Recebo com frequência no meu consultório em Londrina pacientes na faixa dos 40 anos que me fazem a mesma pergunta: “Dr. Walter, será que já está na hora de fazer um lifting, ou é cedo demais?” É uma dúvida legítima — e a resposta, como quase tudo em cirurgia plástica facial, depende de uma avaliação individualizada. Mas posso adiantar: os 40 anos podem ser, sim, o momento ideal.
Neste artigo, quero desmistificar a ideia de que lifting facial é uma cirurgia “para depois dos 60”. Vou explicar por que a intervenção precoce pode trazer resultados superiores e mais naturais, e como avalio cada caso na minha prática.
O Que Acontece Com o Rosto aos 40 Anos
O envelhecimento facial não começa aos 60 — ele começa muito antes, de forma silenciosa e gradual. Por volta dos 35 a 40 anos, uma série de mudanças já estão em curso:
- Perda de volume — a gordura facial profunda começa a diminuir e a se deslocar para baixo, criando o aspecto de “face cansada”
- Flacidez do SMAS — a camada musculoaponeurótica superficial, estrutura-chave que sustenta os tecidos faciais, começa a perder tônus
- Sulcos nasogenianos mais marcados — aquelas linhas que vão do nariz ao canto da boca se aprofundam
- Início da flacidez cervical — o ângulo entre o queixo e o pescoço começa a perder definição
- Perda de definição da linha da mandíbula — os chamados jowls (papadas) começam a se formar
Essas mudanças são sutis individualmente, mas em conjunto criam uma aparência que muitos pacientes descrevem como “cansada” ou “envelhecida” — mesmo quando se sentem jovens e dispostos por dentro.
Por Que os 40 Podem Ser o Momento Ideal
Existe uma lógica cirúrgica sólida para considerar o lifting facial nessa faixa etária. Permita-me explicar os principais motivos.
1. A Qualidade da Pele Ainda é Favorável
Aos 40 anos, a pele ainda possui uma boa reserva de colágeno e elastina. Isso significa que ela responde melhor ao reposicionamento cirúrgico, se acomoda com mais naturalidade e cicatriza de forma excelente. Quanto mais esperamos, mais a qualidade da pele se deteriora, e o resultado cirúrgico pode ser menos refinado.
2. As Estruturas Profundas Respondem Melhor
No lifting deep plane — a técnica que considero gold standard e que pratico exclusivamente — trabalhamos diretamente no SMAS e nas estruturas profundas da face. Aos 40 anos, essas estruturas ainda têm boa consistência, o que permite um reposicionamento mais preciso e duradouro.
3. A Correção é Menor, o Resultado Mais Natural
Este é talvez o ponto mais importante. Quando operamos um paciente de 40 anos com flacidez inicial a moderada, a correção necessária é menor do que em um paciente de 65 com flacidez avançada. Resultado: a mudança é perceptível mas extremamente natural. Ninguém nota que houve cirurgia — nota-se apenas que a pessoa “está bem”.
4. A Recuperação Tende a Ser Mais Rápida
Pacientes mais jovens geralmente têm uma recuperação mais ágil. O inchaço resolve mais rápido, as equimoses duram menos, e o retorno às atividades normais é mais precoce. Isso é particularmente relevante para pessoas ativas profissionalmente.
O Mito do “Cedo Demais”
Existe uma crença popular de que fazer lifting “cedo demais” é desperdício — como se o resultado fosse “gastar” e a pessoa precisasse operar novamente em poucos anos. Isso não é verdade, especialmente com a técnica deep plane.
O deep plane lifting reposiciona estruturas profundas — não apenas estica a pele. Isso significa que o resultado envelhece junto com o paciente, de forma harmônica. Um paciente operado aos 42 anos vai, aos 55, parecer ter 45-48 anos. Aos 65, parecerá ter 55-58. O relógio foi efetivamente atrasado.
Além disso, se em 15 ou 20 anos houver desejo de um retoque, a revisão cirúrgica será muito mais simples do que um lifting primário em um rosto significativamente envelhecido.
