Categoria: bichectomia

  • Bichectomia e Harmonização Facial: Entenda a Relação

    Bichectomia e Harmonização Facial: Entenda a Relação

    Harmonização Facial: Um Conceito em Evolução

    O termo “harmonização facial” se popularizou enormemente nos últimos anos, abrangendo um conjunto de procedimentos que visam equilibrar as proporções do rosto. Dentro desse conceito, a bichectomia frequentemente aparece como peça-chave — mas será que ela realmente se encaixa em todos os planos de harmonização? Em minha experiência como cirurgião plástico facial em Londrina, a resposta é: depende muito de cada caso.

    Neste artigo, vou explorar a relação entre bichectomia e harmonização facial de forma criteriosa, baseada em princípios de anatomia e proporção — não em tendências passageiras.

    O Que É Harmonização Facial de Verdade

    Harmonização facial, em sua essência, significa trazer equilíbrio às proporções do rosto. Não é sobre criar um padrão único de beleza, mas sobre identificar o que está desproporcional em um rosto específico e corrigir de forma que todas as estruturas conversem entre si.

    Os pilares de um rosto harmonioso incluem:

    • Proporção dos terços: terço superior, médio e inferior com alturas equilibradas
    • Simetria: não perfeita (inexistente na natureza), mas sem assimetrias grosseiras
    • Contorno: transições suaves entre as regiões faciais
    • Volume: distribuição equilibrada de gordura e músculo
    • Projeção: relação harmônica entre as proeminências faciais

    A harmonização verdadeira considera todos esses elementos de forma integrada. O erro mais comum que observo é tratar cada elemento isoladamente, sem considerar o impacto no conjunto.

    Onde a Bichectomia Se Encaixa

    A bola de Bichat contribui para o volume do terço médio-inferior da face. Quando excessivamente volumosa, pode causar um arredondamento que mascara a estrutura óssea subjacente — zigomáticos, mandíbula e mento. Nesse contexto específico, sua remoção pode revelar contornos que estavam “escondidos” sob o excesso de gordura.

    Porém — e este é um ponto crucial — a bichectomia subtrai. Ela remove tecido. A maioria dos procedimentos de harmonização facial adiciona: preenchimento em mandíbula, em queixo, em zigomáticos, em lábios. Quando combinamos procedimentos que adicionam volume em algumas áreas com a remoção de volume em outra, o resultado pode ser uma definição facial impressionante — ou pode ser um rosto que parece artificial, com cheias onde a natureza não previa e vazios onde deveria haver plenitude.

    A Combinação Clássica: Bichectomia + Preenchimento

    A combinação mais popular é a bichectomia associada a preenchimento com ácido hialurônico em mandíbula, queixo e zigomáticos. A lógica é: removemos gordura das bochechas e adicionamos volume nas proeminências ósseas, criando contraste e definição.

    Quando Funciona Bem

    • Paciente com rosto genuinamente arredondado por bola de Bichat volumosa
    • Estrutura óssea bem desenvolvida que fica mascarada pelo excesso de gordura
    • Mandíbula e queixo proporcionais — o preenchimento serve apenas para acentuar, não para criar estrutura que não existe
    • Paciente com boa reserva de gordura facial residual, de forma que a remoção da bola de Bichat não cause esqueletização

    Quando Funciona Mal

    • Paciente com rosto já fino, onde a bichectomia cria depressões não naturais
    • Excesso de preenchimento tentando compensar a remoção exagerada de gordura
    • Paciente jovem sem considerar o envelhecimento futuro
    • Busca por um “formato” específico de rosto que não condiz com a estrutura anatômica individual

    A Perspectiva do Cirurgião Plástico

    Minha formação como cirurgião plástico me dá uma visão distinta da harmonização facial. Enquanto muitos procedimentos de harmonização são realizados em consultórios por profissionais de diversas formações, a visão cirúrgica considera o rosto em três dimensões, leva em conta as estruturas profundas e, fundamentalmente, pensa no resultado a longo prazo.

    Quando avalio um paciente que deseja “harmonizar o rosto”, minha análise inclui:

    • A estrutura óssea subjacente — maxila, mandíbula, zigomáticos, mento
    • A distribuição dos compartimentos de gordura faciais
    • A qualidade e espessura da pele
    • A musculatura facial
    • O envelhecimento projetado para os próximos 10, 20 anos

    Essa análise profunda me permite recomendar o plano mais adequado, que pode incluir ou não a bichectomia, e que pode incluir procedimentos cirúrgicos que oferecem resultados mais definitivos e naturais que abordagens puramente injetáveis.

