Nos últimos dois anos, algo mudou no perfil dos pacientes que chegam ao meu consultório em Londrina buscando rejuvenescimento facial. Homens e mulheres entre 40 e 60 anos, que emagreceram 15, 20 ou até 30 quilos com semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro, Zepbound), sentam-se diante de mim com uma queixa que antes era rara nessa faixa etária: um rosto que envelheceu mais rápido do que o corpo emagreceu.
Esse fenômeno ganhou o nome popular de “Ozempic Face” — e ele não é apenas uma tendência de redes sociais. As buscas pelo termo cresceram 4.600% entre 2021 e 2024, segundo dados do Google Trends publicados no PubMed Central. A procura por “cirurgião plástico Ozempic face” subiu 3.700% no mesmo período. Por trás desses números, existe uma realidade clínica concreta que tenho acompanhado de perto: o emagrecimento rápido mediado por agonistas do receptor GLP-1 provoca uma perda de volume facial que acelera dramaticamente os sinais de envelhecimento.
Por que o rosto envelhece tanto após o emagrecimento com GLP-1
Para entender o “Ozempic Face”, é preciso compreender a anatomia da gordura facial. Diferentemente da gordura abdominal, a gordura do rosto não é apenas reserva energética — ela funciona como um arcabouço estrutural. Os coxins gordurosos da região malar (maçãs do rosto), da região temporal e do sulco nasolabial sustentam a pele e dão ao rosto sua aparência jovem e saudável.
Quando um paciente emagrece rapidamente com semaglutida — e estamos falando de perdas de 15% a 20% do peso corporal em poucos meses —, a gordura facial diminui de forma desproporcional. Estudos recentes indicam uma redução média de 7% no volume da gordura facial, mas em muitos pacientes que atendo, a percepção clínica é de uma perda ainda mais significativa. O resultado é um rosto com bochechas afundadas, sulcos mais profundos, pele com excesso e flacidez nas regiões do pescoço e mandíbula, e um aspecto cansado que não corresponde à melhora que o paciente sente no corpo.
O problema é que a pele não se retrai na mesma velocidade em que a gordura desaparece. Após os 35 ou 40 anos, a produção de colágeno e elastina já está em declínio. O emagrecimento rápido apenas expõe e intensifica esse processo. É como se o rosto perdesse, simultaneamente, o “recheio” e a “elasticidade do envelope”.
Preenchimentos resolvem? A verdade que poucos falam
A primeira reação de muitos pacientes — e, infelizmente, de parte dos profissionais — é recorrer a preenchimentos com ácido hialurônico. Os dados confirmam essa tendência: pesquisas mostram forte correlação entre buscas por “Ozempic face” e termos como “preenchimento facial” e “preenchimento malar”. A lógica parece simples: se perdeu volume, reponha com filler.
Em minha experiência de mais de 20 anos e mais de 8.000 cirurgias, preciso ser direto: preenchimentos são excelentes para refinamentos pontuais, mas não substituem a abordagem cirúrgica quando há flacidez cutânea significativa e perda volumétrica extensa. Um rosto que perdeu sustentação em múltiplos planos — gordura profunda, gordura superficial e tono muscular — não se resolve empilhando seringas de ácido hialurônico. O resultado é, quase sempre, um rosto pesado, inflado e artificial.
Além disso, preenchimentos são temporários (duram de 12 a 18 meses em média), custam caro a longo prazo e carregam riscos próprios quando utilizados em grandes volumes, como migração do produto, formação de nódulos e, em casos raros, comprometimento vascular.
Lifting Deep Plane com enxerto de gordura: por que é a combinação ideal
Ao longo dos últimos anos, desenvolvi uma abordagem que considero a mais completa para o paciente que apresenta o “Ozempic Face”: o lifting facial na técnica Deep Plane combinado com enxerto de gordura autóloga.
Essa combinação não é acaso. Ela ataca os dois problemas centrais do envelhecimento pós-emagrecimento de forma simultânea e sinérgica:
O lifting Deep Plane reposiciona o que caiu
Diferentemente de um lifting convencional, que apenas traciona a pele, o Deep Plane atua em um plano anatômico mais profundo. Eu reposiciono o sistema musculoaponeurótico superficial (SMAS) e os coxins de gordura que desceram com a gravidade e a perda de volume. Isso significa que o resultado não vem de “esticar” a pele, mas de recolocar as estruturas profundas na posição em que estavam quando o rosto era mais jovem.
Para o paciente que emagreceu com GLP-1, isso é fundamental. A flacidez que se formou na mandíbula e no pescoço não se resolve com laser, radiofrequência ou fios. Essas tecnologias têm seu lugar, mas quando o excesso de pele e a ptose dos tecidos profundos são significativos, a abordagem cirúrgica é a única que entrega um resultado realmente transformador.
