A dermoabrasão é uma técnica cirúrgica que utilizo há mais de quinze anos para melhorar cicatrizes faciais durante procedimentos de revisão. Consiste no lixamento controlado da pele com um instrumento diamantado de alta rotação, removendo as camadas superficiais e estimulando a regeneração de uma pele nova e mais uniforme.
Com mais de vinte anos de experiência em cirurgia plástica facial e mais de oito mil procedimentos realizados, aprendi que cada técnica tem suas indicações precisas. A dermoabrasão é uma ferramenta valiosa no arsenal do cirurgião plástico, mas seu uso evoluiu significativamente ao longo dos anos. Hoje, a utilizo de forma muito específica: para a revisão de cicatrizes faciais, onde demonstra resultados consistentemente excelentes.
Durante muitos anos, a dermoabrasão foi amplamente utilizada para tratar cicatrizes de acne e rugas periorais (o chamado "código de barras" nos lábios). Eu mesmo realizei muitos desses procedimentos no passado. Com o tempo e a evolução da medicina, porém, compreendi melhor os riscos associados e decidi abandonar essas indicações.
O principal motivo é a hipocromia, ou hipopigmentação: a área tratada pode ficar permanentemente mais clara que o restante da pele. Isso ocorre porque a dermoabrasão, quando aplicada em grandes áreas ou de forma muito profunda, pode danificar os melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina. A literatura médica relata incidência de hipopigmentação entre um e vinte por cento dos casos, especialmente em pacientes com pele mais escura.
Diante desse conhecimento, tomei uma decisão ética: parei de indicar dermoabrasão para cicatrizes de acne e para rugas periorais. Para essas condições, existem hoje alternativas mais seguras, como lasers fracionados de CO₂ ou érbio, microneedling com radiofrequência e peelings químicos controlados, que oferecem resultados comparáveis com menor risco de alterações pigmentares permanentes.
Embora tenha abandonado algumas indicações, mantenho a dermoabrasão como técnica fundamental para a revisão de cicatrizes cirúrgicas ou traumáticas na face. Nesse contexto específico, os resultados são consistentemente excelentes, e venho aplicando essa técnica há mais de quinze anos com grande satisfação dos pacientes.
O princípio é simples, mas elegante: quando lixamos a superfície da cicatriz e a pele ao redor, a regeneração cutânea que ocorre durante a cicatrização tende a "crescer por cima" da cicatriz original, disfarçando-a de forma significativa. A pele nova que se forma é mais uniforme, mais lisa e com coloração mais homogênea que a cicatriz prévia.
Realizo a dermoabrasão durante o procedimento de revisão cirúrgica da cicatriz. Primeiro, trato cirurgicamente a cicatriz em si (refazendo a sutura, corrigindo assimetrias, mudando a direção se necessário), e depois aplico a dermoabrasão nas bordas e na superfície para uniformizar o resultado. Essa combinação de técnicas proporciona uma melhora muito superior à que conseguiríamos com qualquer uma delas isoladamente.
A dermoabrasão para revisão de cicatrizes pode beneficiá-lo se:
Pacientes com pele muito escura (tipos V e VI de Fitzpatrick) têm maior risco de alterações pigmentares e precisam de avaliação cuidadosa. Nesses casos, discuto alternativas que possam oferecer melhora com menor risco.
Cada cicatriz é única, e a consulta é o momento de entender sua história e características. Durante nosso encontro, avalio diversos fatores que influenciam o planejamento:
Classifico a cicatriz quanto à sua aparência: elevada (hipertrófica), deprimida (atrófica), larga, linear, ou com irregularidades de contorno. Cada tipo exige uma abordagem específica.
A localização na face influencia tanto a técnica quanto o resultado esperado. Cicatrizes em áreas de pele mais espessa, como a região frontal, respondem de forma diferente das localizadas em pele fina, como as pálpebras.
Cicatrizes recentes (menos de seis meses) ainda estão em processo de maturação e podem melhorar espontaneamente. Prefiro aguardar esse período antes de indicar qualquer procedimento de revisão.
Avalio seu fototipo (classificação de Fitzpatrick) para estimar o risco de alterações pigmentares. Pacientes com pele clara têm menor risco de hipocromia.
Pergunto sobre cicatrizes anteriores: alguma ficou muito elevada? Formou queloide? Essas informações são fundamentais para prever como você cicatrizará após a revisão.
Antes da dermoabrasão, recomendo um preparo específico da pele que otimiza o resultado:
Esse preparo é especialmente importante para minimizar o risco de alterações pigmentares após o procedimento.
Solicito os seguintes exames antes da dermoabrasão:
Para revisões de cicatrizes pequenas e localizadas, realizo o procedimento com anestesia local e sedação leve. O conforto é total, e você acorda logo após o término, podendo ir para casa no mesmo dia.
Em casos de cicatrizes maiores ou quando associo a dermoabrasão a outros procedimentos faciais, opto pela anestesia geral, que oferece maior controle e conforto durante todo o procedimento.
A técnica que utilizo foi refinada ao longo de mais de quinze anos de experiência. O procedimento combina a dermoabrasão com a revisão cirúrgica da cicatriz, sempre nessa ordem específica. A sequência é fundamental para o sucesso do resultado.
Inicio o procedimento com a dermoabrasão da cicatriz e da pele ao redor. Por que essa ordem? Porque seria impossível realizar o lixamento adequadamente sobre pontos recém-colocados ou com as bordas da pele já soltas pela excisão cirúrgica.
O procedimento começa com infiltração de solução anestésica com adrenalina, que minimiza o sangramento e proporciona analgesia completa. Em seguida, utilizo o dermoabrasor, um instrumento com ponta diamantada que gira em alta velocidade, para lixar cuidadosamente a superfície da cicatriz e a pele adjacente.
Controlo a profundidade observando o padrão dos pequenos vasos sanguíneos que aparecem durante o lixamento — um guia visual conhecido como "punctate bleeding" na literatura médica. Quando os pontos hemorrágicos surgem de forma regular e uniforme, sei que atingi a derme papilar, a profundidade ideal para estimular a neocolagênese sem ultrapassar a derme reticular média, o que aumentaria o risco de cicatrizes e hipopigmentação.
Após completar a dermoabrasão, realizo a revisão cirúrgica da cicatriz propriamente dita. Isso pode incluir:
Ao final, a área tratada é protegida com sulfadiazina de prata a 1%. Esse creme, amplamente utilizado em centros de tratamento de queimados, acelera a cicatrização, reduz a dor e previne infecções.
A dermoabrasão isolada para uma cicatriz pequena leva cerca de vinte a trinta minutos. Quando combinada com revisão cirúrgica ou em cicatrizes maiores, o procedimento pode durar de uma a duas horas.
A dermoabrasão uniformiza a superfície e prepara o terreno para a nova cicatrização. A revisão cirúrgica corrige problemas estruturais da cicatriz (largura, elevação, direção incorreta). A pele que regenera após a dermoabrasão tende a crescer sobre a linha da nova sutura, disfarçando-a de forma notável.
Essa sinergia entre as técnicas, realizadas na sequência correta, é o segredo para resultados que realmente impressionam os pacientes.
Os cuidados após a dermoabrasão são fundamentais para o resultado final. Sigo um protocolo específico que desenvolvi ao longo dos anos:
Nos primeiros dias, a área tratada permanece coberta com sulfadiazina de prata, que é reaplicada duas a três vezes ao dia. Essa cobertura protege a pele em regeneração, reduz o desconforto (ao evitar o contato com o ar) e previne infecções.
Por volta do quinto ao sétimo dia, a pele deixa de ficar úmida, sinalizando que a epitelização (formação da camada superficial) está completa. A partir desse momento, suspendemos a sulfadiazina.
A pele que aparece após a primeira semana é nova, rosa, ainda um pouco fina, mas completamente epitelizada e indolor. Nessa fase, você pode retomar atividades normais, mas com cuidados específicos:
Por volta do décimo quarto dia, introduzo o creme despigmentante, que ajuda a prevenir manchas e uniformiza a coloração da pele em regeneração.
A vermelhidão diminui progressivamente ao longo das semanas. Após dois meses, a pele já apresenta coloração mais próxima do normal e espessura adequada. O resultado continua melhorando por até seis meses, à medida que a cicatriz amadurece.
Recomendo evitar bronzeamento por pelo menos seis meses após a dermoabrasão. Isso não significa ficar recluso em casa, mas sim usar filtro solar diariamente e evitar exposição prolongada ao sol. A pele em maturação é mais susceptível a manchas, e esse cuidado é essencial para um resultado uniforme.
A dermoabrasão para revisão de cicatrizes não faz a cicatriz desaparecer completamente, mas pode melhorá-la de forma significativa. Na minha experiência de mais de quinze anos com essa técnica, a maioria dos pacientes relata que a cicatriz se tornou muito menos perceptível, muitas vezes passando despercebida em conversas normais.
O resultado é permanente. A pele que regenera após a dermoabrasão é sua pele definitiva, e ela envelhece naturalmente junto com o restante do rosto.
Se você está tomando isotretinoína, precisamos aguardar doze meses após a suspensão do medicamento antes de realizar qualquer procedimento de dermoabrasão. Se tem histórico de herpes labial, prescrevo medicação antiviral preventiva antes e após o procedimento.