    Alternativas Cirúrgicas à Harmonização

    Para muitos pacientes que buscam harmonização facial, procedimentos cirúrgicos oferecem resultados superiores e mais duradouros:

    • Mentoplastia: projetar o queixo transforma o perfil de forma permanente — resultado incomparavelmente superior ao preenchimento repetitivo
    • Rinoplastia: um nariz harmonioso impacta toda a percepção facial
    • Otoplastia: orelhas proporcionais contribuem para o equilíbrio visual do rosto
    • Enxerto de gordura: restauração volumétrica permanente e com efeito regenerativo
    • Lifting facial: para pacientes que já apresentam flacidez, o reposicionamento tecidual é a verdadeira harmonização

    Minha Posição Honesta

    Realizo bichectomia quando ela é parte de um plano lógico e fundamentado anatomicamente. Não a realizo como procedimento “de moda” ou quando minha avaliação indica que o resultado será prejudicial ao longo prazo.

    A verdadeira harmonização facial não é sobre seguir tendências — é sobre entender o que cada rosto precisa para alcançar seu melhor equilíbrio. Às vezes isso inclui a bichectomia; muitas vezes não inclui.

    O paciente bem informado é o melhor paciente. Espero que este artigo ajude você a formar uma opinião mais crítica sobre o papel da bichectomia na harmonização facial, para além das promessas simplificadas que circulam nas redes sociais.

    Se você busca harmonização facial e gostaria de uma avaliação criteriosa e individualizada, agende uma consulta. Terei prazer em analisar suas proporções e recomendar o plano mais adequado para alcançar equilíbrio e naturalidade no seu rosto.

  • Bichectomia: Vale a Pena? Prós, Contras e Indicações Reais

    Bichectomia: Vale a Pena? Prós, Contras e Indicações Reais

    Um Procedimento Que Exige Honestidade

    A bichectomia — cirurgia para remoção da bola de Bichat — tornou-se um dos procedimentos estéticos mais comentados e procurados nos últimos anos. Nas redes sociais, é apresentada como a solução definitiva para afinar o rosto e evidenciar os contornos faciais. Na realidade, o tema merece uma discussão muito mais cuidadosa do que a maioria das publicações oferece.

    Como cirurgião plástico facial em Londrina, com uma visão focada na harmonia e no equilíbrio do rosto, tenho uma posição bastante criteriosa em relação à bichectomia. Neste artigo, vou compartilhar minha perspectiva honesta sobre quando ela realmente vale a pena e quando pode ser uma decisão arriscada.

    O Que É a Bola de Bichat

    A bola de Bichat é um coxim de gordura localizado nas bochechas, entre o músculo masseter e o músculo bucinador. Recebe esse nome em homenagem ao anatomista francês Marie François Xavier Bichat, que a descreveu no século XIX.

    Essa estrutura tem funções importantes durante a infância — facilita a sucção durante a amamentação e protege estruturas profundas da face durante o crescimento. No adulto, seu papel funcional é mínimo, mas ela contribui para o volume e o contorno das bochechas.

    A bola de Bichat tem tamanho variável entre os indivíduos. Algumas pessoas têm bolas de Bichat volumosas que contribuem significativamente para a “redondeza” facial, enquanto outras têm volumes mínimos.

    Como É a Cirurgia

    A bichectomia é tecnicamente simples e rápida:

    • Realizada sob anestesia local
    • Dura aproximadamente 30-40 minutos
    • A incisão é feita dentro da boca, na mucosa jugal
    • A bola de gordura é identificada, dissecada e removida parcial ou totalmente
    • Não há cicatriz externa
    • O paciente vai para casa no mesmo dia

    A recuperação envolve edema facial por 1-2 semanas, dieta pastosa nos primeiros dias e cuidados com higiene oral.

    Quando a Bichectomia Vale a Pena

    Na minha avaliação, a bichectomia é genuinamente indicada em situações específicas:

    Rosto Constitutivamente Arredondado

    Pacientes com rosto naturalmente redondo devido a bolas de Bichat volumosas, que mantêm a aparência de “bochechas cheias” independente do peso corporal. São pessoas que mesmo magras apresentam uma face arredondada que as incomoda esteticamente.

    Mordedura Crônica da Mucosa

    Existe uma indicação funcional: pacientes que mordem repetidamente a mucosa interna da bochecha porque a bola de Bichat é volumosa demais, criando excesso de tecido que se interpõe entre os dentes.

    Complemento a Outros Procedimentos

    Em alguns casos, a bichectomia pode complementar uma rinoplastia ou mentoplastia quando o terço médio facial é excessivamente volumoso e desproporcionado.

    Quando a Bichectomia NÃO Vale a Pena

    E aqui está o ponto crucial — as situações em que a bichectomia pode ser prejudicial são mais comuns do que as indicações genuínas:

    Pacientes Magros com Rosto Fino

    Pessoas que já têm pouco volume facial e desejam “afinar mais” estão correndo um risco real. A remoção de gordura de um rosto que já é delgado pode resultar em uma aparência esqueletizada, envelhecida e cansada — exatamente o oposto do que buscavam.

    Pacientes Jovens Sem Considerar o Envelhecimento

    Este é meu maior alerta. A gordura facial é perdida naturalmente com o envelhecimento. O rosto que é “cheia demais” aos 25 anos frequentemente será o rosto que mantém uma aparência jovem e saudável aos 45. Remover gordura que será naturalmente perdida com o tempo é antecipar o envelhecimento.

    Já atendi pacientes de 35-40 anos arrependidos de bichectomias realizadas na década anterior, com faces escavadas que agora precisam de enxerto de gordura para restaurar o volume perdido. A ironia é evidente.

    Influência das Redes Sociais

    Muitos pacientes buscam a bichectomia não por insatisfação genuína com a anatomia facial, mas pela influência de tendências estéticas passageiras. O rosto “contornado” que está em voga hoje pode não ser o padrão estético de amanhã, mas os efeitos da cirurgia são permanentes.

    O Envelhecimento: O Fator Que Ninguém Menciona

    Preciso enfatizar este ponto porque é o mais negligenciado nas discussões sobre bichectomia: a gordura facial é um dos ativos mais valiosos que temos contra o envelhecimento.

    A partir dos 30-35 anos, começamos a perder volume facial progressivamente. A região malar desincha, as bochechas afundam, os sulcos nasolabiais se aprofundam e o rosto adquire aquela aparência “cansada” e “escavada” que todos associamos ao envelhecimento.

    Remover gordura facial cirurgicamente em um paciente jovem é, em essência, acelerar esse processo. A bola de Bichat removida não regenera — e a falta que ela fará pode se tornar evidente uma década depois, quando a perda volumétrica natural do envelhecimento se somar à perda cirúrgica.

    Alternativas à Bichectomia

    Para pacientes que desejam um rosto mais definido, existem alternativas que não envolvem a remoção permanente de tecido:

    • Contorno com ácido hialurônico: preenchimento estratégico em mandíbula e queixo pode criar definição facial sem remover gordura
    • Toxina botulínica no masseter: reduz o volume do músculo masseter, afinando o terço inferior
    • Perda de peso: em pacientes com excesso de peso, o emagrecimento pode reduzir significativamente o volume facial
    • Mentoplastia: um queixo mais projetado cria a ilusão de um rosto mais fino e definido

    Minha Abordagem

    Sou honesto com meus pacientes: realizo bichectomia quando genuinamente indicada, mas recuso o procedimento quando avalio que será prejudicial a longo prazo. Minha responsabilidade como cirurgião vai além de atender desejos imediatos — preciso considerar como o resultado se comportará ao longo dos anos.

    Na consulta, faço uma análise facial completa, considerando o volume de gordura disponível, a estrutura óssea, a idade do paciente e as projeções de envelhecimento futuro. Se a bichectomia é indicada, realizo com tranquilidade. Se não é, explico claramente os motivos e proponho alternativas que alcançarão o resultado desejado sem os riscos a longo prazo.

    Essa transparência é fundamental. Um bom cirurgião é aquele que sabe dizer “não” quando necessário.

    Se você está considerando a bichectomia e gostaria de uma avaliação honesta e individualizada, agende uma consulta. Terei prazer em analisar seu rosto, discutir se o procedimento é indicado no seu caso e apresentar todas as alternativas disponíveis.