rápida — geralmente 7 a 10 dias para retorno social
Em termos simples, o mini lifting “puxa” predominantemente a pele e faz uma plicatura superficial do SMAS — sem realmente reposicionar as camadas profundas da face.
O Que é o Lifting Completo Deep Plane
O lifting deep plane é uma técnica avançada que considero o padrão-ouro em rejuvenescimento facial cirúrgico. Na minha prática em Londrina, é a técnica que utilizo na grande maioria dos meus pacientes de lifting. Suas características:
- Dissecção sub-SMAS — entramos abaixo da camada musculoaponeurótica, liberando os ligamentos de retenção facial
- Reposicionamento tridimensional — os tecidos são movidos para cima e para trás como uma unidade coesa, e não apenas a pele
- Abordagem completa — trata terço médio, inferior da face e pescoço de forma integrada
- Incisões completas — ao redor da orelha com extensão para região retroauricular e linha do cabelo
- Tempo cirúrgico maior — 3 a 5 horas, dependendo da extensão
- Recuperação de 2 a 3 semanas para retorno social confortável
A Diferença Fundamental: Superficial vs Profundo
Para entender a diferença entre essas duas abordagens, imagine a face como uma casa com várias camadas. A pele é o papel de parede. O SMAS é a parede estrutural. Os ligamentos são as vigas de sustentação.
O mini lifting basicamente estica o papel de parede e dá uns pontos na parede — mas não mexe nas vigas. O deep plane desmonta as vigas, reposiciona a parede inteira junto com o papel de parede, e reconstrói tudo numa posição mais juvenil.
Qual abordagem você acha que vai durar mais? Qual vai parecer mais natural?
Quando o Mini Lifting é uma Boa Opção
Quero ser justo: o mini lifting tem seu lugar. Ele pode ser indicado para:
- Pacientes jovens (35-45 anos) com flacidez muito inicial — apenas início de jowls, sem flacidez cervical significativa
- Quem busca uma melhora sutil e pontual — exclusivamente na região da mandíbula
- Pacientes que não podem dispor de mais de uma semana de recuperação — embora eu questione se vale comprometer o resultado por conveniência
Dito isso, na minha experiência, a maioria dos pacientes que procuram o mini lifting na verdade se beneficiaria mais do deep plane. Quando examino cuidadosamente, percebo que a flacidez que os incomoda não se limita à região dos jowls — envolve também o terço médio da face e o pescoço.
Por Que Prefiro o Deep Plane na Maioria dos Casos
Após anos realizando ambas as técnicas, migrei quase que completamente para o deep plane. As razões são objetivas:
Resultado Mais Natural
Como o deep plane reposiciona gordura, músculo e pele como uma unidade, o resultado é tridimensional e natural. Não há aquele aspecto de “face esticada” que pode ocorrer quando apenas a pele é tracionada. O paciente parece rejuvenescido, não operado.
Durabilidade Superior
Estudos científicos e minha própria experiência clínica demonstram que o deep plane lifting dura significativamente mais que técnicas superficiais. Enquanto um mini lifting pode começar a mostrar sinais de recidiva em 3 a 5 anos, o deep plane mantém resultados excelentes por 10 a 15 anos ou mais.
Menos Tensão na Pele
Esse é um ponto técnico crucial. No deep plane, a sustentação é feita pelas estruturas profundas — o SMAS reposicionado sustenta tudo. A pele é simplesmente redistribuída sem tensão. No mini lifting, grande parte da sustentação depende da pele, o que pode levar a cicatrizes alargadas e recidiva precoce.
Cicatrizes Melhores
Parece contraditório — a cirurgia maior produz cicatrizes melhores? Sim. Justamente porque no deep plane a pele fecha sem tensão, as cicatrizes tendem a ser mais finas e discretas. No mini lifting, a tensão na pele pode causar cicatrizes mais visíveis ao longo do tempo.
O Pescoço: O Grande Diferencial
Um aspecto frequentemente subestimado é o pescoço. O mini lifting simplesmente não trata o pescoço de forma adequada. Se existe flacidez cervical — e na maioria dos pacientes acima de 40 anos existe — o mini lifting vai criar uma dissonância: face melhorada, mas pescoço denunciando a idade.
O deep plane, especialmente quando combinado com platysmaplastia (tratamento dos músculos do pescoço), trata a face e o pescoço como uma unidade harmônica. O resultado é um ângulo cervicomental definido e jovem — um dos marcadores mais impactantes de rejuvenescimento.
Comparativo Resumido
- Profundidade: Mini lifting trabalha superficialmente no SMAS; Deep plane vai abaixo do SMAS
- Área tratada: Mini foca no terço inferior; Deep plane trata terço médio, inferior e pescoço
- Duração do resultado: Mini dura 3-5 anos; Deep plane dura 10-15+ anos
- Naturalidade: Mini pode parecer “puxado”; Deep plane dá resultado tridimensional natural
- Recuperação: Mini 7-10 dias; Deep plane 2-3 semanas
- Cicatrizes: Mini tem incisão menor mas pode alargar; Deep plane fecha sem tensão
- Investimento: Mini é mais acessível; Deep plane tem custo maior mas com retorno superior
O Custo-Benefício Real
Muitos pacientes consideram o mini lifting pela questão financeira. É compreensível. Porém, convido-os a pensar no custo-benefício a longo prazo.
Um mini lifting que custa menos, mas cujo resultado dura 3 a 5 anos e deixa o pescoço sem tratamento, pode acabar gerando a necessidade de uma nova cirurgia em poucos anos. Já o deep plane, com seu investimento maior, oferece um resultado duradouro de 10 a 15 anos, tratamento completo de face e pescoço, e naturalidade incomparável.
No longo prazo, o deep plane não apenas é a melhor cirurgia — frequentemente é também o melhor investimento.
A Tendência Mundial
Não é apenas a minha opinião pessoal. Existe uma tendência clara na cirurgia plástica facial mundial em direção a técnicas deep plane. Os principais centros de referência em lifting facial — nos Estados Unidos, Europa e aqui no Brasil — têm cada vez mais adotado o deep plane como técnica primária.
A razão é simples: os resultados falam por si. Em congressos e publicações científicas, as séries de casos com deep plane consistentemente demonstram resultados superiores em termos de naturalidade, durabilidade e satisfação do paciente.
Conclusão: A Escolha Deve Ser Informada
Minha recomendação é clara: se você busca o melhor resultado possível em termos de naturalidade e durabilidade, o lifting deep plane é superior ao mini lifting na grande maioria dos casos. Mas essa é uma decisão que deve ser tomada em conjunto entre paciente e cirurgião, após avaliação cuidadosa.
Se você está em dúvida entre o mini lifting e o lifting completo deep plane, agende uma consulta para que eu possa avaliar sua face e pescoço pessoalmente. Juntos, definiremos qual abordagem trará o melhor resultado para o seu caso específico.

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