Na minha prática, realizo a dermoabrasão com anestesia local e sedação, o que proporciona conforto total durante todo o procedimento. No pós-operatório, meus pacientes relatam desconforto mínimo enquanto a sulfadiazina de prata protege a área tratada. Quando há alguma sensação de ardência nos primeiros dias, controlo facilmente com analgésicos comuns.
Na minha experiência, a epitelização — formação da camada superficial da pele — ocorre em cinco a sete dias. A vermelhidão persiste por algumas semanas e diminui progressivamente. Oriento meus pacientes que o resultado final é visível em quatro a seis meses, quando a cicatriz atinge sua maturação completa.
Não recomendo. Prefiro agendar a dermoabrasão no outono ou inverno, quando a exposição solar é naturalmente menor. Realizar o procedimento no verão aumenta significativamente o risco de manchas durante a fase de recuperação, e considero esse cuidado fundamental para o melhor resultado.
Sim. Na minha experiência de mais de quinze anos com essa técnica, posso afirmar que o resultado é permanente. A pele que regenera após a dermoabrasão não "volta atrás". Porém, sempre esclareço aos meus pacientes que novas lesões na área ou o envelhecimento natural da pele podem, com o tempo, criar novas imperfeições.
Na maioria dos casos de revisão de cicatriz que realizo, uma única sessão é suficiente. Em cicatrizes muito extensas ou profundas, posso recomendar uma segunda etapa após seis meses para complementar o resultado, mas isso é a exceção, não a regra.
Tomei essa decisão com base na minha experiência e na literatura médica. O risco de hipocromia permanente — a pele ficar mais clara que o tom natural — pode chegar a vinte por cento dos casos quando a dermoabrasão é aplicada em áreas extensas. Para cicatrizes de acne, hoje indico alternativas que considero mais seguras, como lasers fracionados de CO₂ e microneedling com radiofrequência, que oferecem resultados comparáveis com menor risco pigmentar.
São procedimentos completamente diferentes, e costumo explicar isso detalhadamente aos meus pacientes. A microdermoabrasão é um tratamento estético superficial que remove apenas o estrato córneo com jato de microcristais ou ponteira diamantada de baixa rotação. A dermoabrasão cirúrgica, que realizo, utiliza fresas diamantadas de alta rotação que atingem a derme papilar e reticular superficial — camadas muito mais profundas, onde ocorre a verdadeira remodelação do colágeno. A dermoabrasão exige anestesia, ambiente cirúrgico e treinamento especializado.
Sim, e na verdade essa é a forma como mais a utilizo. Combino a dermoabrasão com a revisão cirúrgica da cicatriz, realizando primeiro o lixamento e depois a correção cirúrgica. Na minha experiência, essa combinação de técnicas proporciona resultados muito superiores ao que conseguiríamos com qualquer uma delas isoladamente.
Não indico a dermoabrasão para pacientes que usaram isotretinoína (Roacutan) nos últimos doze meses, que têm histórico de queloides graves, infecção ativa na pele ou herpes em atividade na face. Pacientes com pele muito escura (tipos V e VI de Fitzpatrick) precisam de uma avaliação cuidadosa, e nesses casos discuto alternativas que possam oferecer melhora com menor risco de alterações pigmentares.
Recomendo que meus pacientes evitem exposição solar por um a dois meses antes do procedimento e usem filtro solar diariamente. Em alguns casos, prescrevo cremes despigmentantes para uniformizar o tom da pele. Também oriento suspender medicamentos que aumentam sangramento, como aspirina e anti-inflamatórios, por quinze dias antes da cirurgia.
Se você convive com uma cicatriz na face que afeta sua autoestima, saiba que existem opções para melhorá-la significativamente. Durante a consulta, avalio sua cicatriz, discuto as possibilidades de tratamento e explico honestamente o que você pode esperar como resultado.
Cada cicatriz é única, e a abordagem precisa ser personalizada. Às vezes, a dermoabrasão é a melhor opção. Em outros casos, outras técnicas podem ser mais indicadas. Meu compromisso é indicar sempre o tratamento mais adequado para você, não o que eu mais gosto de fazer.
Para saber mais sobre a dermoabrasão para revisão de cicatrizes faciais ou outras modalidades de cirurgia plástica que realizo em Londrina - PR, por gentileza, entre em contato com a Clínica Zamarian e agende uma consulta.
A dermoabrasão é frequentemente combinada com procedimentos de rejuvenescimento facial como o lifting facial, a blefaroplastia e o enxerto de gordura facial para resultados completos. Tratamentos complementares como o preenchimento facial e a toxina botulínica também podem potencializar o rejuvenescimento da pele. Veja informações sobre investimento e recuperação pós-cirúrgica.
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