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Como é feita a lipo de papada?

As etapas da lipoaspiração da papada, o que ela trata, o que não trata e quais riscos precisam ser conversados antes.

Temas: Pescoço e papada

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Como é feita a lipo de papada?: mulher de cabelos loiros presos e suéter claro, sentada à mesa, toca o pescoço enquanto se olha num espelho de mão.

Em resumo: como é feita a lipo de papada?

A lipo de papada retira parte da gordura que fica logo abaixo da pele, sob o queixo, com uma cânula fina introduzida por pequenas incisões. Ela melhora o contorno quando essa gordura explica a queixa e a pele tem elasticidade. Não trata pele que sobra, bandas do platisma nem o volume abaixo do músculo.

  • Avaliação: antes da técnica, identificar o que forma o volume do pescoço.
  • Técnica: solução anestésica local diluída e aspiração da gordura por cânula fina.
  • Indicação: gordura superficial com pele firme e elástica.
  • Limites: não trata sobra de pele, bandas musculares, plano profundo nem queda do rosto.
  • Recuperação: inchaço e roxos; o contorno aparece quando o inchaço cede.
  • Riscos: hematoma, irregularidades, pele flácida ou ondulada, infecção e, raramente, lesão nervosa.

A página do deep neck explica a diferença entre a lipo e a cirurgia profunda do pescoço. Aqui descrevo como a lipoaspiração da papada é feita e o que ela consegue ou não mudar. Na minha prática, não faço lipo de papada isolada, e observo que as rugas do pescoço costumam ficar mais perceptíveis 12 a 18 meses depois dela.

O primeiro passo é descobrir o que forma a papada

Antes de pensar em aspirar, examino o pescoço de frente e de perfil, a pele, o contorno da mandíbula e a posição do queixo, e pergunto sobre saúde, medicamentos e procedimentos anteriores. O pescoço tem três planos: a gordura logo abaixo da pele; o platisma, um músculo fino, com a gordura entre suas bordas; e, mais fundo, gordura subplatismal, músculos digástricos e glândulas submandibulares [1]. A lipo alcança só o primeiro.

Por isso não defino a indicação pelo tamanho da papada numa foto. Dois pescoços parecidos podem pedir caminhos diferentes, e às vezes é preferível não operar.

As etapas da lipoaspiração

Anestesia

A ASPS descreve como opções a sedação venosa e a anestesia geral, e a escolha é individual [2].

Incisões e aspiração

Por incisões pequenas, infiltra-se uma solução anestésica local diluída, que reduz o sangramento e o trauma. Em seguida, uma cânula fina, movida para a frente e para trás, solta a gordura, que é aspirada [2]. Retirar mais gordura não significa um resultado melhor: é preciso deixar uma camada uniforme sob a pele para evitar depressões e irregularidades [6]. As incisões são pequenas, mas deixam cicatriz, discreta e permanente.

O que a lipo de papada trata e o que não trata

Pode bastar

Quando a gordura superficial é o principal componente e a pele é firme e elástica, a pele tende a se acomodar ao novo contorno [1][3].

Não resolve sozinha

Pele que sobra, bandas do platisma, volume abaixo do músculo e queda dos tecidos do rosto sobre a mandíbula pedem outro planejamento.

Essas alterações podem aparecer combinadas. Quando o volume está abaixo do platisma, discuto o deep neck, que não é uma lipo mais funda: é outra cirurgia, com acesso sob o queixo, objetivos e riscos próprios. Quando o rosto também caiu, avalio o lifting facial deep plane. O artigo como diminuir a papada resume essas opções.

Recuperação

Inchaço, roxos e alteração da sensibilidade são esperados nas primeiras semanas, e o contorno só aparece de fato quando o inchaço cede [2][5]. A ASPS cita o uso de malha compressiva depois da lipoaspiração [5]. Quando o pescoço é tratado junto ao lifting, uso taping e malha compressiva só quando o inchaço é maior, o que ocorre em cerca de 5% a 10% dos casos; a drenagem linfática começa quando eu liberar. Atividades físicas leves voltam com um mês, e todas, inclusive esportes de contato, com dois meses.

Riscos que precisam ser conversados

A ASPS lista entre os riscos da lipoaspiração irregularidades de contorno e assimetrias, pele flácida ou ondulada, alteração de sensibilidade que pode persistir, lesão de estruturas profundas, como nervos e vasos, acúmulo de líquido, infecção e necessidade de revisão [4]. Uma revisão sobre a lipo submentoniana aponta o hematoma como a principal complicação e descreve outras, raras mas importantes: depressões, cicatrizes retraídas, infecção grave e paralisia transitória do nervo facial [6].

Aumento rápido de volume no pescoço, sobretudo com dificuldade para respirar ou engolir, exige atendimento imediato, sem esperar o retorno programado.

Perguntas frequentes

A lipo de papada tira a pele que sobra?

Não. Ela retira gordura. A pele se acomoda quando tem elasticidade; a pele que sobra precisa de outro tratamento.

A gordura retirada volta?

Segundo a ASPS, com alimentação saudável e atividade física, a redução tende a se manter, mas um ganho de peso importante pode alterar o resultado [2].

A lipo de papada trata as bandas do pescoço?

Não. As bandas vêm do platisma, que fica abaixo da gordura aspirada; quando indicado, eu as trato com a platismotomia.

Posso fazer outra cirurgia depois de uma lipo de papada?

Pode ser possível. Avalio cicatrizes, irregularidades e o que persiste, porque a cirurgia anterior muda o planejamento.

Vamos entender a sua papada

Se quer saber se a gordura superficial explica o seu incômodo, fale com a Isanna para marcar uma consulta comigo. Relaciono sua queixa à anatomia e explico as alternativas, inclusive a de não operar.

Referências

  1. Mejia JD, Nahai FR, Nahai F, Momoh AO. Isolated Management of the Aging Neck. Semin Plast Surg. 2009;23(4):264–273.
  2. American Society of Plastic Surgeons. Liposuction Procedure Steps.
  3. American Society of Plastic Surgeons. Liposuction Candidates.
  4. American Society of Plastic Surgeons. Liposuction Risks and Safety.
  5. American Society of Plastic Surgeons. Liposuction Recovery.
  6. Diniz DA, Gonçalves KKN, Silva CCG, Araújo ESM, Carneiro SCAS, Lago CAP, Vasconcelos BCE. Complications associated with submental liposuction: a scoping review. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2022;27(3):e257–e264.