Prótese de Silicone vs Avanço Ósseo: Como Aumentar o Queixo

Duas Técnicas Para o Mesmo Objetivo

Quando um paciente chega à minha clínica em Londrina com queixa de queixo curto ou recuado, a primeira grande decisão técnica que preciso tomar é: prótese de silicone ou osteotomia de avanço? Ambas aumentam a projeção do queixo, mas fazem isso de maneiras fundamentalmente diferentes, e cada uma tem indicações específicas que determinarão o melhor resultado.

Neste artigo, vou comparar detalhadamente as duas abordagens para que você compreenda as nuances de cada técnica e possa discutir com mais propriedade durante sua consulta.

Prótese de Silicone Mentoniana

A mentoplastia com prótese é a técnica mais difundida mundialmente para aumento do queixo. Consiste na colocação de um implante de silicone sólido diretamente sobre o osso do mento, projetando-o anteriormente.

O Material

Os implantes mentonianos são confeccionados em silicone sólido de grau médico, um material com décadas de histórico comprovado em cirurgia plástica. Diferente do silicone gel usado em implantes mamários, o silicone mentoniano é firme porém flexível — pode ser comprimido sem quebrar e retorna à sua forma original.

As próteses estão disponíveis em diversos formatos e tamanhos: anatômicas, cônicas, estendidas lateralmente, com diferentes projeções. Essa variedade me permite escolher o implante que melhor se adapta à anatomia de cada paciente.

A Técnica Cirúrgica

A inserção da prótese pode ser feita por dois acessos:

Via intraoral: a incisão é feita na mucosa oral, no sulco entre o lábio inferior e a gengiva. A grande vantagem é a ausência total de cicatriz visível. É minha via de acesso preferida quando opero apenas a mentoplastia.

Via submentoniana: a incisão é feita na pele sob o queixo, em uma dobra natural. Reservo essa via para quando combino a mentoplastia com lipoaspiração cervical ou com lifting facial, pois o mesmo acesso serve para ambos os procedimentos.

A cirurgia dura entre 30 e 45 minutos. Através da incisão, crio um bolsão subperiosteal — ou seja, entre o osso e a membrana que o recobre (periósteo) — onde a prótese é posicionada e fixada. A fixação com parafuso de titânio é importante para evitar deslocamento.

Resultados e Limitações

A prótese produz excelentes resultados para aumento anteroposterior do queixo. No entanto, tem limitações inerentes:

  • Só aumenta projeção — não consegue reduzir ou encurtar o queixo
  • Correção vertical limitada — não é ideal para queixos muito curtos verticalmente
  • Pode causar reabsorção óssea sob o implante ao longo de muitos anos
  • Existe risco, embora pequeno, de infecção ou deslocamento
  • Em pacientes muito magros, as bordas da prótese podem ser palpáveis

Osteotomia de Avanço Mentoniano

A osteotomia mentoniana — ou genioplastia — é uma técnica cirúrgica na qual o osso do mento é cortado e reposicionado. É uma abordagem mais complexa, porém consideravelmente mais versátil.

A Técnica

Através de um acesso intraoral, exponho a sínfise mentoniana (a porção anterior da mandíbula). Com uma serra oscilatória ou piezoelétrica, faço um corte horizontal no osso, separando o fragmento inferior do mento. Esse fragmento é então movido para a posição desejada — para frente, para trás, para cima, para baixo ou lateralmente — e fixado com miniplacas e parafusos de titânio.

O procedimento dura entre uma e duas horas, dependendo da complexidade da correção.