O enxerto de gordura restaura o que se perdeu
Aqui está o diferencial que trago da minha formação com Pitanguy e do treinamento que realizei nos Estados Unidos: o enxerto de gordura autóloga. Em vez de usar preenchimentos sintéticos, retiro gordura do próprio paciente — geralmente do abdome ou das coxas — processo esse material e o transplanto para as regiões do rosto que perderam volume: maçãs do rosto, região temporal, sulcos nasogenianos e, quando necessário, a região periorbital.
A gordura autóloga tem vantagens que nenhum preenchimento sintético oferece. Ela se integra aos tecidos do rosto, as células-tronco presentes no enxerto melhoram a qualidade da pele sobrejacente, e o resultado é permanente (em média, 60% a 70% do volume enxertado se mantém a longo prazo). E, claro, não há risco de rejeição ou reação alérgica, pois o material é do próprio paciente.
Dados da AAFPRS (American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery) confirmam o que tenho observado na prática: os procedimentos de enxerto de gordura facial dobraram de frequência em 2024, com um aumento médio de 50% no volume realizado por cirurgião. Esse crescimento está diretamente ligado à demanda gerada pelos pacientes que usam medicamentos GLP-1.
Os números que comprovam a tendência
Não se trata de opinião pessoal. As maiores entidades de cirurgia plástica do mundo documentaram essa transformação:
A pesquisa anual da AAFPRS de 2025 registrou um crescimento de 19% nos procedimentos faciais, totalizando 1,6 milhão de intervenções nos Estados Unidos. Desse total, 67% dos cirurgiões faciais reportaram aumento de pacientes buscando correção de efeitos do emagrecimento rápido — bochechas afundadas, flacidez e papada. Esse número representa um salto de 45% em relação ao ano anterior.
O lifting facial, especificamente, mostrou aumento de 15% nas cirurgias realizadas, com uma tendência marcante: pacientes cada vez mais jovens. O percentual de pacientes entre 35 e 55 anos subiu para 32%, e 67% dos cirurgiões confirmaram essa mudança de perfil etário. Um relatório da McKinsey de 2025 concluiu que os medicamentos GLP-1 estão, de fato, impulsionando a demanda por estética médica como um todo.
A ASPS (American Society of Plastic Surgeons), em seu relatório de 2024, reportou crescimento de 1% nas cirurgias estéticas gerais e 3% nos procedimentos minimamente invasivos. Mas os números mais reveladores estão nos detalhes: as cirurgias relacionadas a perda de peso e lifting cutâneo foram as que mais cresceram, refletindo diretamente o impacto dos GLP-1 na demanda.
Minha experiência com pacientes pós-Ozempic em Londrina
Atendo pacientes de todo o Paraná e de outros estados que me procuram especificamente por conta do meu trabalho com o lifting Deep Plane associado a enxerto de gordura. Nos últimos dois anos, o perfil mudou de forma perceptível. Recebo cada vez mais pacientes que:
Emagreceram significativamente com semaglutida ou tirzepatida e estão satisfeitos com o corpo, mas angustiados com o rosto. Muitos relatam que amigos e familiares comentam que “parecem doentes” ou “envelheceram de repente”, apesar de estarem no melhor peso da vida.
Já passaram por tentativas frustradas com preenchimentos em clínicas de estética, acumulando volumes de ácido hialurônico que distorceram suas proporções faciais em vez de rejuvenescê-las.
Têm entre 40 e 55 anos — faixa etária que antes era considerada “jovem demais” para um lifting, mas que, após o emagrecimento acelerado, apresenta sinais que justificam plenamente a intervenção.
Para esses pacientes, o protocolo que emprego combina o lifting Deep Plane com enxerto de gordura e, quando indicado, blefaroplastia (cirurgia das pálpebras) para tratar o aspecto de olhar cansado que frequentemente acompanha o quadro. A recuperação é surpreendentemente confortável — a técnica Deep Plane causa menos edema e equimose do que liftings tradicionais —, e o retorno às atividades sociais acontece geralmente em duas a três semanas.
Ozempic e lifting: preciso parar a medicação antes da cirurgia?
Essa é uma das perguntas mais frequentes que recebo, e a resposta exige nuances. De modo geral, oriento a suspensão da semaglutida ou tirzepatida entre duas e quatro semanas antes da cirurgia. Existem razões clínicas para isso:
Os agonistas GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico, o que aumenta o risco de aspiração pulmonar durante a anestesia geral. A Sociedade Americana de Anestesiologistas emitiu orientações específicas sobre esse tema.
A medicação pode interferir na cicatrização e na integração do enxerto de gordura, embora os dados sobre isso ainda sejam preliminares.
Idealmente, o paciente deve estar com o peso estabilizado há pelo menos dois a três meses antes da cirurgia. Operar durante uma fase de emagrecimento ativo pode comprometer a previsibilidade do resultado, pois o rosto continuará perdendo volume após o procedimento.
Cada caso é avaliado individualmente. Na consulta, discuto em detalhes o histórico de uso da medicação, a estabilidade do peso e o planejamento cirúrgico personalizado.