Como Avalio Se é o Momento Certo
Na consulta, utilizo uma avaliação sistemática que vai muito além da idade cronológica. Observo:
- Grau de ptose facial — quanto os tecidos desceram em relação à sua posição juvenil
- Qualidade da pele — elasticidade, espessura, dano solar
- Estrutura óssea — projeção do queixo, maçãs do rosto, que influenciam como a face envelhece
- Volume facial — áreas de perda volumétrica que podem precisar de enxerto de gordura complementar
- Região cervical — grau de flacidez do pescoço, presença de bandas platismais
- Expectativas do paciente — o que incomoda, o que espera alcançar
Tenho pacientes de 38 anos que se beneficiaram enormemente de um lifting, e pacientes de 45 que realmente ainda não precisavam. A idade é apenas um número — o que importa é a anatomia individual.
Procedimentos Complementares aos 40
Frequentemente, o lifting facial nessa faixa etária é combinado com outros procedimentos para um rejuvenescimento completo e harmonioso:
- Blefaroplastia — para corrigir pálpebras pesadas ou bolsas que já começaram a se manifestar
- Enxerto de gordura facial — para restaurar volume em áreas como maçãs do rosto, têmporas e sulcos
- Lip lift — para rejuvenescer o lábio superior, que alonga com o envelhecimento
- Tratamentos de pele — peelings ou laser para melhorar textura e manchas
A combinação de procedimentos em um único tempo cirúrgico é segura, eficiente e permite uma recuperação única em vez de múltiplas.
O Fator Psicológico: Não é Vaidade, é Bem-Estar
Quero abordar algo que considero fundamental: a decisão de fazer um lifting facial aos 40 anos não é vaidade excessiva. Vivemos em uma época em que a aparência tem impacto direto na autoconfiança, nas relações sociais e profissionais.
Muitos dos meus pacientes nessa faixa etária relatam que se sentem jovens e energéticos, mas que o reflexo no espelho não corresponde a como se sentem por dentro. Essa dissonância entre o interior e o exterior é um motivo legítimo e saudável para buscar a cirurgia.
Costumo dizer: o melhor momento para fazer um lifting é quando a mudança ainda é sutil. É quando conseguimos o resultado mais natural — aquele em que ninguém percebe a cirurgia, apenas nota que você parece rejuvenescido e descansado.
Casos em Que Recomendo Esperar
Nem todo paciente de 40 anos é candidato ao lifting, e é minha responsabilidade como cirurgião ser honesto sobre isso. Recomendo esperar quando:
- A flacidez é realmente mínima e pode ser gerenciada com tratamentos não cirúrgicos por mais alguns anos
- O paciente tem expectativas irrealistas sobre o que a cirurgia pode alcançar
- Existem condições de saúde que precisam ser controladas primeiro
- A motivação é externa (pressão de terceiros) e não interna
Nesses casos, prefiro orientar sobre cuidados preventivos com a pele, proteção solar rigorosa e acompanhamento periódico até que o momento seja realmente o ideal.
A Importância de Escolher o Cirurgião Certo
Se você está nos seus 40 anos e considerando um lifting, a escolha do cirurgião é crucial. Procure um profissional que:
- Tenha experiência consistente com a técnica deep plane
- Mostre resultados naturais — não faces “puxadas” ou artificiais
- Faça uma avaliação honesta, mesmo que isso signifique dizer que você ainda não precisa
- Dedique tempo à consulta para entender suas expectativas
O lifting facial é uma das cirurgias mais impactantes que existem, mas o resultado depende fundamentalmente da técnica e da experiência do cirurgião.
Conclusão: Idade é Número, Anatomia é Que Decide
Os 40 anos podem ser o momento perfeito para o lifting facial — ou não. Tudo depende da sua anatomia, da qualidade da sua pele, do seu estilo de vida e das suas expectativas. O que posso afirmar com segurança é que a ideia de que lifting “é coisa de idoso” está ultrapassada. A tendência mundial é de intervenção mais precoce, com resultados mais naturais e duradouros.
Se você está na faixa dos 40 anos e percebe que seu rosto já não reflete a vitalidade que sente por dentro, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar seu caso pessoalmente e dizer, com toda a honestidade, se este é o momento ideal para você.

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