A Grande Vantagem: Versatilidade Tridimensional

A osteotomia permite correções que a prótese simplesmente não consegue:

  • Avanço: mover o queixo para frente (igual à prótese)
  • Recuo: mover o queixo para trás — impossível com prótese
  • Encurtamento vertical: reduzir a altura do mento removendo uma faixa óssea — impossível com prótese
  • Alongamento vertical: aumentar a altura do mento com interposição de enxerto
  • Correção lateral: centralizar um queixo assimétrico
  • Movimentos combinados: avançar e encurtar simultaneamente, por exemplo

Outras Vantagens

  • É o próprio osso do paciente — sem corpo estranho
  • Não há risco de reabsorção sob implante
  • Não há risco de extrusão ou deslocamento de prótese
  • Resultado extremamente estável a longo prazo
  • Melhora a inserção muscular mentual, podendo reduzir o aspecto de “queixo de bruxa”

Limitações

  • Cirurgia mais complexa e mais longa
  • Maior edema pós-operatório
  • Risco de lesão do nervo mentoniano (parestesia do lábio inferior)
  • Recuperação um pouco mais lenta
  • Requer instrumental específico

Como Escolho Entre as Duas Técnicas

Minha decisão é baseada em critérios objetivos que avalio durante a consulta:

Escolho Prótese Quando:

  • A deficiência é puramente de projeção anteroposterior, sem alteração vertical
  • A correção necessária é moderada (até 6-8mm de avanço)
  • O paciente não tem assimetria significativa
  • A mentoplastia será combinada com lifting ou rinoplastia e desejo otimizar o tempo cirúrgico
  • O paciente prefere uma abordagem menos complexa

Escolho Osteotomia Quando:

  • Há excesso ou deficiência vertical do mento
  • Existe assimetria mentoniana que precisa ser corrigida
  • A deficiência anteroposterior é grande (mais de 8-10mm)
  • O paciente precisa de recuo do queixo
  • Há necessidade de correção combinada em múltiplos vetores
  • O paciente tem histórico de problemas com implantes ou prefere evitar corpo estranho

Recuperação Comparada

A recuperação de ambas as técnicas segue um padrão semelhante, com algumas diferenças:

Com Prótese

  • Edema moderado por 1-2 semanas
  • Parestesia transitória leve
  • Dieta pastosa por 3-5 dias (via intraoral)
  • Resultado estabilizado em 4-6 semanas

Com Osteotomia

  • Edema mais intenso por 2-3 semanas
  • Parestesia mais frequente e potencialmente mais prolongada
  • Dieta pastosa por 5-7 dias
  • Resultado estabilizado em 2-3 meses
  • Consolidação óssea completa em 6-8 semanas

Resultados a Longo Prazo

Ambas as técnicas produzem resultados excelentes e duradouros. A prótese oferece resultado estável por décadas, embora estudos de longo prazo mostrem algum grau de reabsorção óssea sob o implante em uma porcentagem de pacientes — geralmente sem significância clínica.

A osteotomia oferece resultado verdadeiramente permanente, pois o osso consolida na nova posição e se integra completamente à estrutura mandibular. Não há corpo estranho envolvido e a estabilidade é excepcional.

Uma Terceira Opção: Preenchimento

Para completar a análise, vale mencionar o preenchimento mentoniano com ácido hialurônico ou hidroxiapatita de cálcio como opção não cirúrgica. Funciona para deficiências muito leves e para pacientes que desejam “experimentar” como ficaria um queixo mais projetado antes de se comprometerem com uma cirurgia.

No entanto, o preenchimento tem limitações evidentes: resultado temporário, volume limitado e custo acumulado significativo com as manutenções. Para deficiências moderadas a importantes, a cirurgia oferece resultado incomparavelmente superior.

Minha Abordagem

Ao longo dos anos, desenvolvi conforto com ambas as técnicas e as utilizo de acordo com a necessidade de cada caso. Não tenho preferência pessoal por uma em detrimento da outra — minha preferência é sempre pelo resultado ideal para aquele paciente específico.

A chave para o sucesso da mentoplastia, independente da técnica, está no planejamento pré-operatório meticuloso: análise cefalométrica, fotografias padronizadas, simulação digital e discussão detalhada das expectativas com o paciente.

Se você sente que seu queixo compromete a harmonia do seu perfil, agende uma consulta. Terei prazer em avaliar sua anatomia e recomendar a técnica mais indicada para alcançar o equilíbrio facial que você deseja.

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