O ângulo que ninguém discute: a oportunidade de um rejuvenescimento realmente completo
Há algo que raramente vejo ser abordado nas matérias sobre “Ozempic Face”, e que considero fundamental: para muitos pacientes, o emagrecimento com GLP-1 criou uma janela de oportunidade única para um rejuvenescimento facial verdadeiramente completo.
Explico. Antes do advento desses medicamentos, muitos pacientes que me procuravam para lifting facial tinham excesso de gordura submentoniana (papada) que precisava ser tratada com lipoaspiração cervical associada. Agora, com o emagrecimento já realizado, posso focar exclusivamente no reposicionamento dos tecidos e na restauração volumétrica estratégica. O resultado é mais preciso, mais elegante e com um tempo cirúrgico otimizado.
Além disso, pacientes que emagreceram e estão em acompanhamento metabólico tendem a ser mais disciplinados com os cuidados pós-operatórios e com a manutenção a longo prazo. Eles já fizeram uma escolha significativa pela saúde e pela autoestima — o lifting se torna uma extensão natural desse processo.
Como saber se o lifting é indicado para o seu caso
Nem todo paciente que emagreceu com Ozempic precisa de cirurgia. Em alguns casos, a perda de volume é leve e pode ser tratada com estratégias menos invasivas. A avaliação presencial é insubstituível para determinar a melhor conduta.
De forma geral, o lifting Deep Plane com enxerto de gordura é especialmente indicado quando há: flacidez evidente na região da mandíbula e do pescoço, perda volumétrica significativa nas maçãs do rosto e região temporal, aprofundamento acentuado dos sulcos nasogenianos e das linhas de marionete, e um desejo de resultado duradouro que não dependa de retoques frequentes com preenchimentos.
O primeiro passo é uma consulta detalhada, onde analiso a anatomia facial, o histórico de emagrecimento, o uso de medicações e os objetivos estéticos do paciente. A partir disso, elaboro um plano cirúrgico personalizado.
Sobre o Dr. Walter Zamarian Jr.
Sou cirurgião plástico em Londrina, Paraná, com mais de 20 anos de experiência e mais de 8.000 cirurgias realizadas. Minha formação inclui o Instituto Ivo Pitanguy e treinamento nos Estados Unidos, com especialização em técnicas avançadas de rejuvenescimento facial, incluindo o lifting Deep Plane com enxerto de gordura. CRM/PR 17.388 | RQE 15.688.
Para agendar sua consulta, entre em contato pelo WhatsApp: (43) 99192-2221. A primeira consulta custa R$ 800,00 e o retorno R$ 400,00. Atendo pacientes de todo o Brasil.
Perguntas Frequentes
O que exatamente é o “Ozempic Face” e por que acontece?
O “Ozempic Face” é o envelhecimento facial acelerado que ocorre após o emagrecimento rápido com medicamentos agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida e tirzepatida. O rosto perde volume de forma desproporcional ao corpo, porque a gordura facial — que funciona como suporte estrutural — diminui rapidamente, enquanto a pele não tem elasticidade suficiente para se retrair. O resultado é um rosto com bochechas afundadas, sulcos profundos e flacidez na mandíbula e pescoço.
O preenchimento com ácido hialurônico resolve o Ozempic Face?
Para casos leves, o preenchimento pode ajudar no curto prazo. Mas quando há perda de volume significativa e flacidez instalada, o preenchimento tende a criar um resultado temporário e, com doses altas repetidas, um aspecto inchado e artificial. Nesses casos, a combinação de lifting facial com enxerto de gordura autóloga — que restaura o volume de forma definitiva e trata a flacidez simultaneamente — é a solução mais eficaz e duradoura.
Quando devo parar o Ozempic antes de fazer um lifting facial?
Recomendo estabilização do peso por pelo menos 3 a 6 meses antes da cirurgia. Operar em fase de emagrecimento ativo pode comprometer o resultado final, pois o rosto continua mudando. É fundamental que o paciente esteja em um peso estável e que o uso do medicamento tenha sido discutido com o endocrinologista responsável antes do procedimento.
O lifting resolverá tanto o volume quanto a flacidez do Ozempic Face?
Sim, essa é a grande vantagem da abordagem cirúrgica combinada que utilizo. O lifting Deep Plane reposiciona os tecidos profundos e elimina a flacidez, enquanto o enxerto de gordura autóloga restaura o volume perdido nas maçãs do rosto, têmporas e sulcos. É uma solução abrangente que trata todas as consequências estruturais do Ozempic Face em uma única cirurgia.
Esse fenômeno é comum? Outros pacientes meus têm essa queixa?
Sim, e cada vez mais. Nos últimos dois anos, notei um aumento significativo de pacientes chegando ao consultório com essa queixa específica após o uso de GLP-1. Os dados confirmam: as buscas por “cirurgião plástico Ozempic face” cresceram 3.700% entre 2021 e 2024. É um fenômeno real, documentado clinicamente, e que requer uma avaliação cuidadosa e individualizada.


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