Os olhos são o centro expressivo do rosto — e também uma das primeiras áreas a mostrar sinais de envelhecimento. Pálpebras pesadas, bolsas, excesso de pele: essas mudanças criam uma aparência cansada que nem sempre corresponde a como nos sentimos. A blefaroplastia — cirurgia das pálpebras — é um dos procedimentos que mais realizo em Londrina, e seus resultados podem ser verdadeiramente transformadores.
Mas existe uma distinção importante que muitos pacientes desconhecem: a blefaroplastia superior e a inferior são procedimentos diferentes, com indicações, técnicas e recuperações distintas. Neste artigo, esclareço essas diferenças.
Blefaroplastia Superior: Rejuvenescendo a Pálpebra de Cima
O Que Ela Trata
A blefaroplastia superior é indicada quando existe excesso de pele na pálpebra superior — condição chamada de dermatocálase. Esse excesso pode variar de leve (apenas uma dobra a mais que confere aspecto cansado) a significativo (pele que repousa sobre os cílios e compromete o campo visual).
Além do excesso de pele, a blefaroplastia superior pode tratar:
- Excesso de gordura — as bolsas gordurosas mediais (canto interno) e centrais da pálpebra superior que criam volume desnecessário
- Flacidez muscular — o músculo orbicular pode estar frouxo e contribuir para a queda
- Sulco palpebral apagado — o excesso de tecido pode obliterar a dobra natural da pálpebra
A Técnica
Realizo a blefaroplastia superior sob anestesia local com sedação. A incisão é posicionada exatamente no sulco palpebral natural — aquela linha onde a pálpebra se dobra ao abrir os olhos. Essa colocação é estratégica: a cicatriz fica escondida dentro da dobra natural.
O excesso de pele é demarcado cuidadosamente antes da cirurgia, com o paciente sentado. Essa marcação é um dos momentos mais importantes do procedimento — remover pele demais pode dificultar o fechamento completo dos olhos; remover de menos compromete o resultado. A experiência do cirurgião é crucial aqui.
Após a remoção da pele, trato o excesso de gordura quando presente e fecho com sutura delicada.
Recuperação
- Primeiras 48 horas: inchaço e equimoses moderadas, compressas frias são essenciais
- 5-7 dias: remoção dos pontos, inchaço melhorando significativamente
- 10-14 dias: maioria dos pacientes confortável socialmente, equimoses residuais camufladas com maquiagem
- 1-3 meses: cicatriz maturando, resultado se refinando
Blefaroplastia Inferior: Tratando Bolsas e Excesso Abaixo dos Olhos
O Que Ela Trata
A blefaroplastia inferior aborda as mudanças da pálpebra de baixo, que são anatomicamente diferentes das superiores:
- Bolsas palpebrais — herniação da gordura orbital que cria protuberâncias visíveis sob os olhos
- Excesso de pele — rugas finas e pele redundante na pálpebra inferior
- Sulco lacrimal — a depressão entre a pálpebra inferior e a bochecha que cria aspecto de olheira
- Flacidez do complexo pele-músculo — que acentua o aspecto cansado
As Técnicas
Na blefaroplastia inferior, existem duas abordagens principais, e a escolha depende da anatomia do paciente:
Via Transcutânea (Incisão Externa)
A incisão é feita logo abaixo da linha dos cílios inferiores. Permite acesso para remover ou redistribuir gordura, tratar excesso de pele e, quando necessário, reforçar a sustentação da pálpebra. É indicada quando há excesso de pele significativo além das bolsas.
Via Transconjuntival (Sem Cicatriz Externa)
A incisão é feita na parte interna da pálpebra (conjuntiva), sem cicatriz visível. É ideal para pacientes mais jovens com bolsas gordurosas proeminentes mas sem excesso de pele significativo. Dediquei um artigo inteiro a essa técnica.
Na minha prática, a escolha entre as duas vias é individualizada. Em muitos casos, a transconjuntival combinada com redistribuição de gordura e possível resurfacing da pele é suficiente e evita cicatriz externa.
Recuperação
- Primeiras 48-72 horas: inchaço mais significativo que na superior, equimoses que podem se estender até as bochechas
- 7-10 dias: inchaço em redução, equimoses clareando
- 2-3 semanas: retorno social confortável
- 2-3 meses: resultado se estabilizando
As Diferenças Fundamentais
Embora ambas sejam “blefaroplastia”, as cirurgias superior e inferior diferem em vários aspectos:
Complexidade Técnica
A blefaroplastia inferior é tecnicamente mais complexa. A pálpebra inferior tem uma anatomia delicada com menor margem para erro. Problemas como retração palpebral (pálpebra que puxa para baixo expondo a esclera), ectrópio (eversão da pálpebra) e olho seco são riscos específicos da blefaroplastia inferior que requerem experiência para prevenir.
A blefaroplastia superior, embora também exija precisão, é anatomicamente mais straightforward.
Objetivo Principal
- Superior: remover excesso de pele e restaurar a definição do sulco palpebral. O resultado é um olhar mais aberto e descansado
- Inferior: tratar bolsas e suavizar a transição pálpebra-bochecha. O resultado é um olhar mais jovem e menos cansado
Cicatrizes
- Superior: cicatriz no sulco palpebral — praticamente invisível após algumas semanas
- Inferior transcutânea: cicatriz logo abaixo dos cílios — muito discreta mas presente
- Inferior transconjuntival: nenhuma cicatriz externa
Recuperação
A blefaroplastia superior tem recuperação geralmente mais rápida e com menos inchaço e equimoses. A inferior, por envolver manipulação de gordura e estruturas mais profundas, tende a ter um pós-operatório ligeiramente mais intenso.
Quando Combinar Superior e Inferior
Em muitos pacientes — especialmente acima dos 50 anos — ambas as pálpebras apresentam sinais de envelhecimento. Nesses casos, a blefaroplastia completa (superior e inferior simultânea) é a melhor abordagem:
- Uma única anestesia e recuperação
- Resultado harmonioso e simétrico entre as pálpebras
- Custo-benefício melhor que duas cirurgias separadas
Frequentemente combino a blefaroplastia com o lifting facial para um rejuvenescimento completo face-olhos.
Quando Não Fazer Blefaroplastia
Nem toda queixa palpebral é resolvida com blefaroplastia. Existem situações em que a cirurgia não é a melhor opção:
- Olheiras pigmentares — escurecimento da pele por melanina excessiva, tratado com cremes e laser, não cirurgia
- Ptose do supercílio — às vezes o que parece excesso de pele na pálpebra é na verdade a sobrancelha caída empurrando tecido para baixo. Nesses casos, a elevação do supercílio é o procedimento correto
- Olho seco grave — pacientes com síndrome de olho seco precisam de avaliação cuidadosa, pois a blefaroplastia pode piorar a condição
- Expectativas irrealistas — a blefaroplastia não elimina rugas dinâmicas (pés de galinha) nem trata flacidez facial
Conclusão
A blefaroplastia superior e a inferior são procedimentos complementares mas distintos, cada um com suas indicações, técnicas e particularidades. A avaliação individualizada é fundamental para determinar qual procedimento — ou combinação — trará o melhor resultado para rejuvenescer seu olhar.
Se suas pálpebras te incomodam ao se olhar no espelho, seja por excesso de pele, bolsas ou aspecto cansado, agende uma consulta. Avaliarei cuidadosamente a anatomia das suas pálpebras e indicarei a abordagem mais adequada para rejuvenescer seu olhar